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Críticas de Séries

Review | AHS: Apocalypse – Boy Wonder e Return To Murder House (Ep5 e Ep6)

AHS: Apocalypse pode ter tido seu episódio mais memorável após oito anos no ar.

Mais dois episódios de American Horror Story: Apocalypse nos foram entregues e já vou começar com uma pergunta: já podemos considerar Apocalypse como a melhor temporada de AHS? Não seria errado, e há muitos fãs que já declararam que, mesmo ainda em seus apenas 60% de exibição, o oitavo ano do show já se tornou o preferido.

Debates a parte, vamos aos últimos acontecimentos da série. Na quinta-feira (11), foi exibido o episódio Boy Wonder (Ep5), que deu continuidade ao dramático fim de Could It Be… Satan? (Ep4), onde Cordelia (Sarah Paulson) é surpreendida por Michael (Cody Fern) ao garoto trazer Madison (Emma Roberts) e Queenie (Gabourey Sidibe) de volta a vida. Com essa prova de que Michael é realmente muito poderoso, a Suprema aceita submeter o garoto no Teste das Sete Maravilhas.

O clã masculino e coordenação da escola Warlock ficam alegres com a nova de que Michael pode, enfim, se tornar o primeiro Supremo da história. Porém, John Henry (Cheyenne Jackson), tem algumas reservas. Contra o seu pensamento, o Grande Chanceler Ariel (Jon Jon Briones) está por dentro do esquema de Michael, claramente interessado em que o garoto tome para si os poderes da Corte como Supremo.

Finalmente chegamos ao Teste das Sete Maravilhas, que é apresentado como um filme mudo semelhante ao que vimos no Coven. Langdon voa através do exame com facilidade até chegarmos à porção “Descensum”, onde Cordelia pede que Michael recupere sua antiga aluna, Misty Day (Lily Rabe), que morreu durante a mesma rodada. O final? Sabemos que ele consegue trazer Misty de volta. Mas a visita feita por Michael no inferno em que Misty estava presa não foi das mais agradáveis.

Neste momento todos têm a certeza de que Langton realmente pode ser um Supremo, mas nós sabemos que não é bem assim. Sabemos que ele é o anticristo, e Cordelia também tem ideia disso. O seu plano era apenas fazer com que Langdon trouxesse de volta todas as suas garotas mais preciosas enquanto, no processo, ela media o quão forte ele era.

Em termos gerais, Boy Wonder (Ep5) é um capítulo semelhante a qualquer outro episódio de Coven. Toda a história, direção fotográfica e até trilha sonora – que conta com Stevie Nicks interpretando ela mesma e, como sempre, cantando -, faz jus à temporada das bruxas. Não temos grandes plots durante os 40 minutos. O final, apesar de muito delicioso, também é o esperado: vemos a Murder House.

Pulamos, então, para Return to Murder House (Ep6), e, talvez, o mais aguardado dessa temporada. Madison e Behold Chablis (Billy Porter) são mandados em uma missão: visitar a casa da infância de Michael Langdon e descobrir tudo que possível sobre o garoto lá. A visita mostrou-se ainda mais esclarecedora – e mais inquietante – do que poderia imaginar. Testemunhas para serem interrogadas é o que não faltava, já que cerca de 36 almas habitam a antiga casa dos Harmons.

E o que todos nós mais queríamos ver neste episódio? Lógico, Jessica Lange de volta. A atriz voltou como Constance Langdon, avó de Michael. Madison e Constance são, sem dúvidas, as duas principais peças do episódio. Constance nos contou – com perfeição – tudo o que se passou nos 10 anos que separam os acontecimentos de Murder House com Apocalypse, mas sob sua perspectiva, que, para Madison e Behold, ainda não é o suficiente. Voltando à trama, Ben (Dylan McDermott) e Vivian (Connie Britton) têm grande importância no que diz respeito a falar sobre quem Michael verdadeiramente é. Somente após conseguirem falar com estes três espíritos que Madison e Behold se sentem confortáveis e com informações suficientes para Cordelia.

Return to Murder House (Ep6) nos trouxe algumas coisas muito maravilhosas enquanto episódio. Além de Jessica ter feito o que sempre faz (BRILHAR), Frances Conroy também reprisou seu papel como Moira. As duas possuem uma cena juntas que é de fazer você quebrar copos! Jessica também tem um momento com Michael que é sufocante. Talvez essa se torne uma das cenas mais marcantes da atriz na série, pode anotar isso…

Ficou claro, também, que o episódio foi todo feito para agradar os fãs. Temos o retorno de Naomi Grossman a.k.a. Pepper em uma nova personagem, conhecida como Satanista Cardinal. Também temos Tate (Evan Peters) e Violet (Taissa Farmiga) em mais um ~momento Tumblr~, com o mesmo estilo das típicas cenas do casal na primeira temporada, que se tornavam posts virais na rede social. E, mesmo sendo fan service, ficou de boa execução.

