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MCU: A FASE QUATRO (SPOILERS)

Tudo que sabemos sobre o futuro da Marvel, com teorias do que esperar da tão aclamada fase quatro.

Endgame é um termo que ficou popularizado no jogo de xadrez, ele marca a transição do meio do jogo para seu final, onde ambos os lados de jogadores apresentam, com uma simples mudança de estratégia, seu movimento com apenas algumas peças restantes no tabuleiro, para, por fim, dar o xeque mate. Em Vingadores vemos exatamente isso, os sobreviventes estão aflitos e apelando para sua última linha de defesa: o desespero. Em um filme que trouxe consigo não somente a conclusão épica tão aguardada para uma década de fãs, como também o desfecho da Saga do Infinito, encerrando uma era da Marvel dentro do cinema.

No entanto, Ultimato não pode ser visto como o fim, mas sim como um marco, uma porta de entrada para um novo capítulo a se iniciar. Dentro do contexto de xadrez, o xeque mate foi executado, porém uma nova partida irá se iniciar, com novos jogadores e novas estratégias a serem postas em jogo. Com a Saga do Infinito completa, a fase quatro oficialmente se inicia a partir de 2020, trazendo consigo uma nova leva de personagens, introduzidos nos últimos dez anos, que agora terão o seu momento de integrar uma nova equipe de Vingadores, com a missão de defender não somente a Terra, mas sim a galáxia e outras dimensões inteiras. O MCU ganhou proporções imensas, com Kevin Feige agora tendo expandido seu arsenal devido a compra da Fox, dando mais espaço (literalmente) para que o mundo dos quadrinhos se molde nos olhos de espectadores nos cinemas.

Pensando nisso e ainda processando os eventos de ontem a noite, com a pré-estreia de Vingadores: Ultimato, a equipe do Volts traz um mapa, apresentando todos os filmes confirmados dentro da fase quatro do MCU e um breve resumo do que esperar dessa nova matriz de heróis. Como vamos abordar um pouco do futuro da Marvel, o presente se torna um grande aviso de SPOILERS, então leia ao seu próprio risco, e sinta-se a vontade de compartilhar suas expectativas e teorias sobre a expansão desse novo universo que vamos testemunhar.

  • Viúva Negra:

Depois de um década sendo Natasha Romanoff, Scarlett Johansson finalmente vai ganhar um filme para chamar de seu, tendo sido apresentada como a agente dupla Viúva negra em Homem de Ferro 2 (2010), Johansson se tornou uma das heroínas mais famosas e prestigiadas dentro do MCU, sem contar de ser a única mulher a integrar a formação original dos heróis mais poderosos da Terra. Seu filme solo vai tratar muito possivelmente de uma história de origem, já que a personagem foi oficialmente morta em Endgame, com isso, teremos a oportunidade de explorar arcos já mencionados em outros filmes desse universo.

O filme deve se passar na Rússia, onde veremos uma jovem Romanoff sendo treinada no quarto vermelho KGB para se tornar a assasina que conhecemos, com isso, teremos um olhar mais profundo e psicológico no passado da Viúva e das visões que fomos apresentados em Era de Ultron.

Nesse contexto, seremos introduzidos ao projeto Viúva Negra, aprendendo de que esse título se remete não somente a Natasha, mas sim pertencendo ao grupo de agentes, treinadas para seduzir e matar. Além disso, o filme pode abordar o primeiro encontro de Natasha com o Soldado Invernal, mencionado pela mesma em Capitão América 2, trazendo assim, Sebastian Stan como o personagem para o filme.

  • Os Eternos

Confirmado por Kevin Feige no ano passado, os Eternos vai expandir o universo cósmico da Marvel, que já apresenta peças importantes como Capitã Marvel e os Guardiões da Galáxia em seu catálogo. O filme também vai abordar uma origem, se passando diversos séculos antes de qualquer evento que remete ao MCU, introduzindo essas criaturas que são elevadas ao nível de deuses. No entanto, os Eternos são a porta para algo muito maior dentro da expansão desse Universo, sendo eles, nos quadrinhos, responsáveis pela criação dos X-Men, algo que agora faz parte do MCU graças a aquisição da Fox pela Disney. Com isso, acreditamos que os Eternos, sendo deuses como são, irão deixar o gene X na Terra, para ser ativado nos tempos atuais, resolvendo assim de maneira eficiente, a introdução de uma nova raça inteira dentro de um universo já consolidado .

