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Destaque

O SELO BLACK DA DC NOS CINEMAS

Joker tem se tornado um dos filmes mais aguardados de 2019, especialmente após ganhar o prestigioso prêmio de Leão de Ouro como melhor filme no festival de Veneza, sendo a primeira produção do gênero heróis a atingir tal honra. No entanto, o sucesso de Joaquin Phoenix e Todd Phillips nessa produção sobre o Palhaço do Crime podem ganhar proporções imensuráveis, alterando a maneira como a Warner Brothers e a DC arquitetam seus projetos no cinema. Joker, apesar de ser uma propriedade da Detective Comics, não é um filme dentro da continuidade do Universo Compartilhado (DCEU), se passando em seu próprio domínio, fato confirmado essa semana por Phillips, que revelou que seu Coringa e o Batman de Robert Pattison não vão coexistir. Este Joker, na verdade, é o primeiro filme da DC que vai usar o título de DC BLACK.

A DC Black Label é uma proposta dos quadrinhos que surgiu em Setembro de 2018, onde a companhia colocaria seus títulos mais adultos dentro desse rótulo, focando primordialmente em mini-séries, histórias fora da continuidade e os quadrinhos de origem da Vertigo, como Sandman, Lucifer, Watchmen e Y: The Last Man.

A transição do Black Label para o cinema vai depender do sucesso e recepção de Coringa, mas sua lógica vai funcionar assim como nos quadrinhos, focando em histórias individuais, mais adultas e contidas em seu próprio universo, sem a criação de uma franquia em continuidade. Pensando nisso, o Volts resolveu compilar uma série de produções que, dado o inevitável oscar de melhor ator para Phoenix, seriam do mesmo calibre de Coringa, continuando e perpetuando a marca DC Black para a Warner Brothers

  • Superman: Red Son

Red Son apresenta uma premissa simples: o que aconteceria se a nave de Kal-El tivesse pousado na Ucrânia ao invés de Kansa ? Nessa história, publicada em 2003, vemos um Superman sendo criado dentro da União Soviética, se tornando sua maior arma na guerra fria contra os Estados Unidos.

Por conta da natureza do Black Label, uma história de elseworld seria perfeita, elevando o gênero de heróis, na criação de uma trama extremamente politizada e madura que combina elementos da realidade, como a presença de Joseph Stalin e JFK e as ramificações de uma guerra psicológica, ao mesmo tempo que nós dá uma nova perspectiva na origem e essência do maior super herói do mundo. Além disso, por não ser uma produção conectada com o DCEU, aqui poderíamos ver o retorno de Henry Cavill no papel do Homem de Aço, dando ainda mais complexidade para o filme.

  • Capuz Vermelho e os Fugitivos

Seguindo a mesma estrutura de Coringa, essa produção focaria em um personagem que é derivado da mitologia do Batman, ainda que o mesmo não esteja presente. Os Fugitivos seriam baseados em sua versão mais atual, seguindo os quadrinhos de Rebirth (2016), onde vemos um time composto por Bizarro, Artemis e Capuz Vermelho.

Esse filme se tornaria uma alternativa inventiva de introduzir a trinidade original da DC no selo Black, já que cada um dos anti-heróis presentes é uma contraparte, principalmente em ideologia, dos heróis clássicos da DC. Já que essa versão da equipe é conhecida como The Dark Trinity, com Bizarro sendo um clone em espelho de Superman, Artemis uma amazona renegada e Capuz Vermelho, seguindo o legado do Cavaleiro das Trevas, por ser a identidade que o segundo Robin assume ao sair da sombra do Batman. Além disso, pela natureza do título, o selo Black se torna perfeito para que a complexidade e violência do time possa ser explorada de maneira efetiva.

  • Questão

Por apresentar uma base extremamente teológica, questionando até mesmo a própria natureza do seu pensamento por conta de sua crença objetivista, Vic Sage é, provavelmente, o personagem mais indicado para encarnar o real significado por trás do selo Black. O Questão é um agente incansável, lutando contra a corrupção presente no mundo, com uma máscara que o torna sem rosto, representando de maneira brutal e incisiva, que a justiça é anônima e cega, onde os fins sempre justificam os meios.

Além de sua natureza complexa, trabalhando de maneira realista e profunda dentro da paranoia de um conspirador, o Questão é considerado um dos melhores detetives dos quadrinhos, servindo dessa forma como um contraste para o Batman, que apesar de calculista, se restringe a um código moral quando se trata de suas ações.

  • Lobo

Lobo, assim como o Questão, é um personagem que só completamente funcionaria dentro do selo Black. Repaginado por Keith Giffen nos anos noventa, Lobo é uma paródia no significado de herói por ser completamente amoral, violento e sem limites e sendo um mercenário que não se importa com seu alvo, matando sem dó ou piedade, para conquistar a recompensa no final.

