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Titãs: O contrato de Judas

Entenda como a nova temporada de Titãs vai adaptar, de maneira mais realistas e sombria, uma das histórias mais celebradas do time.

Titãs, a aclamada série do DC Universe, que foi uma das maiores surpresas de 2018 retorna na próxima semana (06), com uma segunda temporada que promete expandir o rico universo da série, adicionando mais personagens icônicos dos quadrinhos, com o próprio Batman, vivido por nosso eterno Sor Jorah de Game of Thrones, Iain Glen saindo das sombras para interagir e, muito possível, confrontar as ideologias de Dick Grayson como líder dessa nova geração de heróis da DC. No entanto, enquanto muitos dos heróis e histórias apresentados nessa temporada serem conhecidos pelo público, por conta de outras mídias, especialmente pela popularidade e reconhecimento da série animada dos Teen Titans em 2003, a nova temporada de Titans vai introduzir dois personagens, que apesar de obscuros para fãs mais causais, serão os pontos chave para que o arco dessa nova temporada entre em andamento. Um dos pontos mais importantes dessa série, desde sua primeira temporada, é a desconstrução de legados e a independência de um ajudante no seu processo de transição para se tornar seu próprio herói, como vemos com a jornada de Dick Grayson, saindo da influência do Cavaleiro das Trevas para se tornar o Asa Noturna em seus próprios termos. Todavia, a segunda temporada vai exacerbar esse tema ainda mais, com a forte presença de Slade Wilson, o Exterminador que é um dos vilões mais icônicos e reconhecíveis dos Titãs, mas que dessa vez, vem acompanhado de seu próprio legado, com seus filhos.

Como dito antes Rose e Joseph Wilson, os filhos do Exterminador, serão personagens chaves para o arco que será adaptado na segunda temporada de Titãs, no entanto, quem são eles?

  • Devastadora (Rose Wilson)

Rose é a filha mais velha de Slade, no entanto, foi criada longe da influência de seu pai, em segredo, por sua mãe, Lillian Worth. Porém, o cenário muda quando seu tio, o mercenário Wade DeFargo, sequestra Rose e sua mãe e no processo, Lillian acaba sendo assasinada, colocando a jovem nos cuidados de seu pai. Slade, incapaz de interagir com a criança, pede ajuda dos jovens titãs, que a colocam sobre o cuidado de um família adotiva em Chicago, na tentativa de dar uma chance de uma vida normal para Rose. Entretanto, essa vida de felizes para sempre é interrompida quando DeFargo mata os pais adotivos de Rose, na tentativa de assassinar a garota. No meio disso, o Exterminador intervém, salvando a vida de sua filha e dando a oportunidade que a mesma se vingue de seu tio, provendo as armas para que Rose mate DeFargo, assumindo assim a identidade de Devastadora.

Rose é uma prodígio, tendo herdado a resistência e reflexos de seu pai, fazendo assim com que rapidamente ela e Wade construam um relacionamento na base do seu treinamento para se tornar mercenária assim como o Exterminador. O desejo de Rose de aceitação por Slade é tão forte que em sua obsessão, a jovem arranca seu próprio olho esquerdo, para provar que é exatamente como seu pai, além de usar um uniforme que imita o padrão de cores e materiais do Exterminador. Em Titãs, a personagem vai ser vivida pela atriz Chelsea T. Zang, em uma versão que vai seguir arrisca suas origens dos quadrinhos.

  • Jericho (Joseph Wilson)

Joseph é o filho mais novo de Slade Wilson com Adeline Kane na qual o Exterminador realmente foi casado, na época em que vivia uma vida dupla, sendo pai de família e mercenário ao mesmo tempo. Joe teve uma infância feliz, sendo um prodígio em música. No entanto, sua infância é interrompida quando um terrorista, em retaliação as ações do Exterminar, sequestra Joseph e o mantém como refém, para chantagear Slade Wilson em seus termos. Entretanto, Wilson apela para seu código de trabalho, se recusando a cooperar com as demandas do terrorista, abandonando seu filho, que tem sua garganta cortada, o deixando mudo para o resto da vida. Seguindo esses eventos, Adeline se divorcia de Slade, levando Joseph para longe da influência do mercenário, durante esse mesmo período, o jovem descobre como se comunicar por sinais, se tornando um dos primeiros personagens surdos a existir dentro de quadrinhos. Durante sua adolescência, devido a experimentos feitos por seu pai quando criança, o gene meta-humano de Joseph é ativado, revelando sua habilidade de possuir qualquer criatura com que o mesmo faz contato visual.

