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Coluna Tayna Abreu

Ranking de Fantasy do Reddit mostra que mudança no gênero é urgente

Presença e mulheres e pessoas de cor ainda é muito pequena e sso precisa acabar

Todos os anos comunidades fazem rankings de tudo na cultura pop e alguns dos mais populares estão no Reddit, onde todos os anos votações são abertas para decidir, por exemplo, os melhores livros de fantasia existentes.

Pois bem, o ano é 2019 e a votação no r/Fantasy, descrito como o maior fórum na internet sobre ficção especulativa, segue essencialmente branca e masculina, estranhamente bem diferente do perfil dos autores que vem sacudindo o gênero nas últimas décadas.

Nos cinco primeiros lugares, por exemplo, figuras pra lá de carimbadas, e cujo valor não está sendo questionado de maneira nenhuma aqui. A única surpresa, que não é tão surpreendente assim, é a saga The Stormlight Archives, de Brandon Sanderson, ainda sendo escrita, destronando o Universo da Terra Média, de Tolkien (que por um acaso se chama Legendarium).

A Song of Ice and Fire (As Crônicas de Gelo e Fogo) de George R.R. Martin aparecem em terceiro lugar, seguidas por Wheel of Time, de Robert Jordan & Brandon Sanderson; logo após mais Brandon Sanderson com Mistborn.

A primeira mulher da lista é J.k Howling, com Harry Potter, em oitavo lugar, precedida por Joe Abercrombie, o que é quase inacreditável. Mais dois homens passam – um deles Terry Pratchett o que o coloca depois de Albercombie (a audácia)- e é a vez de Robin Hobb em décimo primeiro com sua – gigante – Realms of the Elderlings.

A primeira mulher negra aparece apenas na décima quarta posição, é N.K Jemisin e sua Broken Earth Trilogy – três vezes vencedora do Hugo Awards e a única pessoa a ganhar o prémio três anos consecutivos e pela mesma saga.

O ultraje segue com Ursula K. Le Guin, uma das maiores escritoras de ficção especulativa do mundo independente do gênero humano ou da obra, aparecendo na trigésima posição com Earthsea.

Ao todo, a lista conta com 143 obras de nomes conhecidos e desconhecidos da maioria das pessoas, pouquíssimos autores de cor, de ambos os gêneros.

Não é falta de produção. Sólidas e atraentes histórias de Fantasy estão sendo produzidas por escritores nativos ou com ascendência asiática, árabe, africana. Um exemplo forte é a entrada de um dos mais prestigiados autores negros da atualidade, Marlon James, com os dois pés no mundo fantástico com o primeiro volume do que será uma trilogia, Black Leopard, Red Wolf.

Também não é falta de informação. Em 2015 o autor nigerino Wole Talabi publicou uma lista com os 10 livros de fantasia e ficção científica que ele estava curtindo. Uma busca simples no Google por “fantasy stories” leva ao blog dele.

Com todo o boom de Pantera Negra, afrofuturismo e afrofantasy (termos que alguns autores odeiam) era de se esperar que, por exemplo, a busca pelo próximo Game of Thrones levasse as TVS a buscar algo realmente diferente, uma vez que GoT só foi popular por desafiar as convenções do gênero (ainda que tenha se apoiado nelas enormemente no final).

Afora a coroa de Brandon Sanderson – ele é bom mesmo – , um segundo sinal claro com a lista em questão, mas longe de ser novo, é o de que mulheres e pessoas de cor em geral precisam urgente ser lidas na fantasia, porque, como Jemisin, Needi Okorafor, Naomi Adeyemi, Marlon James e outros já provaram, eles tem muito a oferecer à um gênero que, com o perdão da franqueza, está saturado de capas brancas.

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Coluna Tayna Abreu

Relação entre Margaret Atwood e série The Handmaid’s Tale é pura simbiose

Ao ler The Testaments, o novo livro de Margaret Atowood, onde a escritora volta a explorar o regime fundamentalista totalitário protestante de Gilead, após ter visto toda a terceira temporada de The Handmaid’s Tale, série do Hulu que adapta o romance homônimo publicado em 1985, torna-se perceptível que a mão da canadense ainda é tão presente na narrativa derivada já tão distante do original, quanto era na primeira temporada, com cenas retiradas do livro.

Mas Atwood e sua relação com The Handmaid’s Tale é algo de fresco na dança entre romancistas e as dramatizações de seus livros, precisamente quando se trata de ficção especulativa, indo muito além da ocasional participação especial. A escritora da liberdade e se inspira na obra derivada. É um ciclo completo como raras vezes se vê.

Em sua mais recente edição, a revista The Gentlewoman traz uma extensa entrevista com Margaret Atwood, que estampa a capa, onde são abordados inúmeros temas concernentes à vida e carreira da escritora octogenária. Em dois parágrafos há um isight sobre como se dá a relação simbiotica entre criador e criatura: Atwood orientou Bruce Miller,showrunner e principal roteirista de The Handmaid’s Tale, enquanto escrevia seu novo livro, e levou aspectos da série para dentro de seu novo testamento.

