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O papel do som nos jogos digitais

Sem ele, os jogos seriam experiências rasas e vazias.

Foto: Divulgação/Quantic Dream

O som dos jogos nos auxilia a compreender um mundo que é perceptível apenas por meio de uma tela digital. Esta fronteira ou barreira, como queiram imaginar, limita certos entendimentos e informações sobre os cenários que interagimos em jogo.

Para isso, existem muitos recursos audiovisuais que são criados para nos fornecer dados sobre o que não podemos interagir diretamente neste ambiente digital, além de compensarem sensorialmente alguns elementos originalmente inalcançáveis. Entre estes recursos audiovisuais, têm-se as imprescindíveis trilhas sonoras, ruídos sonoros ambientais, dublagens, sons de interações nos menus, etc.

Alguns desses são essenciais para estimular o feedback dos jogadores às ações realizadas em jogo, indicando o que pode ou não ser realizado a seguir. Algo que costuma acontecer, por exemplo, quando você tenta comprar um item a qual você não possui dinheiro o suficiente para adquiri-lo no momento. Nesta situação, um som característico é reproduzido para reforçar tais mensagens, como se dialogasse com o jogador sobre a questão monetária de seu personagem. O mesmo ocorre no outro lado da história. Se você possuir dinheiro o suficiente para comprar o item desejado, um som – normalmente de uma caixa de dinheiro ou moedas – é acionado, indicando o sucesso em sua aquisição.

Ou seja, estes recursos auxiliam na transmissão de dados para o jogador, que visualiza constantemente uma tela recheada de mensagens, símbolos e sons diversificados. Em conjunto e estando bem organizados, estes recursos audiovisuais comunicam com facilidade as informações cruciais aos jogadores.

Mas os recursos sonoros vão além das funcionalidades de reforços de significados em menus interativos. Eles também podem ser recursos para chamar a atenção, alertas para eventos e sons característicos de ambiente.

Quanto a este último, além de ser responsável por contextualizar o jogador, é um elemento imersivo e informacional. Por exemplo, a força de uma ventania em uma planície elevada pode ser acentuada com um projeto sonoro devidamente aplicado. Claro, estando na comodidade de casa, normalmente teríamos dificuldades em sentir-nos naquele lugar de característica deveras particular. Logo, para sanar este problema de percepção e aperfeiçoar a experiência imersiva, a sensação da violenta ventania pode ser acentuada pelo ruído do vento, que, neste cenário, torna-se cada vez aguçado e barulhento conforme o personagem atinge novos picos na planície.

Um caso similar ocorre em Tomb Raider (2013). Em uma das tumbas opcionais, o som do vento torna-se mais perceptível conforme Lara Croft explora a área. Aos poucos, o jogador é capaz de ouvir alguns ruídos particulares deste cenário, como rangidos na estrutura do templo, causados pelo rebatimento massivo do vento no local. Além disso, o som da ventania torna-se mais agudo perto das paredes e janelas do templo, como pode ser visualizado no vídeo abaixo.

Todos estes elementos apresentam e representam um espaço digital que mesmo intocável, pode ser, de fato, sentido por seus jogadores, dando credibilidade àquela ambientação particular.

O mesmo pode ser imaginado no meio selvagem, em um ambiente mais fechado. Aqui, o rebatimento dos ventos entre as árvores claramente será representado de outra maneira. Além disso, ele pode ser acompanhado pelos sons característicos da fauna e flora local, como grilos, onças, pássaros, rios, cachoeiras, entre outros. Todos estes elementos da onomatopeia criam uma atmosfera rica e plural que sanam à falta de percepção dos jogadores neste espaço virtual.

Imagina chegar nessas locações e o som não representá-los adequadamente? Ou visualizar o seu personagem ser empurrado contra uma aparente ventania e ficar confuso por que não conseguiu ouvir um barulho sequer deste ocorrido? Encontrar o mar e não conseguir ouvir as suas características ondas?

