#VoltsNaMSDC Confira aqui as críticas do Panorama Brasil – Filmes da Região Nordeste

Os filmes selecionados vêm dos estados da Bahia, Ceará, Sergipe, Paraíba e Pernambuco

Ao todo, a Mostra Sesc de Cinema 2019 conta com 42 filmes e aqui no Volts você confere nossos comentários sobre todos eles. Nesse post, as produções da Região Nordeste são as estrelas. Vai vendo.

Mateus (Recife, Pernambuco) 80min, longa-metragem, documentário, 2017

Essa doçura de documentário em formato road-movie é um breve passeio pela cultura popular pernambucana que só prova quão vastas e ricas são as tradições culturais do nosso país. Os palhaços Jurema e Bandeira vão rasgando a estrada a bordo de um fusquinha azul 78 em busca dos veteranos ‘brincadores’, palhaços que são chamados de ‘Mateus’ na região da Zona da Mata norte-pernambucana.

O doc. dispensa o didatismo que até poderia esclarecer os termos “Loa”, “Cavalo Marinho” entre tantos outros e prefere focar nos personagens como seu Zé de Bibi e o Mateus Martelo que, já idosos, seguem como guardiões de um saber popular tão belo e puro. “Pessoas assim enchem a minha alma de alegria”, diz Jurema em certo trecho – e assim também é o filme que emociona e diverte na mesma intensidade.

Ilha (Salvador, Bahia) 92min, longa-metragem, ficção, 2018

O que o Cinema quer da gente é coragem” … “Vocês vão ter que engolir a seco a minha subjetividade”… “O amor ensina e mata aqueles que não tem imaginação”. Assim é o longa-metragem de Ary Rosa e Glenda Nicácio, cheio dessas frases de efeito e citações, nunca dispensa a oportunidade de ser viajativo, às vezes é cafonaço, mas sempre muito consciente do próprio conceito de ser um filme provocativo e intrigante sobre a arte de fazer filmes.

Em Ilha o uso da quebra da quarta parede ganha um contorno diferente já que quem olha para a lente não encara exatamente o público e sim Thacle, o personagem que opera a câmera. E enquanto o filme dentro do filme vai sendo feito, as barreiras entre realidade e ficção vão se estreitando e memória e Cinema se misturam pra terminar no abraço. O abraço que Emerson dá em seus pais da ficção é também um acerto de contas com os pais da vida real e por isso a cena cresce tanto. Já o abraço final pode até ter lá a sua dose de cafonice, mas é marcante como é também o filme inteiro. Os dois.

Orin: Música para os Orixás (Salvador, Bahia) 73min, longa-metragem, documentário, 2018

Esse documentário em longa-metragem dirigido por Henrique Duarte parte da interessante premissa de que os cânticos e ritmos do candomblé tiveram papel determinante na construção de diversos gêneros musicais brasileiros, do samba ao funk. Dessa forma, o texto vai evoluindo e faz perceber que a música está relacionada a uma ancestralidade que chega até mesmo a extrapolar o território da religião.

O filme também é hábil em explorar detalhes que vão desde a feitura dos atabaques até a curiosa hierarquia dos instrumentos. Nesse sentido, as diferentes danças de cada orixá rendem um dos momentos mais belos do longa. Por fim, a simbiose entre fé e som revela uma forma de arte que flui para além dos terreiros e vai parar, como o doc. explica, na pauta da Rumpilezz Orquestra em Salvador até virar referência central para um grupo de rap.

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