Diferente de quando uma obra derivada expande o texto, ou o surpassa, o trabalho foi simultâneo. Mas diferente de escritores mão de ferrro, Miller teve liberdade em explorar as linhas gerais que lhe foram dadas. Pelo menos na maior parte.

O nome de Nicole, segunda filha de June foi uma exigência inegociável de Atwood, assim como também a salvaguarda da vida de alguns personagens, não expecificados na entrevista. “Eu disse que tinha que ser Nicole”, certificou a escritora.

Atwood para The Gentlewoman, por Alasdair McLellan

Das telas, Atwood tomou grande inspiração na performace de Ann Dowd como Aunt Lydia para dar mais profundidade à personagem. É em grande parte pelo excelente trabalho de Dowd como a matriarca das Tias que Lydia ganhou um episódio com seu passado na tv e o poder de narradora em The Testaments. Para os leitores dos dois livros e expectadores da série, é possível perceber exatamente até onde vai a mão de Atwood e onde começa a liberdade de Miller. Um balanço perfeito, mesmo quem não concorda com interferências de autores em projetos derivados, como eu, deve concordar.

“Fui inspirada pela performace de Ann Dowd, que deu à Aunt Lydia mais dimensões que ela tinha no livro original”, contou Atwood. Dowd inclusive foi chamada para reprisar a personaem no  audiobook do novo romance profético. 

The Testaments foi lançado – com toda pompa de um prestigiado romance literário encontrando o frisson de uma saga popular – no último dia 10 de setembro, após um ferrenho esquema de segurança e confidencialidade para manter a surpresa, é um dos favoritos para ganhar o Booker Prize 2019 e já best-seller em todo o mundo.

Tayna Abreu é jornalista de entretenimento e também fala sobre ficção especulativa em seu IGTV @oftay_ 

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Coluna Tayna Abreu

Fire & Blood | Como será o novo spinoff de Game of Thrones

Segundo a imprensa americana, a HBO teria dado sinal verde para mais um spinoff de Game of Thrones, desta vez focado na Casa Targaryen, os ancestrais de Daenerys. Apesar de não haver ainda confirmação oficial da emissora, as informações dão conta de que o spinoff contará a história de três séculos da Dinastia Targaryen, com criação de George R R Martin, o pai do Mundo de Gelo e Fogo, e Ryan Condal.

A editora de TV do Deadline, Nellie Andreeva, escreveu que  a nova produção terá roteiro de Condal, e que não é um sexto spinoff, um a mais que a quantidade que já havia sido anunciada pela HBO, mas uma nova roupagem em um que já estava sendo desenvolvido pelo roteirista Bryan Cogman, cujo trabalho foi essencial em Game of Thrones, antes de ser reprovado por David Benioff e DB Weiss, showrunner da série mãe, e Cogman ir trabalhar em Senhor dos Anéis da Amazon. O que parece é que com Benioff, Weiss e Cogman fora da HBO, a casa resolveu pegar o projeto do lixo e dar uma olhada com mais carinho.

Em maio, Martin disse que três dos cinco spinoff estão em produção ou pré-produção e que tudo está indo bem. O primeiro deles, Bloodmoon, estrelado por Naomi Campbell, teve o piloto finalizado ainda em agosto e está sob avaliação da chefia de séries.

Capa da primeira edição americana de Fire & Blood, de George R.R. Martin

Bom, o novo spinoff, será baseado na duologia Fire & Blood, cujo primeiro tomo foi publicado por Martin em 2018 e possivelmente será batizado como homônimo da fonte, que já carrega toda a simbologia e poder sonoro necessários para condensar o reinado dos dragões.

Fire & Blood é uma narrativa extensa e que mímica a forma clássica de contar a História das Elites, passando pelos 300 anos de reinado dos Targaryen em Westeros, começando com a Conquista de Aegon e suas irmãs/esposas e terminando, no segundo volume ainda não publicado, com o golpe da aliança Stark-Baratheon-Arryn que destronou o Rei Louco Aerys e levou à morte do príncipe herdeiro Rhaegar na Batalha do Tridente, de onde Robert Baratheon saiu vitorioso, com o assento no Trono de Ferro e a mão de Cersei Lannister, filha do último Lorde a entrar na aliança que traiu os Targaryen.

No meio desses dois eventos, uma procissão de reis de nome repetido, muito incesto, loucura, eugenia e racismo; um reino por vezes em paz e em muitas delas sangrando. Alguns reis inúteis, outros memoráveis por serem também cruéis, roubo de ovos de dragão, um desafio à Teologia de Exceção – criada para legitimar o poder Targaryen mesmo na Fé dos Sete – e duas guerras civis que racharam a casa e dizimaram seus dragões. 

Mas quais são os eventos com mais chances de serem retratados na série? Bom, primeiro é preciso considerar que esse, como todos os outros spinoff de GoT, não deverão ter muitas temporadas, talvez apenas uma ou duas, a depender a extensão dos eventos e da forma como serão contados.

Pelo menos cinco grandes eventos podem- e devem – ser recortados, e se divididos em uma série de 10 episódios de uma hora cada, poderão ter o tratamento de filmes de duas horas, o que pode ser um ótimo tempo para contar cada um, ainda que não de forma minuciosa.

