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Música

Feat com Zeca Baleiro e ritmos latinos: tudo sobre a nova era de Vinaa

“Elementos e Hortelã na Terra dos Eucaliptos” está chegando com tudo!

Se de um lado estão cumbia, salsa, paso doble e tango, de outro estão coco, cacuriá e tambor de crioula. O encontro entre os ritmos latinos e maranhenses, que se aproximam e se diferenciam, cria uma energia própria, envolvente e cheia de calor. É exatamente essa energia que deu origem ao disco “Elementos e Hortelã na Terra dos Eucaliptos”, novo trabalho do cantor Vinaa.

Vinaa convida seus fãs a um verdadeiro passeio por ritmos e sonoridades que ainda não havia explorado, pelas cores e emoções do povo latino. Pasión y critica sociale se conectam para dar vida a um projeto único, tanto visualmente quanto sonoramente.

Após dois anos curtindo os embalos do disco “Bordel de Amianto e a Glória dos Loucos por Sex Appeal” (2017), chegou a hora de conhecer de perto o novo álbum do Vinaa e fazer uma viagem pela América Latina com as músicas calientes de “Elementos e Hortelã na Terra dos Eucaliptos”.

O impacto nas redes continua. O novo disco foi apelidado de EHTE (a primeira letra de cada palavra) em suas redes sociais, e está sendo registrado desde o início do processo criativo, que já dura 8 meses, para que os fãs do artista pudessem acompanhar de perto o nascimento do novo trabalho e cada uma das etapas.

O resultado foi animador. Mesmo o artista tendo se afastado dos palcos para se dedicar exclusivamente ao trabalho de composição e criação da nova obra, as suas redes sociais alcançaram mais de 480 mil visualizações e interações nos três meses primeiros meses do segundo semestre.

Seu público cativo permaneceu cada vez mais instigado à procura das novidades sobre o “Elementos e Hortelã na Terra dos Eucaliptos”, compartilhando e curtindo postagens, e convidando amigos para conhecer o trabalho.

EHTE e o surgimento das novas cores do Vinaa. O conceito romântico e icônico apresentado no primeiro álbum do cantor (Bordel), que se materializou pelas cores frias do inesquecível collant lilás com o qual Vinaa subiu aos palcos do Brasil em sua primeira turnê, abre espaço para uma explosão de cores das terras latinas, com sangue e fervor.

Para traduzir a temperatura caliente da emoção latina em imagens, o cantor convidou a artista maranhense Ana Waleria para assinar a identidade visual do disco. Designer e escultora, Ana assina vários trabalhos em São Luís e venceu o Prêmio Eu Faço a Diferença 2018, na categoria Designer do Ano.

“É surpreendente a identidade visual que conseguimos construir juntos” – afirma Vinaa. “Eu procurei por meses um artista latino que representasse esse meu novo momento, respeitando as minhas origens, mas traduzindo as minhas perspectivas sobre a história do continente que habito. Ana é a gigante que tem essa magia”.

Elementos e Hortelã na Terra dos Eucaliptos. Quais serão os elementos, onde fica a Terra dos Eucaliptos, como tudo isso é tão latino? Você só poderá encontrar as respostas ao ouvir o disco. Mas uma dica pode ser capaz de conectar as divindades que vêm do mar, a exploração do estrangeiro, e, acima de tudo a criatividade e a força do sentir desse povo: o Mito do Sebastianismo.

Trata-se daquela lenda portuguesa em que há uma cidade soterrada nos lençóis maranhenses, que foi construída pelo rei Dom Sebastião e está protegida por um touro encantado… Essa lenda é a verve do novo álbum do cantor!

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A charada pode ficar ainda mais interessante para quem conhece a contracapa do primeiro CD do Vinaa, o Bordel, e seu herói perdido no deserto à procura de uma cidade burlesca, flutuando sobre areias escaldantes.
EHTE é a explosão entre ritmos e sons, o cru e o sofisticado, o vermelho e o dourado, a exploração e a devoção, o estrangeiro e o nativo, a divindade e o humano. Apresenta ao mundo tudo o que habita no continente abaixo da linha do Equador.

“A história da América Latina foi banhada por sangue desde a colonização e segue marcada por decepções com seus pseudo-heróis políticos. Um povo criativo fluente em alta tecnologia herdade pelos maias, e antenado com o mundo, mas que segue explorado”, lembra Vinaa, ao sugerir que o álbum provoca uma reflexão diferente sobre o contexto em que estamos situados.

