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Música

Em show repleto de significados, Anitta celebra funk e superação em estreia no Rock in Rio

Anitta foi rejeitada pelo festival no passado, mas fez show da carreira no Palco Mundo em 2019.

O sonho de ser um fenômeno da música certamente faz parte dos pensamentos de todo mundo que decide trazer essa arte para o centro da própria vida. Todo mês o Brasil tem a oportunidade de conhecer novos artistas através de faixas que estouram, mesmo sem a gente saber ao certo de onde saíram. Numa dessas, em 2013, Anitta explodiu com ‘Show das Poderosas’.

O mundo, naquele momento, ainda não dava tanto argumento para que se esperasse muita coisa daquela garota de voz aguda e rebolado bonito. Mas já rolava algo diferente ali. Nas oportunidades que tinha já falava sobre mudança, não tinha medo de contar como “sonhava alto pra caramba” – algo que artistas normalmente guardam para si por medo do fracasso (quem não tem, né?).

O fato é que ninguém podia imaginar que aquela menina que o Brasil conheceu ainda meio desajeitada com as palavras, pudesse transformar a própria carreira num acontecimento nacional de forma que sua estreia no Rock in Rio, por onde passam tantos artistas brasileiros em palcos menores, tivesse a comoção da vinda de uma estrela internacional.

Na estreia no festival neste sábado (5), Anitta trouxe um espetáculo de referências à história do funk, que está completando 30 anos, e à própria discografia. O cenário do show foi inspirado no palco que a apresentou ao Rio de Janeiro, o da Furacão 2000 – uma permissão que soa, junto com a iniciativa do Espaço Favela, uma tentativa do evento de se afastar com qualquer associação ao preconceito de classe ou gênero musical.

O repertório foi cantado quase em perfeita cronologia, começando com os sucessos do passado até os hits mais recentes. A sequência que mais tirou o fôlego veio no final com Vai Malandra, Bola rebola, Favela Chegou e Onda Diferente – que encerrou o show. A polêmica ficou por conta do playback em faixas com coreografias mais frenéticas.

Teve espaço para pop, funk, forró, axé e sertanejo. Cantou muitas faixas feitas em colaboração, mas não recebeu ninguém no palco. O dia merecia ser só dela. Como em todos os shows especiais que faz, Anitta trouxe um balé reforçado e figurino ousado que só usa nessas ocasiões. Foram quatro looks até o final da uma hora cravada de show.

Avisou previamente em entrevistas que não faria nenhum discurso mais afrontoso – o que fez no Villa Mix nunca foi esquecido -, mas aproveitou um respiro para agradecer a si mesma por nunca ter desistido de seguir em frente. Em um show repleto de recados simbólicos, esse foi o mais direto: os bastidores são cruéis, mas ela conseguiu.

A estreia de Anitta no Rock in Rio tem significado para todo um segmento da música, para toda uma comunidade, para toda uma classe artística brasileira, que agora tem um precedente que mostra que independente de onde surgiu, do tipo de voz ou do tipo de dança, é possível, sim, ter espaço em qualquer palco, por maior que ele seja. Anitta fez o show da carreira no Rock in Rio 2019 e é, sem dúvidas, a maior artista dessa década no Brasil.

O Rock in Rio termina neste domingo (6) com Muse e Imagine Dragons como destaques no palco Mundo.

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Coluna Lucas Nash

Crítica | Rare – Selena Gomez

‘Rare’ é marcado por uma lírica honesta, mas tropeça em seu desenvolvimento.

Na discografia de muitos cantores, há sempre uma obra que se destaca pela sua característica econômica, um processo de desaceleração em relação às produções anteriores. É o típico momento em que o artista, após provar o sucesso comercial e da crítica, resolve dosar a fórmula que tanto lhe garantiu tal êxito. Em ‘Rare’, terceiro álbum de inéditas da norte-americana Selena Gomez, a cantora se propõe traçar esse mesmo percurso, mas, aqui, ela adota esse processo para falar de suas fragilidades.   

Selena entrega logo na arte que ilustra a capa do novo trabalho a postura suncita, com pouca maquiagem, livre de adornos e de toda a produção que sempre a acompanha. A cantora resolve se despir dos filtros de outrora para se abrir ao público e expor as experiências de relacionamentos conturbados e de como esqueceu de si mesma em meio a tudo isso.

‘Rare’, faixa-título, abre o álbum de forma exitosa. São instantes de um pop que se destaca pela estrutura singela, construída pelo baixo que domina boa parte da melodia, uma percussão étnica e uma tênue atmosfera de devaneio, onde os versos de Gomez se incubem de torná-la tangível. “Sempre do seu lado/ E você não faz o mesmo / Isso não é justo”, canta, consciente da não reciprocidade amorosa.

E o catálogo de canções segue narrando a trajetória de redescoberta de Selena, caso de ‘Dance Again’. Durante a canção, as guitarras desenvoltas e o teclado pontual dão base para que as batidas acompanhem os versos que marcam o novo começo de Gomez após uma relação difícil. Já as faixas seguintes, ‘Look At Her Now’, ‘Lose To Love Me’ e ‘Vulnerable’, talvez sejam o maior trunfo do registro, pois além de serem as composições mais interessantes do disco, é o clímax do pop econômico trabalhado por Selena e seus produtores.

