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Entenda e conheça 6 ótimos filmes do subgênero pós-horror

Apesar da nomenclatura recente, filmes com características de “pós horror” existem desde sempre.  

Foto: Divulgação

Com a onda dos novos filmes independentes de terror, que se arriscam a fazer mais do que as armadilhas que o gênero (clichês) pedem, criou-se também uma categoria para definir esse “novo” nicho. Mas, se o terror é essencialmente sobre o medo – sentido pelos personagens e transmitido aos espectadores – por que é preciso catalogá-lo? O chamado “pós-horror”, provavelmente foi batizado para alertar o grande público, fã mais radical do gênero, que não esperasse por sustos gratuitos e derramamento de sangue para todo lado.

A procura de tendências que possam subverter clichês e experimentar novas linguagens cinematográficas, o horror – assim como o cinema de forma geral – vive de ciclos e ganha subgêneros diferentes a cada década. Nos anos 1960, foi o terror psicológico; nos anos 1970, o thriler, nos anos 1980, o slasher; nos anos 1990, o teen; nos anos 2000 o found footage, entre outros. Todos eles representam de alguma maneira as angústias (conscientes ou não) vividas pela sociedade, quase sempre em busca de experiências capazes de oferecer uma sensação nova de pavor.

O diretor Jordan Peele no set de “Corra!”. Sucesso de crítica e público.

O “pós-horror” costuma apresentar uma característica mais próxima ao drama, menos comercial e que aposta no clima de tensão sem espetáculos sonoros. Steve Rose, o crítico do jornal britânico “The Guardian”, pai desse rótulo, citou alguns filmes como exemplo: A Bruxa, Corra!, Ao Cair da Noite, Babadook, Corrente do Mal e Personal Shopper. Mas o fato é que esse predicado sugestivo não é novidade ou exclusividade desse horror moderno. O próprio Rose cita em seu artigo, exemplos de filmes mais antigos como Inverno de Sangue em Veneza, de Nicolas Roeg (1973) e as produções de Jacques Tourneur, da década de 1940. Então, apesar do subgênero “pós-horror” ter surgido agora, ele pode captar características de produções feitas antes dessa nomenclatura existir.

Na prática, eis uma lista de ótimos filmes com todos os elementos de “pós-horror” para os que não se apegam apenas ao popular.

O Gabinete do Dr. Caligari (1920)
Dir.: Robert Wiene

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Obra-prima do expressionismo alemão, O Gabinete do Dr. Caligari é inovador, impactante, surpreendente, poético e angustiante. A história pode parecer simples, mas guarda inúmeros significados no seu subtexto. Em um clima de pessimismo após a 1ª Guerra, o filme aponta para a desconfiança que a população sente.

Na trama, um rapaz conta que o Dr. Caligari chega à cidade com um show misterioso e bizarro, envolvendo um número de sonambulismo. Coincidentemente ou não, uma série de assassinatos começa a acontecer no vilarejo. O rapaz passa a desconfiar do Caligari e o homem sonâmbulo.

O Bebê de Rosemary (1968)
Dir.: Roman Polanski

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A primeira vista, O Bebê de Rosemary é um drama que desconstrói o sonho do casal americano feliz. A mulher, cuja vida anda a sombra do marido, encontra a culpa, dúvidas e ansiedades quando fica grávida. Mas, de forma genial, Polanski converte esse desespero de Rosemary em um pesadelo de horror como poucos.

A solidão e inocência da protagonista fazem com que o clima de desconfiança de todos a sua volta aumente. Subjetivamente, o espectador é conduzido a acreditar, assim como Rosemary, que elementos sobrenaturais, de magia negra e satanismo estão acontecendo.

Quando Eu Era Vivo (2014)
Dir.: Marcos Dutra

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Essa produção de horror nacional é uma viagem dilacerante a loucura. Quando Eu Era Vivo acompanha a trajetória de Júnior, que, depois de divorciar-se, volta para casa do pai. Lá, começa a reviver lembranças perturbadoras de um passado enterrado. Quando o espectador embarca, tudo passa a incomodar ainda mais: o ambiente claustrofóbico, a rotina bizarra, os elementos fantasmagóricos… Um filme sombrio e sem respostas fáceis jogadas na tela. A recompensa será a sensação de terror crescente, sem que o público tenha qualquer confirmação de sua presença efetiva.

O Lamento (2016)
Dir.: Hong-Jin Na

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O sul-coreano O Lamento é uma obra em que a imersão é construída lentamente – até de uma maneira pouco usada nos filmes de horror e mais comum nos thrilers policiais –, porém intensa e com um ato final agonizante e memorável. Mostra uma pequena vila onde os moradores são acometidos por uma doença misteriosa e ficam psicóticos, forçados a matarem uns aos outros, e depois morrem. Um policial começa a investigar e é levado a um caos que pode envolver elementos sobrenaturais.

O Convite (2015)
Dir.: Karyn Kusama

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O “pós-horror”, de tão sutil, às vezes pode ser confundido com suspense ou drama. Mas, se o espectador é levado a uma situação de pesadelo constante, a qual ele jamais se imaginaria parte, pode botar na conta do “pós-horror”. Assim é O Convite, filme sobre um homem traumatizado pelo passado e que irá se deparar com um jogo sinistro, capaz de tocar em suas feridas mais sensíveis. Uma obra competente que foge dos clichês e proporciona momentos de tensão, acertando em cheio na crítica da influência nociva de cultos religiosos.

Os Inocentes (1961)
Dir.: Jack Clayton

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Se o “pós-horror” honra a sutileza e usa de inteligência para transformar drama em terror, Os Inocentes é um dos melhores filmes com essas características. Com a temática relacionada à perda da inocência, o filme é também um deleite visual – técnicas expressionistas de luzes e sombras – que carrega o espectador, em um clima soturno constante e uma atmosfera sufocante, ao horror.

 

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