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Filmes

Top 6 filmes de terror que não podem faltar em uma sexta-feira 13

Top 6 filmes de terror para a sexta-feira 13

Sim, 6, eu disse 6, isso mesmo 6.. dicas do mais puro creme do horror.

Em uma sexta-feira 13 são aceitas apenas três situações: sair com os amigos vestido de monstro, ir para o cinema ver filme de terror (e recomendo fortemente IT Capítulo 2 – cuja crítica você pode ver aqui) ou ficar em casa vendo filme de terror. E mesmo que você saia com os amigos vestido de coisa ruim, ao voltar pra casa, ainda dá tempo de ver um filme. Mas o que ver? Calma, pequenos demoninhos. Vou dizer a vocês agora. Primeiro, esqueçam os filmes ruins da TV a Cabo. A Netflix, também, deixa um pouco a desejar no catálogo de horror. Então, vem na minha e busque por alguma dessas seis belezinhas sem medo. Quer dizer, vai dar medo, sim.

6 – Fome Animal – (Dead Alive/ Braindead, Nova Zelândia, 1992)

Esqueçam as pipocas e refrigerantes. Para ver Fome Animal é melhor não comer nada. O filme é um festival de nojeiras e insanidades: uma orelha que cai na sopa e é comida no mesmo momento, um padre luta kickboxer antes de virar zumbi, zumbis fazem sexo e parem bebes zumbis, a “arma” utilizada para matar os mortos-vivos é um cortador de grama virado ao contrário, ou seja, mutilação de órgãos e banho de sangue e tripas. O diretor e criador dessa maravilha é Peter Jackson, em uma época em que ele – adolescente na Nova Zelândia – sequer imaginou que certo dia ganharia um Oscar.

Resumo da história:

Leonel é um nerd que vive com sua mãe, uma velha chata e ciumenta. Certo dia o rapaz se apaixona por uma moça, filha de ciganos, e a chama para ir ao zoológico. A mãe de Leonel, que desaprova o relacionamento, o segue até o local. Lá, acaba mordida por uma espécie rara de animal: o Macaco Rato da Sumatra. Depois disso, passa a ter febre e comportamentos estranhos, perde cabelos, a pele começa a cair – assim como os dentes – e emite grunhidos estranhos. Pior: a velha fica violenta e morde as pessoas. Os que foram atacados passam a ter a mesma reação, até que uma epidemia se espalha e os “zumbis” tomam conta da cidade. Leonel e a sua namoradinha são os mocinhos.

Opinião:

Nada pode ser mais sensacional para uma sessão maldita entre amigos do que Fome Animal. É divertido, engraçado, a maquiagem é muito mais bem feita do que muita coisa “rica” de Hollywood, é criativo até o fim e ninguém vai dormir. Com certeza. Pode testar, porque já testei.

5 – A Meia Noite Levarei sua Alma – (À Meia-Noite Levarei sua Alma, Brasil, 1964)

O melhor terror nacional já feito em todos os tempos só podia ser de um dos maiores cineastas desse país: José Mojica Marins. Pouco sabe de cinema os que criticam a simplicidade desse gênio do cinema. Mojica criou o mundialmente conhecido Zé do Caixão, personagem de característica forte, demoníaca, sádica, cruel, demente e inventiva, porém de uma veracidade tão intensa, que lhe concedia uma assombrosa humanidade. Sua grande obra-prima se chama A Meia Noite Levarei Sua Alma, primeiro filme de uma trilogia que conta a busca insana de coveiro Zé do Caixão pela mulher, que lhe dará o filho perfeito.

Opinião

Em 1963, plena ditadura militar, o cinema nacional não estava acostumado com o que veria. Mojica, então, sem medo da censura filmou aquele que seria o divisor de águas para o gênero no Brasil. Embora sutil para os padrões atuais, A Meia Noite Levarei Sua Alma desafiou os dogmas cristãos ao mostrar cenas de violência explícita e a críticas contra as tradições religiosas. Só isso já faz do longa histórico. Não bastasse tal loucura para a época, o filme ainda é audacioso e criativo, com uma montagem que consegue dignificar até mesmo as atuações amadoras e os improvisos de roteiro. A Meia Noite… é um filmão, com uma trama sem furos, que apresenta um personagem complexo, primitivo e contestador.

Curiosidade:

Zé do Caixão foi inspirado em pesadelos constantes que Mojica tinha com o personagem quando era criança. Aos 12 anos, o diretor vendeu sua bicicleta e comprou uma câmera de 88mm. Daí deu início a sua carreira apaixonada.