O filme ainda contará com Angelina Jolie, e por fim, vai levantar a bandeira em questões sociais dentro do MCU, tendo sido confirmado, por Feige, a ser o primeiro filme com um protagonista LGBT+.

  • Guardiões da Galáxia Vol. 3

Em 2014 fomos introduzidos ao grupo de desajustados espaciais que conquistaram nossos corações, com uma simples frase: ‘’we are groot’’, os Guardiões da Galáxia se tornaram um dos sucessos mais inesperados da Marvel. Agora, essa equipe conta com uma nova adição de peso, o Thor, que como vemos no final de Ultimato,  vai para o espaço na tentativa de descobrir o seu verdadeiro significado como pessoa e herói. Isso dá abertura para que os quadrinhos mais atuais sejam adaptados, como Asgardianos das Galáxias, que conta exatamente com Thor e Valquíria fazendo parte dessa equipe.

O Vol 3. é a conclusão da trilogia dos Guardiões dentro do MCU e a história vai contar com Peter Quill em busca de Gamora, já que o mesmo está convencido de que os efeitos da jóia da alma podem ser desfeitos. Além disso, Vol 3. vai introduzir um dos personagens mais esperados e temidos da Marvel: Adam Warlock, o Sentinela.

Warlock foi provocado no último filme dos guardiões e agora com o MCU movendo com força total para uma galáxia tão distante, ele se torna personagem chave para termos uma ideia do nível de poder que essa nova fase de heróis terá de enfrentar. O Sentinela é dito por ter o poder de cem mil sóis, mas o que o torna perigoso é na verdade seu psicológico. Warlock é seu próprio vilão, tendo uma dupla personalidade chamada de Void, para cada boa ação que o Sentinela faz, o Void faz uma de mesma intensidade porém oposta.

  • Homem-Formiga (3) e a Vespa

Seguindo a mesma linha de Guardiões da Galáxia, Scott Lang e Hope Van Dyne carregam consigo a memória da fase três do MCU, com sua trilogia ainda não tendo sido terminada, agora fazendo parte de um capítulo, fora da Saga do Infinito. O filme vai abordar mais da sua pegada familiar, ainda mais agora que, com o salto de tempo para cinco anos no futuro, vemos uma Cassie Lang muito mais velha. Nos quadrinhos, Cassie se torna a heroína Estatura, carregando não somente o manto do Homem-Formiga, mas também sendo uma das membros de maior destaque em Jovens Vingadores. Nesse filme, veremos um Scott muito mais adulto e seguro de si, provavelmente no fim de sua trilogia, assumindo uma espécie de posição de mentor para as novas gerações de Vingadores que estão por vir.

  • Capitã Marvel 2

A mais nova entrada no clube do um bilhão da Marvel, Carol Denvers se provou como a criatura mais forte do MCU de uma vez por todas com seu embate contra Thanos em Endgame, se mostrando a arma de alto calibre e última estância dos Vingadores. A continuação da saga de Denvers pode tomar dois direcionamentos diferentes, um deles trazendo eventos do passado, de uma Carol Denvers recém saída da Terra e em busca de ajudar outros planetas, culminando em solidificar suas experiências como protetora de universos até o ponto que o chamado de Fury chega nela, criando uma conexão com o resto do universo já estabelecido na fase três.

No entanto, a maior aposta para a continuação de Capitã Marvel é que o filme se passe em eventos posteriores a Ultimato, com Carol se desenvolvendo para se tornar o rosto que representa esses novos Vingadores. Além disso, Brie Larson e Tessa Thompson (Valquíria) estão puxando um arco LGBT+ para seus personagens, e pela maneira como Larson escolheu representar seu personagem no último Vingadores, é bem possível de ver essa direção sendo seguida. Por fim, com Capitã Marvel se tornando esse simbolo de liderança e representatividade, é extremamente possível que sua trilogia se feche com um filme focando no time A-Force, uma equipe composta somente de mulheres do MCU, algo que também já foi provocado no último filme.

