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Crítica de TV

Review | AHS: Apocalypse – The End (Ep1)

Um começo “pé no chão” para uma temporada que promete ser cheia de loucuras.

A antologia de terror mais famosa dos últimos anos voltou para seu oitavo ano na quinta-feira (13), no FX Brasil. Depois de alguns traumas com temporadas anteriores, Ryan Murphy e Brad Falchuk resolveram trazer Apocalypse com conteúdo bombástico (literalmente), mostrando um fim do mundo após uma Terceira Guerra Mundial, dessa vez nuclear, que devastou com grande parte da população em apenas duas semanas.

A temporada também estabelece o crossover de duas das mais famosas temporadas do seriado, Murder House e Coven, mas, seu episódio de estreia resolveu deixar isso de escanteio.

O episódio The End mostrou que a série está tentando trazer de volta a forma criativa e às vezes “sem pé nem cabeça” que o público do seriado tanto ama. A cena de abertura de Apocalypse é “pé no chão”, grandiosa e deslumbrante visualmente. A sequência mostra como Coco St. Pierre Vanderbilt (Leslie Grossman), Mallory (Billie Lourd), Mr. Gallant (Evan Peters) e Mrs. Gallant (Joan Collins) vão parar dentro de um avião comprado pelo bilionário pai de Coco, enquanto a cidade de Santa Monica é bombardeada, e Brook (Billy Eichner), marido de Coco, é deixado pra trás.

Separadamente, Emily (Ashley Santos) e Timothy (Kyle Allen) são capturados por agentes misteriosos e salvos do ataque nuclear. O motivo? Algo no DNA dos jovens é de interesse da “corporação”, que tem como figura de frente Wilhelmina Venable (Sarah Paulson). Após duas semanas do ataque, os dois jovens são levados para o Outpost 3, comandado por Venable e Miriam (Kathy Bates). O alívio cômico da temporada – Coco e os companheiros de jatinho – chegaram, de alguma forma, naquele “abrigo”.

Apocalypse promete nos mostrar enormes saltos temporais, deixando brechas também para diversos flashbacks que podem aparecer – e já serem até cogitados – para os episódios futuros. Vemos os 18 meses da vida entediante de todos dentro do Outpost 3. Ainda segundo Venable, no primeiro jantar do grupo, aquele posto só teria suprimentos suficientes para 18 meses. E o tempo? Aparentemente se esgotou.

Ao final, vemos o pela primeira vez o grande Michael Langton (Cody Fern), o bebê anticristo de Murder House. Sua aparição é o primeiro indício de crossovers mais profundos e mais comprometidos que devem estar por chegar nos próximos episódios. Ainda não se sabe o que Venable é, de fato, ou o que Michael também se tornou dentro da tal corporação. Seu objetivo no Outpost 3? Recrutar os melhores sobreviventes para um novo local, com suprimentos necessários para mais alguns anos.

Há algumas cinematografias impressionantes em ação aqui e, embora esse seja um episódio bastante confinado, e, às vezes, até claustrofóbico, com cenas no casarão subterrâneo ou as cenas na névoa, que realmente são de tirar o fôlego. Além disso, The End pode restringir-se de inserir monstros literais nesta estreia, mas deixa a promessa de fazer terror com algumas das coisas mais eficazes e aterrorizantes que existe: assistir a humanidade sair dos trilhos e do que somos capazes em nossos piores momentos.

Sabemos que muitos dos nossos queridos personagens irão reaparecer, mas The End objetiva nos mostrar realmente uma nova história. Como o passado vai voltar à tona e entrar na vida dos atuais protagonistas? Fica a questão.

A temporada ainda está em fase de introdução, que é sempre uma área onde a série é muito divertida. O teste real será para ver se o quarto episódio ainda será tão bom quanto. Esta temporada do American Horror Story tem potencialmente mais sucesso (e mais espectadores) do que qualquer outra temporada anterior. Esperamos que Murphy e companhia tenham dado a Apocalypse a quantidade adequada de atenção e que esta temporada funcione como uma impressionante saída de suas últimas experiências.

