Lista de 5 | Curiosidades sobre His Dark Materials de Philip Pullman

Lista de 5 | Curiosidades sobre His Dark Materials de Philip Pullman

A adaptação de His Dark Materials, da BBC e HBO, uma das maiores sagas da fantasia de todos os tempos está prestes a ser o primeiro volume na renascença do Fantasy na TV pós Game of Thrones.

O trailer divulgado no painel da San Diego Comic-Con trouxe uma ideia mais concreta do que aguarda o expectador na aventura de Lyra Belacqua e seu dæmon Pantalaimon por multiversos, partindo de uma Oxford muito parecida com a do nosso mundo, mas onde não houve Renascimento, Iluminismo e nem Reforma Protestante.

Para preencher o tempo com material nada obscuro enquanto esperamos os leitores de aletiometro chegarem, o Volts separou uma lista com cinco curiosidades para entender melhor o que é His Dark Materials

Satanás no Penhasco, ilustração de Paraíso Perdido

Paraíso Perdido, de John Milton

O primeiro volume da saga, The Northern Lights (A Bússola de Ouro, no Brasil) foi publicado em 1995, e Pullman usou uma frase do poema épico Paraíso Perdido, de John Milton para intitular seu trabalho mais famoso:

“Into this wild Abyss/ The womb of Nature, and perhaps her grave–/ Of neither sea, nor shore, nor air, nor fire,/ But all these in their pregnant causes mixed/ Confusedly, and which thus must ever fight,/ Unless the Almighty Maker them ordain/ His dark materials to create more worlds,–/ Into this wild Abyss the wary Fiend/ Stood on the brink of Hell and looked a while,/ Pondering his voyage; for no narrow frith/ He had to cross”.

O uso do termo já dava pistas claras que, mesmo sendo marcado como infanto-juvenil, a história trazia temas não comuns para a audiência como ciência experimental, matéria escura, pecado original, filosofia da religião e o controle do conhecimento nas mãos de uma igreja.

Em verdade, His Dark Materials e Paraiso Perdido andam de mãos dadas, sendo o primeiro uma releitura de um dos temas centrais do segundo, o pecado original. Pullman troca o Deus poderoso por uma divindade frágil e em decadência chamada A Autoridade. Em vez de Eva sendo expulsa do Paraíso por ousar querer conhecimento, Lyra cresce e descobre o poder para desafiar o Magisterium, a mais poderosa organização religiosa do seu universo.”Minha história gira em torno da necessidade de crescer, uma recusa em lamentar a perda da inocência”, escreveu Pullman na introdução de uma das edições de Paradise Lost no Reino Unido.

Aletiômetro no filme Bússola de Ouro, 2007

A Bússola de Ouro é um título equivocado

O título americano do primeiro volume é The Golden Compass, a versão brasileira foi feita com uma tradução desse, ficando A Bússola de Ouro, mas é um erro, já que o título original do livro na edição britânica é The Northern Lights, As Luzes do Norte. A bússola no título errôneo se refere ao aletiometro, o aparelho criado para a história onde é possível ler a verdade através de símbolos, enquanto as Luzes do Norte se referem à Autora Boreal, as luzes encontradas no Hemisfério Norte da Terra, tanto na dimensão de Lyra quanto na do leitor.

A confusão se deve ao fato de que Pullman pegou dois trechos do poema Paraíso Perdido para nomear sua saga. Primeiro ele pensou em “The golden compasses, prepared / In God’s eternal store, to circumscribe / The universe, and all created things”, mas “compass” no caso se refere à ferramenta usada para desenhar círculos – o compasso – , e não ao instrumento de navegação.

Quando Pullman submeteu o primeiro volume aos americanos da Knopf eles entenderam que compass – bússola – o aletiometro. Pullman deixou de lado e a confusão permanece até hoje. “A obstinação deles nesse assunto foi acompanhada por tamanha generosidade no adiantamento de royalties, bajulação, promessas de publicidade, etc., que achei que seria grosseiro negar-lhes esse pequeno prazer”, contou Pullman em entrevista sobre a troca dos nomes.

No Brasil, aliás, o nome da saga é As Fronteiras do Universo, o que também não faz nenhum sentido quando se lembra que parte do plot é sair rasgando o véu que separa os universos.

A Dama com Arminho, DaVinci; e Senhora com um Esquilo e um Estorninho, Hans Holbein

Pintores clássicos, e não Satanás, inspiraram os dæmos

Apensar da confusão entre a sonoridade de dæmon e demons (demônio, em inglês) fazer muita gente arrepiar os cabelos, os pequenos animais que personificam a alma humana e andam lado a lado com os humanos em His Dark Materials foram inspirados em quadros de pintores renascentistas e pós renascentistas, onde mulheres jovem aparecem posando com animais, tais como: Dama com Arminho, de Leonardo DaVinci; Senhora com um Esquilo e um Estorninho, de Hans Holbein, o Jovem; e Jovem com Papagaio, de Battista Tiepolo.

Mas, para não dizer que não fomos pesquisar, daemon e demônio vem do grego daimónios, que significa tanto divindade quanto espírito interior, e também maligno ou inferior.

Recorte da nova edição britânica de The Âmber Spyglass

Partes do terceiro livro foram censuradas nos Estados Unidos

His Dark Materials é apenas um entre as centenas de livros que são censurados nas escolas americanas todos os anos. Mas o auge chegou quando parte do capítulo 33 do terceiro volume, A Luneta Âmbar, foi suprimida da edição americana.

O que a passagem tem de tão perigoso? O capítulo fala sobre o momento em que Lyra descobre sensações sexuais em seu próprio corpo. A versão americana, publicada por uma subsidiária da Penguin, a Knopf, corta as descrições sobre as novas sensações de Lyra. A editora nunca se pronunciou sobre a censura.

Catedral de Canterbury, na Inglaterra

Religiosos odeiam His Dark Materials, mas nem todos

Alguns grupos religiosos, os com os dois pés no fundamentalismo, condenam His Dark Materials como sendo uma influência negativa para jovens. Bill Donohue, presidente da Liga Católica chamou HDM de “ateísmo para crianças”. “Ateísmo é loucura suficiente, mas quando vendido às escondidas para crianças é pernicioso”, escreveu o religioso. Aliás, foi essa organização que promoveu boicotes ao filme de 2007.

Por outro lado, Rowan Williams, ex-arcebispo de Canterbury, no Reino Unido, terra de Pullman, endossa o material e vê nele uma mensagem sobre a morte do pseudo cristianismo e a sustentação dos verdadeiros valores cristãos. Ele disse ainda que His Dark Materials deveria ser ensinado nas escolas.

No Brasil ainda não chegou a tanto, mas não vamos dar ideia ao governo atual, pseudo-puritano, fundamentalista, e amparado pela bandada evangélica.

His Dark Materials, estrelada por Ruth Wilson, James McAvoy, Lin-Manuel Miranda e Dafne Keen chega ainda este ano.

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