Não seria estranho? Pois então…em um caso de carência desses elementos, o fluxo da jogabilidade seria interrompido, ou quebraria a imersão em seus jogadores. E até onde se sabe, nenhum jogo possui este objetivo em mente. A intenção é justamente o contrário: otimizar a experiência de quem quer que o jogo, tornar a imersão mais plausível e manter a jogabilidade rente e sem interrupções desnecessárias.

Dando sequência, vale explorar, também, o momento que a trilha sai da zona de “fundão” e atinge um patamar de elevada significância para alguns enredos. Aqui ela deixa o seu lado prático de complemento contextual e/ou cinematográfico e cria laços entre as suas tramas e personagens.

Quem aí, por exemplo, não se emocionou com a sequência comovente de Dragon Age: Inquisition em que a Inquisição se viu diante de uma tremenda derrotada, que contribuiu para um cenário de descrença e desolação entre os seus participantes? Para enriquecer este cenário, ou melhor, traduzir os anseios e aflições dos personagens nesta situação, a canção The Dawn Will Come, entoada incialmente – e à capela – por Madre Giselle, foi o sopro de esperança e perseverança que membros da Inquisição necessitavam. O seu impacto pode ser visualizado aos poucos, conforme a música progride e os soldados começam a entoar juntos os seus versos com à Giselle.

Já em Beyond: Two Souls, a música, nesse contexto que estamos trabalhando, acompanha um momento precário da protagonista Jodie. Estando nas ruas, cansada, com fome e no meio de um frio avassalador, ela deve reunir dinheiro suficiente para garantir uma refeição. Há diversas formas para consegui-lo e nem todos eles respeitam os códigos básicos da ética e moral. Por outro lado, a música apresenta uma saída saudável e sem riscos, mas que traz à tona a comoção de um cenário provocativo e desesperador. Veja abaixo:

Com esses exemplos, é notável como o laço criado entre a música e o enredo é capaz de intensificar e reforçar a dramaticidade de uma trama. Além disso, os aspectos sonoros do jogo são capazes de traduzir o significado de suas cenas, acentuando, por consequência, a imersão e o seu impacto nos jogadores.

O mesmo ocorre com as trilhas sonoras de modo geral, que podem transformar uma simples situação em um grande momento de reviravolta. Imagine, por exemplo, que a cada passo do seu personagem, os sons tornam-se mais sombrios e agourentos. Aos poucos, ele vai alcançando o seu momento de ápice, que revela, de repente, um cadáver para o personagem com sons angustiantes e perturbadores.

Em momentos como estes, percebemos como um conjunto sonoro é capaz de transformar o valor das cenas, reforçar significados poucos perceptíveis, acentuar os sentimentos dos jogadores às ocorrências em tela ou contextualizá-los com o mundo que estão interagindo por meio de um mouse ou um controle.

Dessa forma, entre as mais variadas formas de aplicação – e todas extremamente fundamentais – é visível a importância da música e dos efeitos sonoros nos jogos digitais, desde o seu valor quanto à informação até o seu impacto diretamente no enredo.

 

Artigo Otaku

Artigo Otaku | Eterna paixão por katanas (Parte 01)

Letais, essas armas são fonte de inspiração para um gênero cinematográfico.

A paixão por espadas e espadachins é algo muito comum em diversas sociedades. Na maioria dos casos envolve histórias palacianas ou de cavalaria.

No outro extremo do mundo, as espadas – chamadas katanas – e os espadachins – os samurais – também tornaram-se parte do folclore mundial que alimenta narrativas a respeito de combates incríveis decididos na habilidade, na sorte e às vezes na artimanha (que o diga o lendário Musashi Miyamoto em seu duelo épico contra Kojiro Sasaki, vencido com uma espada de madeira feita de um remo escondido pelo rival sob a areia).

A forma como essa história é contada hoje deixa dúvidas entre o real e o ficcional. Muitos estudiosos acreditam que de fato houve um duelo entre os dois lendários samurais, mas que seu desenvolvimento foi menos glorioso que o retratado nas lendas e contos populares.

