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Netflix no Brasil | O futuro do serviço de streaming está comprometido?

Crescimento do Globoplay e lançamento de outros streaming prejudicam a Netflix?

A Netflix é uma gigante ao redor do mundo. Em terras tupiquinins, o cenário não é diferente. Segundo dados do relatório The State of Mobile 2019, feito pela App Annie, companhia de análise do mercado mobile, o Brasil é o segundo país do mundo em horas gastas com plataformas de streaming, especialmente nos dispositivos moveis, perdendo apenas para a Índia. Netflix e Globoplay são os serviços mais utilizados no país.

No último balanço divulgado pela Netflix à SEC, a comissão de valores mobiliários dos EUA, eram pelo menos 158 milhões de assinantes ao redor do mundo em setembro. A América Latina era representada por 29,4 milhões de assinantes e a estimativa era que o Brasil possuía de 8 a 10 milhões de assinantes ativos à época do relatório.

O documento revelou que no segundo trimestre do ano passado, houve queda no número de assinantes na região dos EUA e Canadá. Aqui no Brasil, como indicam os dados da empresa SimilarWeb, focada em monitoramento de internet, a gigante dos streamings perdeu 10% dos usuários ativos brasileiros no último trimestre de 2019.

Mas por que essa perda de assinantes em um país que adora esse serviço de streaming? Vejamos: no ano passado tivemos os lançamentos da Disney+, Apple TV+ e o crescimento da Amazon Prime Video. Apesar da plataforma de streaming da Disney ainda não ter chegado ao Brasil, o anúncio de um serviço exclusivo do estúdio foi um golpe no catálogo da Netflix: filmes da saga Star Wars e animação Frozen não constam mais no catálogo desde outubro, por exemplo.

A Warner também anunciou um serviço exclusivo de streaming, HBO Max, com estreia prevista para maio de 2020, o que resulta em mais perdas para os filmes, séries e desenhos oferecidos pela Netflix. A empresa pode sofrer ainda mais perdas, já que outros estúdios também se preparam para lançamentos de plataformas exclusivas.

Amazon e Apple ganham destaque por seus preços competitivos: cada um dos serviços cobra R$9,90, enquanto o plano mais básico da Netflix custa R$21,90. E no Brasil, em tempos de crise financeira, os preços baixos podem falar mais alto.

Mas talvez a justificativa mais forte seja o crescimento de um outro serviço de streaming: O Globoplay. O segundo maior serviço de streaming do Brasil é administrado pelo Grupo Globo e foi lançado em 2015. No catálogo, títulos de sucesso da empresa: O Canto da Sereia, Dona Flor e seus Dois Maridos, A Mulher Invisível, Toma Lá da Cá, Os Normais e até TV Pirata. Para os fãs das telenovelas, é possível encontrar das clássicas até as mais recentes: os episódios exibidos de Amor de Mãe já estão disponíveis no serviço. Para quem consome apenas séries internacionais, o streaming brasileiro não decepciona: The Good Doctor (uma das séries mais assistidas do serviço), Supernatural, Doctor Who, The Vampire Diaries e The Handmaid’s Tale são algumas das opções entre as várias ofertadas.

O Globoplay possui conteúdo gratuito e para assinantes, mas mais de 50% do que é encontrado na plataforma é exclusivo para os usuários pagantes. Os planos podem ser mensais e anuais, e dão direito à transmissão ao vivo do canal Globo (função disponível em alguns estados e cidades). Os preços são competitivos, o que torna o serviço uma opção ainda mais atrativa para os consumidores.

O serviço brasileiro vem crescendo. Em 2019, o streaming do canal aumentou o total de horas consumidas em 69%, em comparação com o ano anterior: de 234 milhões de horas, saltou para 396 milhões.

O Brasil é um mercado importante para a Netflix. Tanto que a empresa resolveu investir na série 3%, a primeira produção brasileira original da Netflix e a segunda produzida na América Latina. Porém, o país também é importante para a Globo, que vai investir R$1 bilhão no Globoplay em 2020.

