Connect with us

Crítica

Crítica | Yu-Gi-Oh! O Lado Negro das Dimensões

Resgatando a nostalgia, animação apresenta o clássico com design melhorado.

A Hora do Duelo nunca terminou! Pelo menos não para os fãs de Yu-Gi-Oh!, série que fez grande sucesso no Brasil em 2003 e que neste ano voltou a ser assunto nas redes tupiniquim graças ao seu último filme, Yu-Gi-Oh! O Lado Negro das Dimensões (Yu-Gi-Oh! The Dark Side of Dimensions, no original), que finalmente chegou no país de forma oficial e com a dublagem clássica a tiracolo.

O longa-metragem do Studio Gallop/Nihon Ad Systems segue a trama pós-eventos do animê e nos abrilhanta com bons duelos envolvendo os protagonistas Yugi Muto e Seto Kaiba. Após sua estreia oficial em formato de distribuição em Blu-Ray e DVD, em 2016, no Japão (e em 2017 para boa parte do mundo), os seguidores da franquia baseada no mangá de Kazuki Takahashi já descartavam a hipótese de ter o filme lançado no Brasil.

Graças ao grupo de licenciamento digital, Encripta, a animação deu as caras em terras tupiniquim na última quinta-feira (1°) com distribuição programada em diversos serviços nacionais de streaming (de uma lista de mais de sete só consegui encontrar em um na data prevista).

Ficou como destaque para esse lançamento a presença da dublagem clássica feita em 2003. Após 15 anos, Marcelo Campos voltou a dublar o pequeno Yugi Muto – agora não mais pequeno – e seu alter-ego, Yami Yugi, cujo nome real é Faraó Atem.

Vale lembrar que em 2013 o terceiro filme da franquia, Yu-Gi-Oh! 3D – Vínculos Além do Tempo, estreou no Brasil pelo catálogo do Vivo Play com algumas mudanças no elenco de dublagem sendo a mais significativa a ausência de Marcelo Campos, que acabou sendo substituído por Marco Aurélio Campos.

Mas falemos de o “Lado Negro das Dimensões“. No quarto filme da franquia Yu-Gi-Oh! temos um foco dividido entre Yugi Muto e Seto Kaiba. Embora Yugi continue como detentor do título de “Rei dos Jogos”, ele já não conta mais com a presença de seu amigo: a alma do Faraó Atem.

Yugi, Joe, Tea, Tristan e Bakura seguem vivendo seus dias finais no Ensino Médio e aprendendo a lidar com a falta de Atem. Diferente deles, o rival eterno Seto Kaiba busca incessantemente reencontrar-se com o faraó para um duelo final pela honra.

É esse desejo de Kaiba que nos leva aos acontecimentos centrais do filme. Assumindo um protagonismo quase que absoluto de forma inédita na franquia, Kaiba inicia uma perigosa missão de recuperar o Enigma do Milênio e despertar Atem. No caminho ele se depara com Aigami/Deeva, um jovem duelista que carrega um passado sombrio ligado a Shadi, o guardião das Relíquias Milenares e portador da Chave e da Balança do Milênio.

Chama a atenção no filme o foco destinado aos desejos de Kaiba. Acima de tudo, sua personalidade fria, ambiciosa e em certo momento megalomaníaca ganha forma e conflita com seu orgulho ferido. Essa personalidade sempre foi traço característico do duelista, mas que por muito tempo vinha sendo amenizada na animação. O retorno do Kaiba cego por poder e avarento é muito devido à participação do própio Kazuki Takahashi como roteirista principal do filme, o que lhe torna canônico na série.

O ponto alto da personagem é no fim do primeiro ato, quando ele invoca com a força de sua alma “Obelisco, o Atormentador”, uma das três cartas de Deuses Egipícios que um dia esteve em sua posse, mas que já não existe mais desde quando o faraó foi para o Mundo dos Mortos. Tal invocação é feita durante uma batalha tensa entre Kaiba e Aigami/Deeva, quando o duelista tem seus monstros dragões subjugados.

Yugi só brilha no ato final do filme, quando enfrenta Aigami/Deeva e seu deck dos “Reis Cúbicos” e depois confronta Kaiba que tenta obrigá-lo a usar o poder do Enigma do Milênio.  No momento final do duelo entre os eternos rivais Aigami/Deeva, consumido pelas trevas do Anel do Milênio inicia um Jogo das Trevas onde os dois duelistas reúnem suas forças para enfrentar a criatura maligna que surge diante deles. Temos nesse momento a redenção de Kaiba, ou ao menos seria assim se desconsideramos a cena pós-crédito que mostra o quão teimoso o dono da Kaiba Corporation pode ser.

O Faraó faz sua participação em dois momentos do filme. No primeiro ato em um duelo virtual realizado com os dados da mente de Kaiba e no último ato quando retorna do Mundo dos Mortos para enfrentar a magia das trevas.

De resto o filme é bem simples. Impressiona bastante é o design de personagens – também assinado por Kazuki Takahashi – com destaque para os novos design do “Mago Negro” e do “Dragão Branco de Olhos Azuis”, os ases dos baralhos de Yugi e Kaiba.

Celebrando os 20 anos de franquia (em 2016) o longa-metragem é aquela peça audiovisual feita para fã e que tem o teor certo do bom fanservice nostálgico, além de nos premiar com uma boa dose batalhas e estratégias novas (caso você seja um jogador recorrente de Yu-Gi-Oh!). O toque da dublagem é certeiro e faz valer a pena assistir no áudio original ou em bom português, onde os chavões característicos de Kaiba e Yugi se perpetuam em nossas mentes.

Pela nostalgia vale muito a pena assistir, mas não espere encontrar algo a mais no filme, que segue a receita já mais do que batida das duas décadas de existência da franquia, o que no fim faz desse só mais um em meio a tantos outros produtos advindos da Cultura Pop Japonesa nos últimos anos.

 

Em alta agora