  • Shang-Chi

O MCU expandiu seus horizontes em todos os sentidos, com a confirmação de Shang-Chi por Kevin Feige em Outubro de 2018, a Marvel procura atingir um novo público, buscando o crescente e poderoso mercado asiático. Shang-Chi também chega com uma agenda forte de representatividade, sendo o primeiro herói de descendência oriental a ser título solo de um filme de heróis. Muito possivelmente, vemos aqui mais um filme de origem, numa dimensão um pouco menor que a maioria dos filmes fazendo parte dessa lista, Shang-Chi é um mestre em todas as artes marciais, que por muitas vezes foi dito como o melhor lutador do universo.

Esse filme vai servir o mesmo próposito que Doutor Estranho apresentou em 2016, introduzindo um novo personagem que expandia as dimensões do MCU fora do ramo ciêntifico, aqui servindo como uma folga de poderes côsmicos e galáticos, mostrando as origens do MCU que é tão conhecido por cenas extremamente bem coreografadas de luta, como podemos ver com Viúva Negra e Capitão América.

  • Doutor  Estranho 2

O Mago Supremo da Terra se tornou uma das maiores forças para se temer desde sua aparição, deixando isso mais evidente quando em Guerra Infinita, se tornou a primeira linha de defesa contra Thanos. Agora já consolidado e com a benção do finado Tony Stark, Stephen Strange terá a missão de proteger as realidades criadas pelos eventos de Ultimato, para que nenhuma delas tenha se sofrer o poder das jóias novamente. No entanto, ele não estará sozinho, como o próprio diretor já nós atiçou, o rei submarino está vindo para a superfície, então muito possivelmente, veremos Namor e Stephen Strange entrarem em um embate físico, mas especialmente ideológico.

Com a possivel introdução de Namor no MCU, temos consequências de duas formas, uma delas sendo física, com a expansão desse universo para outro extremo, saindo dos céus e mergulhando no fundo do oceano, onde Namor é o governador. No entanto, creio que mais importante ainda, é que a presença de Namor simboliza a consolidação de uma fundação secreta dentro dos Vingadores, os Illuminati. Essa organização conta com as mentes mais brilhantes dentro do universo Marvel, que agem com o intuito de prevenir eventos catastróficos.

Esse tipo de direcionamento viria de Doutor Estranho, que agora é encarregado de uma responsabilidade muito maior, com as diversas linhas do tempo, mas também seria uma forma de honrar a memória de Tony Stark, consolidando o respeito mútuo desenvolvido entre os dois.

  • Pantera Negra 2

T’Challa, assim como Doutor Estranho, é um legado de uma memória, sendo a peça final da nova trilogia do MCU sendo formada. Pantera Negra 2 vai trazer elementos mais políticos, dando outra camada de complexidade para o universo da Marvel, o herói vai tomar uma posição de rei e arcar com as consequências de ações em larga escalada de heróis, servindo como um embassador para esse novo mundo que se formou depois dos eventos de Ultimato.

O filme agora vai se apoiar ainda mais na representatividade, dando um desafio para o Pantera que vai além do físico, com uma vilã que vai desafiar o intelecto e as morais do rei de Wakanda. A aposta para a nova ameaça da coroa é Dra. Nightshade, uma cientistica de alto calibre, com uma das mentes mais brilhantes do universo Marvel, que provavelmente vai se opor as maneiras como o mundo é visto por Wakanda e vice versa.

Além disso, com a aquisição da Fox pela Disney, é extremamente possível que veremos uma das personagens mais importantes dos mitos de Pantera Negra fazendo o seu debut, Ororo Munroe, mais conhecida como Tempestade. Com isso, veremos a heroína se tornar não somente a maior aliada do povo de Wakanda, mas seguindo sua versão nos quadrinhos, a rainha suprema de Wakanda.

Artigo Otaku

Artigo Otaku | Eterna paixão por katanas (Parte 01)

Letais, essas armas são fonte de inspiração para um gênero cinematográfico.

