Crítica | X-Men: Apocalipse





20/05/2016 - Atualizado às 21:09


A julgar pelo que o público já viu de Apocalipse nos quadrinhos e nos desenhos animados, a presença do vilão nos cinemas tinha tudo para ser épica. No entanto, apesar de acertar nas novas versões de heróis clássicos do grupo, o terceiro filme da segunda trilogia dos mutantes da Marvel peca, justamente, pela superficialidade do megavilão que era desejo antigo dos fãs e que dá nome ao filme.

X-Men: Apocalipse se passa na década de 80, 10 anos após os acontecimentos de X-Men: Dias de um futuro esquecido. O filme apresenta En Sabah Nur, também conhecido como Apocalipse (Oscar Isaac) como o mutante original. Após quase dominar o antigo Egito há milhares da anos, ele volta a vida disposto a garantir sua supremacia e acabar com a humanidade. De um lado, ele convoca seus quatro Cavaleiros nas figuras de Magneto (Michael Fassbender), Psylocke (Olivia Munn), Anjo (Ben Hardy) e Tempestade (Alexandra Shipp).

Do outro lado, o professor Charles Xavier (James McAvoy) conta com uma série de novos alunos, como Jean Grey (Sophie Turner), Ciclope (Tye Sheridan) e Noturno (Kodi Smit-McPhee), além de caras conhecidas como Mística (Jennifer Lawrence), Fera (Nicholas Hoult) e Mercúrio (Evan Peters), para tentar impedir o vilão.

O primeiro problema do longa é a volta de Apocalipse. A motivação do vilão para destruir a humanidade é rasa demais para justificar toda destruição que ele quer causar. Além do limite de seus poderes não terem ficado claros (mesmo que fossem ilimitados, seria legal que isso ficasse claro), a impressão que fica é de que a motivação maior de Apocalipse se chama: ego ferido.

(Foto: Divulgação/Fox)

Ainda sobre o vilão, é importante ressaltar o acerto da sequência inicial que introduz Apocalipse na história, mostrando sua soberania no antigo Egito. Brevemente, inclusive, passou pela minha cabeça que eu estava assistindo o Egito imponente que Record sempre sonhou em imprimir em Os Dez Mandamentos (sem êxito). Mas voltando ao assunto, é justamente neste começo que Apocalipse parece invencível e incontrolável. No entanto, isso vai se diluindo ao longo da história e o megavilão foi perdendo o status de “mega”.

Outra coisa: esse visual que é a cara de Ooze, o inimigo púrpura do filme de 1995 dos Power Rangers, não ajuda em nada.

“Pelo menos concordamos que o terceiro filme é sempre o pior”, disse Jean Grey, no que parece ser uma indireta a X-Men: O confronto final (2006).

A escolha do elenco foi um ponto positivo, assim como a nova roupagem de personagens clássicos, como Ciclope, Jean Grey e Noturno, que, cada um do seu jeito, ficaram mais carismáticos. Entretanto, a inserção (ou reinserção) de todos os personagens citados no segundo e terceiro parágrafo deste texto fazem, observando de modo geral, as sub-tramas de X-Men: Apocalipse serem mal desenvolvidas. Tudo ficou muito superficial e histórias paralelas, como a de Mercúrio e Magneto e da formação dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse, acabaram sendo muito mal-exploradas. Vale lembrar que são 2h30 de filme.

A aparição de Wolverine é legal, mas serve apenas de fan service e não faria falta se não estivesse ali.

X-Men: Apocalipse não é um filme ruim como alguns têm gritado, mas, de fato, não é o melhor da franquia ou sequer o melhor do ano. São boas cenas de ação, bons efeitos especiais, com um roteiro inconstante, ok, mas bem humorado. É um filme legal. Portanto, quando você tiver um tempo de sobra, separe seu dinheirinho e vá assistir ao filme. Apocalipse vale a entrada, mas não vale a pressa para assistir.