Bem se sabe, latinidade se faz a muitas mãos. Vinaa faz muita questão de olhar cuidadosamente para cada etapa do processo criativo e pensou o conceito do disco da íntegra, mas sabe muito bem que para chegar ao melhor resultado, precisa ter ao seu lado um timaço de profissionais em cada área.

A começar pelos seus músicos (Filipe Façanha, Marcelo Falcão, Ronaldo Lisboa), com quem construiu a ideação sonora do disco durante três meses. Só então Vinaa entrou no Blackroom Estúdio com seu fiel escudeiro e produtor musical Sandoval Filho (que possui trabalhos assinados pela Sony Music) para iniciar a pré-produção do EHTE.

“Elementos e Hortelã em Terras de Eucaliptos” promete também uma grande surpresa para os fãs da MPB e da música latina: a participação especial de Zeca Baleiro na canção “Cicatriz (No Regresa)”, cantando em meio aos violões espanhóis, junto com o Vinaa, versos de um amor do passado, em português e espanhol.

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O disco recebeu uma grande colaboração em composição, feita pelo escritor Evaldo Ribeiro, em parceria com o Vinaa, na música “Cavalo Lendário”. Tem ainda consultoria musical do produtor carioca André Lira (que já trabalhou com Maglore), masterização do Leonardo Nakabayashi (Gilberto Gil, Ricky Martin, Elba Ramalho, Dominguinhos, Legião Urbana), acordeom de Adriano Magoo gravado no estúdio Outra Margem (SP) e violões espanhóis executados por Sandoval Filho e gravados por Rovilson Paschoal no estúdio Parede Meia (SP).

A noite de estreia: conexões e muito som! O show de lançamento do novo disco do Vinaa ocorrerá no dia 1º de novembro de 2019, a partir das 18h, na Concha Acústica Reynaldo Faray, Lagoa da Jansen, em São Luís-MA, com participação especial de A Escangalhada, Pepê, poeta marginal, e André Lobão.

Nesta noite, ainda acontecerão os shows do duo Criolina (Alê Muniz e Luciana Simões), do Dj Jorge Choairy, da cantora Otília Ribeiro, e das bandas Antídotos Sociológicos e Dingo Bells (RS), que se apresenta pela 1ª vez no Maranhão, trazendo disco indicado em listas da Rolling Stones, Tenho Mais Discos Que Amigos e Scream & Yell, que está dentre os 100 melhores discos do ano. Ingressos estão à venda na Bilheteria Digital.

E tem mais novidades… Elementos e Hortelã na Terra dos Eucaliptos (EHTE) está disponível em todas as plataformas digitais desde o dia 11 de outubro. No dia 13 de novembro, a partir das 17h, Vinaa e sua banda estarão no Estúdio ShowLivre, em São Paulo (SP), gravando show ao vivo e transmitindo para todo o Brasil, em ação de lançamento nacional do seu novo disco.

O show será transmitido ao vivo pelo youtube, pelo site showlivre.com, terá transmissão de destaque nos canais TVT, Music Box, NOW e estará disponível na íntegra logo após sua exibição no youtube e nas plataformas digitais.

Serviço
O que: Noite de Lançamento do CD “Elementos e Hortelã na Terra dos Eucaliptos” – novo disco do Vinaa
Data: 1/11/2019
Hora: 19:00
Local: Concha Acústica Reynaldo Faray, Lagoa da Jansen, São Luís-MA
Atrações: Vinaa, Criolina, Dingo Bells (RS) e DJ Jorge Choairy
Ingressos: A partir de R$ 15,00 na Bilheteria Digital (lojas físicas ou site)

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Música

Billie Eilish, Demi Lovato e homenagens a Kobe Bryan marcam Grammy 2020

Cerimônia foi apresentada pela cantora Alicia Keys e consagrou Eilish como artista do ano.

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Billie Eilish ganhou cinco estatuetas no Grammy 2020 (Foto: FREDERIC J. BROWN / AFP)

Billie Eilish fez um rapa na cerimônia de entrega dos prêmios do Grammy Awards 2020, realizado na noite desse domingo (26), no Staples Center, em Los Angeles, Estados Unidos. A cantora de 18 anos se tornou segunda artista na história – e agora a mais jovem – a ganhar nas quatro grandes categorias da premiação: revelação, melhor álbum, melhor gravação e melhor música do ano. Antes, o título pertencia a Christopher Cross (1981).