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Crítica

Crítica | Watchmen (piloto da série)

Derivado da famosa HQ, o piloto de Watchmen vai na onda de Coringa e entrega uma obra intensa e realista

Watchmen

O piloto de Watchmen termina e você entende exatamente qual é a proposta de Damon Lindelof: a fidelidade pelo conceito criado no universo da clássica HQ de Alan Moore e Dave Gibbons e promover uma trama envolta no mistério característico, marca registrada do diretor e roteirista, criador de Lost e The Leftovers.

De cara, vai chamar a atenção também o visual arrojado e a edição ousada, mas será na atualização relevante da narrativa – com comentários políticos e sociais diretos que podem ser lidos como críticas ao ultaconservadorismo atual – e a abordagem bastante realista a chave que atingirá mentes e corações. E, mesmo que a série se passe em uma realidade alternativa, assim como no filme de Zack Snyder, ela é muito mais semelhante à nossa.

Trinta anos após os eventos finais da HQ (e do filme), os vigilantes mascarados ainda estão nas ruas e ajudam a polícia. Eles são heróis anônimos, mas agora são pessoas comuns, que tem vidas normais, sem o culto de personalidade que outrora tinham Coruja, Comediante e Spectral. Os fãs certamente irão vibrar com a precisão dos detalhes e as referências – um tanto diferente da opção pela estilização do longa assinado por Snyder – onde está explícita a paixão de Lindelof pela obra de Alan Moore. Porém, aos não iniciados no universo da HQ, Watchmen também funciona muito bem como uma série derivada e independe, ainda que possam se sentir interessados a entender certas excentricidades.

Em um momento em que, as obras baseadas em quadrinhos podem entreter a partir de um novo conceito, embaladas pela visceralidade real de Coringa, Watchmen é brilhante na medida em que entrega uma experiência nessa mesma intensidade. Com momentos impactantes, ótimas atuações (Regina King, Jeremy Irons e Don Johnson excelentes) e elementos técnicos irrepreensíveis, a série da HBO sustenta uma história promissora cujo caminho ninguém faz ideia onde vai dar mas, de forma inteligente, instiga a pensar, mantendo a audiência interessada e atenta. 

Expectativa altíssima para os próximos 8 episódios.


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Crítica de TV

Crítica | (Des)encanto – 2ª temporada

Quando a primeira temporada de (Des)encanto chegou à Netflix, o hype e a ansiedade atingiram níveis gigantescos. Primeiro, porque se tratava da nova animação de Matt Groening – o criador de Os Simpsons e Futurama – segundo porque o novo universo, um reino místico cuja protagonista era uma princesa má educada e beberrona, parecia promissor para os que adoram um humor ácido e adulto. Dito e feito. A primeira temporada, apesar de alguma inconsistência na narrativa, conseguiu entregar exatamente o que os fãs queriam: irreverência e boas piadas. 

Com a chegada da segunda temporada, era preciso reconectar o público depois de um final curioso, porém um pouco mais dramático do que aquele tom de descaso inicial dos primeiros episódios. Mais do que isso: como retomar aquela maravilhosa química entre o trio de protagonistas? Sem muita surpresa, os primeiros episódios já respondem as pontas soltas e amarra tudo já logo nos dois primeiros capítulos. E a química volta lindamente. É visível, inclusive, que prevalecerá no desenrolar da história uma condução mais confortável e pé no chão, porém não menos descontraída. 

No decorrer da série é possível notar que, nessa temporada, há uma menor predisposição de dialogar apenas com a fantasia. Apesar de ainda beber nessa fonte, há boas referências de outros gêneros que intensificam novas boas ideias como, por exemplo, alguns óbvios paralelos com Game of Thrones. Embora isso não signifique que mantenha-se engajada naquele discurso (interessantíssimo) de como a sociedade medieval se assemelha ao nosso atual modelo de política – democrática, porém cruel para os que não se encaixam nos padrões de normalidade. 

O visual continua sendo uma delícia. Tanto a iluminação quanto o sombreamento distribuem bem a atenção, seja nos momentos de ação ou nos de mais calmaria. E o toque de mestre são as sutilezas digitais que se somam ao estilo tradicional das animações de Matt Groening. 