O que também não podemos deixar de comentar é que o episódio marca a estreia de Sarah Paulson como diretora. A atriz ainda fez uma ponta no episódio como Billie Dean Howard, sua personagem na primeira temporada e intima amiga da personagem Constance. Os efeitos continuam no mesmo padrão AHS, e a direção de imagem e trilha sonora buscou trazer de volta os mesmos tons da primeira temporada, assim como Boy Wonder (Ep5) fez.

Em termos de comparação, Could It Be… Satan (Ep4), ainda pode ser considerado como o melhor episódio da temporada, por seus plots e contexto em que se insere no momento da série. Porém, Return to Murder House (Ep6), pelo simples fato de ter um nome chamado Jessica Lange e trazer de volta toda a nostalgia de quem se apaixonou pela série em sua primeira temporada se torna um dos episódios mais memoráveis dos oito anos que AHS tem na televisão. Falo isso sem medo.

Até a próxima visitinha, Murder House!

Leia mais:
Assista a promo do episódio 7, Traitor:

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Crítica | Titans

Sem vergonha das referências, Titans caminha para ser um ícone entre as séries da DC na televisão.

Foto: Divulgação/DC Universe

Desde que saíram as primeiras imagens de bastidores, Titans gerou bastante curiosidade e desconfiança. O que muita gente não esperava é que a aposta do DC Universe seria bem aceita por também trazer o clássico toque sombrio só que num tom acima: heróis xingando e sangue jorrando na tela. Vem cá, vamos falar sobre novo passo do estúdio.

A série acompanha o início da carreira dos jovens heróis do Universo DC. Dick Grayson e Rachel Roth, uma jovem garota especial possuída por uma estranha escuridão, acabam no meio de uma conspiração que pode trazer o Inferno para a Terra. Eles se juntam à cabeça-quente Estelar e o amável Mutano. “Juntos, eles se tornam uma família e uma equipe de heróis”, apontava a sinopse da Netflix.

Entretanto, “família” ou “equipe” ainda não são termos que definem tão bem a relação dos protagonistas nesse primeiro ano. Arredios, Dick, Rachel, Kory e Gar mal conseguem desenvolver o senso de união ao longo dos episódios. Não por faltarem motivos, mas por ainda terem mais mistérios separados do que momentos compartilhados juntos. Passam-se os 11 episódios e a verdade é que eles mal se conhecem.

Para compensar essa falta do “time”, Titans entrega uma boa história, acompanhando como as subtramas dos heróis caminham ao obscuro arco central. Narrativamente é mais pesada que Arrow, lembra Gotham e se aproxima do que Demolidor faz na Netflix, ainda que com ação menos caprichada.

O arco principal, que envolve a origem de Rachel Roth, terminou antes da hora. Depois fiquei sabendo que transformaram o último episódio no primeiro da segunda temporada. E olha, fez falta. Não pela curiosidade, mas faltou a gente entender melhor sobre a ameaça desse cliffhanger.

Além dos próprios Titans, a série apresenta os ótimos Rapina e Columba que, infelizmente, foram apresentados antes da hora. No início da série, houve uma tentativa de dar relevância aos personagens, que somem entre as subtramas dos protagonistas e reaparecem num episódio inteiro dedicado a eles já no antepenúltimo episódio, cortando todo o clima de tensão, enfraquecendo clímax e o próprio potencial dos personagens.

Na tentativa de empolgar a audiência, o roteiro insere personagens pelo prazer dos easter eggs e sacrifica o poder de impacto que poderiam ter se tivessem reais motivos para estarem no caminho dos Titans.

De qualquer forma, sem histórias mirabolantes e com foco em apresentar os quatro heróis, a série sustenta a violência que promete sem que isso chame mais atenção que a própria trama. Servem como bons complementos para a produção que, nesse novo contexto que o DC Universe está se inserindo, representa uma evolução. Cumpriu a primeira missão deixando um terreno fértil para uma próxima temporada ainda melhor e com escolhas de roteiro mais inteligentes.

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Crítica | Ilha de Ferro

Com qualidade técnica apurada, seria tudo perfeito se ‘Ilha de Ferro’ não tivesse um roteiro tão fraco.