Em uma noite de performances de Lizzo, Usher, Aerosmith, Camila Cabello, Lil Nas X, BTS, Gwen Stefani, Sheldon Blake e mais, o amor a Kobe Bryant ficou em destaque. O jogador de basquete morreu ainda no domingo, em decorrência de um acidente de helicóptero. Todos os artistas fizeram menções ao atleta em suas performances.

Demi Lovato foi uma das performances mais aguardadas da noite. Visivelmente emocionada, Demi teve dificuldades para cantar no início da apresentação, mas logo a intérprete de “Anyone” entregou, além de uma música inédita, a mais emocionante apresentação da noite.

Veja abaixo os vencedores nas principais categorias:

Gravação do ano

  • “Hey, Ma” – Bon Iver
  • “Bad Guy” – Billie EiIish
  • “7 Rings” – Ariana Grande
  • “Hard Place” – H.E.R
  • “Old Town Road” – Lil Nas X ft.Ray Cyrus
  • “Talk” – Khalid
  • “Truth Hurts” – Lizzo
  • “Sunflower” – Post Malone & Swae Lee

Álbum do ano

  • “I, I” – Boniver
  • “Norman F***ing Rockwell” – Lana Del Rey
  • “When We all Fall Asleep, Where Do We Go” – Billie Eilish
  • “Thank U, Next” – Ariana Grande
  • “I Used to Know Her” – H.E.R
  • “7” – Lil Nas X
  • “Cuz I Love You” – Lizzo
  • “Father on the Bride” – Vampire Weekend

Revelação

  • Black Pumas
  • Billie Eilish
  • Lil Nas X
  • Lizzo
  • Maggie Rogers
  • Rosalía
  • Tank and the Bankas
  • Yola

Melhor perfomance de rap/vocal

  • “Higher” – DJ Khaled ft. Nipsey Hussle & John Legend
  • “Drip Too Hard” – Lil Baby & Gunna
  • “Panini” – Lil Nas X
  • “Ballin” – Mustard ft. Roddy Ricch
  • “The London” – Young Thug ft. J. Cole & Travis Scott

Música do ano

  • “Always Remember Us This Way” (gravada por Lady Gaga)
  • “Bad Guy” (gravada por Billie EiIish)
  • “Bring My Flowers Now” (gravada por Tanya Tucker)
  • “Hard Place” (gravada por H.E.R)
  • “Lover” (gravada por Taylor Swift)
  • “Norman F***ing Rockwell” (gravada por Lana Del Rey)
  • “Someone You Loved” (gravada por Lewis Capaldi)
  • “Truth Hurts” (gravada por Lizzo)

Melhor álbum rap

  • “Revenge of the Dreamers III” – Dreamville
  • “Championships” – Meek Mill
  • “I am > I was” – 21 Savage
  • “Igor” – Tyler, The Creator
  • “The Lost Boy” – YBN Cordae

Melhor performance de pop solo

  • “Spirit” – Beyoncé
  • “Bad Guy” – Billie Eilish
  • “7 Rings” – Ariana Grande
  • “Truth Hurts” – Lizzo
  • “You Need to Calm Down” – Taylor Swift

Melhor álbum pop

  • “The Lion King: The Gift” – Beyoncé
  • “When We all Fall Asleep, Where Do We Go” – Billie Eilish
  • “Thank U, Next” – Ariana Grande
  • “No. 6 Collaborations Project” – Ed Sheeran
  • “Lover” – Taylor Swift

Melhor álbum pop com vocal tradicional

  • “Sì” – Andrea Bocelli
  • “Love (Deluxe Edition) – Michael Bublé
  • “Look Now” – Elvis Costello & The Imposters
  • “A Legendary Christmas” – John Legend
  • “Walls” – Barbra Streisand

Melhor performance de duo/grupo pop

  • “Boyfriend” – Ariana Grande & Social House
  • “Sucker” – Jonas Brothers
  • “Old Town Road” – Lil Nas X featuring Billy Ray Cyrus
  • “Sunflower” – Post Malone & Swae Lee
  • “Señorita” – Shawn Mendes & Camila Cabello

Melhor música de R&B

  • “Could’ve Been” – H.E.R ft. Bryson Tiller
  • “Look At Me Now” – Emily King
  • “No Guidance” – Chris Brown ft. Drake
  • “Roll Some Mo” – Lucky Daye
  • “Say So” – PJ Morton ft. JoJo

