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Podcast Otaku #02 – Demografias de animes e mangás

Podcast quinzenal debate os assuntos mais quentes do universo otaku.

Shounen ou Shoujo? Qual seu gênero favorito de animes e mangás? Pera aí… Quem disse que esses termos são exemplos de gêneros? No segundo episódio do Podcast Otaku, nossos amantes da cultura pop japonesa debateram sobre as demografias. Para que elas servem? Como são definidas? E por que não podemos considerá-las como gêneros? Isso e muito mais você descobre ouvindo nosso podcast.

O segundo episódio do Podcast Otaku contou com a participação dos jornalistas Saylon Sousa, Lucas Nash e Otávio de Moraes.

Nossos podcasts

“Com Elas” é o podcast do Volts sobre ficção especulativa na televisão. É derivado do sucesso programa “GOT com Elas”, também apresentado por Alessandra Medina e Tayna Abreu, que teve até evento de transmissão dos episódios de Game of Thrones e um viral mundial. Agora, o papo se estendeu e você vai adorar!

“220 Podcast” é o primeiro podcast do Volts, lançado em 2017, para debater os temas mais quentes da cultura pop e também sobre cotidiano da equipe Volts. Nesse programa você encontra muita informação e risada garantida.

O “Podcast Otaku” é o primeiro podcast do Maranhão a debater cultura pop japosesa com jornalistas especializados no assunto. Animes, mangás e tudo que é destaque nesse universo passa pela análise do nosso podcast.

Onde ouvir

Todos os podcasts do Volts são disponibilizados em uma mesma conta intitulada Volts Podcasts no Spotify. Para ouvir, é só buscar o termo “Volts Podcasts” no sistema de buscas do aplicativo e clicar em “seguir”. Lá, você pode ouvir os episódios via streaming ou fazer o download para escutar depois.

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Artigo Otaku | Funimation no Brasil: “Esse conteúdo estará disponível em seu país”

Confirmação feita no FunimationCon 2020 abre o debate para o futuro do streaming de animê no Brasil.

O vazamento promovido pelo site Deadline se confirmou (o que era de se esperar dado o fato de ter sido tirado do ar tempo depois de publicado) e a Funimation anunciou nesta sexta-feira (03) que vai expandir suas atividades para a América Latina começando com México e Brasil. O anúncio foi feito durante o FunimationCon 2020 e publicado em espanhol no perfil oficial da empresa no Twitter. A escolha é bastante simbólica dado o fato de que as duas nações estão entre aquelas com maior evidência nesta parte do globo quando se fala em apaixonados por animês.

Confirmado para o último trimestre do ano (a partir de outubro), o desembarque em definitivo da marca gerenciada pela join venture realizada entre Sony Pictures e Aniplex Japan – que também é da Sony! – marca mais um passo no processo da empresa em se capilarizar em diferentes mercados (já atua em seis: Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Irlanda, Austrália e Nova Zelândia). Com o primeiro passo sozinha em terras não falantes do inglês, a empresa (que deve vir com seu serviço FUNimation Now) se encontra entre os maiores distribuidores de animê do ocidente e já notificou que pretende abordar os aspectos da língua de forma muito próxima do público com o licenciamento de versões dubladas para os dois países.

Isso na verdade já vinha acontecendo. Desde o rompimento da parceria com a Crunchyroll, em 2018, se especulava muito sobre como ficaria a situação da Funimation no Brasil. Sem seus títulos licenciados para a América Latina por meio da concorrente, as opções ficaram escassas e tivemos algumas poucas coisas sendo apresentadas em nosso contexto por meio do Amazon Prime Video e também de empresas nacionais como a Sato Company. Tudo isso passível de atrasos e certos contratos atrapalhados que nos faziam perguntar quando títulos como Fire Force e Fruit Baskets seriam oficialmente lançados em nosso país.

