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O que a compra da Fox pela Disney muda no mundo do entretenimento

A justiça norte-americana aprovou a compra e o primeiro semestre de 2019 já promete trazer mudanças.

Foto: Reprodução/Internet.

A compra da Fox pela empresa do ratinho mais famoso do mundo foi aceita pela justiça norte americana, num valor simbólico de US$ 71 milhões, além do pagamento de antigas dívidas da Fox. Agora, a pergunta que todos estão se fazendo é: mas o que vai acontecer com a Disney? E com a Fox?

A Disney, mundialmente conhecida por seu cardápio infantil, tem se tornado a maior potência no entretenimento mundial, cheio de clássicos, além de todo seu poder com a Marvel Studios – e seu acervo de filmes uber lucrativos, como os dos heróis de Vingadores – além da Lucasfilm, adquirida em 2012, que dá direito aos estúdios do Mickey em franquias como Star Wars e Indiana Jones.

Vale ressaltar, ainda, que antes mesmo de todas essas aquisições, a Disney já era uma potência quase imbatível, sendo a dona da Pixar – responsável por animações como Os Incríveis, Monstros S.A, Toy Story, Procurando Nemo e Carros –, além de já ter franquias como Piratas do Caribe.

Outro filão que a empresa vem investindo são nas versões live-action de suas clássicas animações. Tudo começou com Malévola (2014), seguido de Cinderela (2015), Mogli – O Menino Lobo (2016) e A Bela e a Fera (2017), além da estreia de O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos, em novembro deste ano. E a empresa promete não parar aí, trazendo O Rei Leão, Dumbo, Aladdin e Mulan, a partir de 2019.

Ao comprar a Fox, a Disney possui agora toda a biblioteca de cinema da 20th Century Fox e igualmente seus derivados na TV, no braço de animação e no cinema independente. Sabe o que isso significa? Franquias como Alien, Planeta dos Macacos, Os Simpsons, Avatar, A Era do Gelo, Quarteto Fantástico, X-Men, American Horror Story, As Crónicas de Nárnia, Rio, Uma Noite no Museu, This Is Us, Maze Runner, Alvin e os Esquilos, How I Met Your Mother, e diversos (e pões diversos) outros títulos super conhecidos fazem parte da empresa do Walter Elias Disney.

O que resta da Fox?

Nem tudo é de propriedade da empresa das orelhinhas. A Fox manterá as redes e estações da Fox Broadcasting, os canais Fox News, Fox Business Network, Fox Sports 1 e 2 e Big Ten Network. A justiça determinou isso por conta de achar que, se a Disney também possuísse todos esses canais, como exemplo dos esportivos, se tornaria cartel.

A Disney já é dona da ESPN, e, sendo dona da Fox Sports, ela teria em suas mãos os canais esportivos mais assistidos da América. Por conta disso, será consolidado na forma de uma nova e independente companhia, a princípio chamada New Fox.

No Brasil, o sumiço dos canais Fox ocorrerá em até sete anos, segundo o contrato. Mas, aposta-se que isso ocorrerá bem antes. Entre os canais de que a marca Fox dispõe no país, estão campeões de audiência da TV paga, como a própria Fox e o Fox Sports. Como dito, nos Estados Unidos a Fox vai continuar com seus principais canais em operação, segundo prevê o acordo de venda. No Brasil e nos demais países da América Latina, os canais da empresa serão descontinuados e substituídos por marcas pertencentes à Disney que operam no mesmo tipo de negócio.

O que acontece com a Disney sendo dona de quase todo o Hulu e querendo lançar seu próprio streaming?

Antes do acordo, Disney e Fox detinham, cada uma, 30% das ações do serviço de streaming Hulu. Agora, 60% pertencerá à Disney, mais do que os concorrentes Comcast/NBCUniversal (30%) e Time Warner (10%).

Com mais de 20 milhões de assinantes, o Hulu é uma das principais forças do mercado de streaming, que ainda é dominado pela Netflix. Mas o monopólio da Netflix pode mudar, em breve, já que a Disney pretende retirar suas obras do catálogo e inserir em sua própria rede de filmes e séries sob demanda.

