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Crítica

Review | AHS: Apocalypse – The Morning After e Forbidden Fruit (Ep2 e Ep3)

Ao que parece, AHS: Apocalypse finalmente começou.

Trazendo decepções ou não, as coisas em American Horror Story sempre dão um jeito de piorar. E em Apocalypse isso não está sendo diferente.

O episódio The Morning After (S8EP2), durante 80% do seu tempo não foi aquilo que muitos esperavam. Continuamos ali na apresentação do novo grupo de personagens que são as peças centrais da trama do oitavo ano, com foco no relacionamento entre o Sr. Gallant (Evan Peters) e a vovó Evie Gallant (Joan Collins). Também, vimos mais nuances da personalidade mimada Coco (Leslie Grossman), e descobrimos segredos da egocêntrica Venable (Sarah Paulson).

O personagem de maior evolução narrativa durante o segundo episódio é nosso ex bebê anticristo. Michael Langdon (Cody Fern) reúne o grupo de sobreviventes na biblioteca e dá-lhes a explicação do que ele espera realizar durante seu tempo no Outpost #3. Há um número limitado de vagas disponíveis no The Sanctuary, local em que os escolhidos serão levados e “salvos”, e ele está lá para decidir se as pessoas daquele posto merecem ou não um lugar no paraíso ou uma morte lenta via envenenamento por radiação.

Dois símbolos muito importantes de Murder House e Coven aparecem no episódio, trazendo nostalgia aos telespectadores que não receberam, até o momento, nenhuma via de crossover entre as temporadas além do personagem Michael. Os elementos foram: as cobras e o rubber man. Este último, então, sendo claramente um personagem ou espírito manipulado pelo próprio anticristo, com o objetivo de começar a trazer conflitos no grupo de sobreviventes.

Não há nada de inovador em The Morning After. O cenário se mantem claustrofóbico e muito carregado de diálogos que deixaram um curto espaço de tempo para o horror (a menos que você tenha medo de cobras). E sem grandes reviravoltas até os momentos finais do episódio. Terminamos sem saber o que vai acontecer com Timothy (Kyle Allen), Emily (Ash Santos) e sr. Gallant. Duas grandes reviravoltas num período de cinco minutos que fizeram valer a pena os outros 35 desinteressantes minutos de episódio.

Quando partimos para o episódio Forbidden Fruit (S8EP3), percebemos que o roteiro se preocupou em prender-nos desde a primeira cena. O primeiro plot, que acontece ainda no quinto minuto de episódio, nos mostra que a personagem Mallory (Billie Lourd) vai ser algo muito além do que já vimos até o momento.

Dinah Stevens (Adina Poter) e Miriam Mead (Kathy Bates) são outras duas personagens que ganham destaque durante o terceiro episódio de Apocalypse. Brock, (Billy Eichner), ex marido de Coco, que foi deixado para trás no primeiro episódio sem conseguir entrar no avião, também retorna, com sede de vingança. Venable, grande matriarca do Outpost #3, se mostrou precipitada com relação a suas atitudes, e acabou perdendo em questões de inteligência para aquele que vem se mostrando como o verdadeiro vilão da temporada, Langdon.

Finalmente fomos agraciados em um episódio com bons efeitos visuais. A série, apesar de estar na maior parte do tempo num esconderijo subterrâneo, entregou pouco do que muitos fãs esperam ver: destruição do mundo, satanismo e magia. Mas, durante Forbbiden Fruit, vemos o trabalho visual, principalmente nas cenas envolvendo Langdon. Ainda são simples, mas detalhistas, como cobras surgindo de um rastro de sangue que jorra do braço do personagem.

 

 

 

 

Vemos, então, que a produção da série vem repetindo o mesmo formato empregado em AHS: Cult, sétima temporada do show, onde os três primeiros episódios servem, literalmente, apenas como apresentação de personagens e enredo do show, enquanto, a partir do quarto, as brincadeiras com flashbacks e reviravoltas mais violentas são empregadas.