A intenção da Globo é clara: dominar o mercado de streaming no Brasil. A Netflix pode até ser uma gigante, mas a realidade é que a concorrência está crescendo, e os usuários brasileiros estão atentos às mudanças.

Por enquanto, a Netflix ainda é o streaming número 1 no país, mas é inegável: a Globoplay está chegando.

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Música

O que esperar de ‘The New Abnormal’, novo álbum dos The Strokes

Com uma discografia controversa, The Strokes se prepara para fazer seu retorno após quatro anos.

Na terça-feira (11) passada, a banda de indie-rock The Strokes divulgou o primeiro single da nova era, ‘At The Door’. A canção veio logo após a banda protagonizar um momento icônico em um show realizado no começo da semana anterior em New Hampshire, EUA. Ao notar que a polícia havia subido ao palco e estava pronta para barrar a apresentação, Julian Casablancas, vocalista da banda, convocou o público para ocupar o palco durante a música ‘New York City Cops’, canção que ironiza a polícia novaiorquina.

Voltando em grande estilo, os The Strokes também divulgaram o nome do seu sexto disco de inéditas, que se chamará ‘The New Abnormal’, e com previsão de lançamento para 10 de abril. Os fãs foram pegos de surpresa. O último trabalho do quinteto foi o elogiado EP ‘Future Present Past’ (2016). Mas o que os precursores do indie-rock vão trazer ao público após quatros anos sem entregar material novo?

Sonoridade retrô?

Desde o primeiro álbum, a banda formada por Julian Casablancas (voz); Albert Hammond Jr (guitarra); Nick Valensi (guitarra); Nikolai Fraiture (baixo); e o brasileiro Fabrizio Moretti (Bateria); pincela suas canções com sintetizadores tão característicos da new wave e dialoga com o legado sonoro deixado por bandas como The Velvet Underground. Contudo, eles sempre se propuseram a dar um acabamento mais moderno e orgânico ao seus trabalhos, os riffs entrecruzados dos dois guitarristas da banda é um bom exemplo.  

Mas isso parece se reverter logo nos minutos iniciais do novo single. Em ‘At The Door’, os sintetizadores são explorados de forma mais destacada, abrindo a canção com uma camada sintética robusta, que facilmente lembra os jogos de Atari, console de video-game famoso dos anos 1980. E a faixa vai se tornando num verdadeiro experimento imersivo, seja pelos vocais distorcidos ou pelos riffs de guitarra que despontam de forma singela durante a audição, criando uma sonoridade sutilmente atmosférica.       

Somado a isso, a banda entregou, no mesmo dia em que divulgou o single, o videoclipe para faixa. A produção é uma animação psicodélica recheada de cenários e personagens coloridos. O clipe dirigido por Mike Burkarof resgata os traços clássicos de animações oitentistas como He-Man e Thundercats.     

Será que vai dá ruim?

Por outro lado, quando os The Strokes se propuseram a inserir recursos eletrônicos em seus registros e trabalhá-los de forma mais destacada, a crítica e o público não gostaram nenhum pouco da proposta. Conhecidos pela rebeldia e as influência do pós-punk, logo quando surgiram, os Strokes foram aclamados por diversos veículos especializados em música, que os consideraram como a “salvação do rock”. O público também os adotou, dando origem a uma tribo um tanto peculiar no cenário musical: os indies.

Após entregar dois ótimos álbuns, consolidando a banda no topo da música alternativa dos anos 2000, ‘Angles’ (2011), quinto disco de estúdio da banda, reafirmou uma sensação já pressentida por muitos desde o trabalho que o antecedeu. O quinteto que revolucionou o rock na virada do século 21 estava se perdendo em meio ao seu processo criativo. Faixas que soavam como descarte de antigos trabalhos e o flerte com o synthpop deixaram a banda dividida entre uma aparente incapacidade inventiva e um errôneo desbravamento por territórios desconhecidos. O disco foi taxado como uma extensão do primeiro trabalho solo de Julian Casablancas, que também explorou a música eletrônica em seu registro. Enquanto poucos aprovaram a nova fase, mas ainda sim se propuseram a acompanhá-los, a maioria exigia pelo o espírito dos The Strokes presente nos dois primeiros registros.

