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Séries

Game of Thrones | Recap ‘Winterfell’ (S08E01)

Transições quebradas, uma fanfic cafona e tudo nas costas do Sam

Mais de 500 dias, quase dois anos, mas finalmente a tela da HBO chiou e em seguida tocou o tema mais bonito da TV, com direito a nova abertura belíssima, para a conclusão da série mais épica, Game of Thrones.

O prometido final agridoce, inclusive, já começou a ser servido, com cenas curtas, personagens sendo imbecilizados, transições quebradas e uma fanfic romântica cafona com direito a dragões voyeures .

Mas nem tudo foi perdido, mesmo com vários cortes secos e quebras de narrativa, Game of Thrones também serviu um dos melhores momentos drámaticos de Sam desde que ele chegou à Patrulha da Noite e se declarou covarde.

Outra beleza na forma de condução do capítulo, uma das poucas, foi começar e encerrar com uma criança nortenha. O futuro é delas, mas está sendo ceifado pelo Rei da Noite.

Abertura

A nova abertura de Game of Thrones é de marejar os olhos. Em vez de passear por cima de todas as principais casas da série, agora ela se concentra reconstruir o salão e as criptas de Winterfell e a sala do trono na Fortaleza Vermelha.

Não precisava ficar ainda mais bonita, mas ficou!

Além de bela, a nova arte também traz detalhes como tijolinhos azuis simbolizando a progressão dos White Walker e adição de momentos históricos recentes como o Casamento Vermelho e o nascimento dos Dragões.

Winterfell

Com 90% do episódio concentrados na fortaleza dos Stark, o episódio começou como já se esperava, como um espelho do episódio piloto.

Um garotinho nortenho corre para ver a procissão de Imaculados, mas por ser pequeno não consegue ver nada no meio da multidão. Passa por Arya Stark, que sorri, como se lembrando de um tempo em que ela e Bran foram como aquele menino. Ele sobe na árvore à tempo de mostrar ao expectador o antigo Rei do Norte, Jon Snow, com sua nova rainha dragão Daenerys Targaryen.

Falando em dragões, as bestas deram um belo show assustando os já desconfiados habitantes da Vila de Inverno. Só Arya achou bonito. Sansa, como bem apontado durante todo o capítulo ficou impressionada e preocupada.

Como visto nos teasers o encontro da nova rainha com a Senhora de Winterfell não foi nada agradável, e Daeneys não parece fazer questão de entender o que se passa no Norte e ganhar o coração de seus novos súdito. Acostumada à destemperança do fogo ela chega a ameaçar sutilmente seus novos aliados ao declarar, após questionada por Sansa, que “dragões comem o que quiserem”. Sabemos que vidas de camponeses já foram perdidas assim.

Bran segue oscilando entre desconectado com a realidade e exremamente ligado na ameaça do Rei da Noite, cortando a picuinha de Sansa e Dany ainda no pátio.

Sansa parece estar sendo conduzida ao trono ou à pira funerária, não há mais meio termo para ela. Tomando de Tyrion o posto de pessoa mais inteligente na sala, ela reconheceu em um piscar de olhos a mentira de Cersei. Arya chega a dizer para Jon que a irmã é a pessoa mais inteligente que ela conhece e que ele precisa se lembrar de quem é sua família.

Família, aliás, foi o tema que levou à uma das melhores passagens de Sam pela série. Ao saber da boca da própria Daenerys que ela executou sumariamente seu pai e seu irmão, ele usa sua raiva para confrontar Jon justo quando vai lhe dar a notícia que muda toda a vida do bastardo.

“Você sempre foi o rei e abdicou de sua coroa para salvar o povo. Ela (Dany) faria o mesmo?”. É um questionamento válido, assim como foi o de Sansa para o irmão: “você se ajoelhou pelo Norte ou porque a ama?”. Todos queremos saber.

Jon diz para Lyanna Mormont que os títulos não importam, ainda tomado de uma inocência que contrasta com a arrogância da tia/namorada.

A relação amorosa de Jon e Dany, aliás, rendeu um dos momentos mais decepcionantes do episódio. O tão aguardado vôo de dragão de Jon veio não como uma solidificação de sua ancestralidade, mas como uma fanfic cafona.

