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Um breve passeio pela história das trilhas sonoras de Final Fantasy (Parte 1)

Conheça a história das trilhas sonoras de Final Fantasy, inicialmente criadas pelo renomado compositor Nobuo Uematsu.

Foto: Divulgação/Square Enix

Com mais de 30 anos de história, Final Fantasy ainda se mantém, hoje, como uma das mais aclamadas franquias de RPG. Junto ao seu gameplay renovável, histórias místicas e personagens (quase) sempre carismáticos, os jogos possuem peças musicais que impecavelmente dão vida ao jogo, incorporando o drama, a alegria, a tragédia e a melancolia com gêneros e ritmos diversos.

Contudo, apesar do sucesso atual, a Square Enix, desenvolvedora responsável pela franquia, enfrentou fortes turbulências mercadológicas no início de sua carreira. Muitos dos seus primeiros títulos não recuperaram o valor investido em custo e marketing. Diante disso, o diretor e designer Hironobu Sakaguchi decidiu criar um último jogo, que seria responsável por definir o destino da companhia.

Inspirado pelo RPG de sucesso comercial Dragon Quest, o primeiro Final Fantasy nasceu. Como o próprio nome ironiza, o jogo era a “fantasia final” da desenvolvedora, a última cartada da Square para esgueirar-se da falência e encontrar o seu lugar no meio capitalista. E bem, se vocês estão aqui, é porque ela conseguiu.

Nessa decisiva empreitada surgiu Nobuo Uematsu, o compositor dos principais títulos iniciais da franquia. Naquela época, o artista, assim como a fadada companhia, também enfrentava crises financeiras, o que o fez trabalhar para várias bandas amadoras e criar músicas para comerciais.

Felizmente, tudo mudaria em 1985, quando o compositor conheceu o diretor Hironobu e a Square Enix. Nesse período, ainda que o futuro da companhia estivesse incerto, Nobuo sentiu-se inspirado pela visão e confiança de Hironobu, o que o fez trabalhar na trilha sonora do primeiro Final Fantasy. Trabalho que seria o primeiro de muitos e que o faria ser reconhecido como um dos maiores compositores da indústria gamer.

Dito isso, confira, a seguir, um resumo da trajetória de Nobuo Uematsu pela franquia, com curiosidades, segredos e informações que foram, há muito tempo, enterradas pela internet.

FINAL FANTASY I, II e III

Para o primeiro título da franquia, Nobuo Uematsu utilizou os briefings de Hironobu Sakaguchi e as artworks de Yoshitaka Amano como inspiração. A trilha sonora do clássico Super Mario Bros também foi referência para o seu trabalho.

Ao fim, o compositor produziu 20 faixas, incluindo temas de batalhas, músicas ambientes e canções que tornariam-se recorrentes na franquia, como o “Prelude”, “Opening Theme” e “Victory”.

Devido ao instantâneo sucesso comercial do título, Nobuo foi contratado para trabalhar em período integral na Square, logo tomando a posição de compositor da sequência. Para o desenvolvimento de sua nova trilha, ele concentrou-se em retratar locais místicos e impulsionar algumas peças, como o adorável tema do “Chocobo”. Tudo isso, baseando-se na trilha sonora do seu antecessor.

Dois anos mais tarde, em 1990, o artista dobrou o seu trabalho, criando 44 peças musicais para o Final Fantasy III. Nesse ponto, querendo provar que poderia criar arranjos mais complexos, ele produziu o álbum Final Fantasy III: Legend of Eternal Wind, que apresenta faixas mixadas e arranjadas com temas vocais e narrativas épicas.

FINAL FANTASY IV

Com o estrondoso sucesso da franquia, o quarto título era inevitável. Final Fantasy IV, além de gerar uma fantástica campanha com Cecil, Rydia e Edward, também foi responsável por criar um dos temas de batalhas mais populares da franquia, que infelizmente não recebeu um nome apropriado e é chamado apenas de “Battle 1”, o que pode gerar equívocos e confusões.

De todo modo, nesse ponto da história, o compositor, com sua sede agora em Havaí, deixou-se inspirar pelo cenário mais elaborado do jogo para criar faixas evocativas, baseadas nas emoções e personalidades dos protagonistas. E a faixa “Theme of Love” é um exemplo disso.

