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Séries

Game of Thrones | A arte profana do Rei da Noite

A trágica história de um homem transformado em monstro

A espiral de sete pontas está por toda parte em Game of Thrones, sempre relacionada ao Rei da Noite, personagem que, até agora, não existe nos livros de George R..R Martin, mas nem por isso deixa de ser complexo e ter a história mais mística e ao mesmo tempo trágica da série.

Desde a cold opening (cena que vem antes da abertura) de Game of Thrones em 2011 é possível ver padrões deixados pelos White Walkers simbolizando sua passagem, mas os mesmos padrões também podem ser encontrados nas vestimentas dos Filhos da Floresta e na Pedra de Execução dos Stark, talvez a primeria dica de que os Reis de Inverno (os antigos Reis da Casa) tinham uma ligação muito próxima com os zumbis de gelo e/ou com os Filhos.

Uma das primeiras vezes que vemos a espiral de sete pontas é quando Mance Ryder e Jon Snow acham cabeças de cavalos mortos arrumados com o símbolo do Rei da Noite, a quem Ryder chama de “artista”, e com razão.

Toda arte contém uma mensagem, no mundo real e no mundo de Game of Thrones, e apenas seres dotados de inteligência crítica conseguem fazê-la e profaná-la com sentido explícito. O que o Rei da Noite tem feito desde a primeira temporada de Game of Thrones é uma profanação artística, uma recriação enfurecida do momento de sua criação.

Represeiro sagrado no momento da Criação do Rei da Noite circundado pela espiral de pedras

O Rei da Noite, ao contrário do Norte (mais uma vez), se lembra. Ele se lembra de ter sido amarrado contra sua vontade a um represeiro sagrado, circundado por um padrão de pedras em espiral de sete pontas, e ter o peito perfurado por uma adaga de obsidiana. Ele se lembra de ter sido transformado em um monstro, uma arma de guerra para que os Filhos derrotassem os humanos. O que os seus criadores não contavam era que a arma saísse de controle e comecasse a matar homens e filho indiscriminadamente, ou pelo menos é o que fica subentendido na série.

A mais recente recriação é também a com maior proximidade de sua tragédia, quando Ned Umber é transformado em White Walker e afixado no centro da espiral de sete pontas construida com membros de outros homens da casa Umber.

Ali, o Rei da Noite está contando com detalhes o momento de sua criação e pode ter deixado uma dica sobre sua origem: ele era um senhor do Norte, mas provavelmente não um Umber, um Stark.

Arte funerária feita pelo Rei da Noite com Ned Umber

Há um Rei da Noite nos livros, um Stark de Winterfell chamado, segundo a Velha Ama, Brandon. Ele foi o 13º Comandante da Patrulha da Noite e casou com uma mulher White Walker (coisa que não há de verdade?) e foi derrotado por uma aliança entre o Rei de Inverno da época, seu irmão, e o Rei pra Lá da Muralha. Entretanto, seu nome foi riscado dos livros, apagado da memória como uma vergonha grande demais para os orgulhores senhores de Winterfell suportar.

É muito provável que eles não sejam a mesma pessoa, mas juntando as pistas é possível afirmar, quase que com segurança, que o Rei da Noite é um Stark e ele não está nada feliz por seus oito mil anos como White Walker.

Represeiro onde Bran encontra o antigo Corvo/Represeiro onde o Rei da Noite foi feito, nos dias atuais

Há uma pessoa que pode confirmar tudo isso: Bran, o Corvo de Três Olhos, que já esteve no lugar da Criação tanto no momento que ocorreu quanto no presente, pouco antes de receber o toque do Rei da Noite que quebrou a magia protetora da caverna onde o grupo do jovem Stark estava. É possível ver como o represeiro, assim como o homem, também foi corrompido no processo, ficando seco, com o tronco negro e sem as vistosa folhagem vermelha, que nas árvores normais permanece mesmo no alto inverno.

Um adendo: quando Beric coloca fogo em Ned Umber a espiral vai se transformando em um pira funerária que muito se assemelha ao brasão dos Targaryen, o que fez muita gente especular que possa haver uma relação. Mas vamos com calma.

Quando os Targaryen sairam de Valyria para se estabelecer em Pedra do Dragão, mais ou menos há 450 anos, eles não tinham um brasão, já que essa heráldica é um costume westerosi. Não se sabe se o Dragão de Três Cabeças já era o símbolo da Casa antes de Aegon e suas irmãs inventarem de tomar o poder, mas é preciso lembrar que enquanto aquele nortenho estava sendo amarrado ao represeiro, Valíria era uma sociedade de pastores dominada pelo Império Giscari, muito longe de encontrar os primeiros ovos de dragão e domar as feras.

