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O que a compra da Fox pela Disney muda no mundo do entretenimento

A justiça norte-americana aprovou a compra e o primeiro semestre de 2019 já promete trazer mudanças.

Foto: Reprodução/Internet.

A compra da Fox pela empresa do ratinho mais famoso do mundo foi aceita pela justiça norte americana, num valor simbólico de US$ 71 milhões, além do pagamento de antigas dívidas da Fox. Agora, a pergunta que todos estão se fazendo é: mas o que vai acontecer com a Disney? E com a Fox?

A Disney, mundialmente conhecida por seu cardápio infantil, tem se tornado a maior potência no entretenimento mundial, cheio de clássicos, além de todo seu poder com a Marvel Studios – e seu acervo de filmes uber lucrativos, como os dos heróis de Vingadores – além da Lucasfilm, adquirida em 2012, que dá direito aos estúdios do Mickey em franquias como Star Wars e Indiana Jones.

Vale ressaltar, ainda, que antes mesmo de todas essas aquisições, a Disney já era uma potência quase imbatível, sendo a dona da Pixar – responsável por animações como Os Incríveis, Monstros S.A, Toy Story, Procurando Nemo e Carros –, além de já ter franquias como Piratas do Caribe.

Outro filão que a empresa vem investindo são nas versões live-action de suas clássicas animações. Tudo começou com Malévola (2014), seguido de Cinderela (2015), Mogli – O Menino Lobo (2016) e A Bela e a Fera (2017), além da estreia de O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos, em novembro deste ano. E a empresa promete não parar aí, trazendo O Rei Leão, Dumbo, Aladdin e Mulan, a partir de 2019.

Ao comprar a Fox, a Disney possui agora toda a biblioteca de cinema da 20th Century Fox e igualmente seus derivados na TV, no braço de animação e no cinema independente. Sabe o que isso significa? Franquias como Alien, Planeta dos Macacos, Os Simpsons, Avatar, A Era do Gelo, Quarteto Fantástico, X-Men, American Horror Story, As Crónicas de Nárnia, Rio, Uma Noite no Museu, This Is Us, Maze Runner, Alvin e os Esquilos, How I Met Your Mother, e diversos (e pões diversos) outros títulos super conhecidos fazem parte da empresa do Walter Elias Disney.

O que resta da Fox?

Nem tudo é de propriedade da empresa das orelhinhas. A Fox manterá as redes e estações da Fox Broadcasting, os canais Fox News, Fox Business Network, Fox Sports 1 e 2 e Big Ten Network. A justiça determinou isso por conta de achar que, se a Disney também possuísse todos esses canais, como exemplo dos esportivos, se tornaria cartel.

A Disney já é dona da ESPN, e, sendo dona da Fox Sports, ela teria em suas mãos os canais esportivos mais assistidos da América. Por conta disso, será consolidado na forma de uma nova e independente companhia, a princípio chamada New Fox.

No Brasil, o sumiço dos canais Fox ocorrerá em até sete anos, segundo o contrato. Mas, aposta-se que isso ocorrerá bem antes. Entre os canais de que a marca Fox dispõe no país, estão campeões de audiência da TV paga, como a própria Fox e o Fox Sports. Como dito, nos Estados Unidos a Fox vai continuar com seus principais canais em operação, segundo prevê o acordo de venda. No Brasil e nos demais países da América Latina, os canais da empresa serão descontinuados e substituídos por marcas pertencentes à Disney que operam no mesmo tipo de negócio.

O que acontece com a Disney sendo dona de quase todo o Hulu e querendo lançar seu próprio streaming?

Antes do acordo, Disney e Fox detinham, cada uma, 30% das ações do serviço de streaming Hulu. Agora, 60% pertencerá à Disney, mais do que os concorrentes Comcast/NBCUniversal (30%) e Time Warner (10%).

Com mais de 20 milhões de assinantes, o Hulu é uma das principais forças do mercado de streaming, que ainda é dominado pela Netflix. Mas o monopólio da Netflix pode mudar, em breve, já que a Disney pretende retirar suas obras do catálogo e inserir em sua própria rede de filmes e séries sob demanda.

A empresa já confirmou que está fazendo investimentos para o Disney Play, que teria em seu catálogo todos seus filmes originais, bem como tudo que pertencer à Marvel e à Lucasfilm. Agora com 20th Century Fox e Fox Searchlight, as obras pertencentes a ambos estúdios também poderiam vir a integrar a biblioteca deste serviço.

