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WandaVision: O futuro do MCU nas mãos da Feiticeira Escarlate

A Disney+ dominou a cena dentro da D23, exposição promovida pelo estúdio na semana passada, com conteúdos sendo anunciados de todas as propriedades que compõe o Walt Disney Company. Dentre esses domínios, Kevin Feige usou da oportunidade para promover ainda mais a expansão do seu Universo Cinematográfico, focando especialmente no novo espaço que a Disney está provendo para o MCU crescer, em suas séries originais. Muitos pôsteres e anúncios de elenco foram feitos, no entanto, nenhum deles foi tão impactante quanto a obra de arte em diversos níveis que se tornou o painel de WandaVision, série que terá como foco os personagens de Elizabeth Olsen e Paul Bettany.

Primeiramente focando em anúncios menores, mas tão significantes quanto, tivemos a surpresa de que a personagem de Kat Denning, Darcy Lewis, conhecida por suas aparições na trilogia de Thor e que o personagem de Randall Park, Jimmy Woo, conhecido por sua aparição em Homem Formiga e a Vespa estariam fazendo um retorno para o MCU dentro dessa série, integrando o elenco junto dos personagens títulos e Monica Rambeau, que foi anunciada na comic con desse ano.

No entanto, o que mudou a dimensão dessa série, foi a primeira imagem oficial, liberada pelo artista e veterano dentro da Marvel Studios, Andy Park, que agregado ao que havia sido discutido em palco com as estrelas desse novo domínio e o próprio Kevin Feige, transformou WandaVision de uma série qualquer, para um possível marco cultural, que vai revolucionar não somente o MCU, mas a maneira como séries de super heróis são produzidas e apresentadas para o público. O Volts então, resolver pegar esse primeiro pôster oficial e quebrar ele em partes, explicando assim o que esperar da série e o que ela pode significar, mas especialmente, mostrando como ela pode se tornar a propriedade mais importante a sair da fase quatro do MCU.

O primeiro elemento a ser analisado é o tema central que a série vai abordar, pegando influências da era de sitcons em preto e branco que marcaram a televisão nos anos cinquenta e, no caso de WandaVision, a homenagem clara ao clássico: The Dick Van Dyke Show. Não somente a ambientação imita Dick Van Dyke, em que muitas de suas cenas chaves se passam em frente da televisão, mas o estilo de roupa e cabelo usados por Wanda são uma referência direta a personagem de Mary Tyler Moore. The Dick Van Dyke no entanto não é uma escolha qualquer, pois ele representava um show puramente de comédia, onde até mesmo os conflitos entre o casal principal era raso e resolvido muitas das vezes na base da conversa, basicamente: The Dick Van Dyke Show era um programa feliz, sobre pessoas felizes.

WandaVision vai se passar dentro da imaginação da Feiticeira Escarlate, nós dando uma ideia da expansão de seus poderes desde que sofreu seus traumas, como visto nos últimos dois filmes de Vingadores. A referência ao programa dos anos cinquenta, é uma forma da mente de Wanda desenvolver uma realidade em que não somente Visão está vivo, mas é o centro do seu universo e está feliz, onde os dois tem a possibilidade de viver uma vida normal e juntos.

Além da referência aos sitcons, WandaVision vai apresentar uma inspiração pesada nos quadrinhos, escrito pelo lendário Tom King, do Visão de 2015. Nessa versão dos quadrinhos, Visão se muda para os subúrbios e, juntamente de uma família de andróides similares a ele, vive uma vida ordinária, sem os aspectos heróicos do personagem.

Entretanto, algo extremamente importante a ser notado no pôster divulgado por Andy Park, é o brilho vermelho que está emanando da televisão. A cor em escarlate é referencial aos poderes de Wanda, mas o mais interessante disso tudo, é que somente está em cores aquilo que o brilho da televisão atinge, com o resto do cenário, até mesmo o que se pode ser visto para fora da casa pela janela, é apresentado em preto e branco. Esse elemento suporta a teoria de que tudo aquilo é uma ilusão, um sonho e realidade criado pelos poderes de manipulação de realidade de Wanda Maximoff

Por fim, o elemento mais chocante e que levou os fãs a loucura, é a sombra que se forma por conta do brilho da televisão, na parede. Quando escalada, em 2015 para Vingadores: Era de Ultron, Joss Wheedon e Kevin Feige prometeram a atriz que ela jamais usaria a roupa original dos quadrinhos da Feiticeira Escarlate, sempre buscando uma versão mais modernizada e apropriada para o MCU. No entanto, parece que os tempos mudaram e, como pode ser visto na sombra, vemos a silhueta de Wanda sendo formada com sua icônica tiara e capa, dando a entender que a atriz finalmente vai transitar para a Feiticeira Escarlate dos quadrinhos, talvez até mesmo, finalmente adotando seu nome heróico.

