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Livros e HQ's

Game of Thrones | A hora dos lobos: uma anedota sobre spoilers

Sobre como George R.R. Martin tentou evitar O Retorno do Rei.

Quando o terceiro livro de O Senhor dos Anéis foi lançado na Inglaterra em 1955 J.R.R Tolkien teria ficado furioso com o título escolhido por sua casa editoral da época, a George Allen and Unwin que mais tarde seria vendida para a Harper Collins junto com os direitos sobre toda a obra do pai da fantasia moderna. O motivo da raiva? O Retorno do Rei (The Return of the King) é um enorme spoiler bem na capa, talvez o maior já visto.

Em 2012 um discípulo de Tolkien estava começando a colher os frutos da venda dos direitos da adaptação do que hoje é considerado o maior trabalho do gênero fantástico desde que Bilbo fez 111 anos. George R.R Martin havia publicado o quinto volume das suas Crônicas de Gelo e Fogo um ano antes, A Dança dos Dragões (A Dance with Dragons), e resolveu mudar os títulos do último livro, que ainda não tinha uma linha escrita. Assim, o livro seguinte à Winds of Winter (Ventos de Inverno) será A Dream of Spring (Um sonho de primavera) e não A Time for Wolves (A Hora dos Lobos/O Tempo dos Lobos).

Quando a notícia chegou aos fóruns, alguns comentários davam conta de que a mudança se devia ao fato de que ter lobos no título seria centralizar demais a história nos Stark, que todos os outros títulos eram bem gerais (O Jogo dos Tronos, A Fúria dos Reis, A Tormenta das Espadas, o Festim dos Corvos, A Dança dos Dragões), e que o novo seguiria essa tradição. Alguns mais atentos chegaram a apontar que poderia significar que os Stark teriam um grande papel a desempenhar no final.

Oh, tolice a nossa, A Time for Wolves seria O Retorno do Rei de Martin, ou pelo menos é isso que a série Game of Thrones nos faz acreditar com o final exibido em “The Iron Throne“.

A ideia inicial era que os dois livros restantes das Crônicas fossem lançados antes da série de TV acabar, ou que pelo menos fossem lançados em datas próximas ao que a adaptação exigia de material para filmar. O que não aconteceu e é motivo de lamento do autor e dos fãs, mas Martin já era conhecido por atrasar publicações de livros, bem ao estilo de seu mestre britânico mesmo. Foram, em média, três anos entre cada um dos cinco volumes já lançados, sendo A Grame of Thrones de 1996 e A Dance with Dragons de 2011.

Mas para Game of Thrones ser concluído era preciso que os produtores D.B Weiss e David Benioff soubessem para onde deveriam ir caso os livros não fossem publicados, e o que Martin teria dito a eles é conflitante. Há informações que dão conta de que os showrunners sabiam da boca de George quem tinha que sentar no Trono de Ferro e como seriam os finais de cada um dos personagens principais. Outros dizem que apenas linhas gerais foram traçadas.

Se convencionou, contudo, usar a frase “caminhos diferentes levam ao mesmo destino” para enfatizar que livros e série de TV teriam o mesmo final, ainda que por desenvolvimentos diferentes de personagens secundários e mesmo dos principais em alguns pontos.

O que aprendemos com o episódio final da série na TV é que os lobos Stark, sempre humilhados, foram exaltados. Bran rei do Seis Reinos, Sansa rainha no Norte, Jon comandante da Patrulha da Noite novamente, Arya terminando de escrever as rotas marítimas do mundo. um belo final pra quem começou tendo o patriarca executado por querer apenas o que era correto.

Dito isso, precisamos esperar o último livro das Crônicas chegar para descobrir se a hora dos lobos realmente chegará.

