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Um breve passeio pela história das trilhas sonoras de Final Fantasy (Parte 1)

Conheça a história das trilhas sonoras de Final Fantasy, inicialmente criadas pelo renomado compositor Nobuo Uematsu.

Foto: Divulgação/Square Enix

Com mais de 30 anos de história, Final Fantasy ainda se mantém, hoje, como uma das mais aclamadas franquias de RPG. Junto ao seu gameplay renovável, histórias místicas e personagens (quase) sempre carismáticos, os jogos possuem peças musicais que impecavelmente dão vida ao jogo, incorporando o drama, a alegria, a tragédia e a melancolia com gêneros e ritmos diversos.

Contudo, apesar do sucesso atual, a Square Enix, desenvolvedora responsável pela franquia, enfrentou fortes turbulências mercadológicas no início de sua carreira. Muitos dos seus primeiros títulos não recuperaram o valor investido em custo e marketing. Diante disso, o diretor e designer Hironobu Sakaguchi decidiu criar um último jogo, que seria responsável por definir o destino da companhia.

Inspirado pelo RPG de sucesso comercial Dragon Quest, o primeiro Final Fantasy nasceu. Como o próprio nome ironiza, o jogo era a “fantasia final” da desenvolvedora, a última cartada da Square para esgueirar-se da falência e encontrar o seu lugar no meio capitalista. E bem, se vocês estão aqui, é porque ela conseguiu.

Nessa decisiva empreitada surgiu Nobuo Uematsu, o compositor dos principais títulos iniciais da franquia. Naquela época, o artista, assim como a fadada companhia, também enfrentava crises financeiras, o que o fez trabalhar para várias bandas amadoras e criar músicas para comerciais.

Felizmente, tudo mudaria em 1985, quando o compositor conheceu o diretor Hironobu e a Square Enix. Nesse período, ainda que o futuro da companhia estivesse incerto, Nobuo sentiu-se inspirado pela visão e confiança de Hironobu, o que o fez trabalhar na trilha sonora do primeiro Final Fantasy. Trabalho que seria o primeiro de muitos e que o faria ser reconhecido como um dos maiores compositores da indústria gamer.

Dito isso, confira, a seguir, um resumo da trajetória de Nobuo Uematsu pela franquia, com curiosidades, segredos e informações que foram, há muito tempo, enterradas pela internet.

FINAL FANTASY I, II e III

Para o primeiro título da franquia, Nobuo Uematsu utilizou os briefings de Hironobu Sakaguchi e as artworks de Yoshitaka Amano como inspiração. A trilha sonora do clássico Super Mario Bros também foi referência para o seu trabalho.

Ao fim, o compositor produziu 20 faixas, incluindo temas de batalhas, músicas ambientes e canções que tornariam-se recorrentes na franquia, como o “Prelude”, “Opening Theme” e “Victory”.

Devido ao instantâneo sucesso comercial do título, Nobuo foi contratado para trabalhar em período integral na Square, logo tomando a posição de compositor da sequência. Para o desenvolvimento de sua nova trilha, ele concentrou-se em retratar locais místicos e impulsionar algumas peças, como o adorável tema do “Chocobo”. Tudo isso, baseando-se na trilha sonora do seu antecessor.

Dois anos mais tarde, em 1990, o artista dobrou o seu trabalho, criando 44 peças musicais para o Final Fantasy III. Nesse ponto, querendo provar que poderia criar arranjos mais complexos, ele produziu o álbum Final Fantasy III: Legend of Eternal Wind, que apresenta faixas mixadas e arranjadas com temas vocais e narrativas épicas.

FINAL FANTASY IV

Com o estrondoso sucesso da franquia, o quarto título era inevitável. Final Fantasy IV, além de gerar uma fantástica campanha com Cecil, Rydia e Edward, também foi responsável por criar um dos temas de batalhas mais populares da franquia, que infelizmente não recebeu um nome apropriado e é chamado apenas de “Battle 1”, o que pode gerar equívocos e confusões.