De imediato, não haverá mudanças entre a Disney e o já consagrado Hulu, já que o acordo que a empresa mantém com o streaming impede quaisquer mudanças estruturais.

Bob Iger, CEO da Disney, vem afirmando aos investidores que pretende manter ambas as iniciativas separadas, com o Hulu focando em séries adultas e o serviço próprio da Disney se baseando em conteúdo para famílias. “Ter um terço do Hulu foi ótimo, mas ter o controle vai nos permitir inseri-lo ainda mais neste campo e torná-lo um competidor ainda maior às demais empresas que atuam na área. Nós poderemos fazer isso não apenas adicionando mais conteúdo ao Hulu, mas também tornando sua administração mais clara, eficiente e eficaz”, declarou.

Cerca de 1,58 bilhões de dólares foram desembolsados pela empresa ainda em 2017 para adquirir a maior parte da BAMTech, uma plataforma de streaming ao vivo. Iger enfatizou que o streaming é o formato de consumo que vem se tornando prioridade para a sua companhia. É também neste serviço que a Disney estuda distribuir conteúdos de forma ao vivo, que eram transmitidos na TV paga brasileira, como a Libertadores, já que o canal esportivo da Fox no Brasil (e toda América Latina) será descontinuado.

Como a mídia, entretenimento e empregados são afetados?

Investidores afirmam que, em números, a Disney deve dominar certa de 1/3 da indústria do entretenimento mundial, até o final de 2019. Ainda assim, cinco grandes estúdios têm a capacidade de competir com ela, sendo a Time Warner sua maior rival.

Os gigantes do entretenimento têm feito o esquema Disney+Fox para tentar, dessa forma, se consolidar e crescer tendo direito a conteúdos já consagrados. A NBCUniversal, por exemplo, foi comprada pela Comcast por US$13 bilhões. A Lionsgate comprou a Starz no início de 2017. AT&T comprou a DirectTV em 2015, desembolsou de US$85,4 bilhões para comprar a Time Warner.

As companhias de pequeno e médio porte vão ficando sem muitas opções tendo que se unir a estúdios maiores. Isso pode acarretar numa variedade menor de filmes, como os independentes, e realização de menos obras de orçamento médio.

Além desse ponto negativo, a empresa, em comunicado oficial a imprensa, afirma que “espera-se que a aquisição renda pelo menos dois bilhões de dólares em economia de custos através da união das empresas”.

Isso significa que podemos esperar cerca de dois bilhões de dólares em corte de empregos por empregados da Fox. Dois bilhões divididos por incontáveis salários significa que muita gente deve ficar desempregada.

O que Hollywood pensa sobre isso?

Alguns cineastas apoiam a união, principalmente aqueles voltados ao mundo dos super-heróis, principalmente no universo da Marvel. Outros, como Mark Millar, criador de Kick-Ass e Kingsman, expressam preocupação.

O Writers Guild of America, organização que representa os roteiristas de filmes, séries e também programas radiofônicos, declarou em uma carta aberta que se opõe a união das empresas. Na carta, é frisado que o negócio será prejudicial, com roteiristas tendo cada vez mais dificuldade em conseguir salários dignos, e esta é uma batalha que eles vêm travando em Hollywood há anos.

Segundo trecho da carta:

“Na incansável tentativa de eliminar a concorrência, as grandes empresas têm um apetite insaciável. A Disney e a Fox passaram décadas beneficiando do controle oligopolista que os seis principais conglomerados de mídia exerceram sobre a indústria do entretenimento, muitas vezes à custa dos criadores que impulsionam suas operações de televisão e cinema. Agora, essa fusão de concorrentes diretos tornará as coisas ainda piores, aumentando substancialmente o poder de mercado de uma corporação deste porte. As preocupações antitruste levantadas por este acordo são óbvias e significativas. O Writers Guild of America opõe-se fortemente a esta fusão e trabalhará para garantir a aplicação das leis antitruste da nossa nação”.

Para bens e males, apenas o tempo será o responsável por nos mostrar quais as consequências físicas que o mundo sofrerá com a união de duas grandes potências do entretenimento.

