Regiane Araújo compartilha detalhes da produção do clipe de “Tirem as Cercas”

A produção faz referências a comunidades tradicionais como indígenas e quilombolas.

O clipe de Tirem as Cercas, canção de Regiane Araújo, foi lançado no final de setembro e já possui milhares de reproduções no Youtube, assim como a faixa no Spotify.

Com referências aos povos e comunidades tradicionais como indígenas e quilombolas, a produção faz um alerta de defesa aos territórios tradicionais maranhenses e brasileiros.

Em entrevista ao Volts, Regiane Araújo contou um pouco mais sobre o processo criativo do clipe, a origem da parceria com Débora Melo e Núbia, além de outros detalhes que a inspiraram para a composição das faixas.

Memórias afetivas

O clipe de Tirem as Cercas é composto por símbolos que deram a Regiane inspiração para escrever a letra da canção. Por isso, um dos principais intuitos do clipe foi evidenciar a existência de territórios como quilombos e aldeias por meio de elementos que pudessem direcionar as pessoas para esses lugares, já que devido a pandemia do novo coronavírus a gravação precisou ser adaptada.

Foto: reprodução/Youtube

“As locações, o roteiro, tudo em torno do clipe foi trabalhado a partir da limitação que a Pandemia nos impôs. E no diálogo com Thais Lima, a diretora, produtora e roteirista do clipe todo o processo foi direcionado para ser realizado em locações que trouxessem a simbologia e a representatividade do que está na canção”, conta Regiane.

Tema de urgência

Tirem as Cercas apresenta forte conexão com temas sociais que cada vez mais precisam ser discutidos em meio a violência que têm sofrido. É o caso de povos e comunidades não só do Maranhão, mas do Brasil inteiro, que estão sofrendo com a violência em seus territórios.

Foto: reprodução/Youtube

“Do final do ano de 2019 para 2020 tivemos vários casos de assassinatos de lideranças indigenas aqui no Maranhão. Em agosto desse ano, concomitante ao final das gravações do Clipe, Cajueiro, que é uma das nossas locações justamente pela sua história de resistência e luta, completou 1 ano desde que estivemos junto com a comunidade para impedir o despejo das 80 famílias que foram despejadas do seu território e tiveram suas casas destruídas por causa do empreendimento privado da construção do terminal portuário naquela região”, relembra a artista.

Experiências que resultaram em parcerias

“Antes de gravar Tirem as Cercas tive a oportunidade de cantar ela num evento cultural realizado pelo grupo de estudos da UEMA que sou vinculada (LIDA- Lutas Sociais Igualdade e Diversidade). No LIDA que foi possível, tanto as experiências que tive nas aldeias e nos quilombos, pelo grupo trabalhar há mais dez anos nessas frentes, quanto a amizade construída com Débora Melo que é vinculada ao grupo e é uma grande amiga desde o período de graduação em Ciências Sociais”, diz Regiane.

Foto: reprodução/Youtube

Débora foi a amiga que Regiane escolheu para fazer o slam para Tirem as Cercas quando foi mostrar a canção aos amigos. “A partir de então, em todas as oportunidades que tinha, Debora recebia meu convite para se apresentar junto comigo quando precisava cantar Tirem as Cercas.

Foto: reprodução/Youtube

Posteriormente, veio a oportunidade de Regiane dividir palco com a cantora Núbia, considerada uma inspiração para a idealizadora de Tirem as Cercas. “E foi nessa oportunidade que subimos ao palco, dentro do CCVM, pela primeira vez, as três juntas para cantar Tirem as Cercas e desde então essa canção se tornou um veículo para representar o potencial da figura feminina na música e na poesia”, celebra Regiane.

Influências da graduação

Regiane faz questão de destacar o quanto a sua graduação em Ciências Sociais provocou um marco e incentivo para o seu desenvolvimento pessoal, assim como sua consciência crítica e política.

“Muitas pessoas passam por uma graduação como essa e não conseguem ser afetados profundamente. E tenho em mente que o que me permitiu experimentar a graduação de uma forma não superficial e me deixar ser afetada mais profundamente por tudo que um curso como esse pode trazer foi, desde o começo, ter tido o privilégio de me envolver num grupo de estudos como o LIDA, que não era só um grupo de estudo, mas um coletivo, um movimento que compreende a pesquisa, os estudos, mas também os afetos e comprometimento por causas sociais tão caras e importantes”, explica.

Compreensão de realidades

“Foi trabalhando com a educação superior indígena através Licenciatura Intercultural Indígena que tive o privilégio de conhecer ainda mais os territórios indígenas e entender mais de perto suas realidades, demandas e enfrentamentos. Foram dessas experiências “na LIDA” que se tornou possível escrever: Tirem as Cercas deixem as flores que pintam de todas as cores, toda liberdade da paz e do lar: Território Livre Já!

Foto: reprodução/Youtube

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