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A parte não tão legal é uma menor inserção de memes nos diálogos da versão dublada, coisa que a primeira temporada deitou e abusou de forma criativa e inteligente. Mesmo assim, o humor nessa segunda temporada parece se encaixar de uma maneira mais natural, até porque as características dos personagens já foram exploradas e a graça agora é, justamente, ver como eles reagem em situações que exigem uma maior intimidade entre si. 

E como a terceira temporada já está confirmada, a tendência é que (Des)encanto siga com sua faceta insana, mas bem mais espontânea e que, assim como em Os Simpsons e Futurama, nesse ritmo, possam ter episódios que funcionem bem de forma isolada. 


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Crítica de TV

Crítica | Carnival Row – S1 (Prime Video)

Série é uma admoestação sobre imperialismo recorrendo mais à didática que à arte de contar histórias.

A nova série de Fantasy do Amazon Prime, Carnival Row, e uma empreitada dos produtores Travis Beacham e René Echevarria, através da Lionsgate, convergindo em oito episódios uma combinação de Romance Vitoriano – de terror e de exploração -, Police Noir e Fantasy.

Em sua premissa, as consequências da invasão de uma terra recém descoberta por duas nações imperialistas, a República de Burgue e o Pact. Com a tomada das terras do reino feérico de Anoun, criaturas antes tidas apenas como fruto da imaginação humana se tornam refugiados na capital de Burgue, uma mímica da Londres Vitoriana.

As tensões entre as populações humanas e feéricas se acirram quando um – segundo – assassino em série deixa um rastro de sangue de homens e fada. Amarrando tudo, o romance entre um investigador de polícia, Philo, (Orlando Bloom) e uma fada, Vignette (Cara Delevigne) interrompido pela guerra.

É inevitável não comparar Carnival Row com Penny Dreadful, ambas fantasias neo-vitorianas, que flertam com o steampunk. Mas enquanto a série do Starz bebia apenas dos clássicos romances de terror do século XIX, Carnival Row traz um escopo muito mais variado de referências, tais como Shakespeare e a mitologia judaica.

Um ponto a se considerar sobre a série do Prime é a completa falta de sutileza, seja em repetir um foreshadowing à exaustão seja em como trabalha seu subtexto, se é que se pode chamar de subtexto a forma como fala sobre temas do mundo real.

A produção é digna, nada espetacular, mas não se envergonha do que tem a oferecer. Suas cenas mais no escuro são as que menos demandam efeitos especiais, estranhamente. Fadas voam à luz do dia e kobolds atuam no equivalente daquele mundo à um teatro de marionetes de rua. Mais especificamente pode-se apontar as asas das fadas (que certamente não aguentariam seu peso na vida real) e os pucks (uma espécie de Minotauro retirada de Sonho de uma Noite de Verão) como os pontos fortes na caracterização do povo feérico.

É preciso notar o excelente, e diversificado, elenco de Carnival Row. São ótimas as atuações das estrelas Orlando Bloom, Tamzine Merchant, Jared Harris e Indira Varma. É apenas uma pena que, tomando novamente Penny Dreadful como norte, Cara Delevigne ande longe de ser uma Eva Green.

O romance policial é o gênero que leva as coisas para frente, e de uma forma muito acertada, apesar dos foreshadowings excessivos. Os plot twists são até bem amarrados, deixando ainda um bom espaço para um segundo ato – com cara de nazismo -, que esperamos seja confirmado em breve.

No quesito bizarrice, notamos Philo (Bloom) sendo ordenhado por uma bruxa idosa. É só isso mesmo.

Carnival Row é, em resumo, uma admoestação sobre imperialismo, colonialismo, racismo, fundamentalismo religioso e imigração que usa uma miríade de personagens feéricos como metáfora. O faz de uma forma extremamente didática, mesmo em detrimento de qualquer poética, não perdendo apenas a capacidade de entreter.

No entanto, longe de ser uma mancha na série, isso nos faz questionar se em um mundo onde fã de Star Wars e Pink Floyd é também acólito de figuras totalitaristas, a subjetividade artística seja algo superestimado quando se precisa de discursos efetivos.

Tayna Abreu é jornalista de entretenimento e também fala sobre ficção especulativa em seu IGTV @oftay_ 

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