Artigo Otaku

Artigo Otaku | Eterna paixão por katanas (Parte 02)

Na parte final deste artigo destacamos os samurais em mangás e animês

A representatividade da katana enquanto símbolo de honra e justiça, como também de dominação e crueldade, se desmembrou em muitos produtos midiáticos japoneses. Em sua maioria, esses produtos reverenciam o primeiro conjunto de elementos representativos que a arma (e seus possuidores) detém, e contribuíram para a formação de um imaginário forte sobre os samurais.

No universo dos mangás e animês isso não poderia ser diferente. Não é nada incomum nos depararmos com cosplayers em eventos geek portando itens de figurino simulando espadas – em especial as katanas – vestidos com costumes referentes à moda e o estilo dos samurais do medievalismo nipônico.

Diversas são as obras que giram em torno dos samurais no universo aqui destacado, por motivos de objetividade, esse artigo discorrerá sobre dois, uma para cada área:

Mangá

Sendo das duas aqui em destaque a mídia mais antiga, o mangá nasce com caráter de representação histórica, embora se molde nos valores da sátira e da ficção. Os traços em ukiyo-e de Katsushika Hokusai em seu Hokusai Manga são considerados os precursores do formato. Contudo, o mangá como conhecemos hoje sofreu muita influência do estilo ocidental de quadrinização – destaque para o norte-americano – o que ajudou a popularizar elementos como o excesso de sobriedade em seus quadros e elementos.

O mangá com aspirações ao jidaigeki e ao kengeki [ver artigo anterior] faz uso articulado de cenas fortes de combate incluindo mutilações e sangue em larga escala. Isso por buscar a realidade na narrativa quanto à concepção de perigo existente ao redor de uma katana. A aura de tensão, violência é retratada em quadros densos com elementos visuais simétricos seguindo disposições geométricas como diagonalização e triangulação para fazer o uso do recurso da velocidade. A katana está sempre pronta para cortar, não importa a circunstância.

Tais construções são apreciadas em obras como Lobo Solitário (Kazue Koike e Goseki Kojima), publicado originalmente entre 1970 e 1976 e rendendo derivações em filmes, peças de teatro e série de TV. Numa história de traição e vingança, o samurai Itto Ogami é desafiado a viver como um assassino ao mesmo tempo que educa seu filho de 3 anos, Daigoro, sobre a realidade do mundo onde vivem.

Quadro do mangá Lobo Solitário de Kazue Kike (roteiro) e Goseki Kojima (arte). No Brasil o mangá é publicado pela Panini Comics.

Numa concepção do que antes ficou conhecido como gekigá, o mangá Lobo Solitário talvez seja a principal obra do segmento a dar vazão ao imaginário dos samurais de uma forma crua. Caminho não seguido por Takehiko Inoue e seu Vagabond (1999 – Presente) que baseado no romance Musashi de Seiji Yoshikawa reconta as aventuras do lendário Musashi Miyamoto. Com uma romantização da história, o jidaigeki dá lugar ao kengeki numa promoção de um samurai mais heroico.

Vaganbond, ainda em publicação, é reconhecido com um dos grandes trabalhos japoneses no universo dos quadrinhos, mas nos dias de hoje peca pela sua própria grandiosidade. Desde 2015 não há o lançamento de um novo volume (atualmente no 37) e o hiato chama a atenção dos fãs que temem por um “final” sem conclusão caso algo aconteça com Inoue-sensei.

Quadros do mangá Vagabond de Takehiko Inoue. No Brasil o mangá já foi publicado pela Conrad Editora e Nova Sampa, ambas as publicações canceladas. Atualmente a Panini Comics detém os direitos de publicação.

Animê

O derivado natural da arte mangá, o animê, popularizou-se mundialmente com as inovações técnicas propostas por Osamu Tesuka na década de 1960. Entre suas demografias e temas diversificados como o isekai e o mecha, por exemplo, a presença de narrativas relacionadas ao jidaigeki ou ao kengeki sempre esteve mais diluída em personagens do que em universos em si.

Não que sejam poucos os animês que giram em torno dos samurais, mas o comum mesmo é encontramos esses personagens retratados ou estereotipados dentro de outras tramas (mundo ninja, distopias etc). Animês como Bleach (baseado no mangá homônimo de Tite Kubo) resignificam a imagem do samurai através de outros contextos mais folclorizados da própria cultura japonesa ao representá-los como os shinigamis (Deuses da Morte).