Musashi e seus alunos teriam assassinado Kojiro em prol de livrar o bushidô (caminho do guerreiro) de alguma técnica ameaçadora como o Tsubame Gaeshi [Rasante da Andorinha] oriundo do estilo de luta do derrotado. Assim, o estilo de luta com duas espadas de Musashi foi o que se perpetuou nos dias atuais dando forma ao que conhecemos como kenjutsu e kendô.

Ganryujima, o fatídico duelo entre Musashi e Kojiro. Autor não indetificado.

Esse fascínio por katanas e samurais presente na tradição popular tanto na História quanto no Folclore nipônico desdobrou-se em elemento midiático no início do século XX. Sendo mais preciso, no fim da Era Taisho (1912-1926) os primeiros trabalhos midiáticos envolvendo mangás, animês e cinema conquistavam o público japonês. Muito inspirado no Teatro Kabuki, as tramas com elementos históricos (jidaigeki) envolvendo lutas com espadas (kengeki) inseriam no vocabulário do mundo termos como samurai, ronin, shogun e katana.

Nascia assim o Chambara-Eiga (Filme de Samurai), gênero cinematográfico legitimamente japonês que ajudou a popularizar no resto do globo a imagem idealizada de justiceiros especialistas no combate de espadas, que primavam pela honra no campo de batalha. O pontapé inicial veio com Orochi (1925) de Buntarou Futagawa. Já na era seguinte, a Showa, títulos como: Os 47 Ronins (1941), de Kenji Mizoguchi, e Rashomon (1950), de Akira Kurosawa, juntaram-se a outros que ajudaram a consolidar o gênero dentro e fora do arquipélago.

Cena de Orochi (1925) por Buntarou Futagawa
Cena de Rashomon (1950) dirigido por Akira Kurosawa

Esse processo tem como principal representante o diretor Akira Kurosawa. Tendo talento para chamar a atenção dos amantes da sétima arte no ocidente, Kurosawa alimentou a imagem do samurai como um herói humanizado sujeito aos paradigmas morais e imorais do feudalismo japonês e reconstruiu as narrativas palacianas e de guerra provocando o imaginário do telespectador com dramas não fantasiosos como nas narrativas medievais europeias.

O Chambara-Eiga passa por um período de pouco prestígio durante a Segunda Guerra Mundial, mas volta a ser relembrado pelo mundo em 1954 com Os Sete Samurais de Akira Kurosawa, que retrata o embate de sete guerreiros pela proteção de um pobre vilarejo acuado por bandidos. Este filme se tornou um ícone mundial e key inspiration para muitos outros roteiros em Hollywood, com destaque para sua primeira adaptação Sete Homens e Um Destino (The Magnificient Seven) dirigido em 1960 por Jhon Sturges.

Até a sua morte em 1998, Kurosawa emplacou mais seis longa-metragens do gênero passeando entre o cinema P&B até as cores. São eles: Trono Manchado de Sangue (1957), A Fortaleza Escondida (1958), Yonjimbo (1961), Sanjuro (1962), Kagemusha – A Sombra do Samurai (1980) e Ran (1985). Importante destacar que desta lista: “Ran” é uma adaptação de Rei Lear de William Shakespeare; “Kagemusha” foi nomeado para o OScar de Melhor Filme Estrangeiro; e “A Fortaleza Escondida” é o key inspiration para a saga Star Wars de George Lucas.

Cena de Os Sete Samurais (1954) por Akira Kurosawa
Cena de A Fortaleza Escondida (1958) por Akira Kurosawa
Cena de Kagemusha (1980) por Akira Kurosawa

Para além de Kurosawa, Hiroshi Inagaki contribuiu com sua Trilogia do Samurai (1954-1956), Masaki Kobayashi com Harakiri (1962), e Kon Ichikawa com 47 Ronins (1994), numa nova leitura do Incidente de Ako. Este mesmo filme de Ichikawa inspirou um filme americano de mesmo nome estrelado por Keanu Reeves em 2013.