Jaime Lannister foi o segundo responsável por ‘salvar’ o dia. O regicida chegou à Winterfell e foi recebido por ninguém menos que Bran Stark, a o garoto que ele empurrou da janela há anos.

Menção honrosa aos encontros de Arya com o Hound e com Gendry, para quem pediu que lhe fizesse uma lança especial.

Porto Real

O núcleo Rainha Má pareceu assessório, e isso jamais deveria acontecer, ainda que tenha servido para mostrar como a escalada de loucura de Cersei Lannister está perigosa.

Ao ser avisada por um assustado Qyburn que os “mortos derrubaram a muralha e estão a caminho” ela sorri e diz “ótimo” olhando para a frota de Euron chegando com a Companhia Dourada.

Já na sala do trono com Harry Strickland e Eron Greyjoy ela pergunta pelos elefantes que não chegaram nos navios, recebendo a explicação óbvia de que os tais animais não se dariam bem na viagem marítima.

Cercei não tem como saber como elefantes se comportam no mar, mas depois de ter dado a Euron o que ele queria ela volta a dizer que queria os animais. Não bastasse fogo vivo ela agora está obssecada com elefantes de guerra.

Bronn, que se tornou sobressalente ao ser separado de Tyrion e Jaime , além não poder estar na mesma cena que Cersei. Jeromy Flynn havia avisado que os fãs deixariam de gostar do mercenário carismático e ele estava certo. Sua nova incumbência é matar os meninos Lannister para a Rainha Louca com a besta de Joffrey que Tyrion usou para matar Tywin.

Última Lareira

O que sobrou da Patrulha da Noite encontra um recadinho artístico do Rei da Noite dentro da fortaleza mais ao Norte: Ned Umber morto pregado no centro da espiral de sete pontas característica dos White Walkers.

Vale lembrar que Sansa queria se livrar do garoto na sétima temporada e foi ela quem o mandou de volta à Última Lareira trazer seus soldados para Winterfell.

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Crítica de TV

Crítica | (Des)encanto – 2ª temporada

Quando a primeira temporada de (Des)encanto chegou à Netflix, o hype e a ansiedade atingiram níveis gigantescos. Primeiro, porque se tratava da nova animação de Matt Groening – o criador de Os Simpsons e Futurama – segundo porque o novo universo, um reino místico cuja protagonista era uma princesa má educada e beberrona, parecia promissor para os que adoram um humor ácido e adulto. Dito e feito. A primeira temporada, apesar de alguma inconsistência na narrativa, conseguiu entregar exatamente o que os fãs queriam: irreverência e boas piadas. 

Com a chegada da segunda temporada, era preciso reconectar o público depois de um final curioso, porém um pouco mais dramático do que aquele tom de descaso inicial dos primeiros episódios. Mais do que isso: como retomar aquela maravilhosa química entre o trio de protagonistas? Sem muita surpresa, os primeiros episódios já respondem as pontas soltas e amarra tudo já logo nos dois primeiros capítulos. E a química volta lindamente. É visível, inclusive, que prevalecerá no desenrolar da história uma condução mais confortável e pé no chão, porém não menos descontraída. 

No decorrer da série é possível notar que, nessa temporada, há uma menor predisposição de dialogar apenas com a fantasia. Apesar de ainda beber nessa fonte, há boas referências de outros gêneros que intensificam novas boas ideias como, por exemplo, alguns óbvios paralelos com Game of Thrones. Embora isso não signifique que mantenha-se engajada naquele discurso (interessantíssimo) de como a sociedade medieval se assemelha ao nosso atual modelo de política – democrática, porém cruel para os que não se encaixam nos padrões de normalidade. 

O visual continua sendo uma delícia. Tanto a iluminação quanto o sombreamento distribuem bem a atenção, seja nos momentos de ação ou nos de mais calmaria. E o toque de mestre são as sutilezas digitais que se somam ao estilo tradicional das animações de Matt Groening. 

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A parte não tão legal é uma menor inserção de memes nos diálogos da versão dublada, coisa que a primeira temporada deitou e abusou de forma criativa e inteligente. Mesmo assim, o humor nessa segunda temporada parece se encaixar de uma maneira mais natural, até porque as características dos personagens já foram exploradas e a graça agora é, justamente, ver como eles reagem em situações que exigem uma maior intimidade entre si. 