Samurai 7, versão animada do clássico de Akira Kurosawa – Os Sete Samurais – ganha um ar mais tecnológico (quase um steampunk) com as katanas sendo projetadas para cortar grandes robôs e naves de batalha. Mesmo assim, é o elemento do clássico que sempre recoloca essas personagens em voga.

Em 2019, percebemos isso através de dois animês: Dororo e Kimetsu no Yaiba.

O primeiro é um remake da versão animada dirigida por Gisaborou Sugii (Super Campeões e Street Fighter II V) feita 50 anos atrás em adaptação da obra de Osamu Tesuka. Produzida pelo estúdio MAPPA em parceria com a Tekuza Productions, reaproxima o animê do público ao abrilhantar a trama com uma paleta de cores que perpassa pelo pastel e o cinza.

Hyakkimaru, protagonista sombrio do animê Dororo (2019)

Na trama, somos apresentados ao jovem Hyakkimaru que vive em busca de recuperar os membros de seu corpo entregues à demônios por seu pai. Ao lado da jovem Dororo ele viaja por um Japão feudal pobre e habitado por criaturas místicas. Suas katanas estão acopladas em seus braços postiços e são armas letais para demônios e qualquer em seu caminho.

Já o segundo animê citado, Kimetsu no Yaiba, apresenta os esforços do jovem Tanjirou em se tornar um exterminador de onis (demônios mitológicos japoneses, espécie de ghoul) a fim de resgatar sua irmã que tornou-se um oni após sua família ser massacrada por um membro dessa espécie maligna.

Onis e samurais são o tema principal de Kimetsu no Yiaba (2019)

A transição de cenários tradicionais e de modernização da Era Taisho são o plano de fundo de uma animação com elementos sombrios e uma boa dose de comédia e discursos de amizade. Elementos bem populares em shonnen mangás.

Esse apelo do samurai é presente mesmo em mangás onde a trama gira em torno de outros elementos. É o caso de One Piece, a obra em mangá mais vendida do mundo, onde finalmente o animê entra no arco do País de Wano, todo ambientado num Japão feudal com samurais e crises políticas envolvendo o xogunato. Muito pano para mangá!

Concluindo…

Falar sobre a presença das katanas e dos samurais no universo dos mangás e animês proporciona um diálogo sem fim. Isso porque ao lembramos como essas figuras foram obscurecidas justamente pelo seu papel nada glorioso na história do povo japonês. Impositivos, os samurais ostentavam o poder pela força e pela crueldade mascarando tudo nos discursos de honra e lealdade que se propagaram em escritos como o Livro dos Cinco Anéis de Musashi Miyamoto.

Um discurso cheio de falácias que escondia o lado perverso dos portadores das katanas que saqueavam os pobres vilarejos com a desculpa de custeio de guerras para proteção de territórios. Vivendo no luxo, esses samurais eram símbolo de corrupção e não de salvação para o povo.

Mesmo assim, o japoneses hoje celebram a figura como um herói nacional. Talvez numa tentativa de apagar seu próprio passado sombrio e relembrá-lo como algo nostálgico, simbólico.

Isso por sua vez acaba resignificando a imagem original dos samurais para quem é de fora, como nós, que nos apaixonamos por suas narrativas heroicas e sublimes em meio a guerra e ao terror. Algo a se pensar.

Até a próxima e… Sayonara!

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Volts Pride | Relembre 14 personagens LGBTQs dos jogos eletrônicos

Celebre o mês do orgulho LGBTQ+ com alguns ícones dos jogos digitais.

Aos poucos o mundo gamer têm trabalhado de forma mais eficiente e representativa as questões de gênero. Os esteriótipos, marginalizações e “hiperssexualizações”, aos poucos, somem. Ainda não estamos no ponto ideal, claro, mas é um passo em direção ao rumo certo. E para celebrar o mês do orgulho LGBTQ+, reunimos, nessa lista, alguns dos personagens que conquistaram corações e fãs por todo o mundo. Segue a lista:

1.DORIAN PAVUS

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Lenda de Dragon Age: Inquisition e que, apesar de ser um poderoso mago e fiel companheiro da inquisição, sofre preconceito dentro de sua família conservadora. No jogo, o protagonista possui a chance de criar um relacionamento com o personagem, que irá explorar ainda mais as nuances da homofobia existente em Thedas.