Bom, em maio tivemos uma sinalização do que viria com o anúncio da dublagem de sete títulos de seu catálogo para o Brasil. Entre eles My Hero Academia, o que causou uma situação nada agradável entre dubladores nacionais que haviam dublado o filme “My Hero Academia: Dois Heróis” em 2019 e não foram convidados a repetir suas participações no elenco em 2020. Óbvio que tudo isso tem relação com contrato de licenciamento, mudança de estúdios e etc., mas não evitou a troca de farpas entre alguns dos nomes mais famosos do metiê em redes sociais.

Outro porém que se questionava muito era como a saída da Funimation da parceria com a Crunchyroll poderia influenciar à continuidade na pirataria de animês com os fansubs. Essa sempre foi uma especulação tola. Tendo como proprietária a Sony Pictures – uma gigante do entretenimento – era óbvio que essa saída foi mais do que estratégica. A especulação mais acertada que se pode fazer aqui é que não se poderia alimentar por muito mais tempo a futura concorrente em terras latinas (já eram concorrentes no Hemisfério Norte) ao passo que esta crescia junto ao público (a própria Crunchyroll já divulgou dados que apresentam o mercado brasileiro entre os cinco mais interessantes da empresa) e também contava com outras atualizações como fazer parte do catálogo de serviços do HBO Max da rival Warner Media, que só deve aparecer por aqui em 2021.

Era óbvio que “a guerra das gigantes do entretenimento” iria resvalar no streaming de série importadas do Japão em algum momento. Contudo, isso não é para o mal e sim para o bem. O bem das empresas que sempre enxergam novas oportunidades de mercado e para o bem da indústria de animês que se ramifica ainda mais nos negócios overseas. Também é bom para o consumidor.

(Versão americana do serviço de streaming. Fonte: Funimation/Reprodução)

Há quem discorde, mas a possibilidade de assinar mais um catálogo de streaming de animês, embora pareça ruim aos ouvidos no primeiro momento, esconde um interesse velado de educar o consumidor a viver sem a pirataria. É mais fácil convencê-lo de que pode consumir seu animê com facilidade, em simulcast, com dublagem e outras regalias por meio de um pacote de streaming, que continuar replicando práticas ilegais em serviços de fansubs. Essa é uma fase que começa a declinar em muitos países e a chegada da Funimation ao Brasil, em definitivo, abre as cortinas para esse novo ato aqui.

Outra possibilidade ao mercado nacional que podemos vislumbrar é um crescimento do mershandising de outros conteúdos vinculados à indústria do manganime a partir da ampliação do mercado com a chegada definitiva do serviço de streaming subsidiário da Sony. Assim como a concorrente, que já se aventurou pela TV e tem forte presença em eventos geek e otaku, a Funimation estrando de forma direta e não mais por empresas licenciantes tem as mesmas opções e outras de inovar o mercado local de consumo de animações japonesas.

Quem pode estranhar muito com sua chegada é o fansubers, pois se antes com a Crunchyroll já havia uma campanha bem organizada contra ações de pirataria, agora tudo pode ficar bem mais intenso. Isso porque a Funimation já é bastante conhecida por sua atuação antipirataria promovendo muitas ações legais contra fansubers, além de realizar muitas disputas com parceiros/concorrentes a respeito de licenças de títulos de animê. Criada em 1994, tornou-se famosa por ter obtido êxito com o licenciamento de Dragon Ball no Cartoon Network em 1999. Atualmente a empresa soma mais de 700 títulos em seu catálogo.

O certo é que a FUNimation é mais que bem vinda ao Brasil e toda a América Latina se isso se consolidar em variedade de títulos, novidades e possibilidades de consumo de animês e derivados. Me abstenho nesse momento em falar sobre como isso vai afetar as ditas concorrentes, até porque todo o processo já deve ter sido muito bem previsto e planejado por estas para quando esse momento (previsível) fosse oficializado. A própria Funimation se preparou bem para sua chegada ao Brasil ao ofertar a possibilidade de versões dubladas já no primeiro contato com o serviço de streaming.

(Indisponível no Brasil, serviço de streaming deve iniciar atividades em outubro por aqui. Fonte: Funimation/Reprodução)

Para mais novidades sobre o lançamento da Funimation na América Latina um serviço de newsletter (latam.funimation.com) está disponível em português/espanhol num layout que já dá um certo gostinho de como será o novo serviço e também dando esperanças sobre os últimos dias em que não mais veremos a fatídica mensagem “Sorry, but this content isn’t avaliable in your country” na página principal do serviço. Nos resta aguardar!