Ao longo dos anos a paixão por filme de samurai conquistou o mundo e inspirou diversas outras histórias nas mais diversas mídias. Junto dos samurai, os ninjas também conquistaram seu público e popularizaram por muitas gerações o mais tradicional do estilo de vida nipônico, embora muitas vezes romantizado demais.

Essa paixão, obviamente, também deixou raízes em mangás e animês. Com muitos dos mangakás inspirados por Akira Kurosawa e contemporâneos, ainda é comum encontramos mangás que adaptam suas histórias no período feudal japonês ou trazem ao contexto do presente essas personagens simbólicas.

É o caso de Rorouni Kenshin (Samurai X, no Brasil) que entre 2012 e 2014 ganhou sua própria trilogia no cinema live-action dirigida por Keishi Ohtomo. Trilogia que entre os fãs do mundo inteiro é respeitada como a melhor adaptação de mangá/animê já feita até então.

Cena de Rorouni Kenshin (2012) por Keishi Ohtomo.

Percebe-se então que mesmo agora a paixão que temos pelas katanas se perpetua e não dá indícios de morte. O Chambara-Eiga é só um movimento dentro desta relação. Representando o mundo dos samurais num estado puro, mas não completamente real, pois a corrupção existente dentro do universo dos samurais é uma verdadeira mancha na cultura japonesa, ao mesmo tempo que é peça fundamental para sua formação como sociedade.

Nós, do outro lado da narrativa – os estrangeiros – só enxergamo-os como heróis muito devido ao empacotado midiático ofertado nas últimas gerações. Não que isso seja um real problema a primeira vista, contudo é necessário sim saber que esse samurai, figura romantizada, por muitas vezes cumpria papel não só de justiça, mas de tirano sobre a égide da falácia de honra em seu discursos.

As katanas, armas invejadas e idolatradas por muitos como representação da força, não são apenas símbolo de vitória e poder. Também são sinônimo de morte, solidão e terror.

Esse posicionamento pode ser presenciado em obras como Lobo Solitário e Dororo, onde o ronin – samurai sem senhor – é o ponto de fuga para ilustrar a boa índole que essas personagens históricas diziam defender. Mas isso é assunto para um segundo artigo.

Até a próxima e… Sayonara!

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7 Séries Para Acompanhar Pós Game of Thrones

Com o fim eminente de Game of Thrones, a equipe Volts preparou uma lista, com sete séries para curar o luto dos fãs

A maior série do mundo está chegando ao fim, com um episódio explosivo nesse domingo, Game of Thrones tem somente mais uma semana antes do seu épico final. Com isso, veremos um mundo, que depois de oito anos vai se despedir do universo das Crônicas de Gelo e Fogo, colocando espectadores do mundo inteiro em luto. Pensando nisso, a equipe do Volts resolveu acalmar o coração dos fãs de Game of Thrones, com sete séries, de alta produção, com enredos eletrizantes, ajudando assim, vocês a lidarem com este imenso luto.

1. THE HANDMAID’S TALE

A série, baseada na obra homônima de Margaret Atwood, tem ganhado a atenção do público de maneira poderosa desde sua estreia em 2018, quando foi lançada no sistema de stremio da Hulu. Ambientada num futuro distópico, a série mostra o retrocesso dos Estados Unidos para um modelo de governo patriarcal, onde a meritocracia é extremamente presente e a diminuição da voz e figura feminina é brutal. o Conto da Aia, no português, tem se mostrado uma das séries mais relevantes dessa década, por abordar de maneira gráfica e realista temas discutidos mundialmente, como o assédio e objetificação da mulher, que aqui, são colocadas numa posição de incubadores humanas. A série, que está em sua segunda temporada, tem sido bastante aclamada, recebendo prêmios como o Emmy de melhor atriz para Elisabeth Moss.

