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Vendo TV

Melhor da Tarde | Nada de novo na nova atração da Band

Apresentador por Cátia Fonseca, programa não empolga como pretendeu.

Foto: Divulgação/Band

Depois de 15 anos de TV Gazeta, Cátia Fonseca estreou na tarde desta quinta-feira (1º) na Band, com a nova versão do “Melhor da Tarde” – exibido originalmente de 2001 a 2005 na emissora paulista. A nova tentativa da Band de emplacar um programa vespertino chegou cercada de expectativa, mas terminou sem empolgar tanto.

Apoiado unicamente no carisma da apresentadora, o programa traz tudo que já assistimos zappeando por aí: leitura de tarô, notícias de fofoca e culinária. A tentativa de diferenciação se reflete no cenário moderno, com direito a telão e espaço que indica a intenção de receber atrações musicais – Fernando e Sorocaba cantaram na estreia.

Apenas uma edição do programa foi ao ar, mas já dá para estabelecer algumas comparações. Enquanto, na Gazeta, Cátia apresentava um programa menos apressado, agradável, longe de qualquer agito, na Band a apresentadora acelerou o passo e desenvolveu os assuntos com superficialidade, com pressa típica de programa de estreia e ao vivo.

Não foi uma primeira impressão muito empolgante, apesar de no conjunto ter sido um programa ok. Por enquanto, não há muito argumento para o Melhor da Tarde se tornar um programa imperdível – a estreia era uma ótima oportunidade. A torcida é de que a atração ache seu rumo nas próximas semanas. Pena que, nesse começo, ainda não apresente nada de novo.

Melhor da Tarde registrou, em sua estreia nesta quinta-feira (1º), 2.6 pontos de média e 3.2 de pico, deixando a Band em quarto lugar.

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SOBRE O AUTOR – Lucas Vieira é jornalista e escreve sobre entretenimento há cinco anos. Sobre televisão, assina a oficialmente a primeira coluna ‘Vendo TV’ no Volts. É repórter editor de vídeos no núcleo digital do Grupo Mirante, afiliado ao Grupo Globo no Maranhão. Começou a carreira no G1 – Portal de Notícias da Globo, passou, também, pelas redações do Imirante, Jornal O Estado do Maranhão, jornal O Imparcial, O Imparcial Online, Você Gastrô e Aqui Maranhão. Além disso, trabalhou como social media na Palavra Comunicação e Estratégia, e assessor na Cores Comunicação e Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). Já fez coberturas policiais, de manifestações, reportagens especiais e fundou o Volts, um dos principais portais de entretenimento do nordeste.
Contato: lucas.vieira@sitevolts.com.br

SOBRE A COLUNA – Com nome que homenageia o extinto programa ‘Ver TV’, este é um espaço de observação e reflexão a respeito da linguagem televisiva em seus mais diversos aspectos – do espaço de produção estética e autoral que de fato é até as reverberações sociais que provoca.

Televisão

Programa da Maísa: estamos assistindo a formação de uma lenda da TV?

Surgir na telinha aos três anos e aos 16 já conquistar um programa com o próprio nome aponta caminhos promissores.

Ainda que não tenha sido a única a ganhar oportunidades na televisão desde muito pequena, temos aqui um caso de real destaque. Desde que surgiu no Programa Raul Gil (Band) com apenas três anos, Maísa Silva já despertava um encantamento coletivo e a cada programa despontava como promessa para o futuro da TV – não só por ser falante e carismática, como pelas sacadas e linhas de raciocínio que pareciam impossíveis para qualquer outra criança. Corta para 2019 com Maísa com programa solo no SBT.

Maísa é a cria da televisão que mais soube se desenvolver fora dela. A presença na internet a fez não só conquistar o posto de adolescente mais seguida no planeta quanto ser um ícone híbrido com altíssima aceitação tanto na televisão quanto nas redes sociais. Um perfil que tem sido aposta em alguns canais fechados e, recentemente, como tentativa no “Vídeo Show” (Globo).

Antenado nas tendências online, o SBT sabe da joia raríssima que tem. Inicialmente, planejou com que seria o “Maisa Digital” ou “Maiseira” como programa apenas para a internet. Mas viu potencial para a grade da TV aberta e apostou. Resultado: um programa jovem, moderno, colorido e dinâmico que tem tudo a ver com o perfil da apresentadora.

O “Programa da Maísa” também consegue ser coerente com a identidade pública que Maísa tem construído ao longo dos anos como uma figura que tem representado, na prática, o que o senso comum espera de um bom futuro: pessoas com pensamentos mais empáticos, abertos, sensíveis e inclusivos. Propositalmente ou não, músicas de Pabllo Vittar foram usadas na abertura e encerramento do programa, logo antes de uma mensagem gravada posteriormente como símbolo de solidariedade aos atingidos pelo atentado em Suzano.