Até a próxima e… Sayonara!

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Artigo Otaku | Sete animês para apaixonados

Confira sete dicas para celebrar com quem se ama vendo um bom animê!

Diferente de nós e a nossa data mais que comercial do Dia dos Namorados, os japoneses celebram a união dos apaixonados no Dia de São Valentim (Valentine Day) em 14 de fevereiro. De forma similar a nós, mas ainda assim bem peculiar com a troca de chocolates entre colegiais e colegas de trabalho sendo uma tradição, a celebração nipônica é marcada por chocolates de “agradecimento”, “amizade” e “obrigação” entre os presentes mais comuns,embora não falte também a troca entre os apaixonados ou mesmo a sugestão de gostar de alguém quando se presenteia com um chocolate especial.

Tudo isso, visto por meio da mídia de entretenimento sugere um povo muito tímido e delicado no que trata o quesito romance. Qual nada! Pode até ser em público, mas as narrativas que acompanhamos não dizem muito sobre isso ao revelar os inúmeros fetiches e as psicologias às avessas dos apaixonados nos animês. Enfim, a discussão é muito peculiar, pois toca na construção social de um povo que se irrita com a autora de um mangá por seu final trazer um relacionamento onde o protagonista – dividido a trama toda entre duas paixões – tem uma filha com uma e casa com a outra.

Foi o que aconteceu recentemente com a mangaká Sasuga Kei e sua obra Domestic Girlfriend (Domestic na Kanojo), que lhe rendeu ofensas e ameaças no Twitter. Ao que parece, o japonês – e os estrangeiros – não podem aceitar esse final, mesmo que em sua maioria não se importarem de consumir algo um pouco mais intensos em seus doushinjins (fanfics) e/ou hentais (quadrinhos pornô). Só posso dizer que esperto foi Taichi Tsutsui, autor de We Never Learn ~Bokuben, que desenhando um mangá harém (subgênero onde há relacionamentos românticos ou não entre um garoto e várias garotas ou vice-versa) optou por fazer finais alternativos para cada heroína e assim se livrar das críticas.

Mas por que estou falando disso? Para dizer que o japonês tem uma visão muito única sobre como conduzir romances em suas narrativas e com certeza você já deve ter percebido isso. Dependendo da demografia, do gênero literário ou mesmo do estilo de criação de cada autor, podemos ter relacionamentos que não avançam, enrolados, confusos ou relacionamento até que bastante diretos. Isso porque podemos observar que esse é um povo que encara a prática de expor sentimentos como um espécie de fraqueza e suas personagens muitas vezes transmitem isso. Se é verdade ou não só convivendo para saber. Mas o fato de que há um falso moralismo construído nisso (haja visto os fetiches estranhos) isso eu não posso negar. Talvez só o filósofo e sociólogo polonês Zygmunt Bauman pudesse explicar com suas abordagens a respeito do amor líquido e o conceito grego de poliamor.

Essas discussões à parte, japoneses sabem cativar muito bem quando querem falar de amor. Segue aqui sete dicas do que assistir nesse Dia dos Namorados com a pessoa amada. Informo que cada uma das dicas está disponível em serviços de streaming como Amazon Prime Video, Crunchyroll e Netflix. Vamos a elas!

Na Netflix…

Sussuros do Coração (1995) – Studio Ghibli

Embalado pelo som de “Take me Home, Country Roads” * na voz de Olivia Newton-John (Let Me Be There, 1973) escrevo esse artigo otaku especial de Dia dos Namorados. Ok, a canção em si não é nada romântica e está mais para um ode a um lugar especial (no caso Virgínia Ocidental, para ser mais específico). Mas o que um clássico do country norte-americano tem a ver com apaixonados e cultura otaku? Simples! A canção é o tema de abertura e o leitmotiv de Sussurros do Coração (1995), filme de Yoshifumi Kondou para o Studio Ghibli.