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His Dark Materials | Divulgado novas imagens da adaptação

O seriado contará com oito episódios e a segunda temporada já foi confirmada.

HBO liberou novas imagens da sua próxima adaptação, His Dark Materials. A série será baseada nos livros de Phillip Pullman, Fronteiras do Universo. A série está sendo produzida em parceria com a BBC.

A trama é situada em um mundo alternativo onde a alma se manifesta como um animal que muda de forma, chamado Daemon. Acompanharemos uma jovem chamada Lyra Belacqua, que será interpretada pela atriz Dafne Keen, que viaja para o Ártico para encontrar seu amigo Roger. Ele e outras crianças foram sequestrados pela Igreja, que está fazendo experimentos com eles enquanto estuda a natureza de uma partícula elementar chamada poeira (Dust).

No elenco teremos grandes nomes como James McAvoy e Lin-Manuel Miranda, também no elenco Tyler Howitt, Ian Peck, Ruta Gedmintas, Ruth Wilson, Anne-Marie Duff, Kate Rutter e Nabil Elouahabi.

Confira as novas imagens:

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Stranger Things | Liberado novas imagens da 5ª temporada

Stranger Things estreia dia 4 de julho de 2019.

Liberado pela revista Entertainment Weekly novas imagens da quinta temporada de Stranger Things. Podemos ver que o ship favorito da série está mais forte que nunca nessa nova temporada. E o fofo, porém divertido bromance entre Dustin e Steve continua sendo um dos momentos mais esperados da quinta temporada.

Mike e Eleven estão juntinhos na primeira imagem lendo revistinhas na cama. Ao que parece as crianças favoritas da Netflix não são mais tão crianças assim. “Queríamos explorar o tema da mudança, a temporada acontece durante o último verão antes do ensino médio. As crianças estão crescendo, e essa transição vai ser confusa e desajeitada e dolorosa.” Diz Matt Duffer, que criou a série com seu irmão, Ross.

O divertidíssimo bromance de Steve e Dustin também terá bastante tempo de tela. “Você definitivamente vê mais disso”, diz Gaten Matarazzo, ator que interpreta o Dustin. “Isso é o que eu realmente gosto sobre Matt e Ross: Eles sabem o que os fãs gostam e eles rolam com isso.”Afirma Matt Duffer.

No elenco Millie Bobby Brown, Noah Schnapp, Gaten Matarazzo, Caleb McLaughlin, Sadie Sink, Joe Keery, Winona Ryder e David Harbour.

Confira o trailer abaixo:

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Séries

Shakespeare e a História da Inglaterra ajudam a entender o final de Game of Thrones

Um exercício que não seria necessário se a canção tivesse sido bem cantada.

As Crônicas de Gelo e Fogo são (não tão) vagamente inspiradas no conflito civil inglês conhecido como a Guerra das Rosas (Wars of the Roses), como já confirmado por George R.R. Martin, sendo os Stark uma versão dos York e os Lannister uma versão dos Lancaster, e as rosas deram lugar ao Lobo Gigante e ao Leão.

Na vida real, o conflito terminou quando Henry Tudor derrotou Richard III na batalha de Bowsworth e se casou com Elizabeth de York, mas na fantasia Daenerys não se casou com Sansa. É preciso olhar para o final antes do final do conflito entre Yorks e Lancasters para perceber que ele serve sim para encontrar o desfecho do conflito entre Starks e Lannisters. É uma ginástica que estamos dispostos a fazer.

Antes de ser morto pelo pretendente Tudor, Ricardo III foi coroado rei da Inglaterra após a morte de seu irmão Eduardo IV. Esses eram dois dos três ‘filhos de York’, tendo o terceiro, George, Duque de Clarence, sido executado ainda no reinado do irmão mais velho sob acusação de traição.

Transferindo os personagens históricos para As Crônicas e para Game of Thrones, é possível ligar Eduardo IV a Robb, Ricardo a Brann Stak e George a Rickon, três filhos de York para três filhos de Stark.

Ricardo, Eduardo e George de York em The White Queen, do Starz

Assim como Eduardo, Robb se casou por amor com uma mulher que não levava nenhuma vantagem bélica ou econômica para sua casa, causando insultos e tensões no reino. Assim como Robb, Eduardo era conhecido pela ferocidade em batalha e traições vindas de seus aliados imediatos. A ligação entre Rickon e George é bem menor e assim também o é a de Bran com Ricardo. Mas é ai que entra Shakespeare.