A paixão por espadas e espadachins é algo muito comum em diversas sociedades. Na maioria dos casos envolve histórias palacianas ou de cavalaria.

No outro extremo do mundo, as espadas – chamadas katanas – e os espadachins – os samurais – também tornaram-se parte do folclore mundial que alimenta narrativas a respeito de combates incríveis decididos na habilidade, na sorte e às vezes na artimanha (que o diga o lendário Musashi Miyamoto em seu duelo épico contra Kojiro Sasaki, vencido com uma espada de madeira feita de um remo escondido pelo rival sob a areia).

A forma como essa história é contada hoje deixa dúvidas entre o real e o ficcional. Muitos estudiosos acreditam que de fato houve um duelo entre os dois lendários samurais, mas que seu desenvolvimento foi menos glorioso que o retratado nas lendas e contos populares.

Musashi e seus alunos teriam assassinado Kojiro em prol de livrar o bushidô (caminho do guerreiro) de alguma técnica ameaçadora como o Tsubame Gaeshi [Rasante da Andorinha] oriundo do estilo de luta do derrotado. Assim, o estilo de luta com duas espadas de Musashi foi o que se perpetuou nos dias atuais dando forma ao que conhecemos como kenjutsu e kendô.

Ganryujima, o fatídico duelo entre Musashi e Kojiro. Autor não indetificado.

Esse fascínio por katanas e samurais presente na tradição popular tanto na História quanto no Folclore nipônico desdobrou-se em elemento midiático no início do século XX. Sendo mais preciso, no fim da Era Taisho (1912-1926) os primeiros trabalhos midiáticos envolvendo mangás, animês e cinema conquistavam o público japonês. Muito inspirado no Teatro Kabuki, as tramas com elementos históricos (jidaigeki) envolvendo lutas com espadas (kengeki) inseriam no vocabulário do mundo termos como samurai, ronin, shogun e katana.

Nascia assim o Chambara-Eiga (Filme de Samurai), gênero cinematográfico legitimamente japonês que ajudou a popularizar no resto do globo a imagem idealizada de justiceiros especialistas no combate de espadas, que primavam pela honra no campo de batalha. O pontapé inicial veio com Orochi (1925) de Buntarou Futagawa. Já na era seguinte, a Showa, títulos como: Os 47 Ronins (1941), de Kenji Mizoguchi, e Rashomon (1950), de Akira Kurosawa, juntaram-se a outros que ajudaram a consolidar o gênero dentro e fora do arquipélago.

Cena de Orochi (1925) por Buntarou Futagawa
Cena de Rashomon (1950) dirigido por Akira Kurosawa

Esse processo tem como principal representante o diretor Akira Kurosawa. Tendo talento para chamar a atenção dos amantes da sétima arte no ocidente, Kurosawa alimentou a imagem do samurai como um herói humanizado sujeito aos paradigmas morais e imorais do feudalismo japonês e reconstruiu as narrativas palacianas e de guerra provocando o imaginário do telespectador com dramas não fantasiosos como nas narrativas medievais europeias.

O Chambara-Eiga passa por um período de pouco prestígio durante a Segunda Guerra Mundial, mas volta a ser relembrado pelo mundo em 1954 com Os Sete Samurais de Akira Kurosawa, que retrata o embate de sete guerreiros pela proteção de um pobre vilarejo acuado por bandidos. Este filme se tornou um ícone mundial e key inspiration para muitos outros roteiros em Hollywood, com destaque para sua primeira adaptação Sete Homens e Um Destino (The Magnificient Seven) dirigido em 1960 por Jhon Sturges.

Até a sua morte em 1998, Kurosawa emplacou mais seis longa-metragens do gênero passeando entre o cinema P&B até as cores. São eles: Trono Manchado de Sangue (1957), A Fortaleza Escondida (1958), Yonjimbo (1961), Sanjuro (1962), Kagemusha – A Sombra do Samurai (1980) e Ran (1985). Importante destacar que desta lista: “Ran” é uma adaptação de Rei Lear de William Shakespeare; “Kagemusha” foi nomeado para o OScar de Melhor Filme Estrangeiro; e “A Fortaleza Escondida” é o key inspiration para a saga Star Wars de George Lucas.