Sussurros do Coração é um dos primeiros filmes do Ghibli não dirigidos por Hayao Miyazaki ou Isao Takahata (embora tenha roteiro de Miyazaki) e marca não só por essa diferente cena de abertura ao som do country, como também pela abordagem singela e cativante de um romance adolescente. Temas como decisões e a dor da guerra seguem na narrativa (lembre-se, Miyazaki é o roteirista), mas Yoshifumi Kondou nos presenteia com um drama enxuto e bastante interessante para acompanhar ao lado da pessoa amada.

Your Name (2016) – Comix WaveFilms

Também inspirado numa narrativa de romance adolescente, o filme de Makoto Shinkai perpassa pelo dilema juvenil de Mitsuha e Taki a partir de um acontecimento que transita entre o cósmico e o sobrenatural. Com certeza esse é um filme para se assistir no aconchego de um abraço sem se preocupar com nada e apenas torcer para que tudo acabe bem.

A trilha sonora conta com a banda Radwimps e canções como “zenzenzense” como leitmotiv, o que dá mais ritmo a trama que encantou milhares de pessoas ao redor do mundo e ainda é fenômeno entre os otaku.

No Amazon Prime Video…

InuYasha the Movie: The Castle Beyond the Looking Glass (2002) – Sunrise

O segundo filme baseado no mangá de Rumiko Takahashi é uma das produções em audiovisual que mais recomendo para a data especial. Carregando muito elementos que conquistaram os fãs de InuYasha e Kagome, o longa-metragem é cheio de momentos marcantes entre o casal protagonista e não tem como não se arrepiar com o final onde…, Opa! Quase um um spoiler!

Com plot inspirado no conto popular japonês da “Princesa Kaguya”, o filme entrega uma boa história que anima não só pelo romance, mas pela aventura. Os outros três filmes da franquia também estão no catálogo do Prime Video então, se ao terminar quiser ver mais é só dar o play!

Wotakoi: Love Is Hard for Otaku (2018) – A-1 Pictures

Se a ideia é curtir o Dia dos Namorados com muita alegria sugiro a comédia romântica baseada no mangá da autora Fujita. Dois casais, um escritório empresarial e um segredo: os quatro são otaku! Juntos eles vivenciam o dia a dia como namorados e otaku e vão perceber que não é tão simples assim manter um relacionamento quando os gostos uns dos outros parecem tão estranhos.

Embora possa não parecer, Wotakoi é cheio de momentos fofos que fazem o coração disparar e que não tem como não assistir os dez episódios em um tiro só, além de se identificar (caso seja otaku) com Nifumi e Narumi ou Kabakura e Koyanagi em um relacionamento gostoso de cumplicidade e bem querer.

Na Crunchyroll…

Tsuredure Children (2017) – Studio Gokumi

Também na pegada da comédia romântica, Tsuredure Children retrata o dia a dia de jovens estudantes que estão despertando para o romance e mostra diversas cenas engraçadas provocadas pela falta de experiência deles. São diversos casais das mais diferentes personalidades que convivem num mesmo ambiente escolar.

A série tem 12 divertidos episódios com short stories e se divide entre os momentos de flerte e a comicidade da vida adolescente.

Science Fell in Love, So I tried to Prove it (2020) – Zero G

Talvez uma das sensações da primeira metade de 2020, Science Fell in Love é uma comédia divertida que gira em torno dos universitários do Laboratório Ikeda na Universidade de Saitama. Para ser mais preciso, a história destaca o relacionamento amoroso dos mestrandos Shiniya Yukimura e Ayame Himuro que se descobrem apaixonados um pelo outro, mas como verdadeiros cientistas embarcam numa série de experimentos malucos para provar que o sentimento entre eles é real e não algo imaginado.

Também com 12 episódios a série tem um bom clímax na sua reta final que nos faz torcer bastante pelo casal de protagonistas e rir em muitos momentos de suas pesquisas absurdas sobre a comprovação científica do amor e da paixão.

