Connect with us

Críticas

Crítica | X-Men: Apocalipse

A julgar pelo que o público já viu de Apocalipse nos quadrinhos e nos desenhos animados, a presença do vilão nos cinemas tinha tudo para ser épica. No entanto, apesar de acertar nas novas versões de heróis clássicos do grupo, o terceiro filme da segunda trilogia dos mutantes da Marvel peca, justamente, pela superficialidade do megavilão que era desejo antigo dos fãs e que dá nome ao filme.

X-Men: Apocalipse se passa na década de 80, 10 anos após os acontecimentos de X-Men: Dias de um futuro esquecido. O filme apresenta En Sabah Nur, também conhecido como Apocalipse (Oscar Isaac) como o mutante original. Após quase dominar o antigo Egito há milhares da anos, ele volta a vida disposto a garantir sua supremacia e acabar com a humanidade. De um lado, ele convoca seus quatro Cavaleiros nas figuras de Magneto (Michael Fassbender), Psylocke (Olivia Munn), Anjo (Ben Hardy) e Tempestade (Alexandra Shipp).

Do outro lado, o professor Charles Xavier (James McAvoy) conta com uma série de novos alunos, como Jean Grey (Sophie Turner), Ciclope (Tye Sheridan) e Noturno (Kodi Smit-McPhee), além de caras conhecidas como Mística (Jennifer Lawrence), Fera (Nicholas Hoult) e Mercúrio (Evan Peters), para tentar impedir o vilão.

O primeiro problema do longa é a volta de Apocalipse. A motivação do vilão para destruir a humanidade é rasa demais para justificar toda destruição que ele quer causar. Além do limite de seus poderes não terem ficado claros (mesmo que fossem ilimitados, seria legal que isso ficasse claro), a impressão que fica é de que a motivação maior de Apocalipse se chama: ego ferido.

(Foto: Divulgação/Fox)

Ainda sobre o vilão, é importante ressaltar o acerto da sequência inicial que introduz Apocalipse na história, mostrando sua soberania no antigo Egito. Brevemente, inclusive, passou pela minha cabeça que eu estava assistindo o Egito imponente que Record sempre sonhou em imprimir em Os Dez Mandamentos (sem êxito). Mas voltando ao assunto, é justamente neste começo que Apocalipse parece invencível e incontrolável. No entanto, isso vai se diluindo ao longo da história e o megavilão foi perdendo o status de “mega”.

Outra coisa: esse visual que é a cara de Ooze, o inimigo púrpura do filme de 1995 dos Power Rangers, não ajuda em nada.

“Pelo menos concordamos que o terceiro filme é sempre o pior”, disse Jean Grey, no que parece ser uma indireta a X-Men: O confronto final (2006).

A escolha do elenco foi um ponto positivo, assim como a nova roupagem de personagens clássicos, como Ciclope, Jean Grey e Noturno, que, cada um do seu jeito, ficaram mais carismáticos. Entretanto, a inserção (ou reinserção) de todos os personagens citados no segundo e terceiro parágrafo deste texto fazem, observando de modo geral, as sub-tramas de X-Men: Apocalipse serem mal desenvolvidas. Tudo ficou muito superficial e histórias paralelas, como a de Mercúrio e Magneto e da formação dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse, acabaram sendo muito mal-exploradas. Vale lembrar que são 2h30 de filme.

A aparição de Wolverine é legal, mas serve apenas de fan service e não faria falta se não estivesse ali.

X-Men: Apocalipse não é um filme ruim como alguns têm gritado, mas, de fato, não é o melhor da franquia ou sequer o melhor do ano. São boas cenas de ação, bons efeitos especiais, com um roteiro inconstante, ok, mas bem humorado. É um filme legal. Portanto, quando você tiver um tempo de sobra, separe seu dinheirinho e vá assistir ao filme. Apocalipse vale a entrada, mas não vale a pressa para assistir.

Advertisement
20 Comments

20 Comments

  1. AustOl

    13 de abril de 2019 at 03:26

    Cialis Tadalafil 5mg Pillmedica Review El Viagra Y La Diabetes viagra Generique Viagra Pas Cher En Lorient Viagra Barato Madrid

  2. AustOl

    5 de maio de 2019 at 09:48

    Tabletas Propecia Finasteride buy cialis online Amoxicillin Bloody Stool

  3. mojang minecraft download

    6 de maio de 2019 at 14:49

    Wonderful beat ! I wish to apprentice at the same time as you amend your website, how can i
    subscribe for a blog website? The account aided me a acceptable deal.
    I were tiny bit familiar of this your broadcast offered vibrant clear
    concept

  4. AustOl

    11 de maio de 2019 at 03:59

    Je Durer Plus Longtemps buy viagra Indian Euromed Viagra

  5. g

    13 de maio de 2019 at 00:21

    Hi all, here every person is sharing these kinds
    of experience, thus it’s fastidious to read this webpage,
    and I used to pay a quick visit this webpage all the time.