E como a terceira temporada já está confirmada, a tendência é que (Des)encanto siga com sua faceta insana, mas bem mais espontânea e que, assim como em Os Simpsons e Futurama, nesse ritmo, possam ter episódios que funcionem bem de forma isolada. 


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Destaque

Relação entre Margaret Atwood e série The Handmaid’s Tale é pura simbiose

Ao ler The Testaments, o novo livro de Margaret Atowood, onde a escritora volta a explorar o regime fundamentalista totalitário protestante de Gilead, após ter visto toda a terceira temporada de The Handmaid’s Tale, série do Hulu que adapta o romance homônimo publicado em 1985, torna-se perceptível que a mão da canadense ainda é tão presente na narrativa derivada já tão distante do original, quanto era na primeira temporada, com cenas retiradas do livro.

Mas Atwood e sua relação com The Handmaid’s Tale é algo de fresco na dança entre romancistas e as dramatizações de seus livros, precisamente quando se trata de ficção especulativa, indo muito além da ocasional participação especial. A escritora da liberdade e se inspira na obra derivada. É um ciclo completo como raras vezes se vê.

Em sua mais recente edição, a revista The Gentlewoman traz uma extensa entrevista com Margaret Atwood, que estampa a capa, onde são abordados inúmeros temas concernentes à vida e carreira da escritora octogenária. Em dois parágrafos há um isight sobre como se dá a relação simbiotica entre criador e criatura: Atwood orientou Bruce Miller,showrunner e principal roteirista de The Handmaid’s Tale, enquanto escrevia seu novo livro, e levou aspectos da série para dentro de seu novo testamento.

Diferente de quando uma obra derivada expande o texto, ou o surpassa, o trabalho foi simultâneo. Mas diferente de escritores mão de ferrro, Miller teve liberdade em explorar as linhas gerais que lhe foram dadas. Pelo menos na maior parte.

O nome de Nicole, segunda filha de June foi uma exigência inegociável de Atwood, assim como também a salvaguarda da vida de alguns personagens, não expecificados na entrevista. “Eu disse que tinha que ser Nicole”, certificou a escritora.

Atwood para The Gentlewoman, por Alasdair McLellan

Das telas, Atwood tomou grande inspiração na performace de Ann Dowd como Aunt Lydia para dar mais profundidade à personagem. É em grande parte pelo excelente trabalho de Dowd como a matriarca das Tias que Lydia ganhou um episódio com seu passado na tv e o poder de narradora em The Testaments. Para os leitores dos dois livros e expectadores da série, é possível perceber exatamente até onde vai a mão de Atwood e onde começa a liberdade de Miller. Um balanço perfeito, mesmo quem não concorda com interferências de autores em projetos derivados, como eu, deve concordar.

“Fui inspirada pela performace de Ann Dowd, que deu à Aunt Lydia mais dimensões que ela tinha no livro original”, contou Atwood. Dowd inclusive foi chamada para reprisar a personaem no  audiobook do novo romance profético. 

The Testaments foi lançado – com toda pompa de um prestigiado romance literário encontrando o frisson de uma saga popular – no último dia 10 de setembro, após um ferrenho esquema de segurança e confidencialidade para manter a surpresa, é um dos favoritos para ganhar o Booker Prize 2019 e já best-seller em todo o mundo.

Tayna Abreu é jornalista de entretenimento e também fala sobre ficção especulativa em seu IGTV @oftay_ 

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Destaque

Fire & Blood | Como será o novo spinoff de Game of Thrones

Segundo a imprensa americana, a HBO teria dado sinal verde para mais um spinoff de Game of Thrones, desta vez focado na Casa Targaryen, os ancestrais de Daenerys. Apesar de não haver ainda confirmação oficial da emissora, as informações dão conta de que o spinoff contará a história de três séculos da Dinastia Targaryen, com criação de George R R Martin, o pai do Mundo de Gelo e Fogo, e Ryan Condal.