A identidade Jericho foi adotada quando Joseph, depois de anos trabalhando com sua mãe para o governo, entra para os Jovens Titãs, com o intuito de se afastar da sombra do Exterminador ainda mais. Em Titãs, o personagem vai ser interpretado pelo ator e ativista, Chella Man. A presença de Man no elenco é revolucionário, trazendo um ator surdo para dentro do universo de heróis, honrando não somente a origem de Jericho, como também dando visibilidade para a causa que Chella luta. Além disso, Jericho é um dos primeiros personagens a se assumirem gay dentro dos quadrinhos, outro aspecto que também é presente em Chella, que é transexual.

A segunda temporada de Titãs vai se dividir em dois momentos, um deles concluindo a saga de Trigon que vimos se iniciando no final da primeira temporada, finalizando assim o foco mais pesado no personagem da Ravena, enquanto um segundo momento vai focar no retorno de Slade Wilson para a vida dos Titãs, explorando por meio de flashbacks, o time original composto por Moça-Maravilha, Robin, Aqualad, Rapina e Columbo.

O retorno de Slade dentro da história, saindo de sua aposentadoria pela presença de um novo time de Titãs é na verdade o gancho para a introdução de um dos arcos mais aclamados dos heróis: O CONTRATO DE JUDAS. Nos quadrinhos, é aqui que a personagem de Terra Markov seria introduzida, se tornando aliada dos Titãs como agente dupla, se infiltrando no time, enquanto era treinada pelo Exterminador, apenas esperando momento oportuno para traí-los. No entanto, por ser um das histórias mais reconhecíveis dos Teen Titans, o Contrato de Judas se tornou saturado, tendo sido adaptado diversas vezes ao longo dos anos.

Contrato de Judas ao longo dos anos nas diversas mídias: Teen Titans (2003), Teen Titans: The Judas Contract (2017), Young Justice (2019) e Teen Titans Go ! (2013)

É então, como maneira de modernizar a história em sua primeira adaptação live action, que entra a presença de Rose e Joseph Wilson. A premissa do arco continuará a mesma, com os personagens da Devastadora e Jericho se tornando infiltrados dentro do time de Dick Grayson, com o intuito de passar informações para o Exterminador e destruir o time por dentro. No entanto, não é somente a troca de Terra por Rose e Joseph que torna essa versão do Contrato de Judas algo inovador e único, aqui o ângulo de legado é exposto quando, diferente de Terra, os personagens compartilham um relacionamento de sangue e traumas com Slade Wilson, tornando a traição dos dois lados ainda mais poderosa. Além disso, com esse aspecto estando presente, temas mais relevantes e adultos podem ser abordados como abandonamento e até onde sangue é realmente mais espesso que relacionamentos forjados em confiança. Por conta da natureza mais sombria e extremamente madura do show, apesar de não ser a primeira vez que o Contrato de Judas é adaptado, é a primeira vez que isso pode ser feito de maneira realista, lidando com todos os níveis que uma traição tão profunda quanto essa pode ecoar numa pessoa.

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Review | She-Ra e as Princesas do Poder (4ª Temp.)

Nova fase da animação revelou alguns segredos e prepara público para ponto de virada na série.

A Honra de GraySkull está mantida? Talvez. A resposta para a pergunta somente na próxima temporada de She-Ra e as Princesas do Poder em 2020. Um ano depois da estreia da série, a 4ª temporada (que estreou 5 de novembro) deixou um sentimento de “e agora?” muito forte durante o processo de introdução de novos elementos.

Ressalto aqui também que quem leu a review da temporada anterior pode perceber que acertei na teoria. A antiga She-Ra daria as caras (embora somente em flashbacks da Madame Rizzo) e a aparição do Rei Micah seria agora justo após a morte de Ângela (que agora tenho minhas dúvidas!). Micah apareceu, mas não como o Cavaleiro Vermelho, como é na trama original. Nem um demérito ao reboot por causa disso. Só na traição de Sombria que minha pergunta permanece no ar. Seguindo!

Das quatro temporadas apresentadas até aqui, a última é a mais intensa. O fato de voltar a ter 13 episódios ajudou bastante. Mais tempo de tela reforça a construção de todas as personagens: protagonistas, coadjuvantes e antagonistas.

