Crítica | Zootopia





29/03/2016 - Atualizado às 21:51


Já dava para esperar que um filme que transformaria a realidade animal (selvagem) em uma realidade “socialmente civilizada”, inspirada na humanidade, fosse ser repleta de lições. Essa expectativa gerada em Zootopia foi cumprida e superada, por apresentar uma animação inteligente, com lições sinceras, que apontam o preconceito sem que os personagens afirmem que estão acima dele.

O mais bonito de Zootopia, além do visual cuidadoso, é trazer a história de uma cidade totalmente diferente, formada por animais de todas as espécies convivendo juntos, sem discriminação. Formada por “bairros-habitat”, que são completamente adaptados à cada espécie, a cidade é o principal cenário para as aventuras dos protagonistas Judy Hopps, uma coelha que sonha em ser policial – mas é desacreditada por ser uma coelha – , e a raposa Nick Wilde, que precisa conviver com o preconceito por ser uma raposa – no filme, elas têm fama de espertas e traiçoeiras.

“Em Zootopia você pode ser quem você quiser”, é o que afirmam os personagens ao longo do filme. Acreditar e perseguir os próprios sonhos são algumas das primeiras lições da animação, que também traz, em uma nova embalagem, a clássica – e nobre – mensagem: não julgue ninguém pela aparência.

zootopia preguiça

Dirigido por Byron Howard (Enrolados) e Rich Moore (Detona Ralph), o filme brinca com esteriótipos sociais, como quando compara atendentes de órgãos públicos com preguiças – uma das melhores partes -, e se esforça para quebrá-los. Traz uma protagonista que quebra qualquer ideia de fragilidade que um coelho possa parecer ter e vilaniza uma espécie que ninguém imaginaria fazendo algum mal, por exemplo.

A forma com que o preconceito da sociedade impacta a vida das pessoas, também, é um tema trabalhado na animação. Isso pode ser percebido na fala de um dos protagonistas, quando ele afirma que se a sociedade o condena por ser de uma espécie, não há porquê ele se esforçar para mudar isso. Novamente, Zootopia ensina que, sim, é possível e há motivos para lutar contra o preconceito.

Ao mesmo tempo que condena a discriminação, os personagens não se colocam acima dele. Sabem que também têm os seus, mas sabem que o preconceito precisa ser admitido para ser superado. E é assim, em uma embalagem fofa e infantil, que Zootopia se faz inteligente, sincera e cheia de lições que muita gente grande precisa entender.