FINAL FANTASY V

Já na sequência, Nobuo Uematsu retornou ainda mais ambicioso. Como resultado, foi criada a música “Clash on the Big Bridge”, um animado e cômico tema de batalha do eterno Gilgamesh e que viria reprisar o seu papel mais tarde em novos títulos, tornando-se uma das canções favoritas do público.

Para a composição da trilha de Final Fantasy V, ele assegurou que a música permanecesse acessível e sincera, colocando em foco melodias poderosas que poderiam falar por si mesmas.

FINAL FANTASY VI

As primeiras experimentações do compositor vieram, em 1994, com Final Fantasy VI. Tendo a sua disposição novos aparatos tecnológicos, Nobuo Uematsu sentiu-se mais à vontade para explorar novos ares para a sua música.

Parte dessa nova dinâmica gerou algumas extensas faixas para a soundtrack, incluindo: “Opera Maria and Draco”, uma sequência inspirada na música clássica; “Dancing Mad”, uma peça de órgão que representa a metamorfose do chefe final; e “Balance Is Restored”, um tema de encerramento com samples temáticos de cada protagonista.

A trilha sonora de Final Fantasy VI marcou a primeira tentativa do compositor em criar faixas com vocais para a franquia. “Dancing Mad”, por exemplo, entre os seus dezessete minutos, apresenta vozes “intangíveis” mixadas por sintetizadores. Esse coro abafado atravessa a longeva obra orquestral, guiada por órgãos e instrumentos de percussão, em suas quatro diferentes seções, cada qual correspondente a um estágio da luta final contra o vilão Kefka.

Após o lançamento, o álbum de Final Fantasy VI ganhou destaque entre a mídia e os críticos, sendo eleito uma das melhores soundtracks de todos os tempos. Não por menos, Nobuo o cita como o seu trabalho favorito da franquia.

FINAL FANTASY VII

A transição da franquia para a era do Playstation permitiu Uematsu abraçar ainda mais a experimentação e diferentes estilos musicais em Final Fantasy VII. De acordo com as reviews oficiais, a obra é um híbrido de rock e eletrônico, ao mesmo tempo que é, primordialmente, uma trilha orquestral.

Entre os seus destaques está a melancólica Aerith’s Theme, faixa concebida por instrumentos de sopros e solos de piano, que toca durante um dos momentos mais emocionantes da história dos jogos eletrônicos. Consensualmente, a música ganhou forte apreço pelos fãs e críticas especializadas, sendo rearranjada e remixada diversas vezes após o seu lançamento.

Outra notória faixa é indiscutivelmente uma das favoritas do público, se não a mais ovacionada: One-Winged Angel“. O tema de rock orquestral foi consagradamente descrito como a “maior contribuição do musicista para a franquia” e a “ideia mais inovadora na história de Final Fantasy”.

Para o desenvolvimento dessa canção, a sua primeira com vocais digitalizados, Nobuo utilizou versos em latim, que são inspirados na peça Carmina Burana do musicista alemão Carll Off. Comentando sobre a sua criação, o compositor revelou que “tinha o vilão Sephiroth em mente quando começou a criar a música, assim, o som gira totalmente em torno de sua imagem“.

Devido a sua popularidade, One-Winged Angel foi reutilizada, posteriormente, em diversos subprodutos da franquia, como o filme em CGI Advent Children e o derivado World of Final Fantasy.

FINAL FANTASY VIII

Como uma história de amor, Final Fantasy VIII se embala no romance, como notório em sua trama, e na faixa Eyes On Me, tema interpretado pela cantora chinesa Faye Wong.

Devido a capacidade tecnológica do Playstation, Nobuo Uematsu conseguiu desenvolver para o título samples orquestrais ainda mais expressivos e realistas. A faixa de versos em latim, “Liberi Fatali”, é a prova de que a nova empreitada do musicista foi bem-sucedida.

FINAL FANTASY IX

Enquanto as suas últimas soundtracks, assim como os jogos aos quais faziam parte, flertavam com o realismo, Final Fantasy IX adotou a temática medieval, voltando-se fortemente para a fantasia em si.

A trilha sonora do jogo também foi particularmente influenciada pelas aventuras pessoais do compositor, que durante o seu tempo livre, estudou a música de diferentes eras e países.

Essa jornada, felizmente, gerou faixas indispensáveis, tais como: “Vamo Alla Flamenco”, música evidentemente inspirada no ritmo espanhol; “Bran Bal”, canção baseada na arte impressionista; e “A Place to the Call Home”, tema que utiliza instrumentos “ancestrais”.

