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Review | She-Ra e as Princesas do Poder (Season Finale)

A última temporada da animação da DreamWorks encerra com chave de ouro.

Escrevo esse review feliz de poder ter acompanhado desde o começo com você a saga de Adora, Cintilante, Arqueiro e as demais Princesas e membros da Rebelião. A quinta e última temporada de She-Ra e as Princesas do Poder entrega o talento máximo da showrunner Noelle Stevenson que dirigiu e roteirizou diversos dos treze episódios que estrearam na Netflix nesta sexta-feira (15).

A chegada de um novo vilão e o destino de Etheria fragilizado após o último combate com a Horda nos levou para um cenário onde o conflito ganharia novas proporções. E foi o que aconteceu. A presença do Mestre da Horda não só intensificou o ambiente da batalha como serviu de estopim narrativo para revelações de paixões. Tudo muito emocionante.

Confesso que embora ainda esperasse elementos do mundo expandido de Masters of the Universe (Mattel) aparecendo com mais liberdade na série, admito que a ausência deles não foi nenhum demérito a trama. Noelle consegue não só concretizar um dos reboots mais simbólico do segmento animado como dar um passo para se perpetuar ao lado de outras narrativas midiáticas que exploraram a pauta da representatividade sem ser preconceituosa ou tendenciosa.

Ao lado de tramas recentes como Steven Universe, a história da Campeã de GraySkull rompe em definitivo com sua versão original não só por se desfazer de elementos sexistas como o fetichismo por trás do visual das personagens (característico dos anos 1980), mas também por inserir discussões sociais atuais sem precisar se valer de situações de conflitos para contextualizá-las. Tudo acontece naturalmente e sem estranheza alguma aos habitantes de Etheria.

Em novo visual, She-Ra resgata Felina das mãos do Mestre da Horda (Fonte: Netflix/Reprodução)

Sobre a fantasia presente na trama, não se pode esquecer de situar o bom amarramento dos acontecimentos. Tudo foi bem explicado e conectado sem deixar pontas soltas. Talvez, para mim, a única ponta solta existente é o fato de a Espada da Proteção ter reaparecido em nova forma e sua origem (tal como da própria She-Ra) ser pouco explicada. Ficaremos apenas com a noção de que foram “criações dos primeiros”, mas até mesmo esses não foram muito abordados (as teorias de fãs poderão ficar sempre na hipótese de que eles seriam o povo de Eternia… Conjecturas!).

No fim, Felina é a personagem que mais se desenvolveu dentre todas. Sua jornada até a redenção é magnífica e carregada de valores. A lição maior retirada é uma só: o amor é maior que tudo! De suas ações para salvar Cintilante, seu pedido de desculpas e a revelação do seu amor por Adora, a personagem é moldada de modo a se tornar mais verdadeira. Se fosse um animê poderíamos dizer que como uma boa tsundere, Felina tem dificuldades em revelar o quê e como se sente. Noelle usa um método engenhoso para dar vazão a todos esses pensamentos ao unir a anti-heroina com uma pantera espacial mágica que muda de forma de acordo com os sentimentos internos da gatinha. Uma clara referência também a Felina original que podia se transformar numa pantera.

She-Ra no espaço sideral revelando todo o seu poder (Fonte: Netflix/Reprodução)

É essa oportunidade que Felina tem de se expressar que torna mais convincente aceitarmos sua mudança (assim como os demais personagens). Algo parecido acontece com o vilão Hordak, que também tem uma mudança na sua jornada e termina a trama mais vivo do que sempre havia sido. A relação entre Adora e Hordak (revisitada em um rápido flashback por parte dele) segue com um dos poucos fios disponíveis para quem gosta de se aventurar em teorias narrativas. Sabemos que Hordak retirou ela dos primeiros antes de ir parar em Etheria, mas como tudo isso se deu não foi explicado.

Por fim, dos três antagonistas iniciais, Sombria é a única a quem o destino reservou um fim trágico. Contudo isso não significa que não houve redenção. Sedenta por poder, a bruxa pode no fim vencer sua própria paixão e lutar por aquelas a quem criou como filhas e revelar sua gratidão no final. A trama de Sombria se assemelha em alguns momentos com Haggar, a vilã de Voltron (outra produção animada da DreamWorks).

Assim, a última temporada me pareceu bem mais significativa para os antagonistas da série que para os próprios protagonistas. O desenvolvimento das princesas foi pouco explorado – com exceção de Scorpia que teve uma temporada anterior para isso – e coube a Cintilante e Arqueiro protagonizar um momento romântico pouco entusiasmante (tudo bem que coube a Adora e Felina o grande momento!).

No geral, já bate a saudade de uma das séries mais apaixonantes dos últimos tempos, mas os fãs da franquia nem terão tempo de se sentir solitários, pois a nova animação de He-Man em breve chega aí. Não vamos depositar expectativas de que carregue os mesmos significados que She-Ra, mas é um alento saber que a franquia Masters of the Universe segue viva e conquistando o velho e o novo público.

A Honra de GraySkull foi restaurada!