Mas os donos de hits como ‘Last Nite’ conseguiram contornar os deslizes cometidos no álbum seguinte. ‘Comewdown Machine’ (2013) foi um registro para agradar gregos e troianos, graças a gradativa transição entre a agressividade de outrora com o imergir nas novas experimentações. Mas ainda que tenha uma estrutura coesa, o álbum não foi tão bem recebido pelos fãs veteranos. A repentina ascensão dos Strokes que, infelizmente, se encaminhou para uma estagnação musicalmente desde o seu terceiro álbum, deu vida a uma leva de fãs saudosistas, presos a crença de que tudo o que os norte-americanos poderiam entregar ficou em ‘Is This It’ (2001), primeiro álbum da banda.  

‘The New Abnormal’

Como já apresentado pelo primeiro single desta era, os veteranos não devem retornar a sonoridade que tanto lhe garantiram sucesso e influenciaram bandas que surgiram logo em seguida, como os Arctic Monkeys e os The Killers. O sexto álbum da banda deve empoeirar ainda mais o seu som e contorná-lo por sintetizadores oitentistas, mas, claro, sem deixar que as famosas guitarras de Albert Hammond Jr e Nick Valensi brilhem no novo catálogo de canções. E os brasileiros devem sentir o gostinho do novo material antecipadamente, afinal, a banda é uma das headliners do Lollapaloza 2020, que ocorre nos dias 3,4 e 5 de abril.

‘The New Abnormal’ será lançado em 10/4 via Cult Records. Confira a tracklist do álbum:

01 The Adults Are Talking
02 Selfless
03 Brooklyn Bridge To Chorus
04 Bad Decisions
05 Eternal Summer
06 At The Door
07 Why Are Sunday’s So Depressing
08 Not The Same Anymore
09 Ode To The Mets

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Continuação do Live-action de Aladdin tem confirmação

Por grande bilheteria, live-action de Aladdin ganhará continuação com história original

Dirigido por Guy Ritchie, o live-action de Aladdin que estreou em 2019, conta a mesma história já conhecida na animação de 1992 da Disney sobre o famoso ladrão da cidade Agrabah, um “diamante bruto” que encontra uma lâmpada mágica, e com um gênio, usa seus poderes para conquistar o coração de uma princesa.

Mesmo usando uma fórmula igual, o filme em live-action foi sucesso em bilheterias, arrecadando US$ 1,05 bi no mundo todo.

Por conta do grande público, a Disney aposta na sequência do longa.

Em agosto de 2019, um dos produtores do remake de Aladdin afirmou que a Disney estava cogitando na hipótese de uma sequência para o filme. Agora, em 2020, a Variety afirma que os produtores passaram os últimos seis meses trabalhando em uma continuação, que trará uma nova ideia, ao invés de adaptar as sequências animadas originais, como Aladdin and the King of Thieves (BR: Aladdin e os 40 ladrões) de 1996, que apresenta Cassim o pai de Aladdin ou o Retorno de Jafar de 1994 que traz o vilão de volta as animações.

A intenção da produtora é criar um novo longa escrito pelos roteiristas John Gatins, desenvolvedor de Gigantes de Aço (2011) e Andrea Berloff, roteirista de Rainhas do Crime (2019).