FINAL FANTASY X

Abrigando uma das melhores trilhas da série, Final Fantasy X proporcionou uma nova experiência para o compositor Nobuo Uematsu, ao inaugurar a era do Playstation 2 para a franquia de RPG.

Contudo, devido a exaustão e distrações em reuniões do trabalho, o musicista ficou incapaz de manter o ritmo para entregar a trilha sonora a tempo do deadline. Por essa razão, ele solicitou assistentes, o que acabou por marcar a primeira vez que uma soundtrack da franquia seria produzida em colaboração com outros musicistas, nesse caso Masashi Hamauzu e Junya Nakano.

Com mais mão de obra e tecnologias à disposição, a trilha de Final Fantasy X gerou uma composição eclética, que reuniu diversos ritmos inusuais para a saga, como o funk, o metal, o eletrônico e até o gospel.

A emblemática “To Zanarkand”, que inicialmente foi desenvolvida para um recital de uma amiga de Nobuo, tornou-se uma das favoritas dos fãs, dos críticos e do próprio compositor. Já “Suteki da ne (Isn’t Wonderful?)”, música tema do jogo, é interpretada pela cantora japonesa de folk Rikki e inspirada na atmosfera das ilhas de Okinawa, um ambiente isolado e majoritariamente tropical, que também serviu de referência para as locações do game.

FINAL FANTASY XI

Novamente acompanhado, Nobuo Uematsu encerrou sua era em Final Fantasy com o décimo primeiro título da franquia, sendo o seu último trabalho como compositor principal (até ele retornar em 2014, em Final Fantasy XIV).

Como tratava-se de um jogo online, o musicista decidiu utilizar a língua Esperanto no tema de abertura para simbolizar a conexão entre diferentes culturas ao redor do globo. Poético.

Em 2004, após exercer o seu trabalho em 11 títulos, durante 17 anos, Nobuo Uematsu deixou a Square Enix para se tornar um freelancer, abrindo uma nova era musical para a franquia. Novos rostos e talentos conhecidos apareceram nessa amada casa, um assunto que será tratado detalhadamente na próxima parte desse artigo.

E enquanto não chega, aproveite essa playlist feita pelo Volts com as melhores faixas da franquia, incluindo as citadas no texto:

Artigo Otaku

Artigo Otaku | Webtoon: deixa eu te explicar o que é

Com duas animações adaptadas na Crunchyroll é importante falar sobre esse fenômeno.

A estreia de God of High School nessa semana no serviço de streaming Crunchyroll marca mais um momento do serviço especializado em conteúdo animado oriental e suas produções de animês originais. Tal estreia é mais especial ainda por se tratar da segunda animação baseada em uma webtoon. Ainda na temporada passada tivemos Tower of God, que foi fenômeno de aceitação e mobilizou o fandom diversas vezes nas redes sociais.

Mas se você viu Tower of God e vai começar a ver God of High School e ainda se impressiona com o ar de novidade que essas obras trazem imagino que muito se dá ao fato de você provavelmente não saber do que se trata uma webtoon. Falando bem sério, a verdade é que recentemente uma aura muito boa vem surgindo em torno desse formato de mídia que não é novo e tem certa popularidade entre usuários da internet. Se você não é um desses acostumados não tem problema, pois vamos falar um pouco sobre isso agora!

Web o quê?

Webtoon é um termo popularizado pela internet coreana para se referir a um formato de quadrinhos. Formado pela aglutinação entre “web” e “cartoon”, a palavra surge como uma forma de classificar os quadrinhos coreanos publicados exclusivamente de maneira digital numa clara proposta de diferenciação ao manhwa (termo coreano sinônimo ao “comic/HQ” que ficou conhecido por definir todo quadrinho publicado na Coreia do Sul aqui no Ocidente).

Uma das principais características das webtoon, além do digital, é o seu formato de reprodução/consumo. As páginas dos quadrinhos são estilizadas na vertical proporcionando uma leitura scroll-up/scroll-down no computador ou em dispositivos móveis como smartphones e tablets. Outra característica muito presente são os quadrinhos coloridos e diagramados de maneira que a leitura siga um fluxo contínuo com poucas ocasiões para a construção visual de sarjetas verticais com requadros paralelos (salvo em enquadramento de detalhes) e estilo de leitura que para nós é tido como convencional: da esquerda para a direita.