Sendo um personagem tão gráfico e impressível, por apresentar alcoolismo e tabagismo de maneira exagerada, Lobo somente funcionaria do Universo Black, onde não seria preso por restrições quanto uma classificação indicativa. Além disso, o caçador de recompensas exploraria um lado mais sádico, focando em um humor malpropício, que diverge fortemente com a marca já estabelecida no DCEU. Por fim, Lobo é uma forma de expandir a marca da DC, consolidando uma audiência mais adulta.

  • A Liga de Cavalheiros Extraordinários

Dando uma nova perspectiva em personagens clássicos da literatura, como Sherlock Holmes, Dorian Gray, Drácula, 20.000 Léguas Submarinas, Frankenstein, essa propriedade dá Vertigo já é presente no selo DC Black nos quadrinhos. Criado pelo lendário Alan Moore em 1999, tem a premissa da criação da Liga de Cavalheiros Extraordinários, um time sobrenatural composto de figuras conhecidas da literatura que, nos eventos da morte da rainha, trabalharia de maneira independente de órgãos governamentais para com os interesses da coroa britânica.

Uma nova produção desse título, após o controverso filme em 2003, seria uma forma de desenvolver uma conexão entre o selo Black dentro dos quadrinhos, com essa nova divisão de filmes. Além disso, a presença da Liga seria uma forma de idolatrar o trabalho de Moore, que é um dos maiores contribuintes não somente para o universo da DC, mas para o legado de quadrinhos e heróis no geral.

  • Y: The Last Man

Mais uma das propriedades famosas derivadas da Vertigo, Y: The Last Man seria uma forma de diversificar o selo Black dentro dos cinemas, saindo da continuidade principal de personagens da DC. Aqui somos introduzidos a um futuro apocalíptico, onde o cromossomo Y está em extinção, com todos os homens morrendo de maneira misteriosa, tornando Yorick Brown o último de sua espécie vivo. Com uma base mais científica, abrangendo a marca Black nos cinemas, essa produção se tornaria perfeita para expandir a temática de super heróis, dando mais dimensão para o gênero.

Além disso, Y é mais desconectado ainda das propriedades da DC, criando a oportunidade em capitalizar em cima do título e desenvolver a primeira trilogia de filmes dentro do Universo Black.

  • Batman do Futuro

Por fim, essa nova dinâmica se torna a oportunidade perfeita para a DC expandir sua marca em todos os aspectos, criando o local perfeito para um filme animado focado em Terry McGinnis, o Batman do Futuro. Além de elevador o nível de suas, já celebradas, animações explorando estéticas novas dentro do gênero, se apoiando nos estilos cyberpunk e ultra tecnológico já presentes no título, Batman Beyond também serve de contraste para os eventos do Coringa de Phoenix e Phillips, que se passam no passado.

Pela DC já apresentar uma digna reputação quando se trata de animações e contando com a nostalgia aclamação da série animada, essa produção com foco em uma distribuição teatral se tornaria a carta na manga do selo Black, sendo a oportunidade da companhia conquistar de vez um território que a mesma já domina.

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Crítica de Filme

Crítica | Projeto Gemini

Que é isso, novinho? Mesmo sendo muito mais interessante pela forma que pelo conteúdo, novo filme de Ang Lee deixa sua marca na linha evolutiva do Cinemão

Com certeza você já passou por isso: foi rever um filme que te parecia impecável na época e só agora você nota que os efeitos visuais eram, na verdade, bem capengas. Isso certamente acontece porque temos como referência o que vem sendo feito no Cinemão de hoje em dia. É claro que alguns filmes sobrevivem melhor ao teste do tempo que outros, mas de todo modo, a linha evolutiva da tecnologia a serviço da Arte se movimenta constantemente – agora mesmo enquanto você lê esse texto. Em Projeto Gemini o mestre Ang Lee nos traz outra novidade. Vai vendo.

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Antes de qualquer coisa é importante brindá-lo com uma informação que talvez você já tenha: Ang Lee se juntou a expertise de Jerry Buckheimer para blockbusters atribuindo a Projeto Gemini (Gemini Man, 2019) o apelo popular de que esse filme carecia. (Veja, é um thriller de ação com assassino cansado de labuta e doido pra se aposentar. Ou seja: genericaço). Tudo porque a tecnologia empregada aqui oferece uma experiência de 3D nunca antes vista: rodado a 120 frames por segundo (muito mais que os 24fps tradicionais) o filme é um tapa de altíssima resolução e uma limpidez de imagem que vai deixar qualquer aficionado por hidef abestalhado.