2. BIG LITTLE LIES

Uma das maiores produções da HBO no ano passado, Big Little Lies retorna em junho desse ano, com uma adição de peso em seu elenco: Meryl Streep, em seu primeiro papel televisivo. A série, aclamada do emmy, com o título de melhor atriz e melhor atriz coadjuvante em sua série limitada, conta sua história de trás pra frente, sendo apresentado desde o primeiro episódio um assassinato e seus suspeitos, enquanto mescla com o passado, contando a trama de cinco mulheres, vivida por atrizes de peso como Nicole Kidman e Reese Whiterspoon. O mistério extremamente bem desenvolvido agregado a uma atuação soberba de um elenco de peso, faz com que o espectador fique inquieto e preso nesse mundo, sempre tentando conectar as peças do que levou aos eventos iniciais desta série sensacional.

3. LEGION

Se passando dentro do âmbito de X-Men, Legion é uma das produções de maior peso dentro da FX, construindo um universo extremamente complexo, mas que deleita seus expectadores, por um roteiro bem desenvolvido. Legion conta a história de David Haller (vivido por Dan Stevens de A Bela e a Fera e Downton Abbey), um mutante classe ômega, que apresenta transtorno de personalidade, onde cada uma de suas faces apresenta uma mutação diferente. A série, que conta com efeitos especiais de alta qualidade, que ajudam a acentuando o bizarro foi uma das maiores surpresas de 2017, onde agradou fãs de quadrinhos e heróis, dando um dos personagens mais aclamados da saga dos X-Men, mas também, criando um universo que puxa qualquer expectador para dentro. Legion, retorna esse ano, para sua terceira temporada, onde aposta ainda mais no bizarro e na construção em um dos melhores personagens da televisão atualmente.

4. WATCHMEN

Outra produção da HBO, Watchmen é a nova aposta do canal pós Game of Thrones, sendo adaptado dos quadrinhos brilhantes de Alan Moore e Dave Gibbons. Essa série, que tem sua estreia para esse ano, contará uma história madura, se passando anos depois dos eventos iniciais de Watchmen, trabalhando com um roteiro que vai mesclar elementos do seu material base com um aspectos atuais. Sua abordagem extremamente realista frente a temas como o conflito político-social, do povo contra uma justiça cega, vai tornar essa série uma das mais aclamadas de sua geração, fazendo não somente jus aos quadrinhos, que são considerados um obra de arte, mas também, elevando seu material. Watchmen, além de ser uma das grandes apostas para o futuro HBO, com uma super produção, vai contar também com um elenco de peso, entre eles Jeremy Irons e a ganhadora do oscar de melhor atriz coadjuvante, Regina King.

5. COBRA KAI

Talvez a maior surpresa do ano passado tenha sido Cobra Kai, a série é parte da plataforma de stremio do Youtube, intitulado de Youtube Red. A Série é ambientada no universo do clássico dos anos noventa, Karate Kid, se passando trinta anos depois que Daniel-San ganhou seu campeonato de karatê. Cobra Kai conta com um fator nostalgia muito grande, não somente se apoiando na fama dos filmes originais, mas também, com a presença do elenco original inteiro. No entanto, essa série brilha por si só, com uma comédia bem trabalha, que impulsiona seu elenco para a melhor direção possível, Cobra Kai se torna uma produção de peso, tendo sido extremamente bem elogiada por críticos, especialmente pelo fato de não decepcionar, trinta anos depois, de trazer a magia dos dojos de volta. A série, que está disponível no Youtube, foi oficialmente confirmada para sua terceira temporada.

6. THE MARVELOUS MRS. MAISEL

A série aclamada pelo Emmy, tendo ganhado no ano passado os prêmios de melhor direção, melhor roteiro, melhor série e melhor atriz numa série de comédia não poderia faltar nessa lista. The Marvelous Mrs. Maisel é uma série como nenhuma vista antes, sendo criada e dirigida por Amy ShermanPalladino, a mente brilhante por trás de Gilmore Girls, ela brilha por ser peculiar, agindo muitas vezes como ar fresco no meio de tantos shows mediano, por se superar em todas as categorias. Palldino aqui brilha em seu ambiente, criando personagens não somente extremamente carismáticos, mas também de uma inteligência soberba. A série segue Midge Maisel (interpretada pela brilhante Rachel Brosnahan), uma dona de casa que após a traição do marido resolve se tornar stand-up em Nova York nos anos sessenta. A série, que é exclusiva da Amazon Prime, depois da fama monstruosa e merecida, foi renovada para sua terceira temporada.