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Confira as reviews das temporadas anteriores:

4ª Temporada

3ª Temporada

2ª Temporada

1ª Temporada

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O fim de Steven Universo Futuro

Depois de pouco mais de 6 anos no ar, as aventuras de Steven e as Crystal Gems chegam ao fim.

CUIDADO! Contém spoilers!

Foi ao ar nos Estados Unidos, na noite dessa sexta-feira (27), os três últimos episódios da 6º temporada de Steven Universo, chamada de Steven Universe Futuro, que mostrou os acontecimentos logo após a batalha contra as Diamantes, no fim da 5º temporada. Lançada no dia 28 de novembro de 2019, a fase Futuro do desenho trouxe para os fãs o estado em que o Universo se encontrava após Steven ter salvado todos e estabelecido a paz por todo lugar.

No entanto, como foi sendo visto durante a temporada, Steven passou a ficar incomodado com a monotonia da vida naquele momento. Com grandes poderes de Diamante, vêm grandes responsabilidades, e como o garoto sempre estava ocupado se dedicando aos outros enquanto suas próprias questões ficavam em segundo plano, começou a se descontrolar com toda aquela carga emocional presa dentro dele. É a partir desse descontrole que se desenrolam os episódios finais da temporada.

Fonte: Reprodução

Os três último episódios, “Everything’s fine” (Está tudo bem), “I am my monster” (Eu sou o meu monstro) e “The Future’’ (O Futuro), mostram o ápice de todo o descontrole de Steven, que tenta de todas as formas conter isso para não machucar ninguém, mas que acaba cedendo no momento em que vê que aquilo é inevitável. Ao se tornar literalmente um monstro, todos os redor lutam para tentar contê-lo de alguma forma.

Desde que a fase Futuro foi lançada, várias teorias eram criadas entre os fãs. Logo quando Steven apresentou os primeiros sinais de instabilidade, muitas pessoas atentaram para o fato de que na abertura do desenho um monstro aparecia ao fundo no final, o que gerou muitas dúvidas e teorias de que aquele poderia ser o Steven após se corromper. Como foi visto no final, a teoria foi concretizada.

Algumas dessas teorias envolviam também desejos profundos da alma de todo fã do desenho, como a fusão entre as Diamante ou a fusão entre Lapis Lazuli e Peridot. Desde as primeiras temporadas, o relacionamento entre as duas gems foi um dos mais queridos do desenho, sendo a fusão entre as duas um dos maiores desejos de todos. Certa vez chegaram a iniciar uma, que não deu certo, para a infelicidade dos fãs. Já nessa etapa final, todas as expectativas foram frustradas pois não tivemos a fusão das duas… ou nenhuma outra nova, e esse é um ponto muito interessante a se tratar sobre o fim.

Com toda certeza um dos melhores e mais emocionantes momentos de Steven Universo foram os episódios finais da 5º temporada durante a batalha contra as Diamantes. Além de tudo o que os fãs poderiam imaginar, revelações incríveis foram entregues, como o fato de Steven ser uma fusão, fusões inesperadas e maravilhosas, como a Sunstone, Rainbow Quartz 2.0 e Obsidiana, além de lutas impressionantes. Como o fim de uma etapa importante da história foi encerrado dessa forma, todos esperavam que o fim dessa nova etapa do desenho acabasse do mesmo jeito, o que gerou a decepção de muitas pessoas.

Fonte: Reprodução

Toda a temporada Futuro caminhou para um lado em que uma batalha seria inevitável, o que foi mostrado no episódio I am my monster, em que Steven finalmente se corrompe e começa a destruir a cidade. Nesse momento, todas as Crystal Gems se reúnem para tentar pará-lo, além de Connie, Greg, Spinel, Blue, Yellow e White Diamond. A tentativa de parar o Steven corrompido veio até da Drusa, que projetou um braço no mar. Todo esse cenário em que todos usavam seus poderes para detê-lo sugeria um fim grandioso com novas fusões e poderes. No entanto, foi totalmente o contrário.

Longe de todas as expectativas, Steven foi parado com… amor. Ao perceberem tudo o que o garoto vinha passando e todas as suas questões reprimidas para ajudar os outros, como uma última ação todos os presentes partem para abraçá-lo e mostrar o quanto o amavam e se importavam com ele. Com isso, pudemos perceber algo muito profundo que a criadora do desenho, Rebecca Sugar, queria passar: nem sempre é preciso que grandes batalhas sejam travadas pra que tudo termine bem. Amor, carinho e atenção podem salvar o dia, como salvaram Steven. Como já dizia Garnet durante a luta contra Jasper: “Sou feita de amor e é mais forte que você”.

Fonte: Reprodução

Outra decepção dos fãs foram várias questões que ficaram em aberto durante as temporadas, mas que não foram respondidas nesse final. Uma das principais, e talvez a que mais gerou dúvidas, foi o que havia dentro do baú da Rose Quartz na dimensão do Leão. Pelo visto a dúvida vai ser eterna.

Apesar de todos querermos uma continuação, esse foi o fim definitivo do desenho que cativou milhões de pessoas do mundo com sua história simples e divertida, mas completamente profunda e inspiradora.

No Brasil, os episódios irão ao ar pelo Cartoon Network no mês de abril.

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