E pra quem reclama da imagem escurecida do 3D tradicional: não há diferença nenhuma de iluminação com ou sem os famigerados oclinhos. Nesse sentido, o visual é impactante do começo ao fim. Lastimavelmente, entretanto, é crucial destacar que aqui no Brasil gozaremos apenas da oportunidade de ver Projeto Gemini em 4K 3D+ HFR (e tome sigla) em 60fps – em virtude da falta de equipamento capaz de suportar a tecnologia empregada nesta ousadérrima película. Mesmo sendo metade do concebido por Ang Lee, a experiência ainda é muito incrível. A título de comparação, Peter Jackson fez esse exercício em 2012 com O Hobbit em 48fps e o choque foi algo.

Ainda há outro atributo técnico distinto nesse filme que é a mágica do rejuvenescimento, cada vez mais apurada e assustadora. Will Smith é um assassino de elite a serviço da inteligência americana que, por ser o “agente que sabia demais”, precisa ser exterminado. Driblando spoilers, o homem de 51 anos se vê diante de uma versão dele mesmo, trinta anos mais jovem. O variante ‘Um Maluco no Pedaço’ resgatado dos anos 90 na base do murro tecnológico é interpretado por ele mesmo, lógico, rebocado por toneladas de truques digitais. E, ainda que o resultado não seja impecável, em alguns momentos rela na perfeição e aponta para as infinitas possibilidades que esse recurso pode proporcionar para o futuro dos filmes.

Devido a HFR (high frame rate) empregado aqui, Lee precisou economizar nos planos e cortes para evitar incômodos visuais (e o público bem que reportou desconforto com O Hobbit devido a isso, quem viveu sabe) o que acabou rendendo pelo menos alguns momentos bem impactantes. Destaco aqui toda a sequência envolvendo uma perseguição de motos, passando pelas ruas estreitas da Colômbia, tirando fino dos carros. O realismo impressiona e os movimentos de câmera, notadamente mais fluidos sem o ruído dos picotes comuns de sequencias de ação, acabam maximizando a sensação de urgência na cena.

Tendo sido dito tudo isso, o calcanhar de Aquiles aqui fica justamente por conta do roteiro. Não fosse a insinuação existencialista contida num cenário onde você tem a oportunidade de conversar com uma versão mais jovem de você mesmo (o que você diria?) a premissa é bem genérica, como o atento leitor já catou lá no começo do texto – inclusive chegando a ser previsível em vários níveis. E aí o caráter hipnótico do 3D+ 4K HFR (!) só consegue cobrir até certo ponto.

Mesmo assim, o fato é que Projeto Gemini aponta para o futuro. Com que outras bruxarias incríveis a tecnologia ainda há de nos surpreender, pra que possamos rever tais filmes tempos depois, julga-los obsoletos e em seguida nos surpreendermos com tantos outros? A saber.

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Crítica

Crítica | Black Fox

Co-produção da Crunchyroll, animê mistura sci-fi com ninjas.

Após o muito frisson promovido, finalmente pudemos ver o resultado de Black Fox, animê original produzido pelo estúdio 3Hz (em parceria com o estúdio Infinite) e a presença da Crunchyroll no comitê de produção.

Saindo em formato de longa-metragem, a animação surpreende em visual e em markerting – sendo licenciada no Brasil e outros países com cobertura da Crunchyroll um dia antes da estreia nos cinemas japoneses neste fim de semana – e se configura não mais como uma aposta, mas sim numa alternativa muito positiva ao serviço de streaming dedicado ao público otaku (mas não é o momento de comentar isso, talvez em um artigo).

Com a premissa de um sci-fi, Black Fox reúne elementos como IAs e disputas corporativas por tecnologias de potencial militar ao universo mais que amado dos shinobis ao introduzir a jovem Rikka Isurugi em uma vingança por sua família ao lado de “animais” robóticos superinteligentes e de personalidades destoantes. Junte a isso uma garota telapata e um cientista louco e… bom, poderíamos ter uma trama perfeita.

Não entenda errado! Não estou dizendo que Black Fox é um filme ruim. Pelo contrário, gostei bastante da experiência e me senti cativado pelas personagens apresentadas. Na verdade, acho que como um filme de origem, o longa-metragem cumpre bem o seu papel de nos inserir na história de Rikka e creio que tem tudo para se desenvolver em uma boa série de animê em um futuro não tão distante. Sério, estou muito a fim de ver Rikka, Mia e Melissa no combate ao vilão Brad Ingram.