De todo modo, nesse ponto da história, o compositor, com sua sede agora em Havaí, deixou-se inspirar pelo cenário mais elaborado do jogo para criar faixas evocativas, baseadas nas emoções e personalidades dos protagonistas. E a faixa “Theme of Love” é um exemplo disso.

FINAL FANTASY V

Já na sequência, Nobuo Uematsu retornou ainda mais ambicioso. Como resultado, foi criada a música “Clash on the Big Bridge”, um animado e cômico tema de batalha do eterno Gilgamesh e que viria reprisar o seu papel mais tarde em novos títulos, tornando-se uma das canções favoritas do público.

Para a composição da trilha de Final Fantasy V, ele assegurou que a música permanecesse acessível e sincera, colocando em foco melodias poderosas que poderiam falar por si mesmas.

FINAL FANTASY VI

As primeiras experimentações do compositor vieram, em 1994, com Final Fantasy VI. Tendo a sua disposição novos aparatos tecnológicos, Nobuo Uematsu sentiu-se mais à vontade para explorar novos ares para a sua música.

Parte dessa nova dinâmica gerou algumas extensas faixas para a soundtrack, incluindo: “Opera Maria and Draco”, uma sequência inspirada na música clássica; “Dancing Mad”, uma peça de órgão que representa a metamorfose do chefe final; e “Balance Is Restored”, um tema de encerramento com samples temáticos de cada protagonista.

A trilha sonora de Final Fantasy VI marcou a primeira tentativa do compositor em criar faixas com vocais para a franquia. “Dancing Mad”, por exemplo, entre os seus dezessete minutos, apresenta vozes “intangíveis” mixadas por sintetizadores. Esse coro abafado atravessa a longeva obra orquestral, guiada por órgãos e instrumentos de percussão, em suas quatro diferentes seções, cada qual correspondente a um estágio da luta final contra o vilão Kefka.

Após o lançamento, o álbum de Final Fantasy VI ganhou destaque entre a mídia e os críticos, sendo eleito uma das melhores soundtracks de todos os tempos. Não por menos, Nobuo o cita como o seu trabalho favorito da franquia.

FINAL FANTASY VII

A transição da franquia para a era do Playstation permitiu Uematsu abraçar ainda mais a experimentação e diferentes estilos musicais em Final Fantasy VII. De acordo com as reviews oficiais, a obra é um híbrido de rock e eletrônico, ao mesmo tempo que é, primordialmente, uma trilha orquestral.

Entre os seus destaques está a melancólica Aerith’s Theme, faixa concebida por instrumentos de sopros e solos de piano, que toca durante um dos momentos mais emocionantes da história dos jogos eletrônicos. Consensualmente, a música ganhou forte apreço pelos fãs e críticas especializadas, sendo rearranjada e remixada diversas vezes após o seu lançamento.

Outra notória faixa é indiscutivelmente uma das favoritas do público, se não a mais ovacionada: One-Winged Angel“. O tema de rock orquestral foi consagradamente descrito como a “maior contribuição do musicista para a franquia” e a “ideia mais inovadora na história de Final Fantasy”.

Para o desenvolvimento dessa canção, a sua primeira com vocais digitalizados, Nobuo utilizou versos em latim, que são inspirados na peça Carmina Burana do musicista alemão Carll Off. Comentando sobre a sua criação, o compositor revelou que “tinha o vilão Sephiroth em mente quando começou a criar a música, assim, o som gira totalmente em torno de sua imagem“.

Devido a sua popularidade, One-Winged Angel foi reutilizada, posteriormente, em diversos subprodutos da franquia, como o filme em CGI Advent Children e o derivado World of Final Fantasy.

FINAL FANTASY VIII

Como uma história de amor, Final Fantasy VIII se embala no romance, como notório em sua trama, e na faixa Eyes On Me, tema interpretado pela cantora chinesa Faye Wong.