Agora, o pôster pode significar muito mais do que somente pode ser analisado, deixando abertura para que muito da história da Feiticeira Escarlate e Visão tem a contribuir para o futuro do MCU. O primeiro dele é, na verdade, o foco da série e como toda uma realidade criada pra satisfazer as necessidade de Wanda Maximoff. Visão não é o único personagem que apresenta significância para a Feiticeira Escarlate, que é tão famosa por fazer parte de um set de dois. Os gêmeos Maximoff foram introduzidos juntos em 2015, mas por conta de acordos legais entre a Disney e a falecida 21th Century Fox, Aaron Taylor-Johnson teve apenas um filme para mostrar sua capacidade como Pietro, o Mercúrio. No entanto, desde a Era de Ultron, os mutantes voltaram para casa, dando a oportunidade de que, em um mundo perfeito criado pela mente da Feiticeira Escarlate, os gêmeos finalmente possam ser reunidos dentro do MCU.

WandaVision vai apresentar diversas camadas para si, mas uma delas e sem dúvidas, a mais importante é seu foco em família. Os elementos da produção e o direcionamento que essa série está tomando apontam que a chegada dos irmãos gêmeos filhos da Feiticeira Escarlate e do Visão é o próximo passo lógico para a história. Nos quadrinhos, Wanda manipula a realidade com seus poderes mutantes, criando assim seus filhos: Wiccan e Speed. Os dois são reflexos de sua própria família, não somente sendo irmãos gêmeos assim como Pietro e ela, mas com os mesmos desenvolvendo habilidades idênticas a sua mãe e tio. Wiccan, que atualmente se tornou um dos personagens mais queridos dentro dos quadrinhos, graças ao seu relacionamento homoafetivo com Hulking, tem a habilidade de alteração de realidades enquanto seu irmão, Speed, apresenta as mesmas habilidades de Mercúrio, tendo super velocidade.

WandaVision entretanto é uma série de duas partes, com a primeira sendo desenvolvida no Disney+, porém sua continuação ganhando magnitudes gigantescas, ao passo que a saga vai ter sua conclusão na sequência de Doutor Estranho. Os rumores de que Elizabeth Olsen estaria se juntando ao elenco do foram confirmados, quando a atriz apareceu junto de Benedict Cumberbatch, na Comic Con deste ano, para divulgar o filme. Com os poderes de Wanda descontrolados, a alterações de realidade vai ser a abertura para a introdução do Multiverso dentro do MCU, tornado a Feiticeira Escarlate uma possível ameaça para o universo como conhecemos, onde somente o Mago Supremo da Terra poderia parar. O Multiverso é algo que vai ecoar por todo universo Marvel, criando uma janela de infinitas possibilidades, com o retorno de personagens como Tony Stark, Natasha Romanoff e Steve Rogers agora possível. Porém, acima de tudo, a abertura do Multiverso vai permitir, que sem muita dificuldade, Kevin Feige introduza heróis como o Quarteto Fantástico e os X-Men, como propriedades já estabelecidas, evitando a fórmula Marvel e seus filmes de origem.

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Review | She-Ra e as Princesas do Poder (4ª Temp.)

Nova fase da animação revelou alguns segredos e prepara público para ponto de virada na série.

A Honra de GraySkull está mantida? Talvez. A resposta para a pergunta somente na próxima temporada de She-Ra e as Princesas do Poder em 2020. Um ano depois da estreia da série, a 4ª temporada (que estreou 5 de novembro) deixou um sentimento de “e agora?” muito forte durante o processo de introdução de novos elementos.

Ressalto aqui também que quem leu a review da temporada anterior pode perceber que acertei na teoria. A antiga She-Ra daria as caras (embora somente em flashbacks da Madame Rizzo) e a aparição do Rei Micah seria agora justo após a morte de Ângela (que agora tenho minhas dúvidas!). Micah apareceu, mas não como o Cavaleiro Vermelho, como é na trama original. Nem um demérito ao reboot por causa disso. Só na traição de Sombria que minha pergunta permanece no ar. Seguindo!

Das quatro temporadas apresentadas até aqui, a última é a mais intensa. O fato de voltar a ter 13 episódios ajudou bastante. Mais tempo de tela reforça a construção de todas as personagens: protagonistas, coadjuvantes e antagonistas.