Madison Montgomery (Emma Roberts), que entra como elenco principal da série, teve sua aparição revelada ao final do episódio. Logo, a ligação das bruxas de Coven com os personagens presos no Outpost #3 e, também, com Michael Langdon, promete ser revelada com maior clareza a partir do episódio 4 (Could It Be… Satan?), em forma (obviamente) de flashbacks. Vale ressaltar que os momentos que as bruxas de Coven (Madison, Cordélia e Myrtle) são apresentadas, a produção trouxe de volta os mesmos movimentos de câmera típicos da terceira temporada, com cenas angulares, enquadramentos fora do padrão e vários giros de câmera, nos familiarizando ainda mais com a atmosfera de onde conhecemos tais personagens.

A temporada prometeu ser menos “pé no chão”, mas ainda vem se mantendo coerente e sem grandes loucuras, monstros, mortes e ressurreições como Murder House e Coven nos davam. A rixa ainda incompreendida entre bruxas e membros da corporativa, que, provavelmente são satanistas, ainda vai render muita magia na história de Apocalypse, e é isso que queremos.

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Crítica

Crítica | She-Ra e as Princesas do Poder (4ª Temp.)

Nova fase da animação revelou alguns segredos e prepara público para ponto de virada na série.

A Honra de GraySkull está mantida? Talvez. A resposta para a pergunta somente na próxima temporada de She-Ra e as Princesas do Poder em 2020. Um ano depois da estreia da série, a 4ª temporada (que estreou 5 de novembro) deixou um sentimento de “e agora?” muito forte durante o processo de introdução de novos elementos.

Ressalto aqui também que quem leu a review da temporada anterior pode perceber que acertei na teoria. A antiga She-Ra daria as caras (embora somente em flashbacks da Madame Rizzo) e a aparição do Rei Micah seria agora justo após a morte de Ângela (que agora tenho minhas dúvidas!). Micah apareceu, mas não como o Cavaleiro Vermelho, como é na trama original. Nem um demérito ao reboot por causa disso. Só na traição de Sombria que minha pergunta permanece no ar. Seguindo!

Das quatro temporadas apresentadas até aqui, a última é a mais intensa. O fato de voltar a ter 13 episódios ajudou bastante. Mais tempo de tela reforça a construção de todas as personagens: protagonistas, coadjuvantes e antagonistas.

Foi o que Noelle Stevenson fez com a sua equipe de roteiristas. Para esse review focaremos em um trio de personagens e um extra: Cintilante, Mara e Scorpia, além de Hordak.

A coroação da jovem Cintilante, após o sacrifício de Ângela, deveria ter amadurecido a personagem. Cintilante, ao meu ver, foi a quem menos evoluiu nesta temporada. Ou melhor, até tenha evoluído, mas em consequência o seu lado mimado acompanhou o processo. Sua compostura diante dos amigos e aliados revela muita insegurança. Normal, se considerarmos que agora como rainha ela não estava preparada para o papel e a perda da mãe. No entanto, seus atos desesperados forçaram toda Etheria conhecer um obstáculo bem mais difícil que Hordak e Felina.

A nova rainha mudou o visual, mas não mudou as atitudes

Por outro lado, conhecemos Mara. Até então apenas citada ou em aparições rápidas, a personagem foi uma das protagonistas do episódio “Heroína” e nos ajudou a entender o que realmente estava se passando no planeta. A She-Ra anterior, que é um acréscimo bem válido à mitologia da franquia, resgata a personagem Mara com muito empenho e nos revela que os “Primeiros” (por que não Eternianos?) tem um propósito não tão nobre e abre espaço para novas apostas e teorias. Sua relação com a Esperança da Luz e Madame Rizzo chegam ao grau de melancolia na trama e dão o tom mais solene à temporada. Impossível não se identificar com ela.

