GoT Com Elas | A cavalaria nos Sete Reinos

GoT Com Elas | A cavalaria nos Sete Reinos

Este post contém spoilers

Quando se prensa no feminino da palavra cavaleiro o dicionário e os professores de português correm em afirmar que é amazona e que cavaleira está errado. Não está, tudo depende do que se está falando.

Amazona é o feminino de cavaleiro, no sentido de uma mulher e não um homem andando a cavalo. O termo ficou sempre mais próximo por também evocar as amazonas gregas, a Mulher Maravilha, a Xena. Mulheres que não apenas andavam a cavalo, com uma perna de cada lado como desejou Rose Dawson, mas que também lutavam sobre o lombo deles.

Mas cavaleira é outra coisa, é algo maior. Ser um cavaleiro na Idade Média significava fazer parte da Ordem da Cavalaria, receber o Sir antes do nome. Cavalgar para as batalhas em defesa dos mais fracos, em nome de Deus e de seus senhores diretos. A cavalaria era uma utopia masculina, e como toda utopia foi fadada a ser corrompida.

Em Game of Thrones e Nas Crônicas de Gelo e Fogo há uma instituição de Cavalaria em tudo semelhante àquela que houve no mundo real. Homens vestindo armaduras brilhantes, altivos sobre corcéis de batalha, ostentando o Sor (Ser, no original em inglês, uma corruptela de Sir) antes de seus nomes. Esses homens ingressam nas fileiras como os ajudantes dos cavaleiros, os escudeiros, são treinados e quando provam seu valor são sagrados com a espada sendo apoiada nos ombros.

Pelo Guerreiro eles são comandados a serem bravos, pelo Pai de serem justos e pela Mãe de defenderem os inocentes. Muito semelhante ao que foi registrado por Ramon Llull em 1275 no Livro da Ordem de Cavalaria, quando a instituição já estava estabelecida na Europa. No tomo, Llull usa o termo miles para designar um cavaleiro e a cerimônia de sagração como “adobramento”.

Brienne é a primeira mulher sagrada nos Sete Reinos, uma lembrança das mulheres esquecidas da Ordem no mundo real

No segundo episódio da oitava temporada de Game of Thrones, ‘A Knight of the Seven Kingdoms’, Tormund questiona o fato de Brienne não ser um cavaleiro, ela responde que a tradição não permite que mulheres sejam sagradas, ele retruca que a tradição tem de ser deixada de lado e que se fosse um rei a sagraria.

Jaime explica que qualquer cavaleiro ungido pode dar a honraria a outra pessoa. Brienne dobra o joelho e o antigo Comandante da Guarda Real a sagra como uma cavaleira dos Sete Reinos, a primeira que já se ouviu falar no mundo de Gelo e Fogo.

Por ser uma ordem ungida pela Fé dos Sete, pessoas que não comunguem dessa religião também não detém o título. É o caso dos soldados do Norte, que seguem os Deuses Antigos.

Sor Brienne é inspirada em Joana D’arc

Brienne é a primeira mulher sagrada nos Sete Reinos, uma lembrança das mulheres esquecidas da Ordem no mundo real, onde é possível apontar pelo menos quatro mulheres famosas que furaram o cerco da patota de cavaleiros famosos: as cavaleiras Joana D’arc, na França; Joana de Fladres, na Bretanha; Inês Randolfo, na Escócia; Ida da Austria, que liderou seu próprio contingente em uma Cruzada; e Floirine da Borgonha, uma cruzadista francesa.

Mas elas não estavam sozinhas, ao contrário do que se tem como imagem da Cavalaria, muitas mulheres foram cavaleiras antes da fundação da primeira ordem delas em 1381 pelo Duque da Britânia (Bretanha), John V, a Ordem de Ermine.

Hoje, a cavalaria como ordem militar está extinta, mas homens e mulheres seguem sendo sagrados por seus feitos em prol do bem da humanidade. Eles seguem sendo cavaleiros e elas as damas, como na Inglaterra onde todos os anos a Rainha Elizabeth concede títulos de cavaleiros e damas na famosa Ordem da Jarreteira.

Relacionadas