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Música

Grammy e racismo: o relacionamento mais duradouro do mundo da música

A década de 2010 termina sem nenhum artista negro ter ganhado o ‘Melhor Álbum do Ano’ no Grammy.

Há 12 anos, em Los Angeles, o pianista de jazz Herbie Hancock subia ao palco da 50ª cerimônia de premiação do Grammy para receber a estatueta de ‘Melhor Álbum do Ano’ pelo disco ‘River: The Joni Letters’, produzido em homenagem à cantora Joni Mitchell. O momento foi um balde de água fria para muitos que acompanhavam a cerimônia. As apostas estavam altas em ‘Back to Black’ de Amy Winehouse, que já tinha garantido três das principais categorias da noite.

O produtor Quincy Jones, ao entregar o prêmio a Hancock, não se mostrou muito contente com a vitória e muito menos se preocupou em disfarçar. Além de Amy, o pianista concorria com Kanye West e Foo Fighters. Hancock não era apontado por nenhum site especializado como vencedor e a própria indicação do artista na categoria não foi bem recebida pelos críticos.

Contudo, o ponto mais relevante desse fato não é o descontentamento do público, da crítica ou dos artistas com a vitória do pianista em 2008, e sim que Herbie Hancock foi o último artista negro a ter um álbum vencedor da principal categoria do Grammy. Mas o que isso significa? Em meio a uma período em que grandes nomes da Black Music lançaram diversos trabalhos, o Grammy finaliza a década de 2010 reafirmando uma problemática intrínseca da premiação: de que artistas negros, dificilmente, merecem o mérito por terem entregue grandes obras na história da música.

Para entender o porquê, podemos refletir sobre a resposta dada pelo então presidente da Academia Fonográfica, responsável pela premiação, ao ser questionado pela ausência de nomes femininos nas principais categoria do prêmio em 2018. Neil Portnow, tentando defender o seu peixe, acabou afirmando que as mulheres precisam aumentar o nível. Seria esse também o motivo pelo qual artistas como Kendrick Lamar e Beyoncé, recordistas em indicações nas edições de 2016 e 2017, respectivamente, acabam perdendo nessa categoria?

A invisibilidade do Hip-Hop e as injustiça contra Lamar

Com ‘To Pimp A Butterfly’ (2015), Kendrick liderou o Grammy 2016 com 11 nomeações, entre elas a de melhor álbum do ano. A nomeação na categoria não pegou ninguém de surpresa, como no caso do pianista Hancock, muito pelo contrário, já era esperada. ‘To Pimp A Butterfly’ foi ovacionado no seu ano de lançamento, muitos críticos consideraram a obra com um experimento assertivo de renovação do Hip-Hop, indo além do gênero e explorando outros estilos.

Entre as rimas amargas que estampam a realidade da população negra e a criatividade experimental, o álbum figurou em primeiro lugar em diversas lista de melhores álbuns de 2015, conseguiu a nota média de 96/100 no Metacritc, com base em 44 críticas, e é, até hoje, considerado o mais importante álbum da cultura Hip-Hop/Rap. Contudo, no final da noite do 58ª Grammy, o rapper voltou para casa sem ganhar em nenhuma categoria principal e, dentre elas, bem… Vocês já sabem.

Sobre isso, o rapper Frank Ocean considerou com um dos momentos mais “defeituosos” da TV, ao rebater uma critica da própria bancada do Grammy a respeito de uma apresentação realizada por ele na edição de 2013. Além disso, o artista, em 2017, deixou de submeter o seu álbum ‘Blonde’ (2016) por não concordar com as políticas da premiação. Seguindo o caminho aberto por Ocean, Kanye West e Drake, também em 2017, resolveram boicotar o prêmio não indo à cerimônia, alegando a falta de espaço para os negros.