Cena de Os Sete Samurais (1954) por Akira Kurosawa
Cena de A Fortaleza Escondida (1958) por Akira Kurosawa
Cena de Kagemusha (1980) por Akira Kurosawa

Para além de Kurosawa, Hiroshi Inagaki contribuiu com sua Trilogia do Samurai (1954-1956), Masaki Kobayashi com Harakiri (1962), e Kon Ichikawa com 47 Ronins (1994), numa nova leitura do Incidente de Ako. Este mesmo filme de Ichikawa inspirou um filme americano de mesmo nome estrelado por Keanu Reeves em 2013.

Ao longo dos anos a paixão por filme de samurai conquistou o mundo e inspirou diversas outras histórias nas mais diversas mídias. Junto dos samurai, os ninjas também conquistaram seu público e popularizaram por muitas gerações o mais tradicional do estilo de vida nipônico, embora muitas vezes romantizado demais.

Essa paixão, obviamente, também deixou raízes em mangás e animês. Com muitos dos mangakás inspirados por Akira Kurosawa e contemporâneos, ainda é comum encontramos mangás que adaptam suas histórias no período feudal japonês ou trazem ao contexto do presente essas personagens simbólicas.

É o caso de Rorouni Kenshin (Samurai X, no Brasil) que entre 2012 e 2014 ganhou sua própria trilogia no cinema live-action dirigida por Keishi Ohtomo. Trilogia que entre os fãs do mundo inteiro é respeitada como a melhor adaptação de mangá/animê já feita até então.

Cena de Rorouni Kenshin (2012) por Keishi Ohtomo.

Percebe-se então que mesmo agora a paixão que temos pelas katanas se perpetua e não dá indícios de morte. O Chambara-Eiga é só um movimento dentro desta relação. Representando o mundo dos samurais num estado puro, mas não completamente real, pois a corrupção existente dentro do universo dos samurais é uma verdadeira mancha na cultura japonesa, ao mesmo tempo que é peça fundamental para sua formação como sociedade.

Nós, do outro lado da narrativa – os estrangeiros – só enxergamo-os como heróis muito devido ao empacotado midiático ofertado nas últimas gerações. Não que isso seja um real problema a primeira vista, contudo é necessário sim saber que esse samurai, figura romantizada, por muitas vezes cumpria papel não só de justiça, mas de tirano sobre a égide da falácia de honra em seu discursos.

As katanas, armas invejadas e idolatradas por muitos como representação da força, não são apenas símbolo de vitória e poder. Também são sinônimo de morte, solidão e terror.

Esse posicionamento pode ser presenciado em obras como Lobo Solitário e Dororo, onde o ronin – samurai sem senhor – é o ponto de fuga para ilustrar a boa índole que essas personagens históricas diziam defender. Mas isso é assunto para um segundo artigo.

Até a próxima e… Sayonara!

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7 Séries Para Acompanhar Pós Game of Thrones

Com o fim eminente de Game of Thrones, a equipe Volts preparou uma lista, com sete séries para curar o luto dos fãs

A maior série do mundo está chegando ao fim, com um episódio explosivo nesse domingo, Game of Thrones tem somente mais uma semana antes do seu épico final. Com isso, veremos um mundo, que depois de oito anos vai se despedir do universo das Crônicas de Gelo e Fogo, colocando espectadores do mundo inteiro em luto. Pensando nisso, a equipe do Volts resolveu acalmar o coração dos fãs de Game of Thrones, com sete séries, de alta produção, com enredos eletrizantes, ajudando assim, vocês a lidarem com este imenso luto.

1. THE HANDMAID’S TALE

A série, baseada na obra homônima de Margaret Atwood, tem ganhado a atenção do público de maneira poderosa desde sua estreia em 2018, quando foi lançada no sistema de stremio da Hulu. Ambientada num futuro distópico, a série mostra o retrocesso dos Estados Unidos para um modelo de governo patriarcal, onde a meritocracia é extremamente presente e a diminuição da voz e figura feminina é brutal. o Conto da Aia, no português, tem se mostrado uma das séries mais relevantes dessa década, por abordar de maneira gráfica e realista temas discutidos mundialmente, como o assédio e objetificação da mulher, que aqui, são colocadas numa posição de incubadores humanas. A série, que está em sua segunda temporada, tem sido bastante aclamada, recebendo prêmios como o Emmy de melhor atriz para Elisabeth Moss.