Devido a capacidade tecnológica do Playstation, Nobuo Uematsu conseguiu desenvolver para o título samples orquestrais ainda mais expressivos e realistas. A faixa de versos em latim, “Liberi Fatali”, é a prova de que a nova empreitada do musicista foi bem-sucedida.

FINAL FANTASY IX

Enquanto as suas últimas soundtracks, assim como os jogos aos quais faziam parte, flertavam com o realismo, Final Fantasy IX adotou a temática medieval, voltando-se fortemente para a fantasia em si.

A trilha sonora do jogo também foi particularmente influenciada pelas aventuras pessoais do compositor, que durante o seu tempo livre, estudou a música de diferentes eras e países.

Essa jornada, felizmente, gerou faixas indispensáveis, tais como: “Vamo Alla Flamenco”, música evidentemente inspirada no ritmo espanhol; “Bran Bal”, canção baseada na arte impressionista; e “A Place to the Call Home”, tema que utiliza instrumentos “ancestrais”.

FINAL FANTASY X

Abrigando uma das melhores trilhas da série, Final Fantasy X proporcionou uma nova experiência para o compositor Nobuo Uematsu, ao inaugurar a era do Playstation 2 para a franquia de RPG.

Contudo, devido a exaustão e distrações em reuniões do trabalho, o musicista ficou incapaz de manter o ritmo para entregar a trilha sonora a tempo do deadline. Por essa razão, ele solicitou assistentes, o que acabou por marcar a primeira vez que uma soundtrack da franquia seria produzida em colaboração com outros musicistas, nesse caso Masashi Hamauzu e Junya Nakano.

Com mais mão de obra e tecnologias à disposição, a trilha de Final Fantasy X gerou uma composição eclética, que reuniu diversos ritmos inusuais para a saga, como o funk, o metal, o eletrônico e até o gospel.

A emblemática “To Zanarkand”, que inicialmente foi desenvolvida para um recital de uma amiga de Nobuo, tornou-se uma das favoritas dos fãs, dos críticos e do próprio compositor. Já “Suteki da ne (Isn’t Wonderful?)”, música tema do jogo, é interpretada pela cantora japonesa de folk Rikki e inspirada na atmosfera das ilhas de Okinawa, um ambiente isolado e majoritariamente tropical, que também serviu de referência para as locações do game.

FINAL FANTASY XI

Novamente acompanhado, Nobuo Uematsu encerrou sua era em Final Fantasy com o décimo primeiro título da franquia, sendo o seu último trabalho como compositor principal (até ele retornar em 2014, em Final Fantasy XIV).

Como tratava-se de um jogo online, o musicista decidiu utilizar a língua Esperanto no tema de abertura para simbolizar a conexão entre diferentes culturas ao redor do globo. Poético.

Em 2004, após exercer o seu trabalho em 11 títulos, durante 17 anos, Nobuo Uematsu deixou a Square Enix para se tornar um freelancer, abrindo uma nova era musical para a franquia. Novos rostos e talentos conhecidos apareceram nessa amada casa, um assunto que será tratado detalhadamente na próxima parte desse artigo.

E enquanto não chega, aproveite essa playlist feita pelo Volts com as melhores faixas da franquia, incluindo as citadas no texto:

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SDCC 2019 | Destrinchamos o trailer de Watchmen, da HBO

Série estreia em outubro deste ano, sob comando de Damon Lindelof

Foi divulgado neste sábado, como parte da campanha da HBO/Warner na San Diego Comic-Con, o trailer inédito da série Watchmen, criada por Damon Lindelof (Leftlovers) baseado na HQ de Alan Moore e Dave Gibbons.

Tentamos desvendar ao máximo a trama baseados apenas no que foi mostrado no trailer e no conhecimento da história original, logo, este artigo pode conter SPOILERS!