Melhor álbum de R&B

  • “1123” – BJ The Chicago Kid
  • “Painted” – Lucky Daye
  • “Ella Mai” – Ella Mai
  • “Paul” – PJ Morton
  • “Ventura” – Anderson .Paak

Melhor álbum de música urbana

  • “Apollo XXI” – Steve Lacy
  • “Cuz I love you (Deluxe)” – Lizzo
  • “Overload – Georgia Anne Muldrow
  • “Saturn” – NAO
  • “Being human in public” – Jessie Reyez

Melhor performance de R&B tradicional

  • “Time Today” – BJ The Chicago Kid
  • “Steady Love” – India.Arie
  • “Jerome” – Lizzo
  • “Real Games” – Lucky Daye
  • “Built for Love” – PJ Morton Featuring Jazmine Sullivan

Melhor performance de R&B

  • “Love Again” – Daniel Caesar & Brandy
  • “Could’ve Been” – H.E.R featuring Bryson Tiller
  • “Exactly How I Feel” – Lizzo featuring Gucci Mane
  • “Roll Some Mo” – Lucky Daye
  • “Come Home” – Anderson .Paak ft. André 3000

Melhor álbum de música alternativa

  • “U.F.O.F.” – Big Thief
  • “Assume Form” – James Blake
  • “I,I” – Bon Iver
  • “Father of the bride” – Vampire Weekend
  • “Anima” – Thom Yorke

Melhor álbum de rock

  • “Amo” – Bring Me The Horizon
  • “Social Cues” – Cage The Elephant
  • “In the end” – The Cranberries
  • “Trauma” – I Prevail
  • “Feral Roots” – Rival Sons

Melhor música de rock

  • “Fear Inoculum” – Tool
  • “Give yourself a try” – The 1975
  • “Harmony Hall” – Vampire Weekend
  • “History Repeats” – Brittany Howard
  • “This land” – Gary Clark Jr.

Melhor performance de metal

  • “Astorolus – The Great Octopus” – Candlemass Featuring Tony Iommi
  • “Humanicide” – Death Angel
  • “Bow Down” – I Prevail
  • “Unleashed” – Killswitch Engage
  • “7empest” – Tool

Melhor performance de rock

  • “Pretty Waste” – Bones UK
  • “This Land” – Gary Clark Jr.
  • “History Repeats” – Brittany Howard
  • “Woman” – Karen O & Danger Mouse
  • “Too Bad” – Rival Sons

Melhor música de rap

  • “Bad idea” – YBN Cordae ft. Chance The Rapper
  • “Gold roses” – Rick Ross ft. Drake
  • “A lot” – 21 Savage ft. J. Cole
  • “Racks in the middle” – Nipsey Hussle ft. Roddy Ricch & Hit-Boy
  • “Suge” – DaBabby

Melhor performance de rap

  • “Middle Child” – J. Cole
  • “Suge” – DaBaby
  • “Down Bad” – Dreamville ft. J.I.D, Bas, J. Cole, EARTHGANG & Young Nudy
  • “Racks in the Middle” – Nipsey Hussle ft. Roddy Ricch & Hit-Boy
  • “Clout” – Offset ft. Cardi B

Melhor clipe

  • “We’ve Got to Try” – The Chemical Brothers
  • “This Land” – Gary Clark Jr.
  • “Cellophane” – FKA Twigs
  • “Old Town Road (Official Movie) – Lil Nas X & Billy Ray Cyrus
  • “Glad He’s Gone” – Tove Lo

Melhor álbum de jazz latino

  • “Antidote” – Chick Corea & The Spanish Heart Band
  • “Sorte!: Music by JOhn Finbury” – Thalma de Freitas com Vitor Gonçalves, John Patitucci, Chico Pinheiro, Rogerio Boccato & Duduka Da Fonseca
  • “Una noche con Rubén Blades” – Jazz At Lincoln Center Orchestra com Wynton Marsalis ft. Rubén Blades
  • “Carib” – David Sánchez
  • “Sonero: The music of Ismael Rivera” – Miguel Zenón
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Coluna Lucas Nash

Grammy e racismo: o relacionamento mais duradouro do mundo da música

A década de 2010 termina sem nenhum artista negro ter ganhado o ‘Melhor Álbum do Ano’ no Grammy.

Há 12 anos, em Los Angeles, o pianista de jazz Herbie Hancock subia ao palco da 50ª cerimônia de premiação do Grammy para receber a estatueta de ‘Melhor Álbum do Ano’ pelo disco ‘River: The Joni Letters’, produzido em homenagem à cantora Joni Mitchell. O momento foi um balde de água fria para muitos que acompanhavam a cerimônia. As apostas estavam altas em ‘Back to Black’ de Amy Winehouse, que já tinha garantido três das principais categorias da noite.