2. BIG LITTLE LIES

Uma das maiores produções da HBO no ano passado, Big Little Lies retorna em junho desse ano, com uma adição de peso em seu elenco: Meryl Streep, em seu primeiro papel televisivo. A série, aclamada do emmy, com o título de melhor atriz e melhor atriz coadjuvante em sua série limitada, conta sua história de trás pra frente, sendo apresentado desde o primeiro episódio um assassinato e seus suspeitos, enquanto mescla com o passado, contando a trama de cinco mulheres, vivida por atrizes de peso como Nicole Kidman e Reese Whiterspoon. O mistério extremamente bem desenvolvido agregado a uma atuação soberba de um elenco de peso, faz com que o espectador fique inquieto e preso nesse mundo, sempre tentando conectar as peças do que levou aos eventos iniciais desta série sensacional.

3. LEGION

Se passando dentro do âmbito de X-Men, Legion é uma das produções de maior peso dentro da FX, construindo um universo extremamente complexo, mas que deleita seus expectadores, por um roteiro bem desenvolvido. Legion conta a história de David Haller (vivido por Dan Stevens de A Bela e a Fera e Downton Abbey), um mutante classe ômega, que apresenta transtorno de personalidade, onde cada uma de suas faces apresenta uma mutação diferente. A série, que conta com efeitos especiais de alta qualidade, que ajudam a acentuando o bizarro foi uma das maiores surpresas de 2017, onde agradou fãs de quadrinhos e heróis, dando um dos personagens mais aclamados da saga dos X-Men, mas também, criando um universo que puxa qualquer expectador para dentro. Legion, retorna esse ano, para sua terceira temporada, onde aposta ainda mais no bizarro e na construção em um dos melhores personagens da televisão atualmente.

4. WATCHMEN

Outra produção da HBO, Watchmen é a nova aposta do canal pós Game of Thrones, sendo adaptado dos quadrinhos brilhantes de Alan Moore e Dave Gibbons. Essa série, que tem sua estreia para esse ano, contará uma história madura, se passando anos depois dos eventos iniciais de Watchmen, trabalhando com um roteiro que vai mesclar elementos do seu material base com um aspectos atuais. Sua abordagem extremamente realista frente a temas como o conflito político-social, do povo contra uma justiça cega, vai tornar essa série uma das mais aclamadas de sua geração, fazendo não somente jus aos quadrinhos, que são considerados um obra de arte, mas também, elevando seu material. Watchmen, além de ser uma das grandes apostas para o futuro HBO, com uma super produção, vai contar também com um elenco de peso, entre eles Jeremy Irons e a ganhadora do oscar de melhor atriz coadjuvante, Regina King.

5. COBRA KAI

Talvez a maior surpresa do ano passado tenha sido Cobra Kai, a série é parte da plataforma de stremio do Youtube, intitulado de Youtube Red. A Série é ambientada no universo do clássico dos anos noventa, Karate Kid, se passando trinta anos depois que Daniel-San ganhou seu campeonato de karatê. Cobra Kai conta com um fator nostalgia muito grande, não somente se apoiando na fama dos filmes originais, mas também, com a presença do elenco original inteiro. No entanto, essa série brilha por si só, com uma comédia bem trabalha, que impulsiona seu elenco para a melhor direção possível, Cobra Kai se torna uma produção de peso, tendo sido extremamente bem elogiada por críticos, especialmente pelo fato de não decepcionar, trinta anos depois, de trazer a magia dos dojos de volta. A série, que está disponível no Youtube, foi oficialmente confirmada para sua terceira temporada.

