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Crítica de Filme

Crítica | X-Men: Fênix Negra

Ainda que abordasse um dos arcos mais grandiosos do universo de super-heróis, X-Men: Fênix Negra consegue a proeza de ser superficial.

Um desfecho à altura do carinho que os fãs têm pela franquia X-Men era tudo que o público esperava. Não importa quantos filmes dividam opiniões, sempre houve uma multidão a espera de um impacto de verdade quando o assunto era um novo filme dos mutantes. Logan (2017) até deu esperanças e tudo que X-Men: Fênix Negra não podia fazer era decepcionar. E decepcionou.

Veja bem, toda impressão é relativa. A palavra decepção é forte e nós sabemos, até evito usar, mas em relação a esse arco tão marcante da história dos alunos de Xavier, já tivemos outras experiências bem-sucedidas em animações e quadrinhos. Agora, com todo suporte tecnológico, de mídia e com a Disney na cola, a Fox parecia estar com a faca e o queijo na mão para entregar um filme com uma linha de raciocínio muito mais poderosa.

X-Men: Fênix Negra é ambientado em 1992, os mutantes já eram considerados heróis nacionais e, durante uma missão espacial, Jean Grey (Sophie Turner) é atingida por uma poderosa força cósmica, que acaba absorvida em seu corpo. Após ser resgatada e retornar à Terra, aos poucos ela percebe que há algo bem estranho dentro de si, o que desperta lembranças de um passado sombrio e, também, o interesse de seres extra-terrestres.

A estética e a técnica de efeitos do filme estão impressionantes, questionável, mesmo, só as decisões de Simon Kinberg em – sem querer, acredito – acabar diluindo a força do arco da Fênix em cenas menos intensas do que o pretendido e com a inserção desnecessária de Jessica Chastain no elenco. O drama de Jean Grey não precisava dividir atenção com mais ninguém e tinha potência o suficiente para ser muito mais ameaçadora.

Ao tentar ser original, Kinberg desperdiça o argumento da força cósmica que habita Jean, que nos quadrinhos até funcionou como uma metáfora ao abuso de drogas. O poder Fênix, que se torna parte da intimidade da personagem, faz com que ela perca a noção de poder e acabe machucando todos ao redor. Esse sub-texto não consegue se desenvolver porque há uma alienígena desviando o rumo da trama, reduzindo ao argumento aos traumas da infância de Jean. Xavier, e até Magneto, poderiam ter sido melhor aproveitados neste conflito, visto que ambos lidam com poder, vaidade e raiva.

Essa despedida dos X-Men da Fox, depois de 11 filmes, não foi das piores, claro, mas falhou no objetivo de ser grande e de dar argumentos que dessem sentido proporcional ao surto da protagonista. A partir de agora, o bastão está com a Disney e o futuro dos mutantes a ela pertence. X-Men: Fênix Negra ficará no passado como uma relíquia. Só nos resta esperar.

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Crítica de Filme

Crítica | Parasite (2019)

Filme nos provoca sobre nosso próprio parasitismo social.

Planejar é um ato falho. Bong Joon-ho propõe uma reflexão – em cima de uma crítica – ao nos contar a história da família Ki-taek. Talvez eles possam ser encarados como a escória da sociedade, talvez ele sejam mesmo (ou talvez não). Isso porque se compararmos sua afetividade em relação aos Park, a outra família retratada em Parasite (2019), é nítido que o laço construído entre os Ki-taek é correspondente entre todos os membros.

Retratando duas facetas da sociedade sul-coreana, naquilo que seu repertório lhe proporciona, o diretor entrega um diálogo audiovisual muito intenso. A todo momento os Ki-taek estão aplicando ou revisando conceitos pragmáticos filosóficos e sociológicos em seus atos sórdidos de charlatanismo que não nos horrorizam (embora devessem), mas sim arrancam gargalhadas nas primeiras horas do longa-metragem. A parte mais engraçada nisso tudo é que você não consegue terminar o filme rindo (com exceção de um único personagem que na contramão do nosso estado havia iniciado o filme sem esboçar sorrisos).

Para a Biologia o parasitismo é a “interação entre duas espécies, na qual uma delas, o parasita, se beneficia da outra, o hospedeiro, causando-lhe danos de maior ou menor importância, mas raramente a morte“. Bong Joon-ho entrega a nós uma história que não escapa em nenhum momento dessa definição, a não ser pelo fato do parasita (ou dos parasitas) serem racionais o suficiente para conceber a própria imoralidade, julgá-la e aceitá-la. E aqui fica um questionamento sobre quem de fato é o parasita: o pobre que vive sobre a sobra dos sobejos dos ricos, ou os ricos que nem se dão conta do qual organizados são os pobres dentro de seu próprio território.

Com planos lentos e câmeras com movimentação contemplativas, a fotografia do filme está sempre ressaltando as diferenças entre as duas famílias (os Ki-taek e os Park), por meio de ângulos e linhas “invisíveis” na tela reforçando os esteriótipos delineados no filme. Obviamente que a proposta aqui não é a a aceitação desses esteriótipos, mas sim torná-los nítidos para o espectador. Cabe então a este fazer a observação do quão as diferenças preexistentes escondem semelhanças nos dois grupos, que se julgam distantes por maniqueísmos construído pelo status e o dinheiro. Enquanto um julga por considerar inferior e sujo, o outro julga por considerar superior e limpo demais. Não apenas na aparência, mas no comportamento. Julgar é o ato falho de maior semelhança entre humanos.