Livros e HQ's

A humanidade aprisionada em um trem fadado ao desastre: conheça a história de Snowpiercer

Nova série da Netflix adaptará obra francesa de SciFi Le Transperceneige

Existem histórias seminais em determinados gêneros e formatos, e um dos mais badalados e quase que completamente dominado pelo britânico Alan Moore é o de distopia em quadrinhos. Watchmen e V de Vingança tem uma companheira menos famosa que poderia fazer uma trinca como a já reconhecida 1984-Brave New World-Handmaid’s Tale no romance em prosa: Le Transperceneige, HQ de 1984 – que ano!- dos franceses Jacques Lob, Benjamin Legrand e Jean-Marc Rochette.

A história conta a luta pela vida dos 3 mil humanos restantes na face da Terra após uma segunda Era do Gelo ter sido posta em curso com um desastre bélico. Diferente de todas as histórias semelhantes, as pessoas não vagam pela terra, mas estão todas presas dentro de uma locomotiva que circunda o planeta sem nunca parar.

Lob usou a divisão do trem em vagões para construir a sua metáfora sobre a luta de classes. Nos vagões da frente, a elite, nos traseiros, os trabalhadores. Na frente, luxo e loucura, na traseira pobreza e subserviência.

“A grande força dessa história, eu acho, é que não é apenas uma graphic novel de ficção científica, mas sim uma fábula filosófica atemporal”, declarou Jean-Marc Rochette, à época da primeira tradução do original para inglês, apenas em 2014.

O trem, com exatos mil e um vagões, pertence à um magnata, Wilford, que assume uma aura quase que divina sobre os passageiros, assim como o misticismo de que a máquina precisa que as classes continuem divididas da forma que são para continuar rodando o mundo.

Entre os temas que despendem do central, o rígido controle populacional, principalmente através da natalidade restrita dos pobres e a divinização de figuras de poder. O pequeno espaço é outro ponto a ser sempre considerado ao se deparar com essa narrativa, ricos e pobres, independente do modo como passam seus dias, vivem presos em um espaço apertado e fadado.

“Acho que a predição mais visionária de Jacques Lob foi a desigualdade entre os pobres e ricos em um espaço confinado. Porque agora o mundo se tornou pequeno, como um trem. As pessoas mais pobres do Sudão estão separadas por apenas seis horas de viagem de avião das pessoas mais ricas da Europa, um pouco como seis minúsculos vagões de trem”, explicou Rochette, em entrevista ao The Verge.

Para que já viu o filme Snowpiercer com John Hurt, Tilda Swinton, Edd Rarris e Chirs Evans, sabe do que se trata. Esse longa de 2014, dirigido por Bong Joon-ho é vagamente baseado na história francesa. Nele, Evans e Hurt comandam um audacioso levante popular para por fim às diferenças gritantes de tratamento entre os passageiros de classes diferentes.

No longa, uma nova face do tormento é aplicada: quem garante que a locomotiva não desncarrilhe são aos mãozinhas dos filhos da classe miserável. Trabalho infantil, aliás, que anda longe de ser um assunto distópico, com mais 152 milhões de crianças submetidas à exploração laboral em todo o mundo.

Quase 40 após a sua publicação, Le Transperceneige encontra ecos assombrosos aqui mesmo no Brasil de 2019, com uma população repleta de fanáticos por um salvador, pobreza extrema e uma elite política que defende a mão de obra infantil e não considera as costelas do pobre à mostra como exemplo de passar fome.

Le Transperceneige ganhará mais uma adaptação, pela TBS e Netflix, com estreia marcada para 2020. Na trama, o trem está há apenas sete anos em movimento, mas o confinamento de todos e as condições subumanas dispensadas aos pobres acende o pavio da primeira, mas não última rebelião popular dentro do pequeno mundo de metal.

A histórica começa 6 anos 9 meses e 26 dias após o início da viagem supostamente interminável das últimas três mil pessoas vivas na Terra. A temperatura no mundo externo ao trem é de -119º. A estrutura social do trem é sustentada na força bruta e ideológica dos pilares: Trabalho, Honra e Ordem. Enquanto o trem se sustenta com Carência (dos pobres), Velocidade (do maquinário) e Ganância (dos ricos).