6. THE MARVELOUS MRS. MAISEL

A série aclamada pelo Emmy, tendo ganhado no ano passado os prêmios de melhor direção, melhor roteiro, melhor série e melhor atriz numa série de comédia não poderia faltar nessa lista. The Marvelous Mrs. Maisel é uma série como nenhuma vista antes, sendo criada e dirigida por Amy ShermanPalladino, a mente brilhante por trás de Gilmore Girls, ela brilha por ser peculiar, agindo muitas vezes como ar fresco no meio de tantos shows mediano, por se superar em todas as categorias. Palldino aqui brilha em seu ambiente, criando personagens não somente extremamente carismáticos, mas também de uma inteligência soberba. A série segue Midge Maisel (interpretada pela brilhante Rachel Brosnahan), uma dona de casa que após a traição do marido resolve se tornar stand-up em Nova York nos anos sessenta. A série, que é exclusiva da Amazon Prime, depois da fama monstruosa e merecida, foi renovada para sua terceira temporada.

7. HIS DARK MATERIALS

Por fim, contando com outra aposta gigantesca para o futuro da HBO, temos His Dark Materials, série que irá explorar o mundo mágico das obras de Philip Pullman, como a Bússola de Ouro. A produção, que é feita pela BBC em parceira com a HBO, tem sua estreia para julho desse ano, e vai contar com um elenco de peso, com atores como James McAvoy (X-Men, Fragmentado), Dafnee Keen (Logan) e Lin-Manuel Miranda (Hamilton). His Dark Materials, vai expor telespectadores e toda uma nova geração a esse mundo, que encanta por sua construção tão magnifica, contando com bruxas, daemons, criaturas que representam em forma de animal, nossas almas fora de nossos corpos e ursos polares guerreiros, enquanto seguimos a jovem Lyla Belacqua, uma garota de doze anos, que guiada por sua bússola de ouro tem a missão de salvar diversas dimensões.

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Artigo Otaku

Artigo Otaku | Endgame, Detective Conan e De Pernas pro Ar 3

Japão mais uma vez surpreende dentro de casa e levanta o debate sobre distribuição.

Quando Thanos disse ser inevitável ele se equivocou plenamente. As ações de Tony Stark provam isso de forma simples. Outra coisa que prova isso é saber como o blockbuster de maior sucesso no mundo tropeça de forma besta numa única franquia de animação japonesa: Detective Conan.

Dados do site Box Office Mojo revelam que durante o fim de semana de 04 à 05 de maio um total de 38 países seguem com Avengers: Endgame na liderança das suas respectivas bilheterias nacionais. O Brasil apresentou um arrecadação bruta de pouco mais de 15 milhões em dólares neste período. A China teve a maior bilheteria com mais de 64 milhões em dólares.

Considerando que essa era a segunda semana do filme em cartaz, temos um resultado bastante satisfatório e que justificam sua ascensão rápida ao Top 02 das maiores bilheterias mundiais de todos os tempos. Mas ao que parece o japonês não consegue acompanhar esse raciocínio. Isso porque o país é o único onde nesse intervalo de tempo outro título liderou o ranking do fim de semana citado: Detective Conan: The Fist of Blue Sapphire, o 23º filme da franquia.

O filme animado japonês rendeu apenas 5,2 milhões de dólares, mas desbancou Endgame. Como o site apresenta a métrica considerando o público de fim de semana é certo que os valores são bem maiores numa contagem de sete dias, só que o ponto aqui é que de novo Thanos e os Vingadores não conseguiram desbancar a animação da casa.

Fonte: www.boxofficemojo.com

Em 2018 o mesmo aconteceu com Avengers: Infinty War só que na época da estreia. O filme ficou em segundo perdendo para outro momento de Detective Conan no cinema, que já estava em sua terceira semana. Neste ano o filme de n°23 estreou duas semanas antes da película da Marvel e vem se mantendo à frente quase o tempo todo.

Na estreia de Endgame o filme alcançou bilheteria semanal de 13,1 milhões de dólares. Já Detective Conan alcançou 13 milhões de dólares, o que coloca ambos em 19ª e 20ª colocação geral no ranking japonês de grandes estreias. Num comparativo o Detective Conan e Guerra Infinita de 2018 ficaram em 24ª e 53ª posição respectivamente.

Um ano atrás eu disse que o japonês ainda é fortemente ligado ao que é seu, e isso inclui aos produtos midiáticos. A paixão dos fãs nipônicos à franquia Detective Conan consegue disputar de igual para com os blockbusters internacionais. Obviamente não é uma disputa para impedi-los de ser grandes lá também, mas sim não serem únicos.