7. HIS DARK MATERIALS

Por fim, contando com outra aposta gigantesca para o futuro da HBO, temos His Dark Materials, série que irá explorar o mundo mágico das obras de Philip Pullman, como a Bússola de Ouro. A produção, que é feita pela BBC em parceira com a HBO, tem sua estreia para julho desse ano, e vai contar com um elenco de peso, com atores como James McAvoy (X-Men, Fragmentado), Dafnee Keen (Logan) e Lin-Manuel Miranda (Hamilton). His Dark Materials, vai expor telespectadores e toda uma nova geração a esse mundo, que encanta por sua construção tão magnifica, contando com bruxas, daemons, criaturas que representam em forma de animal, nossas almas fora de nossos corpos e ursos polares guerreiros, enquanto seguimos a jovem Lyla Belacqua, uma garota de doze anos, que guiada por sua bússola de ouro tem a missão de salvar diversas dimensões.

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Artigo Otaku

Artigo Otaku | Endgame, Detective Conan e De Pernas pro Ar 3

Japão mais uma vez surpreende dentro de casa e levanta o debate sobre distribuição.

Quando Thanos disse ser inevitável ele se equivocou plenamente. As ações de Tony Stark provam isso de forma simples. Outra coisa que prova isso é saber como o blockbuster de maior sucesso no mundo tropeça de forma besta numa única franquia de animação japonesa: Detective Conan.

Dados do site Box Office Mojo revelam que durante o fim de semana de 04 à 05 de maio um total de 38 países seguem com Avengers: Endgame na liderança das suas respectivas bilheterias nacionais. O Brasil apresentou um arrecadação bruta de pouco mais de 15 milhões em dólares neste período. A China teve a maior bilheteria com mais de 64 milhões em dólares.

Considerando que essa era a segunda semana do filme em cartaz, temos um resultado bastante satisfatório e que justificam sua ascensão rápida ao Top 02 das maiores bilheterias mundiais de todos os tempos. Mas ao que parece o japonês não consegue acompanhar esse raciocínio. Isso porque o país é o único onde nesse intervalo de tempo outro título liderou o ranking do fim de semana citado: Detective Conan: The Fist of Blue Sapphire, o 23º filme da franquia.

O filme animado japonês rendeu apenas 5,2 milhões de dólares, mas desbancou Endgame. Como o site apresenta a métrica considerando o público de fim de semana é certo que os valores são bem maiores numa contagem de sete dias, só que o ponto aqui é que de novo Thanos e os Vingadores não conseguiram desbancar a animação da casa.

Fonte: www.boxofficemojo.com

Em 2018 o mesmo aconteceu com Avengers: Infinty War só que na época da estreia. O filme ficou em segundo perdendo para outro momento de Detective Conan no cinema, que já estava em sua terceira semana. Neste ano o filme de n°23 estreou duas semanas antes da película da Marvel e vem se mantendo à frente quase o tempo todo.

Na estreia de Endgame o filme alcançou bilheteria semanal de 13,1 milhões de dólares. Já Detective Conan alcançou 13 milhões de dólares, o que coloca ambos em 19ª e 20ª colocação geral no ranking japonês de grandes estreias. Num comparativo o Detective Conan e Guerra Infinita de 2018 ficaram em 24ª e 53ª posição respectivamente.

Um ano atrás eu disse que o japonês ainda é fortemente ligado ao que é seu, e isso inclui aos produtos midiáticos. A paixão dos fãs nipônicos à franquia Detective Conan consegue disputar de igual para com os blockbusters internacionais. Obviamente não é uma disputa para impedi-los de ser grandes lá também, mas sim não serem únicos.