Foi o que Noelle Stevenson fez com a sua equipe de roteiristas. Para esse review focaremos em um trio de personagens e um extra: Cintilante, Mara e Scorpia, além de Hordak.

A coroação da jovem Cintilante, após o sacrifício de Ângela, deveria ter amadurecido a personagem. Cintilante, ao meu ver, foi a quem menos evoluiu nesta temporada. Ou melhor, até tenha evoluído, mas em consequência o seu lado mimado acompanhou o processo. Sua compostura diante dos amigos e aliados revela muita insegurança. Normal, se considerarmos que agora como rainha ela não estava preparada para o papel e a perda da mãe. No entanto, seus atos desesperados forçaram toda Etheria conhecer um obstáculo bem mais difícil que Hordak e Felina.

A nova rainha mudou o visual, mas não mudou as atitudes

Por outro lado, conhecemos Mara. Até então apenas citada ou em aparições rápidas, a personagem foi uma das protagonistas do episódio “Heroína” e nos ajudou a entender o que realmente estava se passando no planeta. A She-Ra anterior, que é um acréscimo bem válido à mitologia da franquia, resgata a personagem Mara com muito empenho e nos revela que os “Primeiros” (por que não Eternianos?) tem um propósito não tão nobre e abre espaço para novas apostas e teorias. Sua relação com a Esperança da Luz e Madame Rizzo chegam ao grau de melancolia na trama e dão o tom mais solene à temporada. Impossível não se identificar com ela.

Como já está bem claro, as chances de He-Man fazer ponta na série é mínima, quase zero, mas os elementos que o cercam não. Veremos na próxima fase o Castelo de GraySkull? A Espada do Poder? Ela, a espada, já existe ou será ainda criada? Essa última pergunta é um reboot de mais alto nível à mitologia e portanto pouco provável. O certo é que sabemos que Mara era dos Primeiros e eles serão o próximo foco da trama.

Das três personagens que destaco, Scorpia é quem mais curti na temporada (novamente me rendo ao seus pés garota!). O crescimento de sua personalidade, dado seu lado mais infantil, rendeu uma surpresa maravilhosa ao vermos ela compreendendo o quão tóxica é a figura da Felina. Parabéns Scorpia! E ela é tão amável! Mesmo reconhecendo a toxicidade da outra continua a amando (pode ser um ponto fraco dela, mas sem isso ela não seria a fofa que é). De quebra, não posso esquecer que acertei de novo aqui quando conjecturei que poderíamos vê-la com a Grande Rebelião. Mais um ponto para mim!

O extra pra essa review é Hordak. O lado passional do vilão nem de longe condiz com o bufão da série clássica e isso é maravilhoso. Sua melhor cena é aquela onde as lágrimas mistas de alegria pela não-traição de Entrapta e o ódio pelas mentiras de Felina ficam retidas sobre a face em poucos segundos. Mas não esqueçam: ele ainda é vilão!

Por fim, o que foi Double Trouble?! A nova personagem é o tipo de personagem que mais detesto. Contudo, o metamorfo foi o elemento mais significativo para todos os acontecimentos da temporada. Já espero mais canalhices. Sobre Double Trouble, é necessário dizer que sua introdução na trama, por parte de Noelle Stevenson, não é tão original assim como alguns sites anunciavam. Double Trouble já existia na franquia, mas apenas nos quadrinhos.

Dohble Trouble, em novo design, é símbolo de representatividade na animação de Noelle Stevenson

Antes chegou a ser a prima de Cintilante com altas habilidade de disfarce. Agora Noelle repagina a personagem dando-lhe um outra proposta e fazendo-o assumir características que acredito ser numa referência a uma personagem não-binária. O bônus aqui foi o fato dela representar em suas transformações outra personagem da franquia que ainda não havia aparecido: Flora, a princesa com asas de borboleta, embora ao que parece em apenas um fanservice. Assim como foi com Octavia, capitã das tropas navais da Horda, que também apareceu na série dos anos 1980.

She-Ra e as Princesas do Poder segue firme com uma trama convincente e equilibrada em drama, humor e fanservice (as referências a Vassorito, Corujito e Geninho me animaram). A chegada do Mestre da Horda revela que algo mais sombrio está por vir. Aviso que não acredito na Felina, logo aguardem mais atos egoístas dela.

Com a Espada da Proteção em frangalhos estamos sem She-Ra. Adora será capaz de restaurar a Honra de GraySkull? Esperemos.