O conteúdo deve sofrer naturais modificações ao longo das edições, tempo de entrevistas e brincadeiras podem variar. Como bom jornalista, torço para que as entrevistas ganhem espaço, visto que trazer dois convidados para dividir atenção no já escasso tempo para conversas foi o ponto mais frágil da estreia.

Diante dessa estreia, ficou ainda mais fácil entender a diferença de Maísa para as outras dezenas de crianças que já pintaram na telinha, mas não conseguiram conquistar a projeção e respeito que a ex-menina dos cachinhos possui hoje. Um mistura de espontaneidade, autenticidade, sagacidade e, sem dúvidas, dedicação que não só a apontam como uma figura que tem absolutamente tudo para ser um grande nome da TV no futuro quanto por, arrisco dizer, estarmos presenciando a formação de uma lenda da nova televisão ou de consumir mídia.

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Críticas de Séries

Crítica | Ilha de Ferro

Com qualidade técnica apurada, seria tudo perfeito se ‘Ilha de Ferro’ não tivesse um roteiro tão fraco.

Foto: Divulgação/Globoplay

Pensar que uma emissora de TV pudesse apostar tão alto no futuro do streaming seria algo estranho de pensar até pouco tempo atrás. Mas o Globoplay, plataforma da TV Globo na internet, está apostando alto para ser ‘a casa do talento brasileiro’ e ter um valor de mercado semelhante ao da Netflix do Brasil. Nessa brincadeira, já surgiram produções como Carcereiros, Sob Pressão e Ilha de Ferro, que é sobre quem falaremos agora.

O drama conta a história de Dante (Cauã Reymond), que é o coordenador de produção da PLT-137, uma plataforma petrolífera recordista de acidentes. Ele sonha em se tornar gerente do local, mas fica revoltado quando percebe que precisa competir com a recém-chegada Júlia (Maria Casadevall) pelo cargo. No entanto, é no meio dessa disputa que acaba surgindo uma paixão entre os dois capaz de mudar o rumo de suas vidas.

Ainda que muita gente torça o nariz para qualquer produção brasileira que seja protagonizada por atores globais, aqui isso não precisa ser uma questão. O texto de Mauro Wilson e direção de Afonso Poyart desviam de diálogos artificiais e criam boas condições para atuações menos caricatas. Sem dúvidas, aqui, Sophie Charlote entrega a melhor atuação da carreira.

No entanto, é no roteiro que surgem os principais problemas de Ilha de Ferro por causa da falta de assunto. O grande arco narrativo da série se apoia num romance problemático e não tão carismático quanto pretendido, que gira em círculos infinitos e demora para ter qualquer avanço. Não existe um objetivo determinado, uma grande tarefa a ser cumprida ou sequer um vilão a ser combatido. Funciona como série procedural para encher linguiça enquanto o casal se desenvolve e só nos últimos episódios tira do limbo uma subtrama que se torna o pico de ação da história. Mas até chegar nesse ponto, o espectador é cozinhado demais.

A fragilidade do roteiro se escancara, ainda, quando apresenta quase toda cartela de personagens como pessoas infelizes e amarguradas sem conseguir distribuir esses dramas entre os longos 12 episódios, que mergulha no drama sem quase nenhum espaço para diálogos que rompam com essa tensão. Há casos, ainda, de personagens que interferem na trama, mas são mal trabalhados como Astério Medeiros (Milhem Cortaz) que some de repente e Sileno Matos (Júlio Rocha) que aparece do nada e numa frustrada intenção de alívio cômico.

De qualquer forma, talvez só um roteiro realmente sofisticado fosse capaz de se igualar ao melhor que Ilha de Ferro oferece. E não, não se trata do bom trabalho de Cauã Reymond ou no esforço de Maria Casadevall. Mas, sim, no primor técnico da direção artística e geral do cineasta Afonso Poyart, que traz uma estética que não deixa nada a desejar para qualquer produção estrangeira.

Há a sensação, ainda, de que a direção de arte é tenta ajudar a desenvolver a personalidade dos personagens em tela através de ilusões e desvaneios aparentemente abstratos.

A grosso modo, Ilha de Ferro começa bem, com estética que impressiona e personagens fortes. A história não se sustenta após o primeiro episódio, cumpre os quesitos técnicos, atinge seus melhores momentos nas sequências de ação, mas rompe, infelizmente, tem um roteiro pretensioso demais ao drama. De qualquer forma, é um bom passo para o fortalecimento do segmento de séries nacionais e merece uma chance de quem estiver disposto a dar.