O que nos leva a outro ponto deste debate aqui no Brasil. Após a estreia arrasadora de Avengers: Endgame com mais de 2 mil salas contra apenas 546 do longa-metragem brasileiro estrelado por Ingrid Guimarães, em diversos momentos vimos matérias questionando o problema da distribuição de salas e do pouco caso dado ao cinema nacional nesse tipo de situação. Vale lembrar que o filme perdeu quase metade de suas salas com a estreia da Marvel (inicialmente eram 1010 salas).

Brasileiros em sessão de Avengers: Endgame. (Foto: Marcelo Regua/Agência O Globo)

Eles culpam a não regulamentação da “Lei da Dobra” para justificar a queda no rendimento do filme. Ao O Globo, Mariza Leão – produtora do filme – disse que a falta de fiscalização da Ancine possibilita que as produções nacionais sejam desvalorizadas diante dos blockbusters internacionais.

Mas olhando os dados do filme no Box Office Mojo podemos ver que no fim de semana de estreia De Pernas pro Ar 3 ficou em 2º lugar atrás de Shazam!, que já estava na sua segunda semana com uma diferença de arrecadação aproximada em 500 mil (em dólares!) entre um e outro, 2,3 milhões e 1,8 milhões respectivamente.

O curioso é que no fim de semana seguinte ao de sua estreia, De Pernas pro Ar 3 foi ultrapassado por Breaktrough (Superação: Um Milagre da Fé), filme cristão que foi o melhor entre 19 e 21 de abril liderando o ranking e sendo seguido por Shazam! e a produção nacional. Naquele fim de semana a produção evangélica arrecadou no Brasil 1,7 milhões de dólares e o filme de Ingrid Guimarães 1,3 milhões. Na soma dos dois fins de semana, De Pernas pro Ar 3 tinha um saldo melhor com 3,89 milhões contra 3,10 milhões (ainda em dólar). Detalhe, Breaktrough e De Pernas pro Ar 3 estrearam juntos no dia 11 de abril.

Então no fim de semana de estreia de Avengers: Endgame o filme brasileiro reassumiu o segundo lugar e se mantém assim até o último fim de semana já no início de maio com um somatório de mais de 6 milhões em dólares de valores arrecadados.

Olhando os casos dispares de Dectetive Conan e De Pernas pro Ar 3 o que concluímos é que a indústria do cinema nesses dois países enxergam seu público de maneira completamente diferente. Infelizmente o site Box Office Mojo não informa a quantidade de salas destinadas ao filme nipônico, o que mesmo assim não nos ajudaria a comparar nada em específico visto que são dois tipos de públicos-alvo.

Mesmo assim não é nada absurdo observar que o filme brasileiro até tem um bom desempenho, contudo sua data de lançamento parece das mais equivocadas possível. O que é diferente no Japão, pois muitos dos filmes mais esperados – e a própria franquia Detective Conan – são lançados entre os dois fim de semana que antecedem a Golden Week, o principal feriado nacional de lá, que atrai muita gente às telonas.

Cinema do grupo Toho no Japão, um dos três que monopolizam a indústria por lá

Encerro esse artigo com um detalhe importante: O custo médio de uma sessão de cinema no Brasil é de R$30,00. No Japão esse valor duplica chegando a aproximadamente R$62,00 colocando o país na sétima posição dos cinemas mais caros do mundo.

A experiência de cinema no Japão chega a ser considera de luxo, pois em média um casal gasta quase R$200,00. Entretanto, envolve bastante conforto e outras novidades como cinema 4D e etc.

Por fim, digo que o falta ao empresário do ramo de cinema no Brasil é mais planejamento. A filmografia já é bem recebida pelo público, mas competir com blockbuster com dezenas de heróis reflete certo amadorismo. Talvez quando for nossa vez de apresentar super-heróis nas telonas repitamos as surpresas dos japoneses e nos tornemos calo no pé de certo vingadores. Jaspion vem aí para isso!

Até a próxima e… Sayonara!

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