O que nos leva a outro ponto deste debate aqui no Brasil. Após a estreia arrasadora de Avengers: Endgame com mais de 2 mil salas contra apenas 546 do longa-metragem brasileiro estrelado por Ingrid Guimarães, em diversos momentos vimos matérias questionando o problema da distribuição de salas e do pouco caso dado ao cinema nacional nesse tipo de situação. Vale lembrar que o filme perdeu quase metade de suas salas com a estreia da Marvel (inicialmente eram 1010 salas).

Brasileiros em sessão de Avengers: Endgame. (Foto: Marcelo Regua/Agência O Globo)

Eles culpam a não regulamentação da “Lei da Dobra” para justificar a queda no rendimento do filme. Ao O Globo, Mariza Leão – produtora do filme – disse que a falta de fiscalização da Ancine possibilita que as produções nacionais sejam desvalorizadas diante dos blockbusters internacionais.

Mas olhando os dados do filme no Box Office Mojo podemos ver que no fim de semana de estreia De Pernas pro Ar 3 ficou em 2º lugar atrás de Shazam!, que já estava na sua segunda semana com uma diferença de arrecadação aproximada em 500 mil (em dólares!) entre um e outro, 2,3 milhões e 1,8 milhões respectivamente.

O curioso é que no fim de semana seguinte ao de sua estreia, De Pernas pro Ar 3 foi ultrapassado por Breaktrough (Superação: Um Milagre da Fé), filme cristão que foi o melhor entre 19 e 21 de abril liderando o ranking e sendo seguido por Shazam! e a produção nacional. Naquele fim de semana a produção evangélica arrecadou no Brasil 1,7 milhões de dólares e o filme de Ingrid Guimarães 1,3 milhões. Na soma dos dois fins de semana, De Pernas pro Ar 3 tinha um saldo melhor com 3,89 milhões contra 3,10 milhões (ainda em dólar). Detalhe, Breaktrough e De Pernas pro Ar 3 estrearam juntos no dia 11 de abril.

Então no fim de semana de estreia de Avengers: Endgame o filme brasileiro reassumiu o segundo lugar e se mantém assim até o último fim de semana já no início de maio com um somatório de mais de 6 milhões em dólares de valores arrecadados.

Olhando os casos dispares de Dectetive Conan e De Pernas pro Ar 3 o que concluímos é que a indústria do cinema nesses dois países enxergam seu público de maneira completamente diferente. Infelizmente o site Box Office Mojo não informa a quantidade de salas destinadas ao filme nipônico, o que mesmo assim não nos ajudaria a comparar nada em específico visto que são dois tipos de públicos-alvo.

Mesmo assim não é nada absurdo observar que o filme brasileiro até tem um bom desempenho, contudo sua data de lançamento parece das mais equivocadas possível. O que é diferente no Japão, pois muitos dos filmes mais esperados – e a própria franquia Detective Conan – são lançados entre os dois fim de semana que antecedem a Golden Week, o principal feriado nacional de lá, que atrai muita gente às telonas.

Cinema do grupo Toho no Japão, um dos três que monopolizam a indústria por lá

Encerro esse artigo com um detalhe importante: O custo médio de uma sessão de cinema no Brasil é de R$30,00. No Japão esse valor duplica chegando a aproximadamente R$62,00 colocando o país na sétima posição dos cinemas mais caros do mundo.

A experiência de cinema no Japão chega a ser considera de luxo, pois em média um casal gasta quase R$200,00. Entretanto, envolve bastante conforto e outras novidades como cinema 4D e etc.

Por fim, digo que o falta ao empresário do ramo de cinema no Brasil é mais planejamento. A filmografia já é bem recebida pelo público, mas competir com blockbuster com dezenas de heróis reflete certo amadorismo. Talvez quando for nossa vez de apresentar super-heróis nas telonas repitamos as surpresas dos japoneses e nos tornemos calo no pé de certo vingadores. Jaspion vem aí para isso!

Até a próxima e… Sayonara!

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