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Artigos

Streaming transforma mercado, mas não deve matar a televisão

Ainda que precise se adaptar à nova concorrência, TV possui algumas cartas na manga.

Foto: Arte/Volts

Desde que ganhou o mundo em 2013, o modelo de negócios da Netflix criou tendência e, organicamente, iniciou uma revolução que, até hoje e cada vez mais, se aprofunda ao alterar a forma como empresas consolidadas no mercado disponibilizam conteúdo à audiência. Uma mudança com impactos na vida social parecidos com os causados pela popularização de plataformas como Google e Facebook, por exemplo.

De lá para cá, Netflix já soma mais de 100 milhões de assinantes. Nos últimos três anos já faturou mais de US$ 20 bilhões e, só em 2018, já destinou um orçamento de us$ 8 bilhões em mais de 700 produções originais, sendo 80 delas fora dos Estados Unidos. Nessa conta entra a série brasileira 3%. Também ganhou concorrentes aos baldes: Amazon, Hulu, Fox Premium, NOW, além dos brasileiros Globo Play, Telecine Play, Play Plus, e por aí vai.

O melhor de tudo é que essas mudanças não afetam só a forma de consumir filmes e séries como também mudam a vida de quem faz esses produtos. Até pouco tempo atrás, os mercados de TV e cinema nos Estados Unidos eram muito distantes. O sonho de quem fazia TV era ser “promovido” ao cinema (Katherine Heigl que o diga), e o caminho inverso, do cinema para a TV, era considerado um rebaixamento. E olha como estão as coisas hoje. Henry Cavill, o Superman da Warner, assinou recentemente com a Netflix.

Por outro lado, é universal a queda de audiência das formas tradicionais de disponibilização de conteúdo em massa, mais conhecida como TV aberta. E sempre que se fala nesse assunto, surge o velho questionamento: a TV vai morrer? A resposta é: dado o histórico que a comunicação tem, certamente não. E a explicação é simples, vem da natureza: nada se perde, tudo se transforma.

Mesmo que uma geração inteira esteja se criando diante da real opção escolha do que assistir, talvez demore muitos anos para que a televisão, essa que conversa com a massa, necessite mudar radicalmente tão depressa assim. O consumidor que gosta de noticiários, esporte e programação ao vivo, por exemplo, pode não ver streamings como Netflix como tanta empolgação. E acredite, é muita gente (pelo menos por enquanto). Já quem faz questão de acompanhar apenas filmes e séries, o streaming já serve melhor e pode substituir a TV por assinatura.

Já existe uma movimentação para que o conteúdo da TV aberta brasileira já esteja disponível aos fãs de streaming, mas tudo parece muito experimental. São público muito diferentes. De qualquer forma, por mais brilhante que seja a realidade on demand, o caráter massivo da televisão é o que protege esse mercado de toda essa evolução. Mas se o streaming der um novo passo e passar a oferecer noticiários e coberturas ao vivo, aí a gente senta e conversa de novo porque a briga vai ser pesada.

Como será o futuro?

Mas, se a gente parar para pensar um pouco, o futuro on demand já não é tão só do futuro assim. O consumidor do presente já está cercado dessas plataformas por demanda, como os exemplos citados no segundo parágrafo, e a grande questão está sobre a sobrevivência da próxima etapa dessa evolução: todo mundo vai querer ter um streaming para chamar de seu.

Chegou a hora do Volts especular. A princípio, o sucesso da Netflix fez com que grandes produções de Disney e Fox, por exemplo, fossem disponibilizadas no próprio catálogo. Mas não demorou muito para que as gigantes do entretenimento achassem uma boa ideia ter o próprio serviço de streaming. O resultado foi a Netflix se despedindo de títulos importantes e investindo pesado para ter os próprios conteúdos.

Hoje, a média de preços cada serviço varia entre R$ 15 e R$ 50. Talvez não mude tanto a médio prazo. No entanto, se cada grande marca pretende ter o próprio serviço, como o mercado vai se comportar com o fato de que, possivelmente, o público desses produtos não tenham dinheiro disponível para pagar tantos serviços?

E pode ser nessa dificuldade que os novos papeis da TV e streaming consigam ser melhor definidos. As alternativas de futuro ainda são muito variadas, mas, ao que tudo indica, a chega da Disney no jogo pode clarificar as coisas ou bagunçar ainda mais esse cenário que não tem mais volta. Nem tem o porquê de ter. Só nos resta sentar e assistir acontecer.

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