Recap | The Handmaid’s Tale – Night (3×01)





05/06/2019 - Atualizado às 17:13


Pensar em The Handmaid’s Tale sem tortura física e psicológica despejada aos baldes sobre June (Elisabeth Moss) chega a ser estranho depois de duas sólidas temporadas se construindo como um dos melhores dramas da TV tendo justamente isso como um dos pilares, mas é possível, e é isso que mostram os três primeiros capítulos da terceira temporada, liberados de uma vez nesta quarta-feira, 5 de junho.

É um alívio finalmente bater na porta da Resistência e ela abrir. A nova THT é cheia de conflitos e tristeza, mas também cheia de luz, nem que seja a luz laranja das labaredas de Serena (Yvone Stravohsky). Não que não tenha mais tortura em THT, mas há esperança e luta também.

No primeiro episódio, “Night”, acompanhamos o resto da fuga de Emily (Alexis Bledel) com a bebê Nicole e o início do relacionamento nada simples entre June e Comandante Lawrence (Bradley Whitford). Após entregar a filha mais nova para ser salva no Canadá, a aia segue para tentar falar com Hannah.

O conflito entre as duas mães de Hannah, a verdadeira e a sequestradora, é perfeito. June é acusada de estar confundindo a cabeça da criança, quando foi Gilead e sua elite que roubaram a menina dos braços de seus braços. As duas chegam a trocar um momento de ternura falando sobre as características da menina, mas a falsidade é quebrada quando a sequestradora aponta que Hannah tem os olhos de June, ao que esta responde “sou a mãe dela”.

Emily é resgatada na fronteira e enfrenta dificuldades de se estabelecer mentalmente no Canadá e para entrar em contato com a esposa. Enquanto isso, Luke (O. T. Fagbenle), se vê com a pequena Nicole, fruto do amor de June com Nic, mas que ele acha ser do estupro de Fred (Josefh Fienes), nos braços e é reticente em se aproximar da pequena.

Serena, por sua vez, parece enfrentar agora o mesmo conflito de identidade que as aias enfrentaram no começo de Gilead. Ela não ama mais Fred, ajudou Nicole a fugir e quando se achava que ela voltaria ao dever de “esposa”, ao vestir cerimonialmente seu vestido azul, ela mostra uma nova face: uma que odeia o que o quarto dos Waterford representa ao ponto de atear fogo na cama e deixar a casa toda ruir. Serena passou boa parte do episódio olhando para espelhos, como alguém que precisa descobrir de que lado deles está.

A queima da casa dos Waterford foi esplêndida. Fogo e vingança conceituados por June em uma fala mental que adapta 2ª Tessalonicenses 1:8 “em fogo ardente tomarás tua vingança” e “queima, desgraça, queima”. A simbologia é clara, Serena está purificando o lar, se purificando e ao mesmo tempo cumprindo a promessa divina de destruir o mal na Terra com fogo.

Após o show pirotécnico de Serena, June é levada para o Centro Vermelho, torturada e recolocada em serviço: ela agora é Ofjoseph Lawrence, o mesmo comandante de intenções dúbias que salvou Emily a escapar.

Night, dirigido por Mike Barker, e com roteiro de Bruce Miller, foi um começo poderoso para uma nova fase da série. Abençoada, agora, é a Luta!