Sing “YESTERDAY” to Me (2020) – Doga Kobo

Em lançamento desde o segundo trimestre do ano, o animê foca nas vivências amorosas de Rikuo Uozumi, Shinako Morinome, Haru Nonaka e Rou Hayakawa. Os quatro são conectados por motivos diversos e precisam se entender para terem seus sentimentos correspondidos. Entre as dúvidas e memórias cada um deles tem motivo para amar outro e mesmo assim parece que nada é fácil para eles quando se pensa em expressar os sentimentos ou ser correspondido.

Embora ainda esteja em lançamento – e com previsão de 18 episódios – indico esse porque é um drama sem tanta comicidade assim (embora um ou outro alívio cômico apareça em alguns episódios) que te faz criar sua torcida pelo personagem que gosta e antipatizar outros por suas indecisões que frustam tanto a si como aos que estão ao redor.

Concluindo…

Com essas sete indicações já da para montar uma rotina bacana para maratonar não só no Dia dos Namorados, mas no fim de semana que se segue. Ah, e mesmo que no momento esteja distante do seu amor por causa da pandemia, basta montar aquela transmissão em grupo e assistirem juntos. O que importa é manter o sentimento vivo e aguardar pelo momento maravilhoso do abraço quando o novo normal se estabelecer.

Até a próxima e… Sayoanara!

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* Essa canção foi composta por John Denver, Bill Danoff e Taffy Nivert em 1971 e lançada na voz de Denver no álbum “Poems, Prayers and Promises”. A faixa ganhou diversas releituras incluindo a versão de 1973 na voz de Olivia Newton-John e uma versão em japonês para Sussurros do Coração (1995) rearranjada por Yuji Nomi com letras de Mamiko Suzuki (filha de Toshio Suzuki) e Hayao Miyazaki, sendo interpretada pela seiyuu Yoko Honna, que dubla a protagonista Shizuku.

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Artigo Otaku | Shounen no Brasil e dados da Crunchyroll

Empresa divulgou dados da audiência do 1º trimestre de 2020.

Nessa semana a Crunchyroll divulgou dados de suas audiência referente à Temporada de Primavera 2020 (que diz respeito aos período Janeiro-Fevereiro-Março) e é possível levantar hipóteses ou constatar algumas coisas ao analisar os os dados compartilhados.

Entre as hipóteses: 1) o consumo não legalizado de animê influencia na métrica; 2) ou o otaku brasileiro ainda não se acostumou a consumir o que vai para além do senso comum no que diz respeito aos animês disponíveis no mercado.

Já entre as constatações: 1) título advindos da demografia shounen seguem sendo muito populares no mundo; 2) o brasileiro não foge a regra e ama muito o shounen.

Vamos entender isso.

PAÍSES COM MAIS VIEWS POR USUÁRIO

O primeiro dado disponibilizado pela Crunchyroll relata que no 1º trimestre de 2020 os dez paízes com o maior número médio de views por usuário foram:

Sistematizando os dados temos 4 países da América do Sul e 2 da América Central (contabilizando 6 da América Latina), 2 países da Europa (Itália e Polônia) e 2 da Ásia (índia e Filipinas). Infelizmente, sem números que quantifiquem o debate e nos ajudem a avaliar isso em relação ao comparativo populacional dos próprios países, o que se pode concluir – ao menos – é que estando disseminado em muitos países e culturas os animês fazem parte da rotina de muita gente.

No entanto, como é o perfil desses consumidores? Provavelmente esses dados levem em conta views por episódio, assim um único usuário pode render muitos views assistindo Naruto, Naruto Shippuden e Boruto: Naruto Next Generation, que juntos ultrapassam a marca de 800 episódios. Da mesma forma, outro usuário pode assistir dez títulos diferentes com número médio de 13 episódios (1 cour predefinido para um trimestre) e contabilizar 130 episódios assistidos sem contar com séries completas maiores ou série grandes ainda em exibição (One Piece, por exemplo).