A história de Watchmen, a série, se passa 30 anos após os acontecimentos da HQ. A maioria das pessoas acredita na versão de Ozymandias da história, apenas uma pequena parcela confia no que leu do Diário de Rorschach. Desses, uma punhado se transformou em adoradores fundamentalistas da palavra do antigo vigilante.

Esses acólitos são os homens com as máscaras parecidas com a de seu líder morto no trailer. Eles tem ainda um cântico de ordem: o tik tak de um relógio, contando o tempo para uma nova tragédia, ou para o retorno do Dr. Manhattan. O que acontece no final do trailer. Essas partes parecem ter sido tiradas das HQs pós Watchmen, as Doomsday Clock, cujo uso como base Lindelof não havia citado.

Um pouco depois que o culto é formado eles começam a atacar policiais, o que faz com que polícia passe a se esconder por trás das máscaras amarelas vistas no trailer. Esses são os policiais normais.

Ozymandias está escondido em uma de suas mansões, e é dado como morto pela sociedade. Ele está, claro planejando algo que deve envolver a lenda do Cargueiro Negro. Nesta nova versão é interpretado por Jeremy Irons. Há uma personagem chamada Pirata Jenny, interpretada por Adelaide Clemens, ela deve ter ligação com a trama de Adrian Veidt, ou ela é uma das policiais vigilantes.

Há no jornal que aparece no começo do trailer uma manchete dizendo que Adrian Veidt está morto, mas ao lado há uma chamada de capa para a matança de animais perpetrada por um monstro chamado de Boise Squid Shower, o mesmo que Ozymandias inventou que existia no final da HQ. Eles estão agindo ainda, como mostrado na quantidade de insetos mortos por uma gosma branca. Eles também estão na ilustração que aparece na cena no tribunal, onde também é possível ver que o juiz usa máscara para se proteger.

Vigilantes são proibidos por lei, e só podem agir se pertencendo a uma força policial. É o caso da personagem de Regina King, a investigadora de Angela Abraham. Ela parece ter se tornado vigilante após um ataque à sua casa por homens do culto.

Silk Spectral é do FBI agora, a Agente Blake, interpretada por Jane Smart. Fica subentendido, então, que o personagem de Don Johnson, o chefe da polícia Judd Crawford, é o Coruja. Ele é visto pilotando a nave do Coruja, Archie, e a usando para derrubar um avião dos acólitos em um campo. Com ele está a personagem de Hong Chau, ainda sem nome divulgado. Mas é interessante notar que há um outro homem como Coruja, com uma roupa preta, em quem Blake atira. O nome do segundo Coruja é Dan Dreiberg, e não Judd, mas ele pode muito bem ter mudado de nome.

A bandeira americana mudou, contemplando mais que 52 estados. Os acólitos do Rorschach usam a bandeira antiga. Robert Redford, o ator, já é sinalizado no quadro da escola que aparece no trailer como um dos mais importantes, ao lado de Lincoln, Nixon e Washington. Há uma matéria de jornal dizendo que ele não busca reeleição; Esse é mesmo o nome do ator que fundou o Sundance Film Festival. Em Doomsday Clock ele é eleito presidente dos Estados Unidos.

Tim Blake Nelson interpreta Looking Glass, um vigilante ainda mais misterioso que os outros, e que está comendo feijão de lata, como Rorschach na HQ. Ele está olhando na TV o Justiceiro Encapuzado impedir um assado em uma loja.

Há ainda o personagem de Loius Gosset Jr., descrito apenas como Old Man (Velho). É ele quem conta para detetive Abraham sobre uma conspiração que está em curso. Andrew Howard é Red Scare, também detetive da polícia, cuja fantasia é baseada nas tropas russas. Yahya Abdul-Mateen II é Cal Abraham, esposo da personagem de King.

Tom Milson é Marcus Maez, chamado apenas de Mime. Este personagem aparece na série pós Watchmen, Doomsday Clock. Sara Vikers faz Erika Manson/Marionette, esposa de Maez e com quem compartilha uma história trágica.