A editora de TV do Deadline, Nellie Andreeva, escreveu que  a nova produção terá roteiro de Condal, e que não é um sexto spinoff, um a mais que a quantidade que já havia sido anunciada pela HBO, mas uma nova roupagem em um que já estava sendo desenvolvido pelo roteirista Bryan Cogman, cujo trabalho foi essencial em Game of Thrones, antes de ser reprovado por David Benioff e DB Weiss, showrunner da série mãe, e Cogman ir trabalhar em Senhor dos Anéis da Amazon. O que parece é que com Benioff, Weiss e Cogman fora da HBO, a casa resolveu pegar o projeto do lixo e dar uma olhada com mais carinho.

Em maio, Martin disse que três dos cinco spinoff estão em produção ou pré-produção e que tudo está indo bem. O primeiro deles, Bloodmoon, estrelado por Naomi Campbell, teve o piloto finalizado ainda em agosto e está sob avaliação da chefia de séries.

Capa da primeira edição americana de Fire & Blood, de George R.R. Martin

Bom, o novo spinoff, será baseado na duologia Fire & Blood, cujo primeiro tomo foi publicado por Martin em 2018 e possivelmente será batizado como homônimo da fonte, que já carrega toda a simbologia e poder sonoro necessários para condensar o reinado dos dragões.

Fire & Blood é uma narrativa extensa e que mímica a forma clássica de contar a História das Elites, passando pelos 300 anos de reinado dos Targaryen em Westeros, começando com a Conquista de Aegon e suas irmãs/esposas e terminando, no segundo volume ainda não publicado, com o golpe da aliança Stark-Baratheon-Arryn que destronou o Rei Louco Aerys e levou à morte do príncipe herdeiro Rhaegar na Batalha do Tridente, de onde Robert Baratheon saiu vitorioso, com o assento no Trono de Ferro e a mão de Cersei Lannister, filha do último Lorde a entrar na aliança que traiu os Targaryen.

No meio desses dois eventos, uma procissão de reis de nome repetido, muito incesto, loucura, eugenia e racismo; um reino por vezes em paz e em muitas delas sangrando. Alguns reis inúteis, outros memoráveis por serem também cruéis, roubo de ovos de dragão, um desafio à Teologia de Exceção – criada para legitimar o poder Targaryen mesmo na Fé dos Sete – e duas guerras civis que racharam a casa e dizimaram seus dragões. 

Mas quais são os eventos com mais chances de serem retratados na série? Bom, primeiro é preciso considerar que esse, como todos os outros spinoff de GoT, não deverão ter muitas temporadas, talvez apenas uma ou duas, a depender a extensão dos eventos e da forma como serão contados.

Pelo menos cinco grandes eventos podem- e devem – ser recortados, e se divididos em uma série de 10 episódios de uma hora cada, poderão ter o tratamento de filmes de duas horas, o que pode ser um ótimo tempo para contar cada um, ainda que não de forma minuciosa.

A conquista de Aegon, sem dúvida alguma, é o lugar para começar. O momento em que o dragão ousou sair de seu pequeno domínio insular em Pedra do Dragão e dominar o continente de Westeros, comportando ainda as Guerras de Conquista de Dorne, o reino que jamais se entregou, mas que foi anexado por casamento.

O segundo grande momento é um dos mais famosos, e dá nome também ao quinto, e até agora último livro publicado nas Crônicas de Gelo e Fogo, a Dança dos Dragões, a primeira guerra civil que manchou a terra e os ares com sangue de dragões das duas espécies.

As Rebeliões Blackfyre são um terceiro grande momento da história da Casa Targaryen, onde a própria legitimidade dos reis de cabelos prata foi desafiada por seus irmãos e primos bastardos.

A Tragédia de Solarestival é o próximo evento importante, se não pela duração, mas pelas consequências diretas e indiretas, tanto materiais quanto na formação do comportamento de um dos príncipes Targaryen mais famosos.

Por último, a queda dos Senhores de Dragões no golpe de estado dado pela aliança de casas vassalas, conhecida como a Rebelião de Robert, ou a Guerra do Usurpador, com sua última e mais famosa batalha deixando rubis da armadura e das veias de Rhaegar Targaryen por todo o Tridente. 

Tayna Abreu é jornalista de entretenimento e também fala sobre ficção especulativa em seu IGTV @oftay_ 

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