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Críticas

Review | O Príncipe Dragão (1ª Temporada)

Envolta em magia, animação só promete para novas temporadas.

Uma trama envolta em alta magia, com humanos, elfos e dragões é o que rege o universo narrativo de O Príncipe Dragão (The Dragon Prince), uma das estreias da Netflix em setembro. Com uma temporada curta (somente 9 episódios) somos apenas introduzidos em uma história que promete ser bem desenvolvida, mas que numa primeira sacada leva-nos a pensar de imediato em Como Treinar Seu Dragão da DreamWorks, mas com um tom mais sombrio.

Com certeza um dos pontos que ajudam a reforçar tal referência é a carga cômica da série. Mesmo diante de momentos cheios de tensão é forte a presença da comédia nos diálogos e ações recorrentes nos episódios de 24-27 minutos em média. Tanto entre os protagonistas – com o Príncipe Callum ou o pet esquisito Isca (Bait, no original) – como entre os antagonistas – com a dupla de irmãos Claudia e Soren – as ações cômicas ficam evidentes em fatos previsíveis em diversos momentos.

Uma característica do estilo de narrativa de Aaron Ehasz (Avatar: A Lenda de Aang), que sempre prioriza por construir personagens cheios de camadas e mesmo assim espontâneos. Outra forte influência do showrunner é seu esquema de temporadas. Em O Príncipe Dragão a 1ª temporada foi nomeada “Lua” em referência às seis magias primordiais que habitam o universo místico da trama e isso deve se perpetuar na sequência da saga.

Quem também deixa seu dedo na produção é o segundo showrunner Justin Richmond, mais conhecido pelo seu trabalho como desenvolvedor de games na franquia Uncharted. Com elementos visuais tridimensionais produzidos por computador, a animação ganha um ar de videogame scene em diversos momentos sem abandonar o padrão bidimensional tradicional do segmento.

Com somente nove episódios não se pode dizer muito a respeito de O Príncipe Dragão. Ainda embrionário, o projeto inicialmente consistia na ideia de um jogo digital a ser produzido pela WonderStorm (fundada em 2017 por Aaron e Justin), mas acabou se transformando em uma animação. Dotada de uma mitologia bastante diversificada, somente numa segunda temporada poderemos entender um pouco melhor sobre as possibilidades da série que se apresenta como uma futuro hit.

No Brasil, destaque para o elenco da dublagem com Jéssica Vieira, na voz da elfa da lua Rayla, e Guilherme Briggs, na voz do vilão Viren. A dublagem por sinal caprichou em piadas locais e na ambientação das personagens. Por falar nisso, creio que em termos de personagens ninguém será tão bem aceita pelo público como desejo que seja a General Amaya. Usuária de linguagem de sinais, a mulher já protagonizou bons momentos tanto como guerreira quanto como tia dos príncipes perdidos. O fato de ela ser muda só deixa tudo com uma pitada de desafio para entendermos melhor sua personalidade.

Aaron Ehasz apresenta um novo mundo épico e mostra que tem talento para esse tipo de roteiro em séries de TV. Resta saber se assim como em Avatar: A Lenda de Aang ele vai conseguir sustentar o argumento ao apresentar-nos um trio de protagonistas onde somente a jovem elfa tem habilidades de luta e dois jovens príncipes se aventuram em um lugar completamente novo e desconhecido para eles. Isso sem levar em conta os muitos desafios que os aguardam ao longo da jornada, seja por seus perseguidores ou por sua própria falta de experiência.

 

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