Confira as reviews anteriores:

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CASTELOBRUXO | A história e curiosidades sobre a escola de magia e bruxaria do Brasil

O Brasil abre as portas de Castelobruxo, sua escola de magia, para Eddie Redmayne e o elenco de Animais Fantásticos em 2021

Em 2021, o mundo de magia e bruxaria de JK Rowling vai abrigar, com muito orgulho, as cores verde e amarelo, visto que na semana passada foi confirmado que o terceiro filme na franquia de Animais Fantástico e Onde Habitam se passará no Brasil, durante a década de 30. A mitologia criada por Rowling nos anos noventa continua se expandindo mesmo após o termino da saga aclamada de Harry Potter em 2011, com as produções focando em Newt Scamander expandindo o mundo bruxo e a visão dos fãs muito além de Hogwarts e a Inglaterra. Desde 2012 com a criação do Pottermore, a expansão desse mundo tem sido intensa, com a própria JK Rowling nós provendo de notícias e informações sobre seu universo, entre elas, a apresentação das escolas de magia situadas em países chave ao redor do mundo. E como já se era de esperar, o Brasil possui uma imponente escola de magia e bruxaria para chamar de sua, a Castelobruxo e pensando nisso, o Volts pede que vocês jurem solenemente não fazer nade bom, enquanto preparamos os Bruxos brasileiros para 2021 com a história e curiosidades sobre a nossa escola.

Castelobruxo é uma das escola de magia mais antigas do mundo, rivalizando com a própria Hogwarts. De acordo com registros, a escola é uma construção de origem indígena por volta do século X, com seu nome tendo sido dado oficialmente após a colonização e com a, infeliz, substituição do tupi pelo português. Assim como sua irmã britânica, Castelobruxo é protegida por um feitiço que a torna imperceptível aos olhos dos não bruxos, dando aspectos de uma civilização em ruínas. Castelobruxo é localizada dentro da floresta amazônica e é descrita como uma imponente construção em dourada, na imagem de um templo e por conta disso, muitos acreditam que a mesma seja a cidade presente na lenda do El Dourado contata por aqueles que não tem acesso a magia.

JK Rowling é conhecida por trazer elementos místicos da cultura para dentro do seu universo, dando um aspecto de verossimilhança para seus contos. Aqui não seria diferente, com a presença de muitas lendas do folclore brasileiro estando presente dentro de Castelobruxo. De acordo com a autora, os terrenos e os alunos da escola são protegidos por caiporas, criaturas travessas que saem a noite para patrulhar a floresta. Apesar de ser situada no Brasil, a escola é conhecida por abrigar alunos de toda a América Latina, criando suspeitas de que a língua oficial de Castelobruxo seja divida entre o português e o espanhol, visto que os países da América Latina em sua maioria apresentam o espanhol como dominância.

Diferentemente de Hogwarts e Ilvermorny, as escolas de Londres e Nova York respectivamente, Castelobruxo não é dividida por casas, fugindo um pouco do que os fãs estão acostumados. No entanto, Castelobruxo acaba sendo a a regra, visto que escolas como o Instituto de Durmstrang na Bulgária e a Academia de Magia Beauxbaton na França, apresentados em Harry Potter e o Cálice de Fogo, também não apresentam a segmentação por casas. Quanto a vestimenta, o uniforme oficial de Castelobruxo é uma homenagem a floresta que a cerca, sendo na cor verde cintilante.

A escola de magia e bruxaria Castelobruxo é também um dos locais mais procurados pelos alunos europeus, apresentando um programa de intercâmbio renomado. O motivo dessa demanda alta é dado pelas referencias pela qual a escola é conhecida, sendo referencia em Herbologia e Magizoologia, o último sendo o estudo de animais mágicos, especialidade do personagem de Eddie Redmayne nessa nova franquia. Apesar de ser algo relativamente nova para muitos, Castelobruxo já faz parte do universo de Harry Potter desde o lançamento de seu quarto livro, em 2000. Em o Cálice de Fogo, Gui Wesley relata trocar correspondência com uma aluna do Brasil, expressando o desejo de fazer o tão famoso intercâmbio entre escolas.