  6. mojang minecraft download

    15 de maio de 2019 at 02:49

    We absolutely love your blog and find almost all of your
    post’s to be what precisely I’m looking for. can you
    offer guest writers to write content for yourself?

    I wouldn’t mind creating a post or elaborating on a lot of the subjects you write
    regarding here. Again, awesome website!

  7. download minecraft

    16 de maio de 2019 at 19:48

    I need to to thank you for this very good read!! I absolutely enjoyed
    every bit of it. I have you bookmarked to check out new things you post…

  8. FranSEN

    30 de maio de 2019 at 15:53

    Propecia En Falta Receita Medica [url=http://arealot.com]100mg sertraline no rx[/url] Viagra Te Hace Durar Mas Retiro De Propecia Cialis Billig Preis

  9. gamefly free trial

    31 de maio de 2019 at 09:41

    No matter if some one searches for his essential thing, so he/she needs to be available that in detail, therefore that
    thing is maintained over here.

  10. gamefly free trial

    1 de junho de 2019 at 13:27

    Great post! We are linking to this particularly
    great post on our site. Keep up the good writing.

  11. AustOl

    2 de junho de 2019 at 06:32

    Priligy Dapoxetina [url=http://adrugo.com]buy generic cialis online[/url] Priligy Brand Canadian Pharmacy Generic Drugs Kamagra Consegna Veloce Francia

  12. gamefly free trial

    2 de junho de 2019 at 07:07

    Right away I am going away to do my breakfast,
    afterward having my breakfast coming over again to read further news.

  13. gamefly free trial

    2 de junho de 2019 at 19:27

    If some one wishes expert view on the topic of blogging after
    that i recommend him/her to pay a quick visit this blog, Keep up the fastidious job.

  14. gamefly free trial

    3 de junho de 2019 at 14:23

    magnificent post, very informative. I’m wondering why
    the opposite experts of this sector do not notice this.
    You must continue your writing. I am sure, you have a huge readers’ base already!

  15. gamefly free trial

    4 de junho de 2019 at 22:14

    I do not know if it’s just me or if perhaps everybody
    else experiencing problems with your site. It appears like some of the written text in your content are running off
    the screen. Can someone else please comment and
    let me know if this is happening to them as well?
    This could be a issue with my web browser because I’ve had this happen before.
    Thank you

  16. gamefly free trial

    5 de junho de 2019 at 07:14

    It’s amazing for me to have a site, which is helpful in support of my know-how.
    thanks admin

  17. gamefly free trial

    5 de junho de 2019 at 13:00

    Hi there, You have done an incredible job. I’ll definitely digg it and personally recommend to my friends.
    I am sure they’ll be benefited from this site.

  18. gamefly free trial

    6 de junho de 2019 at 18:12

    I’m amazed, I have to admit. Rarely do I encounter a
    blog that’s equally educative and amusing,
    and let me tell you, you’ve hit the nail on the head. The problem is something that too few people are speaking intelligently
    about. Now i’m very happy I came across this in my search for
    something concerning this.

  19. playstation 4 best games ever made 2019

    12 de junho de 2019 at 12:09

    I seriously love your website.. Very nice colors & theme.
    Did you create this web site yourself? Please reply back as I’m looking to create my
    very own site and would like to find out where you got this
    from or what the theme is named. Appreciate it!

  20. quest bars cheap

    14 de junho de 2019 at 11:09

    I’m excited to uncover this great site. I wanted to thank you for your time for this wonderful
    read!! I definitely savored every bit of it and I have you book-marked to look at new information in your
    blog.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Críticas

Crítica | Democracia em Vertigem

Um documentário sobre lembrança e reavaliação no país da memória-curta

Uma impressão arriscada sobre esse doc: embora Democracia em Vertigem (2019) responda a uma perspectiva igualitária e progressista, não se trata de um documentário “de esquerda”. Dependendo das convicções políticas de quem assiste, ele pode soar como uma ode ao triunfo ou um canto triste de derrota. E é justamente aí que mora a beleza desse trabalho dirigido, roteirizado e narrado pela cineasta Petra Costa e disponível agora na Netflix para mais de 190 países. Vai vendo.

Ao longo de seus 120 minutos, o filme vai desfiando os últimos anos da política brasileira a fim de entender como a nação da cordialidade e da hospitalidade se transformou no irreconciliável Fla x Flu ideológico que não se via há tempos. E a Esplanada dos Ministérios dividida em barricadas na decisão sobre o impeachment de Dilma Rousseff é o quadro que Pedro Américo pintaria nesses tempos loucos.