O icônico Snoop Dogg também levantou a bandeira naquele mesmo ano. O dono de parcerias consagradas mandou um belo f****se ao prêmio por não representar os artistas negros. “Que tal criamos uma premiação dos negros? Vamos dar a eles tudo o que eles merecem por ontem, hoje e amanhã”, afirmou o rapper em um vídeo divulgado em uma rede social.

E esse descontentamento é histórico. O empresário Jay Z deixou de comparecer em diversas edições, como forma de boicote, porque, no ano de 1999, a bancada não indicou o trabalho do rapper DMX, bastante elogiado na época. Jay Z aproveitou para reiterar que já é sistemático a prática de exclusão do Hip-Hop nas principais categorias do prêmio.

Outro exemplo de artistas negros sendo esnobados é Beyoncé. A cantora tem um total de 22 prêmios Grammy, mas, vejam só, dentre o total, 18 são de categorias de R&B e música urbana. Muitos apontam essas categorias como prêmios de consolação. Faz sentido. Em 2017, Beyoncé era líder em indicações e ‘Lemonade’ (2016) era um dos favoritos para ganhar álbum do ano, mas a cantora teve que se contentar com a estatueta ‘Melhor Álbum de Música Urbana‘.

Negros têm visibilidade na premiação?

Com todo esses momentos promovidos pelas últimas edições da premiação, a impressão é que, embora artistas negros tenham entregado obras aclamadas, que revolucionaram o mercado e a música, a bancada do Grammy ainda insiste em vê-los apenas como dignos de serem indicados, mas não de serem vencedores.

Isso se torna mais palpável se formos ver em números. Entre os anos de 2010 e 2019, dos 53 indicados na categoria “Melhor Álbum do Ano”, 19 eram negros, mas nenhum se consagrou como vencedor. Já dos 50 indicados na mesma categoria, no período de 2007 a 2017, 10 eram negros, e apenas um conseguiu levar o prêmio, ainda que a contragosto de muitos. Se totalizarmos todas as edições do Grammy, que acontece desde 1959, apenas 10 artistas negros saíram com a estatueta de álbum do ano, sendo que, desses artistas, há apenas duas mulheres.

62ª edição do Grammy

A cerimônia de premiação deste ano acontece no próximo domingo (26) e, assim com nas edições de 20016 e 20017, são artistas negros que lideram as indicações. A cantora e rapper Lizzo totaliza oito nomeações, saindo na frente de nomes como Ariana Grande e Taylor Swift. Além dela, Lis Nas X é outro artista negro líder em nomeações, seis no total. Ambos estão concorrendo a ‘Melhor Álbum do Ano’.

Independente se Lizzo ou Lis Nas X saiam vitoriosos ou não na categoria, a realidade, para quem acompanhou de perto os lançamentos dos últimos 10 anos, é difícil de ser digerida. Na década marcada por movimentos como Black Lives Matter, pelo primeiro afro-americano ocupando o cargo de presidente dos Estados Unidos e Beyoncé marchando com seus bailarinos em homenagem aos Panteras Negras, no intervalo da final do Super Bowl, o Grammy se reafirma como uma instituição presa à sociedade segregacionista norte-americana do século passado, ao não permitir que artistas negros saiam do status de indicados e se tornem os grandes campeões da premiação.

Música

Rumores apontam live patrocinada e música inédita de RBD em outubro

Especulações tomaram conta da internet após anúncio do Spotify.

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RBD fez sucesso no mundo inteiro e deve fazer apresentação especial em outubro (Foto: Divulgação/EMI)

Entre 2004 e 2008, a cultura pop da América Latina só falava sobre um assunto: RBD, banda originada na novela Rebelde, exibida pela Televisa e distribuida pelo canal SBT no Brasil. Após o fim apressado do grupo, os pedidos por um retorno nunca cessaram por parte de fãs apaixonados no mundo inteiro, mesmo tendo passados longos 12 anos desde o fim.