Por fim, Castelobruxo apresenta veteranos extremamente importantes para o mundo mágico, com alunos que se tornaram imagens celebres após se formarem na escola. A primeira é Benedita Dourado, que reside como diretora de Castelobruxo e é extremamente respeitada dentro da comunidade bruxa, especialmente em Hogwarts. Com a confirmação do filme, muito fãs começaram a petição para que a atriz Fernanda Montenegro interprete a personagem. Além dela, o livro utilizado pelo professor Horácio Slughorn em o Enigma do Príncipe foi escrito por Libatus Borage, um distinto mestre em poções formado de Castelobruxo. Por fim, na área em que o Brasil tem êxito, independente da mitologia, o jogador João Coelho que se formou na escola para se tornar capitão de um dos times mais importantes de quadribol no mundo.

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Coberturas

#VoltsNaMSDC – Confira aqui as críticas do Panorama Brasil – Filmes da Região Sudeste

Os filmes selecionados vêm dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais

Ao todo, a Mostra Sesc de Cinema 2019 conta com 42 filmes e aqui no Volts você confere nossos comentários sobre todos eles. Nesse post, as produções da Região Sudeste são as estrelas. Vai vendo.

Fabiana (São Paulo, São Paulo) 89min, longa-metragem, documentário, 2018

‘Fabiana’ é o longa dirigido e escrito pela goiana Brunna Laboissière cuja proposta interessa de cara: pegar carona no caminhão da mulher trans e também lésbica que dá título ao filme. Uma figura poderosa, despachada e cheia de bagagem que segue baforando seu cigarrinho pela janela enquanto compartilha vivências.

O universo da estrada é por si só uma fonte infinita de histórias, mas Fabiana é um ponto de resistência numa profissão dominada por homens – não meramente por ser mulher e caminhoneira, mas também por sua orientação sexual. Porém, infelizmente o potencial fica perdido na estrada. A condução do filme é surpreendentemente passiva, desperdiçando a oportunidade de explorar a evidente riqueza do material.

E dá pra entender a intenção de Laboissière de não interferir, por exemplo, numa passagem em que Fabiana atende uma ligação e aparentemente recebe uma notícia ruim, desliga a chamada e fica em silêncio por longos minutos, balbucia algo e segue em silêncio até que a diretora pergunta “O que houve?” e aí ela finalmente conta. Outras sequências se limitam a contemplação pura e simples. Ou seja, a fartura do material exige mais intervenções e ao público resta sair da sessão como quem esperava uma viagem memorável e pegou apenas uma caroninha curta.

Plano Controle (Belo Horizonte, Minas Gerais)16min, curta-metragem, ficção, 2018

Se a turma do Twitter produzisse um filme, seria esse Plano Controle. Um flerte divertido com a ficção científica ensaia um Brasil onde o teletransporte é uma realidade e pode ser acionado como quem ativa um pacote de dados de internet móvel.

Escrito e dirigido por Juliana Antunes, o curta brinca com viagens no tempo pra fugir da realidade dura de 2016 com o golpe que tirou Dilma da presidência. Pra ilustrar os deslocamentos no espaço-tempo, o filme investe numa bricolagem de cenas icônicas da cultura pop nacional que vão de Van Damme dançando com a Gretchen no palco do Gugu a clássicos musicais dos anos 90. Sendo assim, onde “Plano Controle” falta em fazer sentido, sobra no senso de humor. 16 minutos bem aproveitados.

Navios de Terra (Belo Horizonte, Minas Gerais) 70min, longa-metragem, ficção, 2018

Esse longa de ficção dirigido por Simone Cortezão é um investimento pesado na estética do marasmo. Conceitual e visualmente promissor, o filme pensa a exploração de minério como o “deslocamento de montanhas” do Brasil a China e vice-versa. Seu protagonista (Rômulo Braga) sai de Minas e vai de navio ao outro continente em busca desses encontros muito subjetivos que ninguém sabe direito explicar. Nesse meio tempo o que se vê é um filme lentíssimo e frequentemente até arrastado onde quase nada acontece.

Jéssika (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro) 19min, curta-metragem, ficção, 2018

Jéssika, filme de Galba Gogóia, propõe uma discussão pertinente sobre a importância do acolhimento familiar em diversos níveis ao trazer a travesti do título de volta a casa onde cresceu como menino, pra reencontrar a mãe.

Pouco criativo na direção, o filme gira em torno de um diálogo na mesa do café (em plano e contraplano) onde muitos “não-ditos” e mágoas ficam evidentes assim como o amor entre as duas personagens, que é o que acaba gritando mais alto no fim das contas, mas tanto na vida quanto no filme, não é só o que importa. Infelizmente para Jéssika, como para tantas outras, apenas ser chamada pelo nome, já é uma imensa prova de aceitação pra quem cresceu acostumada a viver na defensiva.

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