Como já está bem claro, as chances de He-Man fazer ponta na série é mínima, quase zero, mas os elementos que o cercam não. Veremos na próxima fase o Castelo de GraySkull? A Espada do Poder? Ela, a espada, já existe ou será ainda criada? Essa última pergunta é um reboot de mais alto nível à mitologia e portanto pouco provável. O certo é que sabemos que Mara era dos Primeiros e eles serão o próximo foco da trama.

Das três personagens que destaco, Scorpia é quem mais curti na temporada (novamente me rendo ao seus pés garota!). O crescimento de sua personalidade, dado seu lado mais infantil, rendeu uma surpresa maravilhosa ao vermos ela compreendendo o quão tóxica é a figura da Felina. Parabéns Scorpia! E ela é tão amável! Mesmo reconhecendo a toxicidade da outra continua a amando (pode ser um ponto fraco dela, mas sem isso ela não seria a fofa que é). De quebra, não posso esquecer que acertei de novo aqui quando conjecturei que poderíamos vê-la com a Grande Rebelião. Mais um ponto para mim!

O extra pra essa review é Hordak. O lado passional do vilão nem de longe condiz com o bufão da série clássica e isso é maravilhoso. Sua melhor cena é aquela onde as lágrimas mistas de alegria pela não-traição de Entrapta e o ódio pelas mentiras de Felina ficam retidas sobre a face em poucos segundos. Mas não esqueçam: ele ainda é vilão!

Por fim, o que foi Double Trouble?! A nova personagem é o tipo de personagem que mais detesto. Contudo, o metamorfo foi o elemento mais significativo para todos os acontecimentos da temporada. Já espero mais canalhices. Sobre Double Trouble, é necessário dizer que sua introdução na trama, por parte de Noelle Stevenson, não é tão original assim como alguns sites anunciavam. Double Trouble já existia na franquia, mas apenas nos quadrinhos.

Dohble Trouble, em novo design, é símbolo de representatividade na animação de Noelle Stevenson

Antes chegou a ser a prima de Cintilante com altas habilidade de disfarce. Agora Noelle repagina a personagem dando-lhe um outra proposta e fazendo-o assumir características que acredito ser numa referência a uma personagem não-binária. O bônus aqui foi o fato dela representar em suas transformações outra personagem da franquia que ainda não havia aparecido: Flora, a princesa com asas de borboleta, embora ao que parece em apenas um fanservice. Assim como foi com Octavia, capitã das tropas navais da Horda, que também apareceu na série dos anos 1980.

She-Ra e as Princesas do Poder segue firme com uma trama convincente e equilibrada em drama, humor e fanservice (as referências a Vassorito, Corujito e Geninho me animaram). A chegada do Mestre da Horda revela que algo mais sombrio está por vir. Aviso que não acredito na Felina, logo aguardem mais atos egoístas dela.

Com a Espada da Proteção em frangalhos estamos sem She-Ra. Adora será capaz de restaurar a Honra de GraySkull? Esperemos.

Confira as reviews anteriores:

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Coluna Leandro Giometti

Crítica | Watchmen (piloto da série)

Derivado da famosa HQ, o piloto de Watchmen vai na onda de Coringa e entrega uma obra intensa e realista

Watchmen

O piloto de Watchmen termina e você entende exatamente qual é a proposta de Damon Lindelof: a fidelidade pelo conceito criado no universo da clássica HQ de Alan Moore e Dave Gibbons e promover uma trama envolta no mistério característico, marca registrada do diretor e roteirista, criador de Lost e The Leftovers.

De cara, vai chamar a atenção também o visual arrojado e a edição ousada, mas será na atualização relevante da narrativa – com comentários políticos e sociais diretos que podem ser lidos como críticas ao ultaconservadorismo atual – e a abordagem bastante realista a chave que atingirá mentes e corações. E, mesmo que a série se passe em uma realidade alternativa, assim como no filme de Zack Snyder, ela é muito mais semelhante à nossa.