Em boa parte dos casos as plataformas de webtoons são de acesso gratuito e atualizadas sazonalmente.
Fonte: WEBTOON/Reprodução
Entre as características das webtoons a mais marcante é a leitura scroll-up/scroll-down. Além disso, como comics de qualquer parte do mundo contém obras de diferentes gênero como thriller, romance e fantasia (da esquerda para a direita).
Fonte: WEBTOON/Reprodução.

Obviamente nada disso é uma regra oficializada ou determinante para a classificação do formato midiático e narrativo adotado nas webtoons, que tem como um de seus atrativos a distribuição gratuita em muitos serviços e aplicativos especializados. Entre os mais populares estão o NAVER WEBTOON e LINE WEBTOON (ambos da NAVER Corp.) e DAUM WEBTOON (da kakao Corp., conhecido como um dos mais antigos no segmento). Além desses, outros tantos serviços estão entre os mais conhecidos especializados na publicação das webtoons (principalmente dentro da Coreia do Sul).

A popularização do formato a partir de versão traduzida para o inglês – principalmente com o LINE WEBTOON de 2014 com versões oficiais – fez com que muitos passassem a considerar as webtoon parte da Onda Hallyu junto com o já badalado K-Pop. O certo é que no geral, webtoon é um formato de quadrinho que tem como marca principal a publicação digital em orientação vertical de leitura. De resto é como qualquer outra narrativa que obedeça os padrões imagético-textuais das HQs.

WEBTOON e Crunchyroll

Estamos na segunda metade de um ano difícil por causa da pandemia de Covid-19, além dos muitos outros dilemas que vivemos. Mesmo assim, a indústria de entretenimento segue firme (afinal ela é um dos baluartes para a manutenção da nossa sanidade) e concretizando o anúncio da parceria entre a WEBTOON e a Crunchyroll feitoem 2019 ,o selo Crunchyroll Originals já apresentou a adaotação de Tower of God e agora God of High School.

De forma divertida, animação God of High School celebra a parceria entre Crunchyroll e WEBTOON.
Fonte: God of High School / Reprodução (MAPPA, Crunchyroll/WEBTOON, 2020)

Fora à parte a aparente obsessão por deus nos nomes, elas inicialmente não tem muita coisa em comum. O primeiro se passa num mundo bem diferente da nossa realidade, enquanto o outro tem como plano de fundo a capital Seul. Para além disso, a convergência pode ser percebida também no apelo narrativo a elementos místicos e as cenas de ação.

Tower of God é uma webtoon muito aclamada e com versões traduzidas em diversos idiomas de forma não-oficial. Publicada desde 2010 pelo artista SIU, a obra ganhou adaptação em animê e foi exibida em 13 episódios durante a Temporada de Primavera 2020. Os fãs agora aguardam o anúncio da sequência do animê devido ao sucesso obtido.

God of High School estreou na Temporada de Verão de 2020 com a promessa de apresentar uma compilação de ação e aventura. Essa é a segunda webtoon de Park Yong-Je que a publica desde 2011 no WEBTOON (e desde 2014 em versão traduzida) sendo considerada a primeira publicação da Naver Corp. oficialmente reproduzida em inglês.

A aposta da Crunchyroll para essas narrativas é claramente uma proposta de ampliação de mercado ao mesmo tempo em que também busca dialogar de forma mais próxima ao público de um nicho particular (o dos fãs dos quadrinhos coreanos), além de apresentar aos demais mercados e segmentos culturais onde já atua as possibilidades de produção disponíveis no setor de animação.

Cena que mexeu com o público na reta final de Tower of God durante a Temporada de Primavera 2020.
Fonte: Tower of God / Reprodução (Telecom Animation, Crunchyroll/WEBTOON, 2020)
Começo de apresentações em God of High School antes da porrada rolar.
Fonte: God of High School / Reprodução (MAPPA, Crunchyroll/WEBTOON, 2020)

É óbvio que a aproximação com os quadrinhos coreanos não significa uma falta de confiança na indústria japonesa. Pelo contrário! Essa é uma alternativa para fugir de licenciamentos ou mesmo de flexibilizar a cena. Se tivéssemos mesmo um distanciamento ocorrendo em relação ao Japão, estúdios como Telecom Animation Film (Tower of God) e MAPPA (God of High School) não estariam envolvidos no projeto perdendo espaço para estúdio também coreanos (ou mesmo chineses!) na condução das produções. O discurso aqui é um só: fomentar a própria indústria com novidades.