Parasite (2019), embora não seja sobrenatural, dialoga com o elemento da causa e efeito e nos entrega uma montagem que dinamiza a ação quando é necessário que vivenciemos ela. É na cena da inundação na casa dos Ki-taek, no porão de um prédio no subúrbio, que essa montagem fica mais acentuada a partir do link desagradável entre os vasos sanitários dos dois porões (o dos Park e dos Ki-taek). Uma montagem que remete ao mórbido quando tomamos o clímax do filme.

É nessa balança entre cômico e suspense, lentidão e ação, limpo e sujo, que Parasite (2019) se constitui num conjunto reflexivo sobre nós mesmos, que parasitamos os outros e nós mesmo a partir de um canal universal: os planos. O tragicômico dá lugar a um realismo introspectivo, pois não há momento algum após a experiência de ver o filme que você não se pergunte o quanto já se tornou o parasita de alguém.

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Crítica de Filme

Crítica | Frozen II

Sequência do sucesso da Disney é boa, mas não tanto.

“Você quer brincar na neve?”. Talvez esse não fosse o tipo de situação que se esperava da sequência de Frozen (2013). Pelo menos os trailers já nos levavam a crer nisso. Contudo, mesmo com a expansão da trama e as muitas referências, Frozen II (2019) nem de longe é tão bom quanto o primeiro (e veja bem, esse que vos escreve não gostou do primeiro filme).

Há aqui um certo conflito na hora de escrever essa crítica, pois não dá para dizer que o longa-metragem animado é um fiasco. Muito pelo contrário! O filme é lindo, fluido e em certa medida emocionante. O problema é que ao esperarmos pelo fascínio que fez de Frozen um fenômeno mundial não percebemos a mesma sensação ou mesmo algo de novo.

A fórmula Disney está ali e a originalidade do roteiro (em cima do clássico A Rainha da Neve de Hans Christian Andersen) evoca muito bem as protagonistas Elsa e Anna em suas próprias jornadas. Seus tempos de tela são muito bem equilibrados e suas façanhas e dilemas balanceados com êxito. Tanto que a pouca presença de Kristoff e Sven não diminui em nada os seus papéis na trama. Olaf, como sempre é um ótimo escape cômico (e Fábio Porchat nos deleita com sua atuação icônica na versão dublada). Contudo…

Naquilo que se tornou o ponto alto da franquia Frozen, as canções, o sentimento deixa muito a desejar e nenhuma chega a impactar como Let it Go (Elsa) ou Do Want to Build a Snowman? (Olaf) fizeram se tornando hits. Está certo que ainda é cedo para afirmar isso, mas se considerarmos que o filme chegou ao Brasil mais de um mês depois da estreia nos Estados Unidos é possível medir a pouca atenção dada pelo público às faixas do novo filme e tentar cravar essa ideia de que a trilha sonora não cativou. Mas não é uma perda total!

Pela minha experiência posso afirmar que a canção mais legal do novo filme (Lost in the Woods) é justamente daquele com menos tempo de tela (Kristoff) que possui um forte elemento romântico a la Peter Cetera ou Bryan Adams (ao menos é a impressão que fiquei). É um dos momentos mais legais das cenas musicais da animação.

Assim, Frozen II entrega uma história bem profunda e que fortalece as suas protagonistas, mas não consegue manter a essência do primeiro filme quanto ao envolvimento do público com as canções e a própria trama em si (mesmo sendo reveladora de segredos). Antes do clímax a história acelera demais e não se sustenta muito. Também não deixa a certeza de que teremos um terceiro filme, que caso venha pode ser mais um erro que um acerto para a franquia.

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Crítica

Crítica | No Game No Life: Zero

Animação já está disponível na Netflix.

Amor. Essa é a palavra que define o roteiro de No Game No Life: Zero, filme recém-chegado no catálogo da Netflix, mas que deu as caras em 2017 nos cinemas japoneses. A animação é uma prequela do animê homônimo de 2014, que por sua vez é adaptado da light novel escrita pelo nipo-brasileiro Yuu Kamiya.

Falar sobre esse filme desconsiderando a narrativa da série de TV é muito fácil e muito bom, pois o filme dirigido por Atsuko Ishuzuka e roteiro de Jukki Hanada apresenta uma consistência fluída e chega a ser muito cativante em diversos momentos pela forma como insere elementos tão reflexivos como a aceitação pessoal, o altruísmo, a mágoa e o amor.

Recontando de forma a evocar um quê de épico ao fatídico fim da Grande Guerra de 6 mil anos atrás no mundo de Disboard, o filme nos apresenta o imanity, Riku Dola, e a ex-machina, Schwi, que se reúnem primeiramente sem um propósito tão válido (se desconsiderarmos as escolhas de Schwi enquanto uma máquina) até chegar num clímax intenso.

O filme tem muitas referências que servem de gancho para os apreciadores da franquia entender os eventos do presente. Um desses links nos fazem até mesmo odiar uma personagem querida quando somos confrontados com seus atos naquela época.

Mas falemos de amor. Mesmo que a história nitidamente careça de elementos mais significativos para seu desenvolvimento, a relação estabelecida entre o casal de protagonistas é profunda e nos permite refletir sobre o poder do perdão e a força do amor. Não importa quem você é, o que importa é que quero estar ao seu lado. Nas entrelinhas ou diretamente essa é a mensagem que é joga na tela. Animações que seguem essa premissa sempre são bem recebidas, pois trabalham o visual com uma proposta mais reservada ao sentimento do espectador.

No Game No Life: Zero é a adaptação direta do volume 06 da light novel de Yuu Kamiya e segue uma construção narrativa bem diferente do restante da obra ao trazer um contexto mais soturno ao universo narrativo. Vale a pena dedicar um tempo para apreciar o filme, mesmo se nunca leu ou assistiu nada de NGNL. Com dublagem em português na Netflix, a animação é aposta do serviço de streaming neste fim de ano.

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