4 – O Gabinete do Dr. Caligari – (Das Cabinet des Dr. Caligari, Alemanha, 1920)

C-L-Á-S-S-I-C-O!!!. Concebido em 1919, O Gabinete do Dr. Caligari é referência máxima em estilo e fotografia até hoje. Uma das primeiras obras do Expressionismo Alemão – movimento da arte que privilegiava os efeitos de luz, maquiagens carregadas que destacam as expressões dos personagens, cenários distorcidos, clima psicológico e influência de obras surrealistas, o filme do alemão Robert Wiene (e roteiro de Fritz Lang, de Metrópoles) não precisa usar palavras para espantar. As belíssimas imagens, a sombria trilha sonora e as atuações dramáticas e exageradas (propositalmente) são extraordinárias e fazem desse um dos melhores filmes de horror de todos os tempos.

Opinião:

A trama é simples e original: Dr. Caligari é um velho místico que domina as técnicas da hipnose e perambula pelas cidades do norte da Itália apresentado-se em quermesses ao lado de um sonâmbulo chamado Cesare. O caso é que o velho usa de seus métodos para induzir o jovem Cesare a cometer assassinatos nos vilarejos. Como Caligari esconde um boneco no caixão onde Cesare dorme, os crimes ficam indecifráveis. Porém, o jovem sonâmbulo passa a perambular pela cidade e algo dá errado. Realizado em uma das fases mais conturbadas da história alemã (o fim da primeira guerra mundial) O Gabinete do Dr. Caligari possui uma aura absolutamente sufocante e pessimista. Talvez por isso, a partir de imagens insólitas – que mais parecem um constante pesadelo – o filme mudo foge dos padrões naturais das histórias de horror e relata com extrema competência a aflição e a insanidade humana. Um filme para ver e rever.

3- O Bebê de Rosemary – (Rosemary’s Baby, EUA, 1968)

E aí vem o diabo. Ah, o diabo. Tem maldade no meio, coisa ruim, espírito zombeteiro? Tem culpa o diabo. Bacana é perceber que essa figura da mitologia cristã tão antiga sempre gerou – e sempre irá gerar – boas histórias apavorantes. Isso percebeu o diretor Roman Polansky (e a escritora do livro Ira Levin) ao conceber O Bebê de Rosemary. O filme narra a história de (adivinhem?) Rosemary, moça certinha que se muda para um apartamento em Nova York com seu marido. É apresentada a um simpático casal de velhinhos e com eles faz amizade. Não demora muito, porém, para começar a desconfiar que esses estão envolvidos, junto com seu esposo, em rituais macabros de magia negra. Rosemary, então, descobre que está grávida e tenta manter seu bebê longe de algum mal que possam lhe fazer. Mas uma trágica surpresa está por vir.

Opinião:

Não basta ter uma idéia brilhante e filmá-la. É preciso saber como fazer. E Polansky fez com maestria. Desde o momento em que somos apresentados ao fantasmagórico apartamento até o derradeiro ato final, toda a atmosfera de suspense e temor é construída de forma gradativa e, por isso, brilhante. Considerado blasfemo pela igreja católica – e outras que tentaram impedir a exibição do filme – O Bebê de Rosemary é um dos melhores exemplares do terror psicológico, ou seja, não há violência explícita, mas sim um clima de paranóia constante e um final polêmico. Além da espetacular direção, méritos também para as excelentes atuações de Mia Farrow e Ruth Gordon (a velhinha vizinha que levou o Oscar de melhor atriz coadjuvante).

2 – Os Outros – (The Others / Los Otros, Espanha / EUA / França, 2001) Um dos meus subgêneros preferidos dentro do horror é o que trata de fantasmas e casas mal-assombradas. De exemplares dos anos 50, de figuras importantes como o diretor Willian Castle e o espetacular Vincent Price, a maravilhas dos anos 80 como O Iluminado ou Poltergeist. Mas nenhum deles se compara a Os Outros. E pensar que se não fosse Tom Cruise o filme não existiria. Isso porque Tom “queria porque queria” re-filmar Abra Los Ojos (que se transformaria em Vanilla Sky), que era do espanhol Alejandro Amenabar. Então, o diretor lhe disse: “Ok, Tom. Te passo os direitos, mas a Cruise/Wagner (produtora de Cruise) produz um filme novo meu chamado Os Outros”. Tom Cruise respondeu: “Fechado, mas você coloca minha mulher no filme?”. “Claaaaro”. E deu no que deu. Inclusive, Nicole Kidman concorreu ao Globo de Ouro contra ela mesma por Os Outros e As Horas.