A conquista de Aegon, sem dúvida alguma, é o lugar para começar. O momento em que o dragão ousou sair de seu pequeno domínio insular em Pedra do Dragão e dominar o continente de Westeros, comportando ainda as Guerras de Conquista de Dorne, o reino que jamais se entregou, mas que foi anexado por casamento.

O segundo grande momento é um dos mais famosos, e dá nome também ao quinto, e até agora último livro publicado nas Crônicas de Gelo e Fogo, a Dança dos Dragões, a primeira guerra civil que manchou a terra e os ares com sangue de dragões das duas espécies.

As Rebeliões Blackfyre são um terceiro grande momento da história da Casa Targaryen, onde a própria legitimidade dos reis de cabelos prata foi desafiada por seus irmãos e primos bastardos.

A Tragédia de Solarestival é o próximo evento importante, se não pela duração, mas pelas consequências diretas e indiretas, tanto materiais quanto na formação do comportamento de um dos príncipes Targaryen mais famosos.

Por último, a queda dos Senhores de Dragões no golpe de estado dado pela aliança de casas vassalas, conhecida como a Rebelião de Robert, ou a Guerra do Usurpador, com sua última e mais famosa batalha deixando rubis da armadura e das veias de Rhaegar Targaryen por todo o Tridente. 

Tayna Abreu é jornalista de entretenimento e também fala sobre ficção especulativa em seu IGTV @oftay_ 

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Coluna Tayna Abreu

Crítica | Carnival Row – S1 (Prime Video)

Série é uma admoestação sobre imperialismo recorrendo mais à didática que à arte de contar histórias.

A nova série de Fantasy do Amazon Prime, Carnival Row, e uma empreitada dos produtores Travis Beacham e René Echevarria, através da Lionsgate, convergindo em oito episódios uma combinação de Romance Vitoriano – de terror e de exploração -, Police Noir e Fantasy.

Em sua premissa, as consequências da invasão de uma terra recém descoberta por duas nações imperialistas, a República de Burgue e o Pact. Com a tomada das terras do reino feérico de Anoun, criaturas antes tidas apenas como fruto da imaginação humana se tornam refugiados na capital de Burgue, uma mímica da Londres Vitoriana.

As tensões entre as populações humanas e feéricas se acirram quando um – segundo – assassino em série deixa um rastro de sangue de homens e fada. Amarrando tudo, o romance entre um investigador de polícia, Philo, (Orlando Bloom) e uma fada, Vignette (Cara Delevigne) interrompido pela guerra.

É inevitável não comparar Carnival Row com Penny Dreadful, ambas fantasias neo-vitorianas, que flertam com o steampunk. Mas enquanto a série do Starz bebia apenas dos clássicos romances de terror do século XIX, Carnival Row traz um escopo muito mais variado de referências, tais como Shakespeare e a mitologia judaica.

Um ponto a se considerar sobre a série do Prime é a completa falta de sutileza, seja em repetir um foreshadowing à exaustão seja em como trabalha seu subtexto, se é que se pode chamar de subtexto a forma como fala sobre temas do mundo real.

A produção é digna, nada espetacular, mas não se envergonha do que tem a oferecer. Suas cenas mais no escuro são as que menos demandam efeitos especiais, estranhamente. Fadas voam à luz do dia e kobolds atuam no equivalente daquele mundo à um teatro de marionetes de rua. Mais especificamente pode-se apontar as asas das fadas (que certamente não aguentariam seu peso na vida real) e os pucks (uma espécie de Minotauro retirada de Sonho de uma Noite de Verão) como os pontos fortes na caracterização do povo feérico.

É preciso notar o excelente, e diversificado, elenco de Carnival Row. São ótimas as atuações das estrelas Orlando Bloom, Tamzine Merchant, Jared Harris e Indira Varma. É apenas uma pena que, tomando novamente Penny Dreadful como norte, Cara Delevigne ande longe de ser uma Eva Green.

O romance policial é o gênero que leva as coisas para frente, e de uma forma muito acertada, apesar dos foreshadowings excessivos. Os plot twists são até bem amarrados, deixando ainda um bom espaço para um segundo ato – com cara de nazismo -, que esperamos seja confirmado em breve.

No quesito bizarrice, notamos Philo (Bloom) sendo ordenhado por uma bruxa idosa. É só isso mesmo.

Carnival Row é, em resumo, uma admoestação sobre imperialismo, colonialismo, racismo, fundamentalismo religioso e imigração que usa uma miríade de personagens feéricos como metáfora. O faz de uma forma extremamente didática, mesmo em detrimento de qualquer poética, não perdendo apenas a capacidade de entreter.

No entanto, longe de ser uma mancha na série, isso nos faz questionar se em um mundo onde fã de Star Wars e Pink Floyd é também acólito de figuras totalitaristas, a subjetividade artística seja algo superestimado quando se precisa de discursos efetivos.

Tayna Abreu é jornalista de entretenimento e também fala sobre ficção especulativa em seu IGTV @oftay_ 

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