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Netflix diz que não cederá a pressões por comerciais dentro da plataforma

Plataforma vê dívidas crescerem, mas CEO não pretende abrir mão do conceito “livre de comerciais”.

Stranger Things gerou acordos com 75 companhias para a Netflix (Foto: Divulgação/Netflix)

Que circula muito dinheiro no mercado de streaming, disso ninguém duvida. E a Netflix parece estar enfrentando uma batalha para se manter fiel à proposta original de não ter comerciais dentro da plataforma, mesmo sob pressão de seus acionistas. Quem está à frente desse duelo, resistindo bravamente, é Reed Hastings, CEO da Netflix.

Durante a divulgação dos resultados financeiros da empresa, Reed disse que a pressão dentro da companhia tem crescido porque o fluxo de caixa terminou 2019 com US$ 1,7 bilhão negativos. Os acionistas, claro, querem reverter esse quadro e explorar tudo o que for possível para manter a conta no azul.

No entanto, segundo o executivo, não faz muito sentido permitir comerciais neste momento de mercado, porque com Amazon, Apple e Google em campo, ficaria muito mais difícil da Netflix conquistar orçamentos que compensem a reformulação no conceito da empresa.

“São as assinaturas, e não a publicidade, que impulsionam os US$ 16 bilhões de receita anual da plataforma, e ficar “livre de comerciais” continua a ser parte importante da nossa proposta”, informou a Netflix em um comunicado.

Sobre as marcas que aparecem dentro dos episódios ou filmes do catálogo, a Netflix diz que, normalmente, deixa esse tipo de decisão para os produtores individuais, afirmando que “muitas marcas que aparecem em séries e filmes são adicionadas pelos criadores, que acreditam que elas contribuem para a autenticidade da história. Essas colocações de produto pagas são raras e não são um objetivo de negócio para nós”.

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Como alternativas para não inserir comerciais, a Netflix aposta na criatividade. Em dezembro, por exemplo, uniu-se com a Subway para oferecer o sanduíche Green Eggs and Ham Sub, ligado à nova série Green Eggs and Ham, baseada no livro do Dr. Seuss. O sanduíche gerou muita publicidade para a Netflix na imprensa dedicada a estilo de vida e colocou o nome da plataforma diante de milhões de pessoas que diariamente compram sanduíches na Subway.

No ano passado, a série mais popular da plataforma, Stranger Things, de ficção científica, ambientada na década de 80, gerou acordos com 75 companhias.

Hastings especula que essas pressões são frutos das possibilidades capazes de serem criadas no mercado de distribuição on demand e que o mercado deve criar ainda mais formatos nos próximos anos, conforme a ficar maior a quantidade de dados disponíveis para as marcas sobre o comportamento de consumo dos clientes.

Embora seja a plataforma de streaming dominante, com 158 milhões de assinantes em todo o mundo, a Netflix também contabiliza uma dívida de US$ 12 bilhões e vem enfrentando uma forte concorrência.

Concorrência já causa impactos

Além disso, o executivo apresentou dados que mostram que o mercado de streaming está ficando muito competitivo e isso desacelerou o crescimento da Netflix em 2019 nos Estados Canadá, mesmo ano em que foram apresentados Disney+, Apple TV Plus e HBO Max.

No terceiro trimestre de 2019, foram 550 mil novos assinantes. No mesmo período do ano passado, o número chegou a 1,75 milhão. Quebra-cabeças difícil esse, não?