Todavia, não esquecendo que Black Fox é um filme, temos muitas questões no roteiro que desanimam bastante. O segundo ato, em específico, é muito prejudicado com a maneira escolhida para dar sequência aos acontecimentos. A forma como Rikka e Mia desenvolvem sua conexão acaba ocorrendo de maneira um pouco rasa mesmo sendo perceptível que em suas essências ambas são distintas demais uma da outra em relação ao carinho e o afeto daqueles ao seu redor.

Considerando o tempo de duração do filme (90min) – que não foge do padrão da cena, mas poderia ser um pouquinho maior – temos uma minutagem aproximada à de 4 episódios sem abertura e encerramento. É observando isso que se percebe que o segundo ato (que equivaleria a dois episódios) poderia trabalhar de forma bem mais efetiva o contato entre as duas garotas e, assim, preparar melhor o público para o clímax.

Isso não tira méritos da direção de Kazuya Nomura e Keichi Shinohara, que contam com um trabalho relativamente bem feito pelo time do 3Hz , que tem entre seus principais trabalhos Sword Art Online Alternative: Gun Gale Online (2018). Outro ponto superpositivo são as presenças de Ayaka Nanase e Haruka Tomatsu nas vozes de Rikka e Mia. Talentosíssimas!

A experiência de poder ver o filme nos mesmo período de sua estreia em solo japonês é um outro atrativo e espero que isso se repita em muitos outros momentos. Volto a afirmar, Black Fox tem tudo para ser uma história memorável. Só depende das escolhas a serem feitas. Minha sugestão é que em vez de um segundo filme tenhamos uma série animada para TV/streaming com 12 episódios para dar sequência à trama.

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Crítica de Filme

Crítica | Coringa

Todd Phillips expande as possibilidades de filmes baseados em quadrinhos com narrativa atordoante e perturbadora sobre as origens do Palhaço de Gotham

Depois de uma campanha das mais barulhentas de que se tem memória, Coringa (Joker, 2019) finalmente entra em cartaz com a promessa de ser um “filme de herói” diferente de tudo que já foi feito até agora. E, de fato, o diretor Todd Phillips proporciona aqui uma experiência atordoante, caótica, perturbadora e carregada de ambiguidades que ajudam a entender a trajetória cheia de polêmica do filme pelos festivais mundo a fora. Vai vendo.

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Primorosamente fotografado e conduzido, o filme primeiro atrai pela virtuosidade estética: a atmosfera setentista que se nota logo nos letreiros iniciais se estende pelas ruas apinhadas de gente com pressa, pelos carros, pelos trens super poluídos de pichos e sujeira, pelos prédios cinzas. Tudo contribui para o sufoco que o filme transmite e que cresce nos engasgos da gargalhada do protagonista, na fumaça do cigarro que nunca se apaga.

Joaquin Phoenix é um absurdo quando enverga uma risada congelada ouvindo o chefe lhe pregar mais uma injustiça “o valor da placa vai ser descontado do seu salário”; quando corre com o vigor de um desenho animado, quando bate com a cabeça contra portas de vidro, quando demonstra não perceber a brutalidade enquanto a exerce. A performance é também caótica ao permitir ao público ler sinais que são ora de compaixão, ora de asco. E o corpo esquálido do ator termina de emoldurar a imagem. Nesse sentido, por Phoenix, esse Coringa está à altura de qualquer um de seus pares já vistos na tela grande.

Mas se por um lado no roteiro escrito por Phillips e Scott Silver tudo é combustível pra entender a posição de vulnerabilidade do ainda Arthur Fleck (e a vulnerabilidade é o que provoca a compaixão do público) por outro faz questão de enfatizar a condição de um homem com a mente doente, cujo controle de suas ações se equilibra como um castelo de cartas. Nesse ponto, são inválidas as teorias de que o filme justificaria os crimes do personagem como uma resposta às injustiças a que foi submetido.

No entanto, ao ilustrar o Coringa como um agitador psicopata que ao se rebelar contra o “sistema” encontra no caos a recompensa e a redenção, os esforços começam a ficar ambivalentes.  “Isso não é lindo?” ele diz depois de ser acusado de provocar a desordem generalizada em Gotham pra, em seguida, ser ovacionado como herói pelo mar de gente vestida de palhaço.

De todo modo, o Coringa de Todd Phillips certamente expande as possibilidades de filmes baseados em histórias em quadrinhos uma vez que aqui se pretende um caminho muito mais interessado no drama existencial e na tragédia humana que nas firulas megalomaníacas que o público (no qual me incluo) tanto ama. É muito provável que através dele se abra a chancela para mais produções como essa – o que só demonstra a riqueza da linguagem dos quadrinhos que até parece subaproveitada depois de um filme atordoante como esse.

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