Eastereggs estão por toda parte, inclusive em ovos mesmo, como na escola quando a detetive Abraham tenta fazer um Smile de ovos e um dos olhos está manchado de sangue; Num comercial colocado sobre um táxi há referências aos Minutemen e ao comediante, com uma imagem dele jovem e a frase “comedy begets tragedy”, uma referência à frase de Mark Twain “Humor is tragedy plus time” e à persona do Comediante/ Edward Blake.

O trailer termina com Dr. Manhattan aparecendo de volta à Terra, depois de um desastre que matou milhares. Ele recolhe do chão uma máscara azul. Uma referência à ele mesmo e também à V de Vingança, outra HQ seminal de Alan Moore. Antes, é possível ver animadores de festa infantil fantasiados de Dr. Manhattan, e há ainda um marco azul em sua homenagem.

Watchmen estreia no começo de outubro na HBO, com produção de Damon Lindelof, Nicole Kassell e Tom Spezialy. Kassell dirigiu o piloto com Lindelof, que também é o showrunner. Serão oito episódios e todos devem ser transmitidos ainda em 2019, o que coloca a estreia na primeira semana de outubro. Trent Reznor and Atticus Ross assinam a trilha sonora.

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Lista de 5 | Overdose de Memory, do musical Cats

História dos gatinhos está sendo adaptada para o cinema e ganhou seu primeiro teaser

Um dos musicais mais famosos do mundo está prestes a ganhar uma versão no cinema. Cats, o filme, contará com Judi Dench, James Corden, Rebel Wilson, Ian McKellen, Jason DeRulo, Taylor Swift, Idris Elba e Jennifer Hudson, ganhou seu primeiro teaser nesta quarta-feira (17).

No vídeo, postado nas redes sociais do filme, os atores falam sobre seus personagens e sobre sua relação com a icônica história, baseada na coleção de poemas do americano T. S. Eliot. As músicas são de Andrew lloyde Weber e contam a história dos gatinhos de rua da tribo Jellicle. O enredo é focado na gatinha Grizabella, acolhida de volta na tribo após ter se redimido dos erros cometidos com os colegas.

Uma das músicas mais famosas da história é Memory, uma belíssima canção sobre recomeço, com letra de Trevor Nunn e baseada no poema Rhapsody on a Windy Night.

Para celebrar que emoção de ter Cats no cinema, preparamos uma lista com cinco versões de Memory para todo mundo cantar com a mãozinha no peito!

Sarah Brightman – a diva

The BBC Concert Orchestra – para os clássicos

Epica  – a banda de Metal perfeita

Susan Boyle – aquela que cantou I Dreamed a Dream no Idols

Nicole Scherzinger – que também já foi uma gatinha

O trailer completo de Cats chega nesta sexta-feira (19) e deve mostrar os atores com a pelagem de gato, adicionada digitalmente. A direção de é de Tom Hooper, o mesmo que dirigiu a Lei Miserables com Hugh Jackman, e estreia no Natal deste ano.

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Especiais

Um breve passeio pela história das trilhas sonoras de Final Fantasy (Parte 2)

Novos compositores e participações inesperadas marcam a nova fase da música de Final Fantasy.

Foto: Divulgação/Square Enix

Até o décimo título principal da franquia Final Fantasy, as composições eram comandadas pela renomado Nobuo Uematsu, ao qual retratamos na primeira parte desse especial. Após a sua saída, diversos compositores passaram pelas trilhas da saga, e nomes conhecidos da música também fizeram ponta, como Ariana Grande e Katy Perry.

Com diferentes abordagens, inspirações e ritmos, conheça as suas principais contribuições para a aclamada franquia de RPG da Square Enix.