“Ricardo III”, uma das peças do Bardo que trata das Guerras das Rosas, imortalizou boa parte do conhecimento geral sobre os dois filhos mais novos de York: George teria sido afogado em um barril de vinho como punição por traição e Ricardo passa a ser o vilão corcunda que ascendeu ao trono após matar seus dois sobrinhos, filhos e herdeiros de Eduardo, na Torre de Londres.

Robb, Bran e Rickon, os três filhos de Stark, com Jon Snow

A morte de Rickon na Batalha dos Bastardos foi tão absurda como a de George na Torre de Londres. Um passou anos sumido para ser morto por não saber correr em zig-zag, e o outro cresceu à sombra dos irmãos e morreu discretamente afogado em vinho.

As ligações com Bran são difíceis de apontar com o material entregue na TV e até agora nos livros. Seria preciso assumir, em parte, que ele foi um vilão que manipulou a todos e os usou como peões em seu jogo para chegar ao poder mundano. Como Corvo de Três Olhos, Bran não é mais apenas um homem, mas vários, incluindo seu antecessor direto Brynden Rivers, e aí as coisas ficam mais próximas de uma suposta vilania e manipulação.

Brynden como Corvo teria manipulado toda a sequência de eventos que levou Bran até ele, e é isso que o Stark fica repetindo “você sempre esteve onde deveria estar”, as pessoas estavam onde o Corvo de Três Olhos sempre quis que elas estivessem. Assim, Jon foi morto e trazido de volta porque o Corvo quis, o que poderia confirmar a teoria de que o Senhor da Luz de Melisandre e a entidade Corvo de Três olhos são o mesmo.

Tomando as primeiras linhas de Shakespeare sobre a coroação de Ricardo é possível ver onde Bran se encaixa: “Now is the winter of our discontent, made glorious by this sun of York”; em português, “Temos agora o inverno do nosso descontentamento transformado em verão glorioso por esse filho de York”. Na versão original é usado “sol de York” como um trocadilho já que o sol é um dos símbolos heráldicos da Casa de York e a pronúncia se parece com “son”, “filho”. O mesmo tipo de trocadilho é apontado por Gilly na série sobre “sea” e “see” e nos livros das Crônicas é repetido sobre filhos.

“Bran” é o primeiro capítulo das Crônicas de Gelo e Fogo e é também o ponto de vista sob o qual vemos o primeiro episódio de Game of Thrones. Ele é chamado de “criança do verão” pela Velha Ama e nome de seu lobo é Summer (Verão). Ele é o herdeiro legítimo de Robb, seu “filho”, assim como Ricardo foi de Eduardo. A história de Bran está intimamente ligada à torre de onde caiu, assim como a de Ricardo à torre de onde ascendeu após a morte de seus sobrinhos.

Ninguém sabe o que realmente aconteceu na Torre de Londres, além das pessoas envolvidas no caso, o mesmo se pode dizer sobre a Primeira Torre de Winterfell de onde Bran caiu, e as duas histórias envolvem crimes entre familiares.

É preciso mais uma ginástica para não colocar Bran como Rei do Norte, Senhor de Winterfell, mas dos Seis Reinos. Mas é preciso lembrar que é esse embaralhamento dos personagens históricos que George R.R. Martin usa em seus livros. Ele pega, por exemplo, pedaços de um mesmo Richard III e coloca em Tyrion, em Eddard e agora sabemos em Bran.

Entendemos que é um exercício enorme a se fazer, e que se tudo tivesse sido bem feito nada disso seria necessário, mas, como Gandalf uma vez disse, “é tudo que podemos com o que nos foi dado” pelos showrunners de Game of Thrones. Mas é essa a história, sempre foi a história da briga entre as casas Stark e Lannister. Sobre a pretensão de um dragão, sobre as vitórias de um bastardo e sobre a ascensão do verão sobre os dias de inverno.

Martin confirmou em seu Not a Blog que o fim de Game of Thrones é “um fim” das Crônicas de Gelo e Fogo, o que significa que no sentido geral os grandes acontecimentos se repetirão nos livros, mas que também não é todo o final, porque nas Crônicas há um enxame de personagens que nem chegaram a aparecer na série.

Para ajudar ainda mais a entender algumas coisas, separamos nossa lista de artigos que falam sobre Historia da Inglaterra e Game of Thrones, além de outras curiosidades importantes sobre o universo de Gelo e Fogo.


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