O SELO BLACK DA DC NOS CINEMAS





12/09/2019 - Atualizado às 20:57


Joker tem se tornado um dos filmes mais aguardados de 2019, especialmente após ganhar o prestigioso prêmio de Leão de Ouro como melhor filme no festival de Veneza, sendo a primeira produção do gênero heróis a atingir tal honra. No entanto, o sucesso de Joaquin Phoenix e Todd Phillips nessa produção sobre o Palhaço do Crime podem ganhar proporções imensuráveis, alterando a maneira como a Warner Brothers e a DC arquitetam seus projetos no cinema. Joker, apesar de ser uma propriedade da Detective Comics, não é um filme dentro da continuidade do Universo Compartilhado (DCEU), se passando em seu próprio domínio, fato confirmado essa semana por Phillips, que revelou que seu Coringa e o Batman de Robert Pattison não vão coexistir. Este Joker, na verdade, é o primeiro filme da DC que vai usar o título de DC BLACK.

A DC Black Label é uma proposta dos quadrinhos que surgiu em Setembro de 2018, onde a companhia colocaria seus títulos mais adultos dentro desse rótulo, focando primordialmente em mini-séries, histórias fora da continuidade e os quadrinhos de origem da Vertigo, como Sandman, Lucifer, Watchmen e Y: The Last Man.

A transição do Black Label para o cinema vai depender do sucesso e recepção de Coringa, mas sua lógica vai funcionar assim como nos quadrinhos, focando em histórias individuais, mais adultas e contidas em seu próprio universo, sem a criação de uma franquia em continuidade. Pensando nisso, o Volts resolveu compilar uma série de produções que, dado o inevitável oscar de melhor ator para Phoenix, seriam do mesmo calibre de Coringa, continuando e perpetuando a marca DC Black para a Warner Brothers

  • Superman: Red Son

Red Son apresenta uma premissa simples: o que aconteceria se a nave de Kal-El tivesse pousado na Ucrânia ao invés de Kansa ? Nessa história, publicada em 2003, vemos um Superman sendo criado dentro da União Soviética, se tornando sua maior arma na guerra fria contra os Estados Unidos.

Por conta da natureza do Black Label, uma história de elseworld seria perfeita, elevando o gênero de heróis, na criação de uma trama extremamente politizada e madura que combina elementos da realidade, como a presença de Joseph Stalin e JFK e as ramificações de uma guerra psicológica, ao mesmo tempo que nós dá uma nova perspectiva na origem e essência do maior super herói do mundo. Além disso, por não ser uma produção conectada com o DCEU, aqui poderíamos ver o retorno de Henry Cavill no papel do Homem de Aço, dando ainda mais complexidade para o filme.

  • Capuz Vermelho e os Fugitivos

Seguindo a mesma estrutura de Coringa, essa produção focaria em um personagem que é derivado da mitologia do Batman, ainda que o mesmo não esteja presente. Os Fugitivos seriam baseados em sua versão mais atual, seguindo os quadrinhos de Rebirth (2016), onde vemos um time composto por Bizarro, Artemis e Capuz Vermelho.

Esse filme se tornaria uma alternativa inventiva de introduzir a trinidade original da DC no selo Black, já que cada um dos anti-heróis presentes é uma contraparte, principalmente em ideologia, dos heróis clássicos da DC. Já que essa versão da equipe é conhecida como The Dark Trinity, com Bizarro sendo um clone em espelho de Superman, Artemis uma amazona renegada e Capuz Vermelho, seguindo o legado do Cavaleiro das Trevas, por ser a identidade que o segundo Robin assume ao sair da sombra do Batman. Além disso, pela natureza do título, o selo Black se torna perfeito para que a complexidade e violência do time possa ser explorada de maneira efetiva.