2. ELLIE

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Interpretada pela atriz Ashley Johnson, Ellie, além de ser um ícone LGBTQ+, é uma peça fundamental para a trama de The Last of Us. Também já é prometido que a personagem seja a protagonista do segundo capítulo da franquia, que infelizmente ainda não possui data de lançamento.

3. KUNG JIN

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Protagonista de Mortal Kombat X, Kung Jin é primo de Kung Lao, que utiliza o arco e flecha como principal arma. Sua sexualidade foi tratada de maneira sutil na trama do jogo, mas, ainda sim, é representativa e impactante. Estamos no aguardo de seu retorno.

4. TRACER

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Ícone de Overwatch e uma das personagens mais amadas do jogo, Tracer, quando não salva o mundo, divide a vida (e um apartamento) com a sua namorada, Emily. A Blizzard declarou: “Tracer é lésbica. Assim como na vida real, sentimos que a variedade nos nossos personagens e as suas identidades ajudam a criar um universo de ficção muito mais rico e profundo“.

5 e 6. BLOODHOUND E GIBRALTAR

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Pouco após ser lançado, a companhia Respawn revelou que dois personagens de Apex Legends são LGBTQs. O primeiro, Gibraltar, é homossexual, inclusive um ex-namorado do personagem é citado no site oficial do jogo. Já Bloodhound é não-binário, ou seja, não se identifica com um gênero em específico.

6 e 7. AS TRACIS

Militância em forma de jogo, Detroit: Become Human retrata diversos tópicos sociais, como escravidão, racismo e, também, questões de gênero. Em um dado segmento do jogo, o protagonista Connor encontra duas divergentes (androides que se opõem às imposições de seus criadores humanos e buscam liberdade) lésbicas, que apenas desejam ficar juntas. A escolha, sobretudo, é nossa.

8 e 9. MAX E CHLOE

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Além de tratar temas como bullying e a depressão, Life is Strange pincela uma relação muito mais do que colorida entre Max e Chloe. Aliás, a trama do jogo centra-se principalmente em ambas e, independente de nossas ações no curso do jogo, o apreço entre as duas permanece intocável.

10. ANTHONY PRINCE

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Popularmente conhecido como Gay Tony, Anthony Prince é um empresário e dono de diversas casas noturnas em Liberty City. Além disso, seu arco narrativo em GTA IV dá nome a expansão do jogo, chamada The Ballad of Gay Tony.

11. LIARA T’SONI

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Além de incluir personagens LGBTQs, a Bioware também cria toda uma raça que sequer possui conceitos de gênero. As Asari, assim como a doutora Liara T’Soni, possuem uma aparência feminina, mas são de gênero único e podem se relacionar com outras raças do universo de Mass Effect.

12. IRON BULL

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Um Qunari e pansexual assumido, Iron Bull é um dos principais personagens de Dragon Age: Inquisition. E, assim como Dorian, ele também é uma opção de relacionamento para o protagonista do jogo. Além de líder nato do seu esquadrão, acolhe e protege o soldado trans Krem de qualquer um que ousar questioná-los ou enfrentá-los.

13. SOLDADO 76

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Soldado 76, ou Jack para os íntimos, contou um pouco sobre o seu ex-namorado Vincent no último conto oficial de Overwatch, Bastet. Um ponto interessante sobre o personagem é que ele está na casa dos 50 anos de idade, uma representatividade LGBTQ+ incomum nos jogos e mídias em geral.

14. CIRI

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Apesar de preferir mulheres, Ciri deixa clara a sua bissexualidade em The Witcher 3: Wild Hunt. No livro, a qual o jogo se baseia, as suas relações são ainda mais exploradas, principalmente com outras mulheres.

Qual desses personagens é o seu favorito?

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Chernobyl e a narrativa dramática como alerta social

Qual o preço das mentiras?

Foto: Divulgação/HBO

Chernobyl, a nova minissérie da HBO, veio para tocar em feridas jamais cicatrizadas e falar sobre as nossas grandiosas e falhas tentativas em alcançar um poder divino, este que jamais será nosso.

Muito mais que bem-vinda, ainda mais em tempos que enfrentamos as consequências do recente desastre de Brumadinho, a produção não falha em exibir, com tanta verossimilhança, a tragédia que ocorrera em 26 de abril de 1986.

Distantes em tempo e lugar, talvez não entendemos hoje o impacto do acidente, este que é pouco explorado nas aulas de escolas, mas muito utilizado para ficções trashs do cinema sem muita criatividade.