E tome lá o sinuoso dessa retrospectiva, catalogada com esmero pela montagem que recorre a imagens ainda muito frescas na lembrança dos brasileiros. A cadência dá espaço suficiente a cada evento, respira entre o alvoroço, passeia pelos salões vazios do Palácio da Alvorada numa quase-poesia que permite um tempinho para refletir (o tom de voz de Petra também contribui para esse efeito). E envolve toda essa linha do tempo com um ponto de vista muito particular: a relação pessoal da cineasta com a política e como sua família fez parte desse processo.

Ao misturar as esferas pública e privada na narrativa, Democracia em Vertigem abre o precedente para que o próprio espectador também o faça. E é só lembrar os núcleos familiares que começaram a ruir nas eleições de 2014 e vieram abismo abaixo na última visita às urnas – a identificação é imediata, afinal, em maior ou menor escala, todo mundo viu rachaduras nas paredes de casa.

Além disso, ao arrastar o discurso para a prerrogativa pessoal, Petra Costa evita o veredito, deixando as conclusões para o público. E o material é abundante entre entrevistas e discursos históricos . No país da memória-curta, Democracia em Vertigem surge como um documento poderoso de lembrança e reavaliação. Um tratado que tenta entender as polaridades que, vá lá, sempre existiram. Ao final, o texto aponta para o futuro sem fazer ideia do que vem de lá. Alguém faz?

Continue Reading

Críticas

Crítica | X-Men: Fênix Negra

Ainda que abordasse um dos arcos mais grandiosos do universo de super-heróis, X-Men: Fênix Negra consegue a proeza de ser superficial.

Um desfecho à altura do carinho que os fãs têm pela franquia X-Men era tudo que o público esperava. Não importa quantos filmes dividam opiniões, sempre houve uma multidão a espera de um impacto de verdade quando o assunto era um novo filme dos mutantes. Logan (2017) até deu esperanças e tudo que X-Men: Fênix Negra não podia fazer era decepcionar. E decepcionou.

Veja bem, toda impressão é relativa. A palavra decepção é forte e nós sabemos, até evito usar, mas em relação a esse arco tão marcante da história dos alunos de Xavier, já tivemos outras experiências bem-sucedidas em animações e quadrinhos. Agora, com todo suporte tecnológico, de mídia e com a Disney na cola, a Fox parecia estar com a faca e o queijo na mão para entregar um filme com uma linha de raciocínio muito mais poderosa.

X-Men: Fênix Negra é ambientado em 1992, os mutantes já eram considerados heróis nacionais e, durante uma missão espacial, Jean Grey (Sophie Turner) é atingida por uma poderosa força cósmica, que acaba absorvida em seu corpo. Após ser resgatada e retornar à Terra, aos poucos ela percebe que há algo bem estranho dentro de si, o que desperta lembranças de um passado sombrio e, também, o interesse de seres extra-terrestres.

A estética e a técnica de efeitos do filme estão impressionantes, questionável, mesmo, só as decisões de Simon Kinberg em – sem querer, acredito – acabar diluindo a força do arco da Fênix em cenas menos intensas do que o pretendido e com a inserção desnecessária de Jessica Chastain no elenco. O drama de Jean Grey não precisava dividir atenção com mais ninguém e tinha potência o suficiente para ser muito mais ameaçadora.

Ao tentar ser original, Kinberg desperdiça o argumento da força cósmica que habita Jean, que nos quadrinhos até funcionou como uma metáfora ao abuso de drogas. O poder Fênix, que se torna parte da intimidade da personagem, faz com que ela perca a noção de poder e acabe machucando todos ao redor. Esse sub-texto não consegue se desenvolver porque há uma alienígena desviando o rumo da trama, reduzindo ao argumento aos traumas da infância de Jean. Xavier, e até Magneto, poderiam ter sido melhor aproveitados neste conflito, visto que ambos lidam com poder, vaidade e raiva.

Essa despedida dos X-Men da Fox, depois de 11 filmes, não foi das piores, claro, mas falhou no objetivo de ser grande e de dar argumentos que dessem sentido proporcional ao surto da protagonista. A partir de agora, o bastão está com a Disney e o futuro dos mutantes a ela pertence. X-Men: Fênix Negra ficará no passado como uma relíquia. Só nos resta esperar.

Continue Reading

Críticas

Crítica | Toy Story 4

Quase uma década depois, Toy Story retorna e já é avaliado pelo público como o melhor filme da franquia.