Na noite da útlima quinta-feira (27), o Spotify anunciou oficialmente, o catálogo do grupo mexicano RBD em sua plataforma de streaming. No entanto, desde o dia 28 de agosto, publicações feitas por cinco dos seis integrantes do RBD deram pistas de que essa não era a única novidade envolvendo o nome do grupo.

Anahi, Dulce Maria, Mayte Perrone, Christian Chaves e Christopher Uckerman compartilharam vídeos sobre uma página chamada RB2, linkada nas redes sociais de cada um deles, em que exibe uma contagem regressiva para o dia 4 de outubro, considerado o “Dia Mundial de RBD”.

Pista 1: Ucker muda de tom

Pistas foram deixadas pelos integrantes antes do grande anúncio. Primeiro, Christian e Christopher fizeram lives em suas respectivas sociais em que falaram, não por acaso, sobre, entre outras coisas, RBD e as novidades que virão. Fazendo mistério, Christian foi direto ao dizer que o anúncio das músicas no Spotify não era a única novidade e que os fãs ficariam felizes com o que viria a ser anunciado.

Na ocasião, Ucker falou pela primeira vez sobre a sente saudade de dividir o palco com seus colegas de banda e que aceitaria participar de um reencontro. Antes disso, o cantor evitava falar sobre o grupo publicamente.

Pista 2: comunicação do RB2

Quase nada se sabe sobre o que de fato se trata o RB2. Pode ser um retorno do grupo com outro nome, pode ser o título de um projeto específico, datado, pode ser o nome de uma turnê, ainda não há precisão. No entanto, o site do RB2 descreve o projeto da seguinte maneira:

“Registre-se para ser parte de uma nova união de amor, esperança, alegria e música para o mundo”.

Pista 3: ênfase no Spotify

A partir de outubro, as músicas de RBD estarão disponíveis em todas as plataformas digitais de streaming de áudio. No entanto, a campanha envolvendo os integrantes da banda chama atenção, exclusivamente, para o Spotify.

Com isso, rumores apontam que um reencontro da banda estaria sendo patrocinado pela plataforma e que, com a oportunidade, o grupo estaria planejando lançar uma música inédita no dia 4 de outubro. Convidados especiais estariam sendo negociados para essa live.

https://twitter.com/SpotifyBR/status/1299135755005161473

Alfonso Herrera

Desde quando os integrantes da banda iniciaram as promoções do RB2, Alfonso Herrera, protagonista da principal dupla do projeto Rebelde, não foi mencionado em nenhuma peça de divulgação. Há quem diga que o ator não quer mais se envolver com o projeto, mas os principais rumores apontam que a negociação com Alfonso não foi fechada por discordâncias sobre se tratar, supostamente, do retorno da banda em uma live paga. Especulações dizem que Alfonso é contra a ideia e que o projeto devia ser gratuito. Tudo, por enquanto, apenas rumores.

Vale lembrar, portanto, que, a partir do dia 3 de outubro, todas as músicas do grupo estarão disponíveis no Spotify, Deezer e Apple Music a partir das 21h.

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Música

Segundo colunista, cantores chegam a lucrar o dobro do cachê normal em live

O sertanejo Gustavo Lima é um dos que mais faturaram no auge das apresentações online.

Segundo o colunista, a cantora Luisa Sonza faturou R$ 120 mil em show online (Foto: Reprodução/YouTube).

Sem poder promover seus trabalhos devido ao novo Coronavírus, artistas do mundo todo encontraram nas lives a melhor ferramenta para divulgar seus lançamentos e gerar receita. No Brasil, a transmissão de shows online vem sempre acompanhada por merchan, com a logomarca dos patrocinadores estampada nas telas e nos materiais de divulgação.

Ainda que esses shows, para o público, estejam longe de ter a mesma energia que nos espaços físicos, para os artistas a coisa é bem diferente. Segundo o Leo Dias, colunista do Metrópoles, o cachê dessas transmissões chegam a custar o dobro do valor normal, totalizando em média R$ 120 mil a R$ 300 mil.