Mas, se o mundo tentava apagar os seus erros com fantasias absurdas, Chernobyl da HBO retorna aos momentos críticos do acidente para nos revelar verdades temíveis sobre usinas nucleares e governos corruptos.

A minissérie, aliás, não nos poupa em detalhes técnicos (mas fáceis de serem absorvidos) e histórias trágicas de cada um dos envolvidos com o acidente nuclear e o ecossistema em seu entorno. Além disso, nos mostra com clareza o quanto somos frágeis aos olhos dos políticos e empresários, que tomam decisões diárias que moldam nossas vidas e futuros.

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Em cinco episódios, Chernobyl nos conta sobre todos os problemas ocorridos antes, durante e depois do acidente, e encerra-se nos revelando os números finais da área e população afetada pela tragédia: 2.600 km quadrados contaminados por radiação; 300 mil pessoas despejadas de suas casas; e entre 4.000 e 93.000 mil mortos (para o governo soviético foram apenas 31). Mas, de fato, não são os números que nos contam, na minissérie, o impacto das perdas na cidade de Pripyat (local do acidente) e uma significativa parte da ex-União Soviética.

Aliás, esses números, que estão disponíveis na internet há muito tempo, não nos revelam a dor do sacrifício, do adeus a um filho que nunca abrirá os olhos, ou de toda uma história familiar sendo sucumbida debaixo do seu nariz, quando não está sendo silenciada por um governo corrupto que almeja acobertar radiação com mentiras.

Os números, por mais que sejam colossais, talvez não representem com clareza certos sentimentos que, para cada um, é avassalador em sua própria maneira. Aliás, lidamos e enfrentamos diversos dilemas e obstáculos diariamente, dos pessoais aos familiares. Então, se tudo isso já nos corrói em lutas mais frequentes que o ideal, o quão doloroso é um desastre como o de Chernobyl. O quanto uma tragédia pode desequilibrar nossas vidas em tantas e diferentes maneiras?

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A representação cinematográfica da minissérie, diante de uma fotografia estupenda e gloriosa, uma trilha com atritos e ruídos que nos fornecem a sensação crível da tragédia, além de atuações majestosas e dignas de Emmy, nos faz ficarmos ainda mais próximos do acidente que apenas desejamos repelir, tamanho os horrores.

Mas acima de tudo, entender com a produção, as consequências dos atos falhos humanos e da insaciável busca política pelo poder de Deus. Como toda uma tragédia, como a de Chernobyl – mas também muitas outras -, afeta milhares, ao mesmo tempo em que afeta cada singela vida ao seu alcance de uma forma única e devastadora, isso quando não a destrói. E, além das vidas humanas, todo um ecossistema: animais, árvores, rios, etc. Seres inocentes, além do imaginário, que sofrem sua própria e pessoal espiral de horrores diante de um único evento.

Esse impacto narrativo nos alerta sobre uma verdade facilmente negligenciada. Anos se passaram, por que ainda se preocupar? Nada mais acontecerá? Essa falsa certeza, que nos carrega diariamente, e que um dia foi a certeza de alguns engenheiros em Chernobyl, pode ser, de uma dia para o outro, quebrada mais uma vez.

E como foi no Brasil. Com a barragem de Mariana e a de Brumadinho. E o que pensamos? Acabou? Não se repetirá? E as nossas usinas? Sim, nós temos 2 (e uma terceira a caminho). Elas também não são passíveis das falhas e ganâncias humanas?

Chernobyl, que até a pouco tempo era um mero instrumento de entretenimento, voltou na forma de minissérie para nos alertar que a ameaça é real e contínua. Se as consequências da tragédia de Pripyat persistem até hoje, e por muito tempo continuará, é porque facilmente cedemos às mentiras e ilusões.

Mas, talvez, se a tragédia não tenha sido o bastante para nos acordar, produções como a de Chernobyl possam nos mostrar e nos fazer (re)viver uma experiência insuperável, que nos faça lembrar o valor inimaginável de uma vida e o custo das mentiras. Aliás:

“A verdade não se importa com o que queremos. Não se importa com nossos governos, ideologias e religiões. Ela ficará a espera para sempre. E isto, por fim, é a dádiva de Chernobyl. Já temi o preço da verdade, mas agora apenas pergunto: Qual o preço das mentiras?”

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