Foi o que Noelle Stevenson fez com a sua equipe de roteiristas. Para esse review focaremos em um trio de personagens e um extra: Cintilante, Mara e Scorpia, além de Hordak.

A coroação da jovem Cintilante, após o sacrifício de Ângela, deveria ter amadurecido a personagem. Cintilante, ao meu ver, foi a quem menos evoluiu nesta temporada. Ou melhor, até tenha evoluído, mas em consequência o seu lado mimado acompanhou o processo. Sua compostura diante dos amigos e aliados revela muita insegurança. Normal, se considerarmos que agora como rainha ela não estava preparada para o papel e a perda da mãe. No entanto, seus atos desesperados forçaram toda Etheria conhecer um obstáculo bem mais difícil que Hordak e Felina.

A nova rainha mudou o visual, mas não mudou as atitudes

Por outro lado, conhecemos Mara. Até então apenas citada ou em aparições rápidas, a personagem foi uma das protagonistas do episódio “Heroína” e nos ajudou a entender o que realmente estava se passando no planeta. A She-Ra anterior, que é um acréscimo bem válido à mitologia da franquia, resgata a personagem Mara com muito empenho e nos revela que os “Primeiros” (por que não Eternianos?) tem um propósito não tão nobre e abre espaço para novas apostas e teorias. Sua relação com a Esperança da Luz e Madame Rizzo chegam ao grau de melancolia na trama e dão o tom mais solene à temporada. Impossível não se identificar com ela.

Como já está bem claro, as chances de He-Man fazer ponta na série é mínima, quase zero, mas os elementos que o cercam não. Veremos na próxima fase o Castelo de GraySkull? A Espada do Poder? Ela, a espada, já existe ou será ainda criada? Essa última pergunta é um reboot de mais alto nível à mitologia e portanto pouco provável. O certo é que sabemos que Mara era dos Primeiros e eles serão o próximo foco da trama.

Das três personagens que destaco, Scorpia é quem mais curti na temporada (novamente me rendo ao seus pés garota!). O crescimento de sua personalidade, dado seu lado mais infantil, rendeu uma surpresa maravilhosa ao vermos ela compreendendo o quão tóxica é a figura da Felina. Parabéns Scorpia! E ela é tão amável! Mesmo reconhecendo a toxicidade da outra continua a amando (pode ser um ponto fraco dela, mas sem isso ela não seria a fofa que é). De quebra, não posso esquecer que acertei de novo aqui quando conjecturei que poderíamos vê-la com a Grande Rebelião. Mais um ponto para mim!

O extra pra essa review é Hordak. O lado passional do vilão nem de longe condiz com o bufão da série clássica e isso é maravilhoso. Sua melhor cena é aquela onde as lágrimas mistas de alegria pela não-traição de Entrapta e o ódio pelas mentiras de Felina ficam retidas sobre a face em poucos segundos. Mas não esqueçam: ele ainda é vilão!

Por fim, o que foi Double Trouble?! A nova personagem é o tipo de personagem que mais detesto. Contudo, o metamorfo foi o elemento mais significativo para todos os acontecimentos da temporada. Já espero mais canalhices. Sobre Double Trouble, é necessário dizer que sua introdução na trama, por parte de Noelle Stevenson, não é tão original assim como alguns sites anunciavam. Double Trouble já existia na franquia, mas apenas nos quadrinhos.

Dohble Trouble, em novo design, é símbolo de representatividade na animação de Noelle Stevenson

Antes chegou a ser a prima de Cintilante com altas habilidade de disfarce. Agora Noelle repagina a personagem dando-lhe um outra proposta e fazendo-o assumir características que acredito ser numa referência a uma personagem não-binária. O bônus aqui foi o fato dela representar em suas transformações outra personagem da franquia que ainda não havia aparecido: Flora, a princesa com asas de borboleta, embora ao que parece em apenas um fanservice. Assim como foi com Octavia, capitã das tropas navais da Horda, que também apareceu na série dos anos 1980.

She-Ra e as Princesas do Poder segue firme com uma trama convincente e equilibrada em drama, humor e fanservice (as referências a Vassorito, Corujito e Geninho me animaram). A chegada do Mestre da Horda revela que algo mais sombrio está por vir. Aviso que não acredito na Felina, logo aguardem mais atos egoístas dela.

Com a Espada da Proteção em frangalhos estamos sem She-Ra. Adora será capaz de restaurar a Honra de GraySkull? Esperemos.