Opinião:

É coisa de gosto. Para mim, Os Outros é melhor do que qualquer outro filme de casa mal-assombrada, pois tem todos os ingredientes que o faz (quase) alcançar a perfeição: uma casa estranha, personagens misteriosos, um segredo guardado no porão, uma presença fantasmagórica (ou não) e um final surpreendente e delicioso (e o único que apresenta o outro lado). Não bastasse tudo isso, o filme é criativo, inteligente e tecnicamente primoroso. A sacada de fazer com que o pano de fundo fosse a Segunda Guerra Mundial e – de certa maneira – ser esse o motivo para o desfecho cruel e ao mesmo tempo alentador é ambiguamente preciso e convincente. Aliás, o filme termina e ficamos com ele na cabeça por um bom tempo. Você não sabe se julga a atitude egoísta ou se entende o motivo. De qualquer maneira, no final saímos mesmo é satisfeitos e orgulhosos de ter visto esse preciosidade do gênero.

1- O Massacre da Serra Elétrica – (The Texas Chainsaw Massacre, EUA, 1974)

Quando O Massacre da Serra Elétrica começa, uma arrepiante narração informa que o filme que será apresentado foi baseado em um fato real e um dos mais bizarros crimes na história norte-americana. Na verdade, apenas charme. De real mesmo apenas a “homenagem” a Ed Gein, um verdadeiro psicopata que, assim como o personagem do filme, Leatherface, cortava o rosto dos cadáveres para usar como máscara. Mais nada. Rodado em 1974, O Massacre… conta a história de um grupo de jovens que se perde em uma rodovia e acaba sendo perseguido por uma família de maníacos canibais. O que tem de mais? O filme é perturbador, assustador e, por ter sido filmado em 16mm e ter uma estética meio amadora, passa a sensação de realidade. O ar grotesco e sufocante fez com que o filme fosse proibido em muitos países, só podendo ser liberado anos mais tarde.

Opinião:

Pergunte para uma pessoa qualquer: “O que é O Massacre da Serra Elétrica?”. Ela pode nunca ter assistido, mas vai saber que é um filme de terror doentio. Tudo porque a obra se transformou, indiscutivelmente, num dos maiores clássicos do cinema e, além de influenciar centenas de filmes, faz parte da cultura popular mundial. Méritos totais para o diretor Tobe Hooper (Poltergeist). Foi dele a idéia de apavorar o espectador com cenas violentas, porém sem exageros, sem sangue, sem dilacerações. E esse é o grande mérito do filme – além da filmagem “caseira” – apresentar o aterrorizante sem necessidade de explicitar. Então veremos a mocinha correndo do vilão com a serra elétrica na mão, marteladas na cabeça, pedaços de gente, mas, em momento algum, a ação é consumada. O estrago vai depender da sua imaginação. Mas não se preocupe com isso. As sombras apresentadas pela iluminação escura, o cenário desértico do Texas e os gritos de pavor da molecada vão te ajudar.

E se não der tempo de ver tudo hoje, calma, mês que vem Halloween está aí. Prometo, inclusive, trazer mais seis outras dicas para os amantes do melhor gênero do cinema.

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Crítica de Filme

Crítica | Projeto Gemini

Que é isso, novinho? Mesmo sendo muito mais interessante pela forma que pelo conteúdo, novo filme de Ang Lee deixa sua marca na linha evolutiva do Cinemão

Com certeza você já passou por isso: foi rever um filme que te parecia impecável na época e só agora você nota que os efeitos visuais eram, na verdade, bem capengas. Isso certamente acontece porque temos como referência o que vem sendo feito no Cinemão de hoje em dia. É claro que alguns filmes sobrevivem melhor ao teste do tempo que outros, mas de todo modo, a linha evolutiva da tecnologia a serviço da Arte se movimenta constantemente – agora mesmo enquanto você lê esse texto. Em Projeto Gemini o mestre Ang Lee nos traz outra novidade. Vai vendo.

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Antes de qualquer coisa é importante brindá-lo com uma informação que talvez você já tenha: Ang Lee se juntou a expertise de Jerry Buckheimer para blockbusters atribuindo a Projeto Gemini (Gemini Man, 2019) o apelo popular de que esse filme carecia. (Veja, é um thriller de ação com assassino cansado de labuta e doido pra se aposentar. Ou seja: genericaço). Tudo porque a tecnologia empregada aqui oferece uma experiência de 3D nunca antes vista: rodado a 120 frames por segundo (muito mais que os 24fps tradicionais) o filme é um tapa de altíssima resolução e uma limpidez de imagem que vai deixar qualquer aficionado por hidef abestalhado.