  • Questão

Por apresentar uma base extremamente teológica, questionando até mesmo a própria natureza do seu pensamento por conta de sua crença objetivista, Vic Sage é, provavelmente, o personagem mais indicado para encarnar o real significado por trás do selo Black. O Questão é um agente incansável, lutando contra a corrupção presente no mundo, com uma máscara que o torna sem rosto, representando de maneira brutal e incisiva, que a justiça é anônima e cega, onde os fins sempre justificam os meios.

Além de sua natureza complexa, trabalhando de maneira realista e profunda dentro da paranoia de um conspirador, o Questão é considerado um dos melhores detetives dos quadrinhos, servindo dessa forma como um contraste para o Batman, que apesar de calculista, se restringe a um código moral quando se trata de suas ações.

  • Lobo

Lobo, assim como o Questão, é um personagem que só completamente funcionaria dentro do selo Black. Repaginado por Keith Giffen nos anos noventa, Lobo é uma paródia no significado de herói por ser completamente amoral, violento e sem limites e sendo um mercenário que não se importa com seu alvo, matando sem dó ou piedade, para conquistar a recompensa no final.

Sendo um personagem tão gráfico e impressível, por apresentar alcoolismo e tabagismo de maneira exagerada, Lobo somente funcionaria do Universo Black, onde não seria preso por restrições quanto uma classificação indicativa. Além disso, o caçador de recompensas exploraria um lado mais sádico, focando em um humor malpropício, que diverge fortemente com a marca já estabelecida no DCEU. Por fim, Lobo é uma forma de expandir a marca da DC, consolidando uma audiência mais adulta.

  • A Liga de Cavalheiros Extraordinários

Dando uma nova perspectiva em personagens clássicos da literatura, como Sherlock Holmes, Dorian Gray, Drácula, 20.000 Léguas Submarinas, Frankenstein, essa propriedade dá Vertigo já é presente no selo DC Black nos quadrinhos. Criado pelo lendário Alan Moore em 1999, tem a premissa da criação da Liga de Cavalheiros Extraordinários, um time sobrenatural composto de figuras conhecidas da literatura que, nos eventos da morte da rainha, trabalharia de maneira independente de órgãos governamentais para com os interesses da coroa britânica.

Uma nova produção desse título, após o controverso filme em 2003, seria uma forma de desenvolver uma conexão entre o selo Black dentro dos quadrinhos, com essa nova divisão de filmes. Além disso, a presença da Liga seria uma forma de idolatrar o trabalho de Moore, que é um dos maiores contribuintes não somente para o universo da DC, mas para o legado de quadrinhos e heróis no geral.

  • Y: The Last Man

Mais uma das propriedades famosas derivadas da Vertigo, Y: The Last Man seria uma forma de diversificar o selo Black dentro dos cinemas, saindo da continuidade principal de personagens da DC. Aqui somos introduzidos a um futuro apocalíptico, onde o cromossomo Y está em extinção, com todos os homens morrendo de maneira misteriosa, tornando Yorick Brown o último de sua espécie vivo. Com uma base mais científica, abrangendo a marca Black nos cinemas, essa produção se tornaria perfeita para expandir a temática de super heróis, dando mais dimensão para o gênero.

Além disso, Y é mais desconectado ainda das propriedades da DC, criando a oportunidade em capitalizar em cima do título e desenvolver a primeira trilogia de filmes dentro do Universo Black.

  • Batman do Futuro

Por fim, essa nova dinâmica se torna a oportunidade perfeita para a DC expandir sua marca em todos os aspectos, criando o local perfeito para um filme animado focado em Terry McGinnis, o Batman do Futuro. Além de elevador o nível de suas, já celebradas, animações explorando estéticas novas dentro do gênero, se apoiando nos estilos cyberpunk e ultra tecnológico já presentes no título, Batman Beyond também serve de contraste para os eventos do Coringa de Phoenix e Phillips, que se passam no passado.

Pela DC já apresentar uma digna reputação quando se trata de animações e contando com a nostalgia aclamação da série animada, essa produção com foco em uma distribuição teatral se tornaria a carta na manga do selo Black, sendo a oportunidade da companhia conquistar de vez um território que a mesma já domina.