Crítica | Vingadores: Ultimato





26/04