Desde Up, Altas Aventuras, a Pixar deve ter uma pessoa por lá cujo cargo seria algo como “editor analista de roteiro especialista em fazer a audiência chorar”. E esse profissional fez um ótimo trabalho em Toy Story 3, Divertidamente, Viva (nesse ele estava muito empenhado) e agora Toy Story 4. Brincadeiras à parte, fato é que a nova animação da franquia de Woody e seus amigos é, talvez, a melhor da série.

É verdade que há o carinho pela surpreendente criatividade do primeiro, a profundidade narrativa do segundo e o sentimentalismo adorável do terceiro. Mas Toy Story 4 alcança uma maturidade diferente, com todos esses elementos dos anteriores e que construíram a força da franquia, somados a recursos técnicos bem impressionantes. A própria reação do público, inclusive, tem demonstrado o quanto o longa é especial. Até agora, Toy Story 4 possui 100% de aprovação no Rotten Tomatoes e uma surpreendente nota 9,1 no IMBD.

Mas, calma. Mantenha sim as boas expectativas, embora não se esqueça que estamos tratando aqui de uma fórmula já vista outras vezes, ou seja, uma história doce, recheada de bom-humor e com um nível de sensibilidade intenso. Por isso, não espere grandes surpresas e desconstruções maravilhosamente inventivas. Espere por momentos simpáticos e com mensagens contemporâneas valiosas – como o empoderamento feminino, respeito às diferenças e a coragem em aceitar o tempo das coisas, sejam despedidas ou chegadas.

São nove anos desde o último filme da série e, por isso, logo nos créditos iniciais de Toy Story 4 há uma espécie de recorte rápido em retrospectiva para nos lembrar em que momento da história os bonecos estão agora, já que Andy cresceu e doou seus amigos à pequena Bonnie. Ela agora é a dona e quem decide os brinquedos que farão parte da brincadeira e os que ficarão no armário, a um passo do esquecimento. Quando a menina vai para o seu primeiro dia de jardim de infância, Woody se infiltra em sua mochila para ver como ela se sairá.

De volta ao quarto, Woody sai da mochila de Bonnie e apresenta um novo colega: Garfinho – fanfact: o personagem foi desenvolvido por Cláudio de Oliveira, brasileiro que faz parte do time da Pixar. Por não ter conseguido interagir com outras crianças, a menina encontra no lixo uma forma de fazer sua própria brincadeira e constrói um boneco feito de garfo plástico, pés de palito, olhos de boneca e braços de arame. Responsável pelos momentos mais engraçados do filme, Garfinho não entende que é um brinquedo e tampouco enxerga sua importância para a garota como o responsável pela sua fase de adaptação e o impulso para sua potencial criatividade.

Mas Woody sabe e tenta, de todas as formas, fazê-lo compreender os motivos para ficar próximo a Boonie. A aventura começa quando a família vai viajar e Garfinho se atira do motor home para buscar a felicidade em algum lixo, enquanto Woody parte para o salvamento. A situação se complica quando o talher desengonçado se torna refém de uma boneca dos anos 1950 em um antiquário. Quem ajudará a turma na missão é a Betty, cuja aparição é surpreendente e importante. A boneca pastoreira, ex par romântico de Woody, reaparece, alguns anos depois de ter sido doada, como uma personagem feminina forte, empoderada e que toma a frente do plano de resgate.

Em Toy Story 4 os personagens humanos tem participação secundária, assim como nos longas anteriores (exceção ao primeiro filme), mas não funcionam apenas como escadas para o andamento da trama. É a humanidade da pequena Bonnie e o seu desenvolvimento infantil que ajudam a convencer o público e a justificar os objetivos a serem cumpridos por Woody e os demais. Todo o ponto de vista do enredo, porém, se desenrola nas ações e sentimentos dos brinquedos – óbvio – e são tão autênticos, que deixam uma série de produções Hollywoodianas atuais parecendo pequenezas dispensáveis. 

A paixão pela qual o longa foi feito passa também pelo cuidado estético da animação. As luzes, sombras, profundidade (prestem atenção nos takes de câmera quando um boneco está em primeiro plano e olhando à distância para algo, como a cena do salto de Duke Caboom no parque de diversões), expressões e tantos detalhes técnicos são o ápice da perfeição alcançado pela Pixar.

Há, então, quem achará que o desfecho foi criado propositalmente para impactar os corações moles (como o meu), já que o caminho escolhido por um dos personagens (sem spoiler), de certa maneira, contraria uma bela lição que ele próprio usa como lema de vida. Mas, se você não for do tipo crítico chato e problematizador de emoções, prepare o lenço e deixe que o tom de despedida de Toy Story 4 lhe faça derramar umas lagriminhas piegas. Afinal, foi para isso que a Pixar contratou aquele profissional incrível especialista em causar choro em adulto.

Continue Reading