Artigo Otaku | Funimation no Brasil: “Esse conteúdo estará disponível em seu país”

Confirmação feita no FunimationCon 2020 abre o debate para o futuro do streaming de animê no Brasil.

O vazamento promovido pelo site Deadline se confirmou (o que era de se esperar dado o fato de ter sido tirado do ar tempo depois de publicado) e a Funimation anunciou nesta sexta-feira (03) que vai expandir suas atividades para a América Latina começando com México e Brasil. O anúncio foi feito durante o FunimationCon 2020 e publicado em espanhol no perfil oficial da empresa no Twitter. A escolha é bastante simbólica dado o fato de que as duas nações estão entre aquelas com maior evidência nesta parte do globo quando se fala em apaixonados por animês.

Confirmado para o último trimestre do ano (a partir de outubro), o desembarque em definitivo da marca gerenciada pela join venture realizada entre Sony Pictures e Aniplex Japan – que também é da Sony! – marca mais um passo no processo da empresa em se capilarizar em diferentes mercados (já atua em seis: Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Irlanda, Austrália e Nova Zelândia). Com o primeiro passo sozinha em terras não falantes do inglês, a empresa (que deve vir com seu serviço FUNimation Now) se encontra entre os maiores distribuidores de animê do ocidente e já notificou que pretende abordar os aspectos da língua de forma muito próxima do público com o licenciamento de versões dubladas para os dois países.

Isso na verdade já vinha acontecendo. Desde o rompimento da parceria com a Crunchyroll, em 2018, se especulava muito sobre como ficaria a situação da Funimation no Brasil. Sem seus títulos licenciados para a América Latina por meio da concorrente, as opções ficaram escassas e tivemos algumas poucas coisas sendo apresentadas em nosso contexto por meio do Amazon Prime Video e também de empresas nacionais como a Sato Company. Tudo isso passível de atrasos e certos contratos atrapalhados que nos faziam perguntar quando títulos como Fire Force e Fruit Baskets seriam oficialmente lançados em nosso país.

Bom, em maio tivemos uma sinalização do que viria com o anúncio da dublagem de sete títulos de seu catálogo para o Brasil. Entre eles My Hero Academia, o que causou uma situação nada agradável entre dubladores nacionais que haviam dublado o filme “My Hero Academia: Dois Heróis” em 2019 e não foram convidados a repetir suas participações no elenco em 2020. Óbvio que tudo isso tem relação com contrato de licenciamento, mudança de estúdios e etc., mas não evitou a troca de farpas entre alguns dos nomes mais famosos do metiê em redes sociais.

Outro porém que se questionava muito era como a saída da Funimation da parceria com a Crunchyroll poderia influenciar à continuidade na pirataria de animês com os fansubs. Essa sempre foi uma especulação tola. Tendo como proprietária a Sony Pictures – uma gigante do entretenimento – era óbvio que essa saída foi mais do que estratégica. A especulação mais acertada que se pode fazer aqui é que não se poderia alimentar por muito mais tempo a futura concorrente em terras latinas (já eram concorrentes no Hemisfério Norte) ao passo que esta crescia junto ao público (a própria Crunchyroll já divulgou dados que apresentam o mercado brasileiro entre os cinco mais interessantes da empresa) e também contava com outras atualizações como fazer parte do catálogo de serviços do HBO Max da rival Warner Media, que só deve aparecer por aqui em 2021.

Era óbvio que “a guerra das gigantes do entretenimento” iria resvalar no streaming de série importadas do Japão em algum momento. Contudo, isso não é para o mal e sim para o bem. O bem das empresas que sempre enxergam novas oportunidades de mercado e para o bem da indústria de animês que se ramifica ainda mais nos negócios overseas. Também é bom para o consumidor.

(Versão americana do serviço de streaming. Fonte: Funimation/Reprodução)

Há quem discorde, mas a possibilidade de assinar mais um catálogo de streaming de animês, embora pareça ruim aos ouvidos no primeiro momento, esconde um interesse velado de educar o consumidor a viver sem a pirataria. É mais fácil convencê-lo de que pode consumir seu animê com facilidade, em simulcast, com dublagem e outras regalias por meio de um pacote de streaming, que continuar replicando práticas ilegais em serviços de fansubs. Essa é uma fase que começa a declinar em muitos países e a chegada da Funimation ao Brasil, em definitivo, abre as cortinas para esse novo ato aqui.

Outra possibilidade ao mercado nacional que podemos vislumbrar é um crescimento do mershandising de outros conteúdos vinculados à indústria do manganime a partir da ampliação do mercado com a chegada definitiva do serviço de streaming subsidiário da Sony. Assim como a concorrente, que já se aventurou pela TV e tem forte presença em eventos geek e otaku, a Funimation estrando de forma direta e não mais por empresas licenciantes tem as mesmas opções e outras de inovar o mercado local de consumo de animações japonesas.

Quem pode estranhar muito com sua chegada é o fansubers, pois se antes com a Crunchyroll já havia uma campanha bem organizada contra ações de pirataria, agora tudo pode ficar bem mais intenso. Isso porque a Funimation já é bastante conhecida por sua atuação antipirataria promovendo muitas ações legais contra fansubers, além de realizar muitas disputas com parceiros/concorrentes a respeito de licenças de títulos de animê. Criada em 1994, tornou-se famosa por ter obtido êxito com o licenciamento de Dragon Ball no Cartoon Network em 1999. Atualmente a empresa soma mais de 700 títulos em seu catálogo.

O certo é que a FUNimation é mais que bem vinda ao Brasil e toda a América Latina se isso se consolidar em variedade de títulos, novidades e possibilidades de consumo de animês e derivados. Me abstenho nesse momento em falar sobre como isso vai afetar as ditas concorrentes, até porque todo o processo já deve ter sido muito bem previsto e planejado por estas para quando esse momento (previsível) fosse oficializado. A própria Funimation se preparou bem para sua chegada ao Brasil ao ofertar a possibilidade de versões dubladas já no primeiro contato com o serviço de streaming.

(Indisponível no Brasil, serviço de streaming deve iniciar atividades em outubro por aqui. Fonte: Funimation/Reprodução)

Para mais novidades sobre o lançamento da Funimation na América Latina um serviço de newsletter (latam.funimation.com) está disponível em português/espanhol num layout que já dá um certo gostinho de como será o novo serviço e também dando esperanças sobre os últimos dias em que não mais veremos a fatídica mensagem “Sorry, but this content isn’t avaliable in your country” na página principal do serviço. Nos resta aguardar!

Até a próxima e… Sayonara!

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