Confira as reviews anteriores:

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CASTELOBRUXO | A história e curiosidades sobre a escola de magia e bruxaria do Brasil

O Brasil abre as portas de Castelobruxo, sua escola de magia, para Eddie Redmayne e o elenco de Animais Fantásticos em 2021

Em 2021, o mundo de magia e bruxaria de JK Rowling vai abrigar, com muito orgulho, as cores verde e amarelo, visto que na semana passada foi confirmado que o terceiro filme na franquia de Animais Fantástico e Onde Habitam se passará no Brasil, durante a década de 30. A mitologia criada por Rowling nos anos noventa continua se expandindo mesmo após o termino da saga aclamada de Harry Potter em 2011, com as produções focando em Newt Scamander expandindo o mundo bruxo e a visão dos fãs muito além de Hogwarts e a Inglaterra. Desde 2012 com a criação do Pottermore, a expansão desse mundo tem sido intensa, com a própria JK Rowling nós provendo de notícias e informações sobre seu universo, entre elas, a apresentação das escolas de magia situadas em países chave ao redor do mundo. E como já se era de esperar, o Brasil possui uma imponente escola de magia e bruxaria para chamar de sua, a Castelobruxo e pensando nisso, o Volts pede que vocês jurem solenemente não fazer nade bom, enquanto preparamos os Bruxos brasileiros para 2021 com a história e curiosidades sobre a nossa escola.

Castelobruxo é uma das escola de magia mais antigas do mundo, rivalizando com a própria Hogwarts. De acordo com registros, a escola é uma construção de origem indígena por volta do século X, com seu nome tendo sido dado oficialmente após a colonização e com a, infeliz, substituição do tupi pelo português. Assim como sua irmã britânica, Castelobruxo é protegida por um feitiço que a torna imperceptível aos olhos dos não bruxos, dando aspectos de uma civilização em ruínas. Castelobruxo é localizada dentro da floresta amazônica e é descrita como uma imponente construção em dourada, na imagem de um templo e por conta disso, muitos acreditam que a mesma seja a cidade presente na lenda do El Dourado contata por aqueles que não tem acesso a magia.

JK Rowling é conhecida por trazer elementos místicos da cultura para dentro do seu universo, dando um aspecto de verossimilhança para seus contos. Aqui não seria diferente, com a presença de muitas lendas do folclore brasileiro estando presente dentro de Castelobruxo. De acordo com a autora, os terrenos e os alunos da escola são protegidos por caiporas, criaturas travessas que saem a noite para patrulhar a floresta. Apesar de ser situada no Brasil, a escola é conhecida por abrigar alunos de toda a América Latina, criando suspeitas de que a língua oficial de Castelobruxo seja divida entre o português e o espanhol, visto que os países da América Latina em sua maioria apresentam o espanhol como dominância.

Diferentemente de Hogwarts e Ilvermorny, as escolas de Londres e Nova York respectivamente, Castelobruxo não é dividida por casas, fugindo um pouco do que os fãs estão acostumados. No entanto, Castelobruxo acaba sendo a a regra, visto que escolas como o Instituto de Durmstrang na Bulgária e a Academia de Magia Beauxbaton na França, apresentados em Harry Potter e o Cálice de Fogo, também não apresentam a segmentação por casas. Quanto a vestimenta, o uniforme oficial de Castelobruxo é uma homenagem a floresta que a cerca, sendo na cor verde cintilante.

A escola de magia e bruxaria Castelobruxo é também um dos locais mais procurados pelos alunos europeus, apresentando um programa de intercâmbio renomado. O motivo dessa demanda alta é dado pelas referencias pela qual a escola é conhecida, sendo referencia em Herbologia e Magizoologia, o último sendo o estudo de animais mágicos, especialidade do personagem de Eddie Redmayne nessa nova franquia. Apesar de ser algo relativamente nova para muitos, Castelobruxo já faz parte do universo de Harry Potter desde o lançamento de seu quarto livro, em 2000. Em o Cálice de Fogo, Gui Wesley relata trocar correspondência com uma aluna do Brasil, expressando o desejo de fazer o tão famoso intercâmbio entre escolas.

Por fim, Castelobruxo apresenta veteranos extremamente importantes para o mundo mágico, com alunos que se tornaram imagens celebres após se formarem na escola. A primeira é Benedita Dourado, que reside como diretora de Castelobruxo e é extremamente respeitada dentro da comunidade bruxa, especialmente em Hogwarts. Com a confirmação do filme, muito fãs começaram a petição para que a atriz Fernanda Montenegro interprete a personagem. Além dela, o livro utilizado pelo professor Horácio Slughorn em o Enigma do Príncipe foi escrito por Libatus Borage, um distinto mestre em poções formado de Castelobruxo. Por fim, na área em que o Brasil tem êxito, independente da mitologia, o jogador João Coelho que se formou na escola para se tornar capitão de um dos times mais importantes de quadribol no mundo.