Contudo, já em ‘Ring’, o disco dá os primeiros sinais dos tropeços que serão apresentados no decorrer da audição. A faixa se perde em meio ao catálogo por não mostrar um desenvolvimento durante sua execução. ‘People You Know’ acaba no mesmo erro, tonando a experiência de continuar obra cada vez mais desestimulante. E nem o repeteco do R&B lascivo, tão explorado em ‘Revival’ (2015), consegue deixar ‘Crowded Room’ atrativa.

Ainda que abra o disco de forma assertiva, ‘Rare’ logo perde o seu rumo. O trabalho de Selena e sua produção em dar vida a uma obra mais honesta, onde a cantora fale abertamente sobre seus sentimentos, desanda pelo vício no uso de fórmulas pré-fabricadas, facilmente encontradas em qualquer álbum pop da década passada. Conforme os minutos de duração vão finalizando, o quê poderia ser promissor se encaminha para algo esquecível.

‘Rare’ pode não ter entregado o melhor momento da carreira de Selena Gomez, mas, com certeza, é um dos mais sinceros. A obra pode ser vista como os primeiros passos da cantora na busca pelo amadurecimento artístico, explícito aqui na lírica das 13 canções que compõe o disco. Agora, resta torcer para que esse amadurecimento esteja presente nas melodias de futuros trabalhos.   

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Música

As dores e esperanças de ‘Circles’, álbum póstumo de Mac Miller

As 12 faixas inéditas consolidam a criatividade do rapper

Mac Miller. Foto: Christian Weber

Se em Swimming, carregado de um tom melódico e contemplativo, Mac Miller já escancarava uma honestidade artística, em Circles a criatividade e espiritualidade de Miller é consolidada. O álbum póstumo foi lançado pela família do rapper americano na última sexta-feira (17), e traz 12 músicas inéditas em que o rap se mistura ao folk, às guitarras de jazz e baterias do R&B para entregar composições aconchegantes, despojadas e que, às vezes, revelam ideias difíceis e dores que no calor do momento podem ser insustentáveis.

Circles é a canção de abertura, e o ritmo acolhedor já antecipa: o álbum é tempestade disfarçada de calmaria. “Don’t you put any more stress on yourself, it’s one day at a time” canta, ao demonstrar que percebeu que desenhou círculos, ao sempre sentir que estava de volta ao início.

Mas precisa ser tão complicado? Essa é a pergunta de Complicated, embalada por batidas de hip-hop. Aliás, perguntas e tentativas de respostas estão presentes na maioria das letras. Em Good News, primeiro single lançado do novo trabalho, os questionamentos são dolorosos: “Why can’t it just be easy? Why does everybody need me to stay?”. Mas as guitarras sonolentas, bateria lenta e voz cansada carregam esperança: “Well it ain’t that bad, it could always be worse”. Good News não é a melhor música lançada, mas traduz as influências que Mac Miller carregou durante a produção desse projeto, que os rumores apontam que já estava quase finalizado antes do cantor morrer tragicamente em setembro de 2018, vítima de uma overdose. A produção foi concluída por Jon Brion, colaborador de Swimming.

Woods ganha destaca pelo vocal melancólico, um rap curto e uma guitarra tocada por Wendy Melvoin, conhecida pelo trabalho com Prince, como parte da banda de apoio The Revolution. Wendy repete sua participação em outras músicas do álbum, seja na guitarra, seja no baixo.

Everybody talvez carregue o ápice das ideias do sexto álbum de estúdio do rapper: todo mundo tem que viver e todo mundo vai morrer, mas a morte não é o objetivo final. Ela é inevitável, mas o que importa é o percurso: para Mac Miller, estar feliz e estar triste são momentos completamente normais da jornada. Hands, inclusive, nos lembra do amor próprio e da importância de termos um tempo para nós.

Para alguns, as músicas podem refletir um Miller vacilante, já que as letras são continuações de um tom sombrio iniciado em Swimming. É bom lembrar que os dois álbuns são “irmãos”: foram concebidos como um projeto em duas partes.

Blue World é carregada de hip-hop para dizer “Think I lost my mind, reality is so hard to find”. As guitarras e batidas de bateria de That’s On Me acompanham letras que refletem a transformação de falhas em algo belo.  

Em Surf, Mac Miller está feliz por ter encontrado um propósito: outra pessoa. Talvez essa canção seja o complemento da confissão feita em I Can See: a vida pode ser apenas um sonho, mas ele precisa de alguém para mostrar a realidade.

Os sintetizadores fazem parte de Once a Day, encerramento do álbum. A composição instigante comprova que houve um crescimento nas músicas de Mac Miller. O artista e multi-instrumentista apresenta em Circles uma essência de dores, mas com toques de esperança.