A empresa já confirmou que está fazendo investimentos para o Disney Play, que teria em seu catálogo todos seus filmes originais, bem como tudo que pertencer à Marvel e à Lucasfilm. Agora com 20th Century Fox e Fox Searchlight, as obras pertencentes a ambos estúdios também poderiam vir a integrar a biblioteca deste serviço.

De imediato, não haverá mudanças entre a Disney e o já consagrado Hulu, já que o acordo que a empresa mantém com o streaming impede quaisquer mudanças estruturais.

Bob Iger, CEO da Disney, vem afirmando aos investidores que pretende manter ambas as iniciativas separadas, com o Hulu focando em séries adultas e o serviço próprio da Disney se baseando em conteúdo para famílias. “Ter um terço do Hulu foi ótimo, mas ter o controle vai nos permitir inseri-lo ainda mais neste campo e torná-lo um competidor ainda maior às demais empresas que atuam na área. Nós poderemos fazer isso não apenas adicionando mais conteúdo ao Hulu, mas também tornando sua administração mais clara, eficiente e eficaz”, declarou.

Cerca de 1,58 bilhões de dólares foram desembolsados pela empresa ainda em 2017 para adquirir a maior parte da BAMTech, uma plataforma de streaming ao vivo. Iger enfatizou que o streaming é o formato de consumo que vem se tornando prioridade para a sua companhia. É também neste serviço que a Disney estuda distribuir conteúdos de forma ao vivo, que eram transmitidos na TV paga brasileira, como a Libertadores, já que o canal esportivo da Fox no Brasil (e toda América Latina) será descontinuado.

Como a mídia, entretenimento e empregados são afetados?

Investidores afirmam que, em números, a Disney deve dominar certa de 1/3 da indústria do entretenimento mundial, até o final de 2019. Ainda assim, cinco grandes estúdios têm a capacidade de competir com ela, sendo a Time Warner sua maior rival.

Os gigantes do entretenimento têm feito o esquema Disney+Fox para tentar, dessa forma, se consolidar e crescer tendo direito a conteúdos já consagrados. A NBCUniversal, por exemplo, foi comprada pela Comcast por US$13 bilhões. A Lionsgate comprou a Starz no início de 2017. AT&T comprou a DirectTV em 2015, desembolsou de US$85,4 bilhões para comprar a Time Warner.

As companhias de pequeno e médio porte vão ficando sem muitas opções tendo que se unir a estúdios maiores. Isso pode acarretar numa variedade menor de filmes, como os independentes, e realização de menos obras de orçamento médio.

Além desse ponto negativo, a empresa, em comunicado oficial a imprensa, afirma que “espera-se que a aquisição renda pelo menos dois bilhões de dólares em economia de custos através da união das empresas”.

Isso significa que podemos esperar cerca de dois bilhões de dólares em corte de empregos por empregados da Fox. Dois bilhões divididos por incontáveis salários significa que muita gente deve ficar desempregada.

O que Hollywood pensa sobre isso?

Alguns cineastas apoiam a união, principalmente aqueles voltados ao mundo dos super-heróis, principalmente no universo da Marvel. Outros, como Mark Millar, criador de Kick-Ass e Kingsman, expressam preocupação.

O Writers Guild of America, organização que representa os roteiristas de filmes, séries e também programas radiofônicos, declarou em uma carta aberta que se opõe a união das empresas. Na carta, é frisado que o negócio será prejudicial, com roteiristas tendo cada vez mais dificuldade em conseguir salários dignos, e esta é uma batalha que eles vêm travando em Hollywood há anos.

Segundo trecho da carta:

“Na incansável tentativa de eliminar a concorrência, as grandes empresas têm um apetite insaciável. A Disney e a Fox passaram décadas beneficiando do controle oligopolista que os seis principais conglomerados de mídia exerceram sobre a indústria do entretenimento, muitas vezes à custa dos criadores que impulsionam suas operações de televisão e cinema. Agora, essa fusão de concorrentes diretos tornará as coisas ainda piores, aumentando substancialmente o poder de mercado de uma corporação deste porte. As preocupações antitruste levantadas por este acordo são óbvias e significativas. O Writers Guild of America opõe-se fortemente a esta fusão e trabalhará para garantir a aplicação das leis antitruste da nossa nação”.

Para bens e males, apenas o tempo será o responsável por nos mostrar quais as consequências físicas que o mundo sofrerá com a união de duas grandes potências do entretenimento.

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