Não sabemos até quando vai a parceria entre as duas empresas e nem quantos títulos estão envolvidos, o certo é que ao que parece o público gostou muito da fórmula Webtoon + Crunchyoll = Animê de Sucesso. As reações dos espectadores não me deixa mentir.

Concluíndo…

Webtoon é um formato que deve render bastante nos próximos anos. Além dos animês que chegam por aqui, recentemente a NewPOP Editora publicou a versão encadernada de Solo Leveling, outra webtoon que tem boa recepção entre o público ocidental. A editora já havia feito experiência com manhwa tempos atrás e agora investe nesse hibridismo possibilitado pelas versões físicas dos quadrinhos digitais coreanos.

Vale lembrar, no entanto, que Solo Leveling começou como web novel em 2016 e somente em 2018 ganhou sua versão em webtoon. Essa já foi compilada em versão física e conta atualmente com dois volumes. E que venha a era dos “Animes Coreanos da Crunchyroll”

Até a próxima e… Sayonara!

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Artigo Otaku

Artigo Otaku | Funimation no Brasil: “Esse conteúdo estará disponível em seu país”

Confirmação feita no FunimationCon 2020 abre o debate para o futuro do streaming de animê no Brasil.

O vazamento promovido pelo site Deadline se confirmou (o que era de se esperar dado o fato de ter sido tirado do ar tempo depois de publicado) e a Funimation anunciou nesta sexta-feira (03) que vai expandir suas atividades para a América Latina começando com México e Brasil. O anúncio foi feito durante o FunimationCon 2020 e publicado em espanhol no perfil oficial da empresa no Twitter. A escolha é bastante simbólica dado o fato de que as duas nações estão entre aquelas com maior evidência nesta parte do globo quando se fala em apaixonados por animês.

Confirmado para o último trimestre do ano (a partir de outubro), o desembarque em definitivo da marca gerenciada pela join venture realizada entre Sony Pictures e Aniplex Japan – que também é da Sony! – marca mais um passo no processo da empresa em se capilarizar em diferentes mercados (já atua em seis: Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Irlanda, Austrália e Nova Zelândia). Com o primeiro passo sozinha em terras não falantes do inglês, a empresa (que deve vir com seu serviço FUNimation Now) se encontra entre os maiores distribuidores de animê do ocidente e já notificou que pretende abordar os aspectos da língua de forma muito próxima do público com o licenciamento de versões dubladas para os dois países.

Isso na verdade já vinha acontecendo. Desde o rompimento da parceria com a Crunchyroll, em 2018, se especulava muito sobre como ficaria a situação da Funimation no Brasil. Sem seus títulos licenciados para a América Latina por meio da concorrente, as opções ficaram escassas e tivemos algumas poucas coisas sendo apresentadas em nosso contexto por meio do Amazon Prime Video e também de empresas nacionais como a Sato Company. Tudo isso passível de atrasos e certos contratos atrapalhados que nos faziam perguntar quando títulos como Fire Force e Fruit Baskets seriam oficialmente lançados em nosso país.

Bom, em maio tivemos uma sinalização do que viria com o anúncio da dublagem de sete títulos de seu catálogo para o Brasil. Entre eles My Hero Academia, o que causou uma situação nada agradável entre dubladores nacionais que haviam dublado o filme “My Hero Academia: Dois Heróis” em 2019 e não foram convidados a repetir suas participações no elenco em 2020. Óbvio que tudo isso tem relação com contrato de licenciamento, mudança de estúdios e etc., mas não evitou a troca de farpas entre alguns dos nomes mais famosos do metiê em redes sociais.

Outro porém que se questionava muito era como a saída da Funimation da parceria com a Crunchyroll poderia influenciar à continuidade na pirataria de animês com os fansubs. Essa sempre foi uma especulação tola. Tendo como proprietária a Sony Pictures – uma gigante do entretenimento – era óbvio que essa saída foi mais do que estratégica. A especulação mais acertada que se pode fazer aqui é que não se poderia alimentar por muito mais tempo a futura concorrente em terras latinas (já eram concorrentes no Hemisfério Norte) ao passo que esta crescia junto ao público (a própria Crunchyroll já divulgou dados que apresentam o mercado brasileiro entre os cinco mais interessantes da empresa) e também contava com outras atualizações como fazer parte do catálogo de serviços do HBO Max da rival Warner Media, que só deve aparecer por aqui em 2021.

Era óbvio que “a guerra das gigantes do entretenimento” iria resvalar no streaming de série importadas do Japão em algum momento. Contudo, isso não é para o mal e sim para o bem. O bem das empresas que sempre enxergam novas oportunidades de mercado e para o bem da indústria de animês que se ramifica ainda mais nos negócios overseas. Também é bom para o consumidor.

(Versão americana do serviço de streaming. Fonte: Funimation/Reprodução)

Há quem discorde, mas a possibilidade de assinar mais um catálogo de streaming de animês, embora pareça ruim aos ouvidos no primeiro momento, esconde um interesse velado de educar o consumidor a viver sem a pirataria. É mais fácil convencê-lo de que pode consumir seu animê com facilidade, em simulcast, com dublagem e outras regalias por meio de um pacote de streaming, que continuar replicando práticas ilegais em serviços de fansubs. Essa é uma fase que começa a declinar em muitos países e a chegada da Funimation ao Brasil, em definitivo, abre as cortinas para esse novo ato aqui.

Outra possibilidade ao mercado nacional que podemos vislumbrar é um crescimento do mershandising de outros conteúdos vinculados à indústria do manganime a partir da ampliação do mercado com a chegada definitiva do serviço de streaming subsidiário da Sony. Assim como a concorrente, que já se aventurou pela TV e tem forte presença em eventos geek e otaku, a Funimation estrando de forma direta e não mais por empresas licenciantes tem as mesmas opções e outras de inovar o mercado local de consumo de animações japonesas.

Quem pode estranhar muito com sua chegada é o fansubers, pois se antes com a Crunchyroll já havia uma campanha bem organizada contra ações de pirataria, agora tudo pode ficar bem mais intenso. Isso porque a Funimation já é bastante conhecida por sua atuação antipirataria promovendo muitas ações legais contra fansubers, além de realizar muitas disputas com parceiros/concorrentes a respeito de licenças de títulos de animê. Criada em 1994, tornou-se famosa por ter obtido êxito com o licenciamento de Dragon Ball no Cartoon Network em 1999. Atualmente a empresa soma mais de 700 títulos em seu catálogo.

O certo é que a FUNimation é mais que bem vinda ao Brasil e toda a América Latina se isso se consolidar em variedade de títulos, novidades e possibilidades de consumo de animês e derivados. Me abstenho nesse momento em falar sobre como isso vai afetar as ditas concorrentes, até porque todo o processo já deve ter sido muito bem previsto e planejado por estas para quando esse momento (previsível) fosse oficializado. A própria Funimation se preparou bem para sua chegada ao Brasil ao ofertar a possibilidade de versões dubladas já no primeiro contato com o serviço de streaming.

(Indisponível no Brasil, serviço de streaming deve iniciar atividades em outubro por aqui. Fonte: Funimation/Reprodução)

Para mais novidades sobre o lançamento da Funimation na América Latina um serviço de newsletter (latam.funimation.com) está disponível em português/espanhol num layout que já dá um certo gostinho de como será o novo serviço e também dando esperanças sobre os últimos dias em que não mais veremos a fatídica mensagem “Sorry, but this content isn’t avaliable in your country” na página principal do serviço. Nos resta aguardar!

Até a próxima e… Sayonara!

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Artigo Otaku

Artigo Otaku | Sete animês para apaixonados

Confira sete dicas para celebrar com quem se ama vendo um bom animê!

Diferente de nós e a nossa data mais que comercial do Dia dos Namorados, os japoneses celebram a união dos apaixonados no Dia de São Valentim (Valentine Day) em 14 de fevereiro. De forma similar a nós, mas ainda assim bem peculiar com a troca de chocolates entre colegiais e colegas de trabalho sendo uma tradição, a celebração nipônica é marcada por chocolates de “agradecimento”, “amizade” e “obrigação” entre os presentes mais comuns,embora não falte também a troca entre os apaixonados ou mesmo a sugestão de gostar de alguém quando se presenteia com um chocolate especial.

Tudo isso, visto por meio da mídia de entretenimento sugere um povo muito tímido e delicado no que trata o quesito romance. Qual nada! Pode até ser em público, mas as narrativas que acompanhamos não dizem muito sobre isso ao revelar os inúmeros fetiches e as psicologias às avessas dos apaixonados nos animês. Enfim, a discussão é muito peculiar, pois toca na construção social de um povo que se irrita com a autora de um mangá por seu final trazer um relacionamento onde o protagonista – dividido a trama toda entre duas paixões – tem uma filha com uma e casa com a outra.

Foi o que aconteceu recentemente com a mangaká Sasuga Kei e sua obra Domestic Girlfriend (Domestic na Kanojo), que lhe rendeu ofensas e ameaças no Twitter. Ao que parece, o japonês – e os estrangeiros – não podem aceitar esse final, mesmo que em sua maioria não se importarem de consumir algo um pouco mais intensos em seus doushinjins (fanfics) e/ou hentais (quadrinhos pornô). Só posso dizer que esperto foi Taichi Tsutsui, autor de We Never Learn ~Bokuben, que desenhando um mangá harém (subgênero onde há relacionamentos românticos ou não entre um garoto e várias garotas ou vice-versa) optou por fazer finais alternativos para cada heroína e assim se livrar das críticas.

Mas por que estou falando disso? Para dizer que o japonês tem uma visão muito única sobre como conduzir romances em suas narrativas e com certeza você já deve ter percebido isso. Dependendo da demografia, do gênero literário ou mesmo do estilo de criação de cada autor, podemos ter relacionamentos que não avançam, enrolados, confusos ou relacionamento até que bastante diretos. Isso porque podemos observar que esse é um povo que encara a prática de expor sentimentos como um espécie de fraqueza e suas personagens muitas vezes transmitem isso. Se é verdade ou não só convivendo para saber. Mas o fato de que há um falso moralismo construído nisso (haja visto os fetiches estranhos) isso eu não posso negar. Talvez só o filósofo e sociólogo polonês Zygmunt Bauman pudesse explicar com suas abordagens a respeito do amor líquido e o conceito grego de poliamor.

Essas discussões à parte, japoneses sabem cativar muito bem quando querem falar de amor. Segue aqui sete dicas do que assistir nesse Dia dos Namorados com a pessoa amada. Informo que cada uma das dicas está disponível em serviços de streaming como Amazon Prime Video, Crunchyroll e Netflix. Vamos a elas!

Na Netflix…

Sussuros do Coração (1995) – Studio Ghibli

Embalado pelo som de “Take me Home, Country Roads” * na voz de Olivia Newton-John (Let Me Be There, 1973) escrevo esse artigo otaku especial de Dia dos Namorados. Ok, a canção em si não é nada romântica e está mais para um ode a um lugar especial (no caso Virgínia Ocidental, para ser mais específico). Mas o que um clássico do country norte-americano tem a ver com apaixonados e cultura otaku? Simples! A canção é o tema de abertura e o leitmotiv de Sussurros do Coração (1995), filme de Yoshifumi Kondou para o Studio Ghibli.

Sussurros do Coração é um dos primeiros filmes do Ghibli não dirigidos por Hayao Miyazaki ou Isao Takahata (embora tenha roteiro de Miyazaki) e marca não só por essa diferente cena de abertura ao som do country, como também pela abordagem singela e cativante de um romance adolescente. Temas como decisões e a dor da guerra seguem na narrativa (lembre-se, Miyazaki é o roteirista), mas Yoshifumi Kondou nos presenteia com um drama enxuto e bastante interessante para acompanhar ao lado da pessoa amada.

Your Name (2016) – Comix WaveFilms

Também inspirado numa narrativa de romance adolescente, o filme de Makoto Shinkai perpassa pelo dilema juvenil de Mitsuha e Taki a partir de um acontecimento que transita entre o cósmico e o sobrenatural. Com certeza esse é um filme para se assistir no aconchego de um abraço sem se preocupar com nada e apenas torcer para que tudo acabe bem.

A trilha sonora conta com a banda Radwimps e canções como “zenzenzense” como leitmotiv, o que dá mais ritmo a trama que encantou milhares de pessoas ao redor do mundo e ainda é fenômeno entre os otaku.

No Amazon Prime Video…

InuYasha the Movie: The Castle Beyond the Looking Glass (2002) – Sunrise

O segundo filme baseado no mangá de Rumiko Takahashi é uma das produções em audiovisual que mais recomendo para a data especial. Carregando muito elementos que conquistaram os fãs de InuYasha e Kagome, o longa-metragem é cheio de momentos marcantes entre o casal protagonista e não tem como não se arrepiar com o final onde…, Opa! Quase um um spoiler!

Com plot inspirado no conto popular japonês da “Princesa Kaguya”, o filme entrega uma boa história que anima não só pelo romance, mas pela aventura. Os outros três filmes da franquia também estão no catálogo do Prime Video então, se ao terminar quiser ver mais é só dar o play!

Wotakoi: Love Is Hard for Otaku (2018) – A-1 Pictures

Se a ideia é curtir o Dia dos Namorados com muita alegria sugiro a comédia romântica baseada no mangá da autora Fujita. Dois casais, um escritório empresarial e um segredo: os quatro são otaku! Juntos eles vivenciam o dia a dia como namorados e otaku e vão perceber que não é tão simples assim manter um relacionamento quando os gostos uns dos outros parecem tão estranhos.

Embora possa não parecer, Wotakoi é cheio de momentos fofos que fazem o coração disparar e que não tem como não assistir os dez episódios em um tiro só, além de se identificar (caso seja otaku) com Nifumi e Narumi ou Kabakura e Koyanagi em um relacionamento gostoso de cumplicidade e bem querer.

Na Crunchyroll…

Tsuredure Children (2017) – Studio Gokumi

Também na pegada da comédia romântica, Tsuredure Children retrata o dia a dia de jovens estudantes que estão despertando para o romance e mostra diversas cenas engraçadas provocadas pela falta de experiência deles. São diversos casais das mais diferentes personalidades que convivem num mesmo ambiente escolar.

A série tem 12 divertidos episódios com short stories e se divide entre os momentos de flerte e a comicidade da vida adolescente.

Science Fell in Love, So I tried to Prove it (2020) – Zero G

Talvez uma das sensações da primeira metade de 2020, Science Fell in Love é uma comédia divertida que gira em torno dos universitários do Laboratório Ikeda na Universidade de Saitama. Para ser mais preciso, a história destaca o relacionamento amoroso dos mestrandos Shiniya Yukimura e Ayame Himuro que se descobrem apaixonados um pelo outro, mas como verdadeiros cientistas embarcam numa série de experimentos malucos para provar que o sentimento entre eles é real e não algo imaginado.

Também com 12 episódios a série tem um bom clímax na sua reta final que nos faz torcer bastante pelo casal de protagonistas e rir em muitos momentos de suas pesquisas absurdas sobre a comprovação científica do amor e da paixão.

Sing “YESTERDAY” to Me (2020) – Doga Kobo

Em lançamento desde o segundo trimestre do ano, o animê foca nas vivências amorosas de Rikuo Uozumi, Shinako Morinome, Haru Nonaka e Rou Hayakawa. Os quatro são conectados por motivos diversos e precisam se entender para terem seus sentimentos correspondidos. Entre as dúvidas e memórias cada um deles tem motivo para amar outro e mesmo assim parece que nada é fácil para eles quando se pensa em expressar os sentimentos ou ser correspondido.

Embora ainda esteja em lançamento – e com previsão de 18 episódios – indico esse porque é um drama sem tanta comicidade assim (embora um ou outro alívio cômico apareça em alguns episódios) que te faz criar sua torcida pelo personagem que gosta e antipatizar outros por suas indecisões que frustam tanto a si como aos que estão ao redor.

Concluindo…

Com essas sete indicações já da para montar uma rotina bacana para maratonar não só no Dia dos Namorados, mas no fim de semana que se segue. Ah, e mesmo que no momento esteja distante do seu amor por causa da pandemia, basta montar aquela transmissão em grupo e assistirem juntos. O que importa é manter o sentimento vivo e aguardar pelo momento maravilhoso do abraço quando o novo normal se estabelecer.

Até a próxima e… Sayoanara!

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* Essa canção foi composta por John Denver, Bill Danoff e Taffy Nivert em 1971 e lançada na voz de Denver no álbum “Poems, Prayers and Promises”. A faixa ganhou diversas releituras incluindo a versão de 1973 na voz de Olivia Newton-John e uma versão em japonês para Sussurros do Coração (1995) rearranjada por Yuji Nomi com letras de Mamiko Suzuki (filha de Toshio Suzuki) e Hayao Miyazaki, sendo interpretada pela seiyuu Yoko Honna, que dubla a protagonista Shizuku.

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