O produtor Quincy Jones, ao entregar o prêmio a Hancock, não se mostrou muito contente com a vitória e muito menos se preocupou em disfarçar. Além de Amy, o pianista concorria com Kanye West e Foo Fighters. Hancock não era apontado por nenhum site especializado como vencedor e a própria indicação do artista na categoria não foi bem recebida pelos críticos.

Contudo, o ponto mais relevante desse fato não é o descontentamento do público, da crítica ou dos artistas com a vitória do pianista em 2008, e sim que Herbie Hancock foi o último artista negro a ter um álbum vencedor da principal categoria do Grammy. Mas o que isso significa? Em meio a uma período em que grandes nomes da Black Music lançaram diversos trabalhos, o Grammy finaliza a década de 2010 reafirmando uma problemática intrínseca da premiação: de que artistas negros, dificilmente, merecem o mérito por terem entregue grandes obras na história da música.

Para entender o porquê, podemos refletir sobre a resposta dada pelo então presidente da Academia Fonográfica, responsável pela premiação, ao ser questionado pela ausência de nomes femininos nas principais categoria do prêmio em 2018. Neil Portnow, tentando defender o seu peixe, acabou afirmando que as mulheres precisam aumentar o nível. Seria esse também o motivo pelo qual artistas como Kendrick Lamar e Beyoncé, recordistas em indicações nas edições de 2016 e 2017, respectivamente, acabam perdendo nessa categoria?

A invisibilidade do Hip-Hop e as injustiça contra Lamar

Com ‘To Pimp A Butterfly’ (2015), Kendrick liderou o Grammy 2016 com 11 nomeações, entre elas a de melhor álbum do ano. A nomeação na categoria não pegou ninguém de surpresa, como no caso do pianista Hancock, muito pelo contrário, já era esperada. ‘To Pimp A Butterfly’ foi ovacionado no seu ano de lançamento, muitos críticos consideraram a obra com um experimento assertivo de renovação do Hip-Hop, indo além do gênero e explorando outros estilos.

Entre as rimas amargas que estampam a realidade da população negra e a criatividade experimental, o álbum figurou em primeiro lugar em diversas lista de melhores álbuns de 2015, conseguiu a nota média de 96/100 no Metacritc, com base em 44 críticas, e é, até hoje, considerado o mais importante álbum da cultura Hip-Hop/Rap. Contudo, no final da noite do 58ª Grammy, o rapper voltou para casa sem ganhar em nenhuma categoria principal e, dentre elas, bem… Vocês já sabem.

Sobre isso, o rapper Frank Ocean considerou com um dos momentos mais “defeituosos” da TV, ao rebater uma critica da própria bancada do Grammy a respeito de uma apresentação realizada por ele na edição de 2013. Além disso, o artista, em 2017, deixou de submeter o seu álbum ‘Blonde’ (2016) por não concordar com as políticas da premiação. Seguindo o caminho aberto por Ocean, Kanye West e Drake, também em 2017, resolveram boicotar o prêmio não indo à cerimônia, alegando a falta de espaço para os negros.

O icônico Snoop Dogg também levantou a bandeira naquele mesmo ano. O dono de parcerias consagradas mandou um belo f****se ao prêmio por não representar os artistas negros. “Que tal criamos uma premiação dos negros? Vamos dar a eles tudo o que eles merecem por ontem, hoje e amanhã”, afirmou o rapper em um vídeo divulgado em uma rede social.

E esse descontentamento é histórico. O empresário Jay Z deixou de comparecer em diversas edições, como forma de boicote, porque, no ano de 1999, a bancada não indicou o trabalho do rapper DMX, bastante elogiado na época. Jay Z aproveitou para reiterar que já é sistemático a prática de exclusão do Hip-Hop nas principais categorias do prêmio.

Outro exemplo de artistas negros sendo esnobados é Beyoncé. A cantora tem um total de 22 prêmios Grammy, mas, vejam só, dentre o total, 18 são de categorias de R&B e música urbana. Muitos apontam essas categorias como prêmios de consolação. Faz sentido. Em 2017, Beyoncé era líder em indicações e ‘Lemonade’ (2016) era um dos favoritos para ganhar álbum do ano, mas a cantora teve que se contentar com a estatueta ‘Melhor Álbum de Música Urbana‘.