Contudo, esse valor pode mudar de acordo com o segmento do artista. De acordo com o colunista, as lives do sertanejo Gustavo Lima, por exemplo, têm orçamento estimado em R$ 400 mil. Além disso, no auge desse tipo de apresentação, no mês de maio deste ano, o cantor pode ter recebido R$ 3 milhões pelo show do dia 22.

Atrás do sertanejo, lives como a de Wesley Safadão + Raça Negra e Fernando e Sorocaba custaram aproximadamente R$ 230 mil e R$ 144 mil, respectivamente. Luisa Sonza, Carlinhos Brown, Belo, Lucas Lucco também são outros nomes citados pelo colunista, com orçamento estimada entre R$ 100 mil a R$ 120 mil.

Confira a tabela divulgada por Leo Dias:

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Música

Claudia Leitte: 40 anos e seus maiores sucessos da carreira reunidos em homenagem

Veja o levantamento sobre as músicas que se destacaram nos últimos anos, em homenagem ao aniversário da cantora.

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(Foto: reprodução/Instagram).

Claudia Leitte já anunciou que a sua semana será animada. Afinal, ela vai comemorar seu aniversário de 40 anos com uma live, nesta sexta-feira (10). “Claudinha”, como é chamada por seus fãs, é uma cantora e compositora com grandes sucessos na música brasileira e o Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) aproveitou a data para fazer um levantamento especial sobre a artista.

Entre as músicas gravadas por Claudia Leitte, “Cartório”, de autoria de Magno Santanna e Tierry, aparece na liderança entre as mais tocadas nos últimos cinco anos nos principais segmentos de execução pública. Também se destacam “Taquitá”, de autoria de Claudia Leitte em parceria com Samir, Tierry, Breno Casagrande e Paul D Jr Salva, e “Baldin de gelo”, de autoria de Tierry, Cabrera e Matheuzinho, entre outras. Claudia Leitte tem atualmente 45 canções e 522 gravações cadastradas no Ecad.

Nos últimos cinco anos, mais de 70 % dos rendimentos em direitos autorais pela execução pública de música destinados a ela foram referentes aos segmentos de rádios, tvs e shows. Veja o ranking das músicas gravadas por Claudia Leitte mais tocadas nos últimos cinco anos nos principais segmentos de execução pública (Rádio, Sonorização Ambiental, Casas de Festa e Diversão, Carnaval e Festa Junina).

PosiçãoMúsicaAutores
1CartórioMagno Santanna/Tierry
2TaquitáClaudia Leitte/Samir/Tierry/Breno Casagrande/Paul D Jr Salva
3Baldin de geloTierry/Cabrera/Matheuzinho
4Então vem cáJack Pallas/Felipe Amorim/Caio Sanfoneiro/Kaleb Junior
5LacradoraTopera/Tierry
6LargadinhoDuller/Fabio Alcantara/Samir
7Te amo tantoPaolo
8Shiver down my spineClaudia Leitte/Romans
9ExttravasaSergio Rocha/Jean Carvalho/Adson Tapajós/Zeca Brasileiro
10BalancinhoJomar/Duller/Anderson Dandyr/Cabrera
11Claudinha bagunceiraTatau/Xixinho
12MatimbaLuciano Pinto/Duller/Fabio Alcantara/Claudia Leitte/Samir
13Beijar na bocaBlanch/Roger Tom
14Sorri sou reiAlexandre Carlo
15Pode terTierry
16Bola de sabãoRamon Cruz
17Te ensinei certinJhama
18CaranguejoNino Balla/Alan Moraes/Durval Luz/Luciano Pinto
19Dekole (portuguese language adaptation)Claudia Leitte/Freaks
20Quer saberHenrique Cerqueira/Edimar Filho
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