NOVOS COMPOSITORES E RITMOS

Os novos compositores, tais como Masashi Hamauzu, Junya Nakano, Noriko Matsueda, Hitoshi Sakimoto, ainda que trilhassem, vez ou outra, o caminho de Nobuo Ueamtsu, e inspirassem em suas clássicas composições, buscaram, em seus trabalhos, sons inovadores e refrescantes para as suas respectivas trilhas sonoras.

A soundtrack de Final Fantasy X-2, por exemplo, foi a primeira sem a colaboração de Nobuo, ainda que fosse sequência do aclamado Final Fantasy X, jogo ao qual participou como compositor principal. Noriko Matsueda e Takahito Eguchi assumiram a posição e seguiram um direcionamento, até então, incomum para a franquia: o pop. Com a abertura do jogo tomada pela jovialidade da música japonesa popular, os ritmos de Final Fantasy X-2 festejavam um clima predominantemente alegre e cômico.

“Real Emotion” e 1000 Words” foram os principais frutos dessa nova abordagem, que ajudaram a alavancar a carreira da cantora Koda Kumi, intérprete das canções e dubladora de Lenne, personagem do jogo.

Já em Final Fantasy XII, Nobuo retornou rapidamente para deixar breves marcas musicais. A canção tema da franquia, aqui, se faz presente, com rearranjos e mixagens. Além disso, o musicista compôs a inédita “Kiss Me Goodbye”, canção interpretada pela japonesa Angela Aki que viria a ser o tema de encerramento do jogo.

Hitoshi Sakimoto, o compositor principal da trilha sonora, revelou que foi uma experiência árdua seguir os passos de Uematsu, por isso, decidiu criar um som único a sua maneira, levando em consideração a contribuição musical deixada por seu antecessor.  Ele também afirmou que as suas faixas foram baseadas nas emoções dos personagens e na atmosfera do jogo. O enredo, por outro lado, não foi levado em consideração para que a trilha não fosse afetada pelas mudanças no desenvolvimento do título, que levou 5 anos para ser finalizado.  

Masashi Hamauzu seguiu uma linha de pensamento parecida ao construir a soundtrack de Final Fantasy XIII, lançado em 2009. Nesse título, o compositor não foi limitado a manter a sua trilha alinhada ao som já estabelecido pela série. Ainda sim, ele não a compôs para se desmembrar do passado da franquia, mas focando no jogo ao qual foi apresentado. Além disso, inspirou-se em diferentes estilos musicais, como o jazz, rock, bossa-nova, eletrônico e o blues, revelando que a gama de gêneros não cansaria o jogador.

Dois anos depois, o musicista retornou para a sequência do jogo, chamada Final Fantasy XIII-2. Aqui, ele explorou ainda mais gêneros musicais, como o hip-hop, o metal e o funk. Naoshi Mizuta e Mitsuto Suzuki também fizeram parte do time. O primeiro desses revelou que sua música favorita da trilha, a “Xanadu, Palace of Pleasure”, foi inspirada na música dos anos 80. Já Suzuki revelou que a sua peça favorita, “Historia Crux”, mixa diferentes tons em um só. Para compô-la, ele utilizou o conceito de viagem do tempo como referência, assim como o jogo em si o fez.

Como um todo, a trilha de Final Fantasy XIII-2, provavelmente a mais eclética e versátil da trilha, agregou ainda mais vocais em suas faixas, tons agressivos e diferentes gêneros musicais.

Anos mais tarde, após finalizar a trilha de Lightning Returns, ao qual exerceu o mesmo papel de maneira semelhante, Masashi foi convocado para compor as faixas do spin-off World of Final Fantasy. Em entrevista para a Nova Crystallis, em 2016, o musicista revelou que, ao contrário de suas últimas soundtracks, que possuíam um tom mais sombrio, ele foi capaz de criar peças musicais bastante otimistas, devido ao universo amigável do título.

Outro fator pertinente, devido a essa natureza incomum de World, são o retorno de inúmeras canções clássicas da franquia. Aqui, todas foram rearranjadas para combinarem com a atmosfera leve do jogo.

PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS

Apesar de inicialmente atingir um público nichado, a franquia Final Fantasy foi alcançando, cada vez mais, novos ares, popularizando-se pela Europa e Américas. E como um dos principais produtos atuais da Square Enix, a série buscou se “globalizar” ainda mais, e a música é um dos caminhos para atingir tal objetivo.

Como visto anteriormente, os principais temas eram, até certo ponto, interpretadas por cantores e bandas japonesas. Apesar de normalmente não serem artistas populares do país, o patriotismo exercia o seu papel.

Contudo, para o lançamento de Final Fantasy XIII, em 2009, a companhia decidiu escolher a música “My Hands”, da cantora britânica Leona Lewis, para representar a versão internacional do jogo, substituindo a faixa “Kimi ga Iru Kara”, da trilha original. Segundo o presidente da Square Enix, a proposta inicial era ter criado uma faixa inédita para a versão ocidental do jogo, mas como o time americano era pequeno, acabaram por escolher uma música já licenciada.

De modo oposto, a sequência do jogo, Final Fantasy XIII-2, produziu simultaneamente as duas versões de sua música tema. Enquanto a estrela filipina de Glee, Charice, foi convocada para cantar o tema internacional do título, chamado “New World”, a japonesa Mai Fukui ficou responsável pela versão local. As diferenças entre ambas residem majoritariamente na letra e na língua cantada.

Um passo mais largo foi finalmente dado em 2016, com Florence + The Machine. A banda britânica foi previamente escolhida para contribuir com a trilha sonora do último título da saga principal, Final Fantasy XV. Ao contrário dos casos anteriores, não houve substituição de nenhuma faixa pré-existente, sendo assim, “Stand By Me, canção originalmente de Ben E King, regravada por Florence, foi utilizada na versão nacional e internacional do título.

Sobre o processo de gravação, a vocalista da banda comentou que Final Fantasy sempre foi caracterizada por ser “épica, mística e bela” e, em um vídeo de divulgação, destacou:

“Stand By Me é uma das maiores canções, provavelmente de todos os tempos, e você não pode realmente fazer nenhuma melhoria nela, você apenas tem que fazer com que ela se torne sua. Para mim isso significou trazê-la para o mundo de Florence + The Machine e de ‘Final Fantasy’.”

Já em 2017, de modo inusitado, a franquia convidou Ariana Grande para ser uma de suas personagens no jogo Brave Exvius, título exclusivo e gratuito para Androids e IOs.

Com o visual baseado na capa do seu disco “Dangerous Woman”, Ariana Grande tornou-se uma lutadora pixelizada, que lança poderosos ataques musicais contra os seus inimigos. Junto desse inesperado lançamento, a cantora, em parceria com a Square Enix, divulgou uma nova versão da canção “Touch It” como faixa promocional do jogo.

Por fim, a estrela Katy Perry foi a última grande grata surpresa a aparecer nos jogos da franquia. No final de 2018, a cantora foi anunciada como uma personagem do jogo Brave Exvius, assim como a sua colega Ariana Grande anteriormente. E para promover o novo lançamento, a cantora também divulgou uma música inédita, chamada “Immortal Flame”, junto a um vídeo promocional.

Como visto, a nova era musical de Final Fantasy é marcada por experimentações, diversidade de estilos e diferentes contribuições musicais. As mesclagens das recentes trilhas sonoras, ainda que fincadas nas raízes da franquia, em sua grande maioria, foram bem-sucedidas. Também mantiveram o renome de excelência musical que a franquia orgulhosamente possui.

Para a próxima e última parte desse especial, passaremos para o universo do morno Final Fantasy XV, que ainda que seja um título divisor de águas, sonoramente trouxe uma das melhores trilhas da franquia. E tudo isso graças ao impecável trabalho de Yoko Shimomura.

Enquanto não sai, preparamos uma playlist com as melhores faixas da franquia, incluindo as citadas no artigo. Confira abaixo:

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