Negros têm visibilidade na premiação?

Com todo esses momentos promovidos pelas últimas edições da premiação, a impressão é que, embora artistas negros tenham entregado obras aclamadas, que revolucionaram o mercado e a música, a bancada do Grammy ainda insiste em vê-los apenas como dignos de serem indicados, mas não de serem vencedores.

Isso se torna mais palpável se formos ver em números. Entre os anos de 2010 e 2019, dos 53 indicados na categoria “Melhor Álbum do Ano”, 19 eram negros, mas nenhum se consagrou como vencedor. Já dos 50 indicados na mesma categoria, no período de 2007 a 2017, 10 eram negros, e apenas um conseguiu levar o prêmio, ainda que a contragosto de muitos. Se totalizarmos todas as edições do Grammy, que acontece desde 1959, apenas 10 artistas negros saíram com a estatueta de álbum do ano, sendo que, desses artistas, há apenas duas mulheres.

62ª edição do Grammy

A cerimônia de premiação deste ano acontece no próximo domingo (26) e, assim com nas edições de 20016 e 20017, são artistas negros que lideram as indicações. A cantora e rapper Lizzo totaliza oito nomeações, saindo na frente de nomes como Ariana Grande e Taylor Swift. Além dela, Lis Nas X é outro artista negro líder em nomeações, seis no total. Ambos estão concorrendo a ‘Melhor Álbum do Ano’.

Independente se Lizzo ou Lis Nas X saiam vitoriosos ou não na categoria, a realidade, para quem acompanhou de perto os lançamentos dos últimos 10 anos, é difícil de ser digerida. Na década marcada por movimentos como Black Lives Matter, pelo primeiro afro-americano ocupando o cargo de presidente dos Estados Unidos e Beyoncé marchando com seus bailarinos em homenagem aos Panteras Negras, no intervalo da final do Super Bowl, o Grammy se reafirma como uma instituição presa à sociedade segregacionista norte-americana do século passado, ao não permitir que artistas negros saiam do status de indicados e se tornem os grandes campeões da premiação.

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Música

‘Batidão’, novo single de Enme, está prestes a alcançar 10 mil plays no Spotify

O primeiro EP da maranhense já conta com mais de 154 mil execuções no serviço de streaming musical.

Enme não dá trégua para descanso!

Após entregar o primeiro EP autoral, ‘Pandú’ (2019), a cantora e drag queen maranhense Enme já colhe bons frutos da recém lançada ‘Batidão’. A faixa está prestes a alcançar 10 mil execuções no Spotify e é capa da playlist LGBT*, que conta com músicas de artistas como Pabllo Vittar e Gloria Groove, além de ser destaque em outras playlists do serviço de streaming. Até agora, ‘Batidão’ totaliza mais de 8 mil execuções.

A nova aposta da cantora é um verdadeiro intercâmbio regional entre o Maranhão e a Bahia, onde os tambores maranhenses dialogam com o pagode bahiano e dão vida a uma epifania de batidas eletrônicas e rimas ágeis. E esse resultado não é por acaso. ‘Batidão’ conta com a produção do bahiano Noise Man, nome responsável pela produção de sucessos como ‘Problema Seu’, da Vittar, e co-produção de Sandoval Filho, que trabalhou nas faixas ‘Killa’ e ‘Juçara’, presentes em ‘Pandú’.

No ano passado, Enme foi a grande vencedora do concurso novos talentos do Festival Sons da Rua. A maranhense concorreu com artistas de diversos estados do Brasil e, com a vitória, ela se apresentou na Arena Corinthias em São Paulo. A vitória também trouxe como prêmio a produção de um single, no caso, ‘Batidão’.

Já o primeiro EP da maranhense conta com mais de 154 mil execuções no Spotify. ‘Sarrar’ é a faixa mais escutada da cantora na plataforma, com 80 mil plays, seguida de ‘Killa’, com 70 mil.

Sucesso além do Maranhão

Neste ano, Enme já tem agenda de shows confirmados e Pernambuco é o próximo destino da ‘Juçara Tour’.No dia 15 de fevereiro, a maranhense desembarca em Recife para se apresentar no festival Porto Musical. O evento acontece desde 2005 e promove shows gratuitos, oficinas, seminários e outras ações de fortalecimento do mercado musical. Se apresentarão também no festival nomes como China e Luísa e os Alquimistas.

E taca stream em ‘Batidão’ :

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