O The Hollywood Reporter afirma que o longa já está em desenvolvimento inicial e será uma continuação direta do primeiro. Embora ainda sem sinopse confirmada, a THR afirma que os produtores e o estúdio estão buscando inspirações em histórias originais do Oriente Médio, como Mil e Uma Noites, Ali Baba e os quarenta ladrões, entre outros, para uma história completamente inédita, como afirma o produtor Dan Lin em entrevista ao ComicBook:

Se eu contar o que estamos pensando, os fãs ficarão malucos. É muito cedo para revelar, mas saiba que estamos procurando materiais bem diversos para adaptar, e o filme não será baseado em apenas uma fonte, vamos pegar o melhor de cada coisa que já foi feita e criar algo completamente novo”, disse o produtor.

Essa será a quarta adaptação em live-action da Disney recente que recebe uma sequência: Antes, Alice no País das Maravilhas, Malévola e Mogli, sendo o último ainda não lançado e será dirigido por Jon Favreau.

Há rumores sobre um filme focado no Gênio, personagem de grande importância e favorito de muitos fãs. Também há rumores sobre um spinoff estrelado pelo Príncipe Anders, que seria lançado diretamente no Disney+. Talvez o novo longa tenha um pouco desses rumores em seu desenvolvimento.

Não há certeza se o diretor Guy Ritchie estará de volta, mas os produtores do novo longa pretendem trazer de volta as telas grandes estrelas como Will Smith (Gênio), Naomi Scott (Jasmine) e Mena Massoud (Aladdin). As negociações com elenco só terão início após o roteiro finalizado.

No momento ainda não há previsão para a estréia nos cinemas.

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Coluna Tayna Abreu

Review | Livros de Janeiro de 2020

Obras de Philip Pullman e N.K. Jemisin estão entre os livros comentados

Nesta coluna mensal, eu, Tayna Abreu, venho falar com vocês sobre livros! Ensaiamos aqui no Volts algumas reviews de livros que foram bem aceitas (obrigada!), assim, entendemos que poderíamos expandir essa editoria como uma coluna, pessoal e com texto leve, mas – pretendemos – sempre informativo.

Meus hábitos de leitura talvez precisem ser explicados: em 90% do tempo leio livros em inglês, de ficção especulativa – em sua maioria Fantasy e SciFi -, e de ficção literária alguns premiados ou indicados a prêmios como o Booker Prize, Women’s Booker Prize e Pulitzer Prize. Clássicos Vitorianos também são recorrentes.

Talvez deva pedir perdão de antemão por não ler, quase nunca, autores brasileiros? Perdão.

Mas se este é também o seu estilo de leitura, ou quer se aventurar nele, vem comigo!

THE SECRET COMMONWEALTH, Philip Pullman

No segundo volume da trilogia The Book of Dust, companheira de His Dark Materials, Philip Pullman resgata o caráter de confronto existente na história de Lyra Belacqua/Silvertongue.

A primeira parte de The Secret Commonwealth é despida de magia, sendo os daemons o único elemento fantástico presente, mas fantástico apenas pro leitor. Lyra e Pan estão às rusgas e se apartam após as complicações com ele testemunhar um assassinato.

Lyra, agora uma moça, estudante universitária, se entregou ao pensamento e estilo de vida racionais graças à sua frustração em ter vivido a maior aventura da vida ainda criança e o contato com dois pensadores que questionam, ainda que sem muito resultado prático, a existência de daemons e do sobrenatural.

Pantalaimon, por si próprio um ser de fora do mundo material, mas que se materializa nele, fica indignado com a perda da imaginação de sua companheira.

Os problemas de Lyra e Pan são uma mímica do conflito interno de Lyra, presa no dia a dia da faculdade após ter cruzado mundos, lutado ao lado de bruxas e ursos, e descido até o reino dos mortos, sem falar na traumatizante separação física entre os dois, que são uma só pessoa.

Novos seres mágicos aparecem na segunda parte do livro, quando a aventura finalmente é desencadeada. Ma Costa, Farder Coram, Malcolm e seus pais, Alice e a Dra. Hanna, todos personagens de La Belle Sauvage voltam a aparecer. O jovem professor é peça chave mais uma vez, sendo o elo entre os dois livros, que estão separados por 20 anos. Há ainda uma nova leva de personagens com vários níveis de relação com Lyra ou o Pó.