Sem saber com exatidão quanto usuários há por país ficamos apenas na expectativa de perceber que diferente de nós brasileiros esse público listado gasta muito mais tempo na plataforma, o que pode ser traduzido de duas formas também: a) ou o público brasileiro ainda usa muito pouco o catálogo da Crunchyroll disponível (mesmo com exibição de conteúdo dublado e etc.) e se limita a ´poucos títulos (falaremos disso mais a frente!); 2) ou no fim, comparado ao sempre presente debate de fãs nas redes sociais, o número de assinantes não é tão expressivo como deveria ser para o nosso país.

Prefiro acreditar na opção “a”. Segundo dados da própria empresa sua comunidade de usuários gasta aproximadamente 85 minutos por dia assistindo séries na plataforma. Considerando que um episódio de animê tem em média 23 minutos de duração isso significa que por dia 3,7 episódios são vistos por pessoa (isso pode ser tanto de uma mesma série ou de séries diferentes). Se arrendondarmos para 4 podemos dizer que cerca de 120 episódios são vistos em um mês por uma única pessoa, o que chega bem perto do exemplo citado acima onde um único usuário acompanha no mínimo dez séries diferentes. Mesmo assim não dá para precisar isso já que temos infinitas possibilidades de consumo disponíveis num universo de 50 milhões de usuários para mais de 700 títulos disponíveis.

ANIMES MAIS VISTOS NO INVERNO 2020

Antes de entrar no mérito do Brasil em si, temos um segundo dado que diz respeito aos vinte animês mais vistos pelo plúbico assinante da Crunchyroll (o que inclui os mais de 200 países onde a plataforma está inserida).

Entre os vinte títulos acima listados é imperativo dizer que somente um não pertence a demografia shounen: Re:Zero -Starting Life in Another World-. O título, que entra na lista muito devido a recente disponibilização da versão de corte do diretor Masaharu Watanabe e que conta com episódios com duração aproximada de 50 minutos cada (mais que o dobro da versão inicial), é listado como seinen desde a sua primeira publicação oficial com a light novel lançada pela Media Factory.

Além de Re:Zero cabe destacar que: That Time I Got Reicarnated as a Slime e The Rising of The Shied Hero também são originalmente web novel ou light novel. Além disso, Darling in the Franxx é um animê original (Cloveworks/Studio Trigger), Radiant é baseado em um quadrinho francês (o primeiro a ser publicado no Japão), Welcome to Demon School! Iruma-kun é baseado em um mangá publicado pela Akita Shoten e Mob Psycho 100 é baseado em um mangá publicado pela Shogakukan. Por fim, Attack on Titan é baseado em mangá publicado pela Kodanha. Todos os demais são baseados em mangás licenciados pela editora Shueisha publicados ou em publicação pela revista Weekly Shounen Jump (com exceção de Boruto: Naruto Next Generations, que era publicado na Weekly Shounen Jump até julho do ano passado quando foi transferido para a revista V-Jump também pertencente a editora).

Podemos constatar que o shounen, a partir da premissa Esforço-Amizade-Vitória, mundialmente popularizada pela Weekly Shounen Jump, ainda rende bons frutos no que diz respeito à recepção do público. Saber o porquê dessa preferência não sabemos (e acredito que nem a própria Crunchyroll tenha feito pesquisas junto ao seu público para isso), mas é interessante perceber que mesmo que vejamos essas narrativas serem constantemente questionadas pelas suas repetições, fanservices e demais elementos genéricos ainda são bastantes populares pelo planeta.

Outros fatos interessantes aqui são a presença de Demon Slayer – Kimetsu no Yaiba, que mesmo tendo sido exibido no inverno passado segue sendo popular um ano depois (o que é óbvio dado o hype construído em torno da obra desde então). O mesmo vale para The Rising of Shield Hero que também é do inverno passado e segue popular. Aqui atribuo muito ao fato de a série ser co-produzida pela própria Crunchyroll e propositalmente ter mais material de marketing envolvido nisso em suas plataformas e redes sociais. O comentário sobre essa série em específico se dá pelo fato dela ter sido alvo de muita polêmica durante sua exibição original que dividiu o público entre prós e contrários à animação.