Trinta anos após os eventos finais da HQ (e do filme), os vigilantes mascarados ainda estão nas ruas e ajudam a polícia. Eles são heróis anônimos, mas agora são pessoas comuns, que tem vidas normais, sem o culto de personalidade que outrora tinham Coruja, Comediante e Spectral. Os fãs certamente irão vibrar com a precisão dos detalhes e as referências – um tanto diferente da opção pela estilização do longa assinado por Snyder – onde está explícita a paixão de Lindelof pela obra de Alan Moore. Porém, aos não iniciados no universo da HQ, Watchmen também funciona muito bem como uma série derivada e independe, ainda que possam se sentir interessados a entender certas excentricidades.

Em um momento em que, as obras baseadas em quadrinhos podem entreter a partir de um novo conceito, embaladas pela visceralidade real de Coringa, Watchmen é brilhante na medida em que entrega uma experiência nessa mesma intensidade. Com momentos impactantes, ótimas atuações (Regina King, Jeremy Irons e Don Johnson excelentes) e elementos técnicos irrepreensíveis, a série da HBO sustenta uma história promissora cujo caminho ninguém faz ideia onde vai dar mas, de forma inteligente, instiga a pensar, mantendo a audiência interessada e atenta. 

Expectativa altíssima para os próximos 8 episódios.


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Coluna Leandro Giometti

Crítica | (Des)encanto – 2ª temporada

Quando a primeira temporada de (Des)encanto chegou à Netflix, o hype e a ansiedade atingiram níveis gigantescos. Primeiro, porque se tratava da nova animação de Matt Groening – o criador de Os Simpsons e Futurama – segundo porque o novo universo, um reino místico cuja protagonista era uma princesa má educada e beberrona, parecia promissor para os que adoram um humor ácido e adulto. Dito e feito. A primeira temporada, apesar de alguma inconsistência na narrativa, conseguiu entregar exatamente o que os fãs queriam: irreverência e boas piadas. 

Com a chegada da segunda temporada, era preciso reconectar o público depois de um final curioso, porém um pouco mais dramático do que aquele tom de descaso inicial dos primeiros episódios. Mais do que isso: como retomar aquela maravilhosa química entre o trio de protagonistas? Sem muita surpresa, os primeiros episódios já respondem as pontas soltas e amarra tudo já logo nos dois primeiros capítulos. E a química volta lindamente. É visível, inclusive, que prevalecerá no desenrolar da história uma condução mais confortável e pé no chão, porém não menos descontraída. 

No decorrer da série é possível notar que, nessa temporada, há uma menor predisposição de dialogar apenas com a fantasia. Apesar de ainda beber nessa fonte, há boas referências de outros gêneros que intensificam novas boas ideias como, por exemplo, alguns óbvios paralelos com Game of Thrones. Embora isso não signifique que mantenha-se engajada naquele discurso (interessantíssimo) de como a sociedade medieval se assemelha ao nosso atual modelo de política – democrática, porém cruel para os que não se encaixam nos padrões de normalidade. 

O visual continua sendo uma delícia. Tanto a iluminação quanto o sombreamento distribuem bem a atenção, seja nos momentos de ação ou nos de mais calmaria. E o toque de mestre são as sutilezas digitais que se somam ao estilo tradicional das animações de Matt Groening. 

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A parte não tão legal é uma menor inserção de memes nos diálogos da versão dublada, coisa que a primeira temporada deitou e abusou de forma criativa e inteligente. Mesmo assim, o humor nessa segunda temporada parece se encaixar de uma maneira mais natural, até porque as características dos personagens já foram exploradas e a graça agora é, justamente, ver como eles reagem em situações que exigem uma maior intimidade entre si. 

E como a terceira temporada já está confirmada, a tendência é que (Des)encanto siga com sua faceta insana, mas bem mais espontânea e que, assim como em Os Simpsons e Futurama, nesse ritmo, possam ter episódios que funcionem bem de forma isolada. 


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