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Coberturas

#VoltsNaMSDC – Confira aqui as críticas do Panorama Brasil – Filmes da Região Sudeste

Os filmes selecionados vêm dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais

Ao todo, a Mostra Sesc de Cinema 2019 conta com 42 filmes e aqui no Volts você confere nossos comentários sobre todos eles. Nesse post, as produções da Região Sudeste são as estrelas. Vai vendo.

Fabiana (São Paulo, São Paulo) 89min, longa-metragem, documentário, 2018

‘Fabiana’ é o longa dirigido e escrito pela goiana Brunna Laboissière cuja proposta interessa de cara: pegar carona no caminhão da mulher trans e também lésbica que dá título ao filme. Uma figura poderosa, despachada e cheia de bagagem que segue baforando seu cigarrinho pela janela enquanto compartilha vivências.

O universo da estrada é por si só uma fonte infinita de histórias, mas Fabiana é um ponto de resistência numa profissão dominada por homens – não meramente por ser mulher e caminhoneira, mas também por sua orientação sexual. Porém, infelizmente o potencial fica perdido na estrada. A condução do filme é surpreendentemente passiva, desperdiçando a oportunidade de explorar a evidente riqueza do material.

E dá pra entender a intenção de Laboissière de não interferir, por exemplo, numa passagem em que Fabiana atende uma ligação e aparentemente recebe uma notícia ruim, desliga a chamada e fica em silêncio por longos minutos, balbucia algo e segue em silêncio até que a diretora pergunta “O que houve?” e aí ela finalmente conta. Outras sequências se limitam a contemplação pura e simples. Ou seja, a fartura do material exige mais intervenções e ao público resta sair da sessão como quem esperava uma viagem memorável e pegou apenas uma caroninha curta.

Plano Controle (Belo Horizonte, Minas Gerais)16min, curta-metragem, ficção, 2018

Se a turma do Twitter produzisse um filme, seria esse Plano Controle. Um flerte divertido com a ficção científica ensaia um Brasil onde o teletransporte é uma realidade e pode ser acionado como quem ativa um pacote de dados de internet móvel.

Escrito e dirigido por Juliana Antunes, o curta brinca com viagens no tempo pra fugir da realidade dura de 2016 com o golpe que tirou Dilma da presidência. Pra ilustrar os deslocamentos no espaço-tempo, o filme investe numa bricolagem de cenas icônicas da cultura pop nacional que vão de Van Damme dançando com a Gretchen no palco do Gugu a clássicos musicais dos anos 90. Sendo assim, onde “Plano Controle” falta em fazer sentido, sobra no senso de humor. 16 minutos bem aproveitados.

Navios de Terra (Belo Horizonte, Minas Gerais) 70min, longa-metragem, ficção, 2018

Esse longa de ficção dirigido por Simone Cortezão é um investimento pesado na estética do marasmo. Conceitual e visualmente promissor, o filme pensa a exploração de minério como o “deslocamento de montanhas” do Brasil a China e vice-versa. Seu protagonista (Rômulo Braga) sai de Minas e vai de navio ao outro continente em busca desses encontros muito subjetivos que ninguém sabe direito explicar. Nesse meio tempo o que se vê é um filme lentíssimo e frequentemente até arrastado onde quase nada acontece.

Jéssika (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro) 19min, curta-metragem, ficção, 2018

Jéssika, filme de Galba Gogóia, propõe uma discussão pertinente sobre a importância do acolhimento familiar em diversos níveis ao trazer a travesti do título de volta a casa onde cresceu como menino, pra reencontrar a mãe.

Pouco criativo na direção, o filme gira em torno de um diálogo na mesa do café (em plano e contraplano) onde muitos “não-ditos” e mágoas ficam evidentes assim como o amor entre as duas personagens, que é o que acaba gritando mais alto no fim das contas, mas tanto na vida quanto no filme, não é só o que importa. Infelizmente para Jéssika, como para tantas outras, apenas ser chamada pelo nome, já é uma imensa prova de aceitação pra quem cresceu acostumada a viver na defensiva.

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