Foto: Divulgação/Globoplay

Pensar que uma emissora de TV pudesse apostar tão alto no futuro do streaming seria algo estranho de pensar até pouco tempo atrás. Mas o Globoplay, plataforma da TV Globo na internet, está apostando alto para ser ‘a casa do talento brasileiro’ e ter um valor de mercado semelhante ao da Netflix do Brasil. Nessa brincadeira, já surgiram produções como Carcereiros, Sob Pressão e Ilha de Ferro, que é sobre quem falaremos agora.

O drama conta a história de Dante (Cauã Reymond), que é o coordenador de produção da PLT-137, uma plataforma petrolífera recordista de acidentes. Ele sonha em se tornar gerente do local, mas fica revoltado quando percebe que precisa competir com a recém-chegada Júlia (Maria Casadevall) pelo cargo. No entanto, é no meio dessa disputa que acaba surgindo uma paixão entre os dois capaz de mudar o rumo de suas vidas.

Ainda que muita gente torça o nariz para qualquer produção brasileira que seja protagonizada por atores globais, aqui isso não precisa ser uma questão. O texto de Mauro Wilson e direção de Afonso Poyart desviam de diálogos artificiais e criam boas condições para atuações menos caricatas. Sem dúvidas, aqui, Sophie Charlote entrega a melhor atuação da carreira.

No entanto, é no roteiro que surgem os principais problemas de Ilha de Ferro por causa da falta de assunto. O grande arco narrativo da série se apoia num romance problemático e não tão carismático quanto pretendido, que gira em círculos infinitos e demora para ter qualquer avanço. Não existe um objetivo determinado, uma grande tarefa a ser cumprida ou sequer um vilão a ser combatido. Funciona como série procedural para encher linguiça enquanto o casal se desenvolve e só nos últimos episódios tira do limbo uma subtrama que se torna o pico de ação da história. Mas até chegar nesse ponto, o espectador é cozinhado demais.

A fragilidade do roteiro se escancara, ainda, quando apresenta quase toda cartela de personagens como pessoas infelizes e amarguradas sem conseguir distribuir esses dramas entre os longos 12 episódios, que mergulha no drama sem quase nenhum espaço para diálogos que rompam com essa tensão. Há casos, ainda, de personagens que interferem na trama, mas são mal trabalhados como Astério Medeiros (Milhem Cortaz) que some de repente e Sileno Matos (Júlio Rocha) que aparece do nada e numa frustrada intenção de alívio cômico.

De qualquer forma, talvez só um roteiro realmente sofisticado fosse capaz de se igualar ao melhor que Ilha de Ferro oferece. E não, não se trata do bom trabalho de Cauã Reymond ou no esforço de Maria Casadevall. Mas, sim, no primor técnico da direção artística e geral do cineasta Afonso Poyart, que traz uma estética que não deixa nada a desejar para qualquer produção estrangeira.

Há a sensação, ainda, de que a direção de arte é tenta ajudar a desenvolver a personalidade dos personagens em tela através de ilusões e desvaneios aparentemente abstratos.

A grosso modo, Ilha de Ferro começa bem, com estética que impressiona e personagens fortes. A história não se sustenta após o primeiro episódio, cumpre os quesitos técnicos, atinge seus melhores momentos nas sequências de ação, mas rompe, infelizmente, tem um roteiro pretensioso demais ao drama. De qualquer forma, é um bom passo para o fortalecimento do segmento de séries nacionais e merece uma chance de quem estiver disposto a dar.

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Review | She-Ra e as Princesas do Poder (1ª Temp.)

Animação estreou em novembro no catálogo da Netflix.

A Honra de GraySkull finalmente foi restaurada após 33 anos de história. A estreia da animação She-Ra e as Princesas do Poder na Netflix em novembro é a grande responsável por esse feito. Isso porque esse reboot – além de ser bastante aguardado pelos trailers apresentados – retoma uma narrativa clássica dos anos 1980 para o foco do mundo Geek.

Produzido pela talentosa Noelle Stevenson, a animação da DreamWorks reconta a história da versão animada produzida pela Filmation/Mattel com o objetivo de situar Adora, e seu alter-ego She-Ra, em um pedestal de protagonismo pleno. O estúdio, por sinal está de parabéns. Após Voltron, a animação de She-Ra é sua segunda incursão pelos sucessos dos anos 1980 e se apresenta como mais um revival de respeito.

Em 1985, para expandir o universo da franquia de bonecos articulados He-Man e os Mestres do Universo, a Mattel – junto da Filmation – desenvolveram uma contraparte feminina para o defensor dos segredos do Castelo de GraySkull. Nascia assim She-Ra, introduzida no especial de uma hora “O Segredo da Espada Mágica”, que é considerado o episódio um da primeira animação da princesa do poder.