A nova versão será protagonizada por Dave Diggs, como Layron Well, o líder da classe popular e Jeniffer Connelly, como Melanie Cavill, uma das funcionárias de prestígio do trem. Diggs é vencedor de um Tonny Awards e Connelly de um Oscar.

Josh Friedman é o criador da série, que conta ainda com o diretor do filme de 2014 em uma das vagas de produtor executivo. A adaptação de Friedman tira Le Transperceneige do limbo da TNT onde esteve por anos sem encontrar saída.

Snowpiercer está, inclusive, renovada para a segunda temporada. Nela, Steven Ogg será Pike, “um volátil líder de gang, rival de Lyton (Diggs) que está mais interessado em caos do que em revolução”.

No Brasil, a história pode ser lida também na versão em português, O PerfuraNeve, traduzida por Daniel Lühmann e publicada pela Editora Aleph em 2015.

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Livros e HQ's

Primeiro livro escrito por Robert Jordan será publicado

Autor faleceu em 2007 após ser diagnosticado com amiloidose cardíaca

Um dos magos dos Fantasy clássico, Robert Jordan, pseudônimo de James Oliver Rigney Jr., terá seu primeiro livro publicado pela Tor Books, mesma editora que detém os direitos sobre sua saga máxima Wheel of Time (Roda do Tempo).

Warrior of the Altaii verá a luz do dia 12 anos após a morte de Jordan, e como parte do redescobrimento do trabalho do americano por conta da adaptação na Amazon de Roda do Tempo.

O anúncio foi feito por Harriet McDougal, viúva de Jordan e e editora de WoT, e Tom Doherty, fundador da Tor Books.

Confira a conversa dos dois:

Robert Jordan faleceu em 2007 após ser diagnosticado com amiloidose cardíaca. Ele recebeu uma estimativa de mais quatro anos de vida à época da descoberta da doença, em 2006, mas não resistiu pouco mais de um ano depois. O escritor deixou WoT para ser concluída por Brandon Sanderson, escolhido pessoalmente por McDougal para a tarefa.

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Geek

Aposentadoria de Alan Moore é oficial

Britânico vai fazer falta em novas publicações, mas seu trabalho é à prova do tempo.

Le enfant terrible e salvador dos super-heróis, o britânico Alan Moore está se aposentando mesmo, após 40 anos de serviços prestados à cultura pop.

Anarquista, Moore é autor de obras essenciais de ficção especulativa que contestam a sociedade ocidental, sua moral e política, como V de Vendeta, Watchmen, From Hell, A Small Killing, A Piada Mortal, para citar os mais famosos.

Dono de um texto singular, será facilmente canonizado no hall dos maiores escritores ingleses modernos. Como apontou o jornalista Sam Thielman, do The Guardian, antes dele e Frank Miller, Dave Sim e dos Irmãos Hernandez, “a ideia de que histórias em quadrinhos fossem fazer frente à literatura série era algo risível, e que adultos pudessem apreciar sem ironia, uma estranheza”.

A aposentadoria de fato chega após o lançamento de seu trabalho mais recente, o sexto e último capítulo de “The League of Extraordinary Gentlemen: The Tempest”, com arte de Kevin O’Neill . Mas suas ideias e suas birras com a DC se renovarão com a chegada da série de TV Watchmen, que se dependesse dele jamais veria a luz do dia, assim como todas as adaptações de seus trabalhos.

Para se ter uma ideia da dimensão da influência do trabalho de Moore, basta lembrar que quando a máscara do cara de barbicha pontuda aparece em algum protesto vamos chamar de V, e não de Guy Fawkes, e lembrar que o governo deveria temer o seu povo, não o contrário.

Alan Moore está enjoado do Batman, e vai fazer falta em novas publicações, mas seu trabalho é à prova do tempo.

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