E pra quem reclama da imagem escurecida do 3D tradicional: não há diferença nenhuma de iluminação com ou sem os famigerados oclinhos. Nesse sentido, o visual é impactante do começo ao fim. Lastimavelmente, entretanto, é crucial destacar que aqui no Brasil gozaremos apenas da oportunidade de ver Projeto Gemini em 4K 3D+ HFR (e tome sigla) em 60fps – em virtude da falta de equipamento capaz de suportar a tecnologia empregada nesta ousadérrima película. Mesmo sendo metade do concebido por Ang Lee, a experiência ainda é muito incrível. A título de comparação, Peter Jackson fez esse exercício em 2012 com O Hobbit em 48fps e o choque foi algo.

Ainda há outro atributo técnico distinto nesse filme que é a mágica do rejuvenescimento, cada vez mais apurada e assustadora. Will Smith é um assassino de elite a serviço da inteligência americana que, por ser o “agente que sabia demais”, precisa ser exterminado. Driblando spoilers, o homem de 51 anos se vê diante de uma versão dele mesmo, trinta anos mais jovem. O variante ‘Um Maluco no Pedaço’ resgatado dos anos 90 na base do murro tecnológico é interpretado por ele mesmo, lógico, rebocado por toneladas de truques digitais. E, ainda que o resultado não seja impecável, em alguns momentos rela na perfeição e aponta para as infinitas possibilidades que esse recurso pode proporcionar para o futuro dos filmes.

Devido a HFR (high frame rate) empregado aqui, Lee precisou economizar nos planos e cortes para evitar incômodos visuais (e o público bem que reportou desconforto com O Hobbit devido a isso, quem viveu sabe) o que acabou rendendo pelo menos alguns momentos bem impactantes. Destaco aqui toda a sequência envolvendo uma perseguição de motos, passando pelas ruas estreitas da Colômbia, tirando fino dos carros. O realismo impressiona e os movimentos de câmera, notadamente mais fluidos sem o ruído dos picotes comuns de sequencias de ação, acabam maximizando a sensação de urgência na cena.

Tendo sido dito tudo isso, o calcanhar de Aquiles aqui fica justamente por conta do roteiro. Não fosse a insinuação existencialista contida num cenário onde você tem a oportunidade de conversar com uma versão mais jovem de você mesmo (o que você diria?) a premissa é bem genérica, como o atento leitor já catou lá no começo do texto – inclusive chegando a ser previsível em vários níveis. E aí o caráter hipnótico do 3D+ 4K HFR (!) só consegue cobrir até certo ponto.

Mesmo assim, o fato é que Projeto Gemini aponta para o futuro. Com que outras bruxarias incríveis a tecnologia ainda há de nos surpreender, pra que possamos rever tais filmes tempos depois, julga-los obsoletos e em seguida nos surpreendermos com tantos outros? A saber.

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Crítica

Crítica | Black Fox

Co-produção da Crunchyroll, animê mistura sci-fi com ninjas.

Após o muito frisson promovido, finalmente pudemos ver o resultado de Black Fox, animê original produzido pelo estúdio 3Hz (em parceria com o estúdio Infinite) e a presença da Crunchyroll no comitê de produção.

Saindo em formato de longa-metragem, a animação surpreende em visual e em markerting – sendo licenciada no Brasil e outros países com cobertura da Crunchyroll um dia antes da estreia nos cinemas japoneses neste fim de semana – e se configura não mais como uma aposta, mas sim numa alternativa muito positiva ao serviço de streaming dedicado ao público otaku (mas não é o momento de comentar isso, talvez em um artigo).

Com a premissa de um sci-fi, Black Fox reúne elementos como IAs e disputas corporativas por tecnologias de potencial militar ao universo mais que amado dos shinobis ao introduzir a jovem Rikka Isurugi em uma vingança por sua família ao lado de “animais” robóticos superinteligentes e de personalidades destoantes. Junte a isso uma garota telapata e um cientista louco e… bom, poderíamos ter uma trama perfeita.

Não entenda errado! Não estou dizendo que Black Fox é um filme ruim. Pelo contrário, gostei bastante da experiência e me senti cativado pelas personagens apresentadas. Na verdade, acho que como um filme de origem, o longa-metragem cumpre bem o seu papel de nos inserir na história de Rikka e creio que tem tudo para se desenvolver em uma boa série de animê em um futuro não tão distante. Sério, estou muito a fim de ver Rikka, Mia e Melissa no combate ao vilão Brad Ingram.