A Comunidade Secreta do título fala sobre a miríade de seres mágicos que permeiam o imaginário de crianças e contadores de histórias fantásticas. É o próprio gênero da Literatura Fantástica onde os livros de Pullman encontram guarita. Essa comunidade se encontra ameaçada pela ascensão do fascismo, se esgueirando por entre as fileiras da Igreja, e ameaçando não apenas a liberdade de pensamento, mas a própria existência de populações migrantes.

Pullman, mais uma vez, não se acanha em falar dos problemas do mundo real usando Lyra e cia como janelas. Seus personagens agora viajam até a Ásia Central, e os leitores ganham de presente todo um novo mundo de cultura, costumes e folclore.

The Secret Commonwealth lembra ainda que os problemas de Lyra com o todo poderoso Magisterium não foram resolvidos na primeira trilogia, e a explicação simples, se desenrola em um muito familiar conflito entre instituições acadêmicas e o lobby daqueles que defendem a perseguição ao livre pensamento.

Encantador para todos os fãs da trilogia original. Como é bom ter Lyra e Pantalaimon de volta!

THE COLLECTORS, Philip Pullman

Mais um no mundo de His Dark Materials. Desta vez um conto bem curto sobre dois colecionadores de arte que conversam em uma sala em uma universidade (claro, pois HDM). Aqui, Philip Pullman explora o mistério de um quadro e uma escultura que não se largam, mesmo às custas das vidas de compradores e colecionadores.

O conto busca mostrar como as idas e vindas entre os mundos, precisamente o mundo de Lyra e um outro muito parecido com o nosso, deixa consequências e pistas sobre a natureza do multiverso.

Vale muito a pena para leitores de His Dark Materials como um complemento, assim como os outros contos Once Upon a Time in the North e Lyra’s Oxford. Infelizmente está disponível apenas em formato digital e em inglês, já que foi primeiramente escrito para audiobook.

THE KINGDOM OF GODS, N.K. Jemisin

De todos os livros de N.K. Jemisin que já li, The Kingdom of Gods foi o que mais demorou, por vários motivos, nem todos relacionados à obra da americana. Esse é o terceiro volume da The Inheritance Trilogy, onde Jemisin coloca deuses e humanos para brigar, amar e disputar poder sobre a terra.

Como os dois volumes anteriores, a história foca na relação dos deuses, agora ex-escravos, e seus antigos captores, o clã Arameri, que detém o poder sobre os mil reinos que fazem o mundo.

Aqui é Sieth, o mais jovem dos mais antigos deuses (sim, é isso), quem toma de conta da narração. Mais uma vez a autora questiona o ideal de divindade, relações de poder entre dominadores e dominados, relações familiares estranhas chegando, finalmente, a queda de uma dinastia de milhares de anos.

A falta de lapidação é perdoável se levado em consideração que esta é a primeira trilogia daquela que viria a escrever The Broken Earth e ganhar três Hugo Awards consecutivos por esse trabalho. Jemisin já dava em Inheritance sinais que iria sacudir as fundações do SFF e muitas das ideias presentes são possíveis de reconhecer em seus trabalhos mais recentes.

Ainda há uma novela no mesmo mundo, The Awakened Kingdom, com uma narração intragável de um deus recém nascido, e Shades in Shadow, uma coleção com três contos no mesmo mundo. Me recusei a terminar a novela, não quero estragar Jemisin em meu coração, e nos contos ainda não pus os olhos.

