Lista de 5 | Comédias Românticas da Velha Guarda





02/07/2019 - Atualizado às 11:51


Respeita os clássicos, brother!” Em tempos de jorros de comédias românticas nas plataformas de streaming, dê aqui um rápido confere nos veteranos do gênero mais água-com-açúcar do Cinema. São cinco excelentes filmes que, apesar da avançada idade, merecem ser vistos, revistos e reverenciados sempre <3

5 – Aconteceu Naquela Noite (It Happened One Night, 1934)

O primeiro sucesso de Frank Capra conta a história da ‘pobre menina rica e mimada’ que aprende, à moda dos cafajestes, lições valiosas sobre o mundo real. A premissa que anos depois se tornaria desgastada, rendeu em 1934 cinco Oscar (incluindo melhor filme e direção) e renome pro diretor de filmes como ‘Do Mundo Nada se Leva’ e ‘A Felicidade Não se Compra’. ‘Aconteceu Naquela Noite’ é um marco da Era de Ouro de Hollywood. Duas cenas memoráveis: Clark Gable incapaz de conseguir uma carona na rodovia, daí vem a linda Claudette Colbert, exibe as pernocas e consegue a carona no ato! E a sequência de tensão sexual, com os dois na mesma cama, divididos por uma cortina, que Gable chama de ‘As Muralhas de Jericó’. Demais.

4 – Cupido é Moleque Teimoso (The Awful Truth, 1937)

Só pela versão brasileira do título, já vale a assistida, vá lá. Mas essa é a hilariante história de um casal que vê seu casamento ameaçado pela falta de confiança mútua. Os dois decidem então que o melhor a fazer é romper o contrato matrimonial para que ambos sigam suas vidas separadamente. Só que num julgamento pitoresco pra decidir a guarda do cachorro do casal, o ‘Sr. Smith’, a maravilhosa Irene Dunne leva a melhor. Os dois têm que continuar se encontrando, por causa das visitas de Cary Grant ao doguinho. É a deixa para que eles passem a sabotar os pretendentes um do outro. O filme mescla os diálogos de humor ácido/paspalho a momentos de seriedade. E a história, uma típica batalha dos sexos, é uma ode à confiança como base pra qualquer relação e, claro, sobre o amor. Dificilmente se vê um filme com os protagonistas tão à vontade nos papeis, claramente se divertindo. E é uma delícia, pode confiar.

3 – Levada da Breca (Bringin’ Up Baby, 1938)

David Huxley (o grande Cary Grant, de novo ele) é um paleontólogo, que está de casamento marcado com a noiva ultra-dominadora, passou quatro anos da vida montando um esqueleto de brontossauro e precisa de uma última peça para finalizar o bicho. A fim de barganhar um patrocínio milionário para o museu onde trabalha, encontra-se com o emblemático Dr. Alexander Peabody e lá conhece, em situações caóticas, a avoadíssima Susan Vance (Katharine Hepburn, musa). A moça fica obcecada por Huxley e pra conquistá-lo acaba provocando confusões imensas, inimagináveis. Dignas de sessão da tarde, até. O filme é de um dos maiores representantes da fase Screwball Comedies (as ‘comédias malucas’) de Hollywood e é assinado pelo grande Howard Hawks. Eu reclamo um pouco do desfecho, mas o filme é impagável.

2 – A Loja da Esquina (The Shop Around the Corner, 1940)

Antes de trabalhar pro Hitchcock, James Stewart, à altura de seus 32 anos, fez esse ‘A Loja da Esquina’. Ele é o funcionário-exemplo da antiga loja do senhor Hugo Matuschek (interpretado pelo Frank Morgan, o próprio Mágico de Oz!) que se corresponde há tempos por carta com uma moça (Margaret Sullavan). Eles usam pseudônimos, nunca se viram e estão completamente apaixonados. Coincidentemente, a mesma moça passa a trabalhar na loja do Senhor Matuschek, mas os gênios dos dois não se cruzam de jeito nenhum. Curioso que o amor deles funcione via Correio, mas na vida real a coisa mude de figura – isso diz alguma coisa sobre os tempos modernos de amor virtual? O filme é gostoso de ver, embora o roteiro pretensioso acabe se enrolando um bocadinho no final do segundo tempo.

1 – Se Meu Apartamento Falasse (The Apartment, 1960)

Do lendário diretor/roteirista Billy Wilder, o filme conta a história de C. C. ‘Bud’ Baxter (Jack Lemmon, o ator preferido de Wilder), que empresta seu apartamento a seus chefes para que estes levem suas amantes… vai vendo a arrumação. Ele acaba se tornando refém desse jogo de camaradagem, uma vez que passa a receber favores e promoções indevidas no trabalho – cortesia dos chefes frequentadores do lugar. Mais ou menos um ‘Te promovi, você não pode me negar o apartamento’. Mas quando ele cede as chaves ao Sr. Sheldrake (Fred MacMurray) descobre que a amante do chefão é também o amor de sua vida: a Fran Kubelik, vivida por uma linda Shirley MacLaine, em começo de carreira. Vencedor de cinco Oscar esse é um filme simplesmente sem defeito nenhum. Recomendação máxima.

E aí, você tem uma comédia romântica ancestral preferida? Comenta aí com a gente. Caso não, fica a proposta de dar uma chance a esses vovozinhos do gênero. Até! 😉