Sem He-Man, Adam, Feiticeira Zoar e Mentor, a única referência a Eternia e ao misterioso castelo está na frase de transformação que Adora profere ao se tornar She-Ra. Esse primeiro destaque é o que torna a nova animação bastante promissora. Desta vez She-Ra não tem a necessidade de ser introduzida por ninguém. She-Ra é ela mesma a grande atração somente.

Propondo um novo olhar para a mitologia da personagem, She-Ra não é mais só a outra versão de Adora. She-Ra é uma lendária campeã do planeta Etheria que desde tempos antigos escolhe uma das princesas para equilibrar os elementos e lutar contra o mal. A nova She-Ra nem mesmo se preocupa em esconder sua real identidade. Todos a conhecem, todos a admiram.

Rejuvenescida, a franquia ganha com a proposta intuitiva presente nas animações da DreamWorks, onde piadas e drama se diluem durante os acontecimentos da trama sem necessariamente torná-la evidente para um lado só cômico ou só trágico.

Nesta primeira temporada o que se é possível destacar é que o reaproveitamento das personagens de She-Ra vai para muito além de “infantilizar” um pouco cada uma. Na verdade, ninguém ali foi infantilizado. Pode-se dizer que muitos deles tornaram-se aquilo que deveriam ter sido desde o início da franquia, quando a Mattel apostava muito em figuras másculas e/ou com sex appeal ao invés de personalidade ou pano de fundo dramático.

She-Ra já não usa uma microssaia e nem é um mulherão de corpo escultural. Mudanças possibilitadas pelo design de personagens e a redefinição da história. A animação também dialoga com temas modernos e abre espaço para a diversidade e a representatividade. Cintilante e Arqueiro são exemplos disso.Os amigos de She-Ra agora já não são mais uma bela jovem em collant apertado e lábios carnudos; e nem um homem branco e ruivo, musculoso e de toráx à mostra.

A nova Cintilante é uma adolescente um pouco mimada, mas bastante verdadeira, gordinha e sorridente. O novo Arqueiro é um intrépido garoto negro que não tem medo de mostrar seu lado mais gentil já que está cercado de mulheres, sem que isso nos leve num primeiro momento a fazer qualquer suposição sobre sua sexualidade.

E esse assuntos do coração são tratados de forma bem distintas no desenho animado. Já da para perceber que Noelle Stevenson deixa em Cintilante a marca de uma narrativa que pode despertar em quem assiste o desejo de shipar casais. Tudo isso sem ser abertamente discutido ou alimentado pelas personagens da trama, que vão encarar tudo como amizade.

O ponto alto da animação é mesmo o reboot da origem de She-Ra. Nesse universo narrativo, Adora não é a primeira She-Ra. Mesmo assim é a partir dela que conheceremos segredos da personagem. O reboot também nos presenteia com um ótimo plot entre a protagonista, Felina e Sombria. Assim como na versão original, Adora é uma orfã que servia na Horda liderada por Hordak. Criada quase como uma filha por Sombria, a garota é a única amiga de Felina com quem cresceu junta.

Separadas pelo destino da espada, as duas agora se encontram em lados opostos. Felina divide-se entre o sentimento de amor pela amiga (quase uma irmã) e a inveja que sempre sentiu. Adora, por sua vez, deve lhe dar com a dor da rejeição ao mesmo tempo que tenta descobrir mais sobre seus poderes e lidera a Grande Rebelião no intuito de salvar Etheria.

Bom, sobre GraySkull e os demais elementos da trama clássica ainda não há perspectivas. Quem poderá esclarecer melhor isso é a enigmática Esperança da Luz, que junto de Sombria e o próprio Hordak são os únicos que sabem o real segredo da origem de Adora. A possibilidade da DreamWorks trabalhar em um universo expandido e quem sabe inserir He-Man e outros personagens da franquia nas próximas temporadas já é especulada. Contudo, mesmo sendo as mesmas histórias, nada é garantido que He-Man possa ganhar um novo reboot no processo.

Por hora é melhor esquecer dele mesmo. O foco aqui é She-Ra, a Princesa do Poder, que brilhantemente renasce após longos anos de coadjuvantismo à sombra do irmão gêmeo. Coadjuvantismo esse que existiu mesmo quando era protagonista de sua própria série. Agora não mais! Finalmente restabeleceu-se o respeito merecido “Pela Honra de GraySkull!“.

 

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