MINHA IRMÃ, A SERIAL KILLER, Oyinkan Braithwaite

Um dos livros mais comentados de 2019, Minha Irmã, a Serial Killer (My Sister The Serial Killer, longlisted do Man Booker Prize 2019) é uma comédia de humor sombrio – e o debut da nigeriana Oyinkan Braithwaite – sobre duas irmãs em Lagos: Korede e Ayoola. A mais velha é uma enfermeira meticulosa, em vias de ser promovida à chefia do corpo de enfermagem do hospital; e a mais nova é a querida de todos, amigável, sedutora, mas também serial killer. Ayola mata os namorados enquanto Korede limpa as cenas dos crimes.

MYSTSK recorre fortemente à trope das irmãs diferentes onde sempre a mais séria e reclusa é quem narra a história onde o agente de transformações é a sua complementar. E claro, à do o crush que se apaixona por sua irmã mais interessante e vê em você apenas uma amiga.

A história lida com traumas da infância, violência doméstica, a cumplicidade entre irmãs, enquanto investiga e subverte as dinâmicas de poder entre homens e mulheres. É bem curto e de leitura fácil e cativante, apesar do tema pesado. É possível pensar que o livro é um thriller, que há uma investigação policial dos assassinatos, mas longe disso. Já se sabe quem é o autor dos crimes quando a história abre e nunca a narrativa se demora nos pormenores desse ato.

Todas as cenas onde alguém morre são distantes, como que sendo gradativamente apagadas pelo arsenal de limpeza e olho clínico de Korede. Posteriormente ela se lembra dos mortos, mas quase nunca do grotesco de suas mortes.

REBECCA, Daphne du Maurier

Um clássico que mímica os romances góticos, conta a história de uma jovem inexperiente que casa com um homem de meia idade de forma súbita em uma viagem e vai morar com ela na casa ancestral da família em Cornwall, na zona rural da Inglaterra.

Lá ela começa a ser assombrada pela lembrança da primeira esposa, Rebecca, que aparentemente era perfeita. Não há nada que a narradora sem nome faça que chegue aos pés da antiga senhora de Winter, ao ponto de ela simplesmente nem tentar imprimir suas vontades no governar da casa.

A narrativa é brilhante e consegue comprimir toda a insegurança e desejos reprimidos da nova esposa. É possível sentir o que ela sente, às vezes por páginas e páginas de divagações e perceber que Rebecca é parte intrínseca de Manderly, a casa ancestral dos de Winter, e como essa presença sufoca a narradora e alimenta o ódio da governanta sobre sua nova senhora.

O final é maravilhoso, apesar do twist ser bem óbvio, a forma como é feito e as ramificações dele são excelentes.

THE WELL-FAVORED MAN, Elizabeth Willey

O primeiro volume da Kingdom of Argylle Trilogy, uma saga barroca que mescla modernidade, medievo e lendas gregas em uma salada que por vezes torna difícil colocar foco em que cenário conceber enquanto a trama se desenvolve.

The Well-Favored Man é narrado pelo jovem cabeça da família de semi-imortais que governa a província independente de Argylle, que já fez parte de um reino maior, em um mundo que é o nosso, bem diferente, mas não menos o nosso. Há dragões sentientes e grifos gigantes, a consciência de Typhon, o pai de todos os monstros na mitologia grega, mas também há engenharia genética e inteligência artificial usada como arma de guerra.

Até agora, depois de 411 páginas ainda não sei o ao certo o que é ou de onde veio a Spring/Manancial – que parece ser a fonte de poder da família dominante -, não sei como funcionam as Chaves e tenho apenas uma ideia geral de como funcionam os Caminhos. Céus, ainda não sei como uma das personagens veio a existir, se ela nasceu de chocadeira, por exemplo!

Há muito no pacote, é um cenário ambicioso que talvez se desenvolva melhor nos livros seguintes – que são prequels -, mas que carece de uma maior delimitação e mesmo explicação básica de como funciona o mundo e seu sistema de magia.

Mas, veja bem, pode ser apenas meu intelecto limitado que me impossibilitou de acompanhar direito a saga do Well-Favored Man. Em todo caso, os livros são dos anos 1990 e Willey nunca mais escreveu nada.

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