Comovente e sublime. Essas podem ser as melhores palavras para relacionar ao álbum póstumo. Aos que sentem a ausência do cantor nascido em Pittsburgh, as buscas por referências à morte serão inevitáveis. Elas existem, mas as canções vão além, e carregam a esperança.

Para os fãs, Circles é despedida e saudade.

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Coluna Lucas Nash

Lista de 5 | Os álbuns mais esperados para o mês de fevereiro

O ano de 2020 promete o retorno de grandes nomes da música.

O ano de 2020 já começou prometendo o retorno de artistas de peso no mercado musical. Na semana passada, Selena Gomez lançou ‘Rare’, terceiro álbum da cantora desde que rompeu com sua banda. Mas as novidades não param por aí. Nomes como Justin Bieber, Dua Lipa e Kesha já anunciaram material novo para este ano.

A lista é grande, indo do pop americano ao sul coreano, passando pelo punk-rock e pelo psicodélico. Para sentir o gostinho do que vem por aí, confira os principais lançamentos para o mês de fevereiro.

1. #; LOONA

O ano de 2019 trouxe diversas conquistas para as meninas do LOONA. O grupo sul-coreano de música pop lançou em fevereiro um dos melhores MVs do ano passado, tendo a coreografia de Butterflyconquistado diversos prêmios. Além disso, após meses de lançamento, sem nenhuma divulgação, o grupo alcançou o primeiro lugar no Top 200 álbuns do iTunes norte-americano, com o mini-álbum ‘[X X]’ (2019).

Desde o fim das promoções de ‘Butterfly‘, a BBC, empresa responsável pelo grupo, divulgou as teasers do próximo comeback. Os três vídeos trazem elementos presentes nos MVs solos de alguns membros e, também, dos dois últimos MVs do grupo. Infelizmente, neste comeback, o LOONA retornará com apenas 11 membros. A integrante Haseul precisou se afastar devido crises de ansiedade.

# está previsto para 5 de fevereiro.

2. Father Of All Motherfuckers; Green Day

Com mais de duas décadas na ativa, os estadunienses do Green Day vão voltar mais dosados. O 13º álbum de estúdio contem 10 faixas e irá ter 26 minutos de duração. A decisão foi do próprio Billie Joe Armstrong, vocalista da banda, que confessou ter, hoje em dia, preferência a musicas com menos de três minutos.

Antes do lançamento do álbum, o Green Day deve divulgar, no dia 16 deste mês, o próximo single do disco, que será a faixa ‘Oh Yeah‘.

Father Of All Motherfuckers está previsto para 7 de fevereiro.

3. High Road; Kesha

Após o ótimo ‘Raibow‘ (2017), álbum que marca o retorno de Kesha após os problemas enfrentados com Dr. Luke, a norte-america já está pronta para entregar novo material. Assim como no registro anterior, Kesha segue mais orgânica e, pelos singles já lançados, deve preservar as batidas dançantes que tanto embalaram os primeiros trabalhos de sua carreira. 

Em sua rede social, a cantora confessou que não sabe se esse será seu último registro pop, mas que ainda quer se despedir do gênero com um “estrondo”. O quarto álbum de estúdio de Kesha possui 15 faixas e contará com a participação inusitada de artistas como Ke$ha (é isso mesmo que você está lendo, Ke$ha).

High Road está previsto para o dia 13 de fevereiro.  

4. The Slow Rush; Tame Impala

Os australianos psicodélicos do Tame Impala possuem uma das melhores discografias da década e estão prestes aumentar o portfólio. ‘The Slow Rush‘ é o quarto disco da banda e já possui quatro singles lançados. Kevin Park (vocalista e produtor) mostra manter a mesma qualidade e a inclinação pop explorada em ‘Currents’ (2015).

Ainda que sejam um dos principais responsáveis pelo resgate do rock-psicodélico dos últimos 10 anos, Kevin Park teve que lidar com um sério bloqueio criativo, o que atrasou o lançamento do novo trabalho. Em uma entrevista, o australiano confessou ter se controlado para não fazer alterações em músicas que estarão presentes no novo álbum, caso da já conhecida ‘Patience’.

The Slow Rush está previsto para o dia 14 de fevereiro.

5. Miss Anthropocene; Grimes

Numa narrativa espacial repleta de seres alienígenas e alta tecnologia, Grimes faz o seu retorno. O novo álbum da cantora e produtora sucede o aclamado ‘Art Angles’ (2015), mas foge completamente da sonoridade apresentando no disco, levando Grimes a um universo mais sinteticamente sombrio, difícil não se lembrar da proposta presente em ‘Visions’ (2012).

Contudo, na semana passada, a internet foi pega de surpresa. No Instagram, Grimes publicou uma foto com os seios à mostra e um bebê desenhado na barriga e anunciou estar grávida do seu primeiro filho com o empresário Elon Musk. Rapidamente a cantora virou um dos assuntos mais comentados no Twitter, rendendo bons memes. Será que a gravidez vai afetar a divulgação do novo trabalho?

Miss Anthropocene está previsto para o dia 21 de fevereiro.       

      

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