OS MAIS VISTOS DO BRASIL

Mas e no Brasil? O que nosso público assistiu nos três primeiros meses de 2020? Bom, não poderia ser muito diferente do que se viu nos dados mundiais. O shounen segue sendo o preferido dos brasileiros também.

O que se percebe ao avaliar esses dados é que algumas fanbases bem específicas ajudam a construir o cenário do consumo de animês em nosso país ainda com muita propriedade (o que pode ou não ser interessante). É quase que natural que alguns conteúdos considerados hits dentro do metiê otaku se destaquem sobre aqueles mais de nicho (pegando emprestado conceitos usados por Chris Anderson em seu livro A Cauda Longa). No entanto, como isso se torna efetivo para a manutenção do fandom?

A Crunchyroll investe – assim como outras empresas de entretenimento em streaming – em novos títulos diversificados e talvez ainda esteja faltando algo a mais para impulsionar isso. Dentre os dez títulos acima listados apenas quatro estavam com episódios inéditos durante o Inverno 2020 (One Piece, Boruto, My Hero Academia e Black Cover). Isso indica muitos fatores.

Em títulos mais recentes como Demon Slayer – Kimetsu no Yaiba pode significar que a popularização da obra (e aproximação de seu fim no mangá) tenham levado mais pessoas que não viram durante a exibição original verem agora. Mas e no caso de títulos como Naruto Shippuden? O animê encerrou há três anos e mesmo assim segue em alta. É óbvio que esse é um movimento natural onde teremos novos espectadores e mais ainda espectadores antigos revisitando sempre que possível (a questão da afetividade). Só que isso aponta também para uma certa necessidade de se encontrar algo motivador nas novidades lançadas.

A Crunchyroll e as outras até se esforçam trazendo versões dubladas e extras (recentemente muitos OVAs passaram a ser disponibilizados na empresa da princesa ninja), mas ainda depende muito do público despertar para outros caminhos para seu consumo. Nem toda a publicidade e o marketing do mundo vão vencer o boca a boca (ou aquele tweet maroto) que se repete entre indicar sempre os mesmo títulos ou descartar outros.

Nosso mercado editoral, mesmo em crise, contribue bastante para uma mudança de hábitos ao tentar introduzir novos tipos de narrativas advindas do Japão (Boa Noite PunPun, Beastars e a Rosa de Versalhes são alguns exemplos fáceis). Mesmo assim, no Brasil ainda é o animê quem leva o público para o fandom. Sem dúvida nenhuma shounen é bom (não pretendo entrar no mérito de suas tramas genéricas e outras discussões possíveis), contudo é preciso que encaremos uma realidade: se ficarmos consumindo somente isso estaremos sempre na ponta do iceberg do mercado de entretenimento de mídia japonesa.

Quanto as hipóteses listadas no início desse texto, a primeira não tem muita inferência sobre isso. Mesmo quem consome de maneira ilegal deve ter o mesmo perfil. É só considerar que quem fomenta o mercado legalizado um dia já esteve na informalidade (ou ainda está dado diferentes motivos). Já a segunda é mais plausível. O brasileiro ainda não saiu do senso comum e talvez isso possa se dar também por não entender a questão das demografias. Lembre-se: shounen não é um gênero e sim um categoria de mercado adotada no Japão*. Muitas histórias boas podem ser encontradas fora do chapéu denominado shounen sem ferir a personalidade ou maneirismos de ninguém. Se algumas editoras nacionais nos ajudassem a não piorar essa confusão isso seria muito mais fácil (assunto para outra hora!).

Por fim cabe dizer que cada um sabe o que faz com seu dinheiro, tempo e motivação. Quem agradece sempre serão os serviços de streaming, que no fundo querem mesmo é lhes ser úteis não importa para qual finalidade.

Até a próxima e… Sayonara!

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* No episódio #02 do Podcast Otaku eu (Saylon Sousa), Lucas Nash e Otávio de Morais tratamos sobre o tema “Demografias de animês e mangás”. Ouça e entenda mais sobre o assunto. Siga o canal Volts Podcasts no Spotify, Google Podcasts, Apple Podcasts e diversas plataformas.

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