Todavia, não esquecendo que Black Fox é um filme, temos muitas questões no roteiro que desanimam bastante. O segundo ato, em específico, é muito prejudicado com a maneira escolhida para dar sequência aos acontecimentos. A forma como Rikka e Mia desenvolvem sua conexão acaba ocorrendo de maneira um pouco rasa mesmo sendo perceptível que em suas essências ambas são distintas demais uma da outra em relação ao carinho e o afeto daqueles ao seu redor.

Considerando o tempo de duração do filme (90min) – que não foge do padrão da cena, mas poderia ser um pouquinho maior – temos uma minutagem aproximada à de 4 episódios sem abertura e encerramento. É observando isso que se percebe que o segundo ato (que equivaleria a dois episódios) poderia trabalhar de forma bem mais efetiva o contato entre as duas garotas e, assim, preparar melhor o público para o clímax.

Isso não tira méritos da direção de Kazuya Nomura e Keichi Shinohara, que contam com um trabalho relativamente bem feito pelo time do 3Hz , que tem entre seus principais trabalhos Sword Art Online Alternative: Gun Gale Online (2018). Outro ponto superpositivo são as presenças de Ayaka Nanase e Haruka Tomatsu nas vozes de Rikka e Mia. Talentosíssimas!

A experiência de poder ver o filme nos mesmo período de sua estreia em solo japonês é um outro atrativo e espero que isso se repita em muitos outros momentos. Volto a afirmar, Black Fox tem tudo para ser uma história memorável. Só depende das escolhas a serem feitas. Minha sugestão é que em vez de um segundo filme tenhamos uma série animada para TV/streaming com 12 episódios para dar sequência à trama.

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Crítica de Filme

Crítica | Coringa

Todd Phillips expande as possibilidades de filmes baseados em quadrinhos com narrativa atordoante e perturbadora sobre as origens do Palhaço de Gotham

Depois de uma campanha das mais barulhentas de que se tem memória, Coringa (Joker, 2019) finalmente entra em cartaz com a promessa de ser um “filme de herói” diferente de tudo que já foi feito até agora. E, de fato, o diretor Todd Phillips proporciona aqui uma experiência atordoante, caótica, perturbadora e carregada de ambiguidades que ajudam a entender a trajetória cheia de polêmica do filme pelos festivais mundo a fora. Vai vendo.

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Primorosamente fotografado e conduzido, o filme primeiro atrai pela virtuosidade estética: a atmosfera setentista que se nota logo nos letreiros iniciais se estende pelas ruas apinhadas de gente com pressa, pelos carros, pelos trens super poluídos de pichos e sujeira, pelos prédios cinzas. Tudo contribui para o sufoco que o filme transmite e que cresce nos engasgos da gargalhada do protagonista, na fumaça do cigarro que nunca se apaga.

Joaquin Phoenix é um absurdo quando enverga uma risada congelada ouvindo o chefe lhe pregar mais uma injustiça “o valor da placa vai ser descontado do seu salário”; quando corre com o vigor de um desenho animado, quando bate com a cabeça contra portas de vidro, quando demonstra não perceber a brutalidade enquanto a exerce. A performance é também caótica ao permitir ao público ler sinais que são ora de compaixão, ora de asco. E o corpo esquálido do ator termina de emoldurar a imagem. Nesse sentido, por Phoenix, esse Coringa está à altura de qualquer um de seus pares já vistos na tela grande.

Mas se por um lado no roteiro escrito por Phillips e Scott Silver tudo é combustível pra entender a posição de vulnerabilidade do ainda Arthur Fleck (e a vulnerabilidade é o que provoca a compaixão do público) por outro faz questão de enfatizar a condição de um homem com a mente doente, cujo controle de suas ações se equilibra como um castelo de cartas. Nesse ponto, são inválidas as teorias de que o filme justificaria os crimes do personagem como uma resposta às injustiças a que foi submetido.

No entanto, ao ilustrar o Coringa como um agitador psicopata que ao se rebelar contra o “sistema” encontra no caos a recompensa e a redenção, os esforços começam a ficar ambivalentes.  “Isso não é lindo?” ele diz depois de ser acusado de provocar a desordem generalizada em Gotham pra, em seguida, ser ovacionado como herói pelo mar de gente vestida de palhaço.

De todo modo, o Coringa de Todd Phillips certamente expande as possibilidades de filmes baseados em histórias em quadrinhos uma vez que aqui se pretende um caminho muito mais interessado no drama existencial e na tragédia humana que nas firulas megalomaníacas que o público (no qual me incluo) tanto ama. É muito provável que através dele se abra a chancela para mais produções como essa – o que só demonstra a riqueza da linguagem dos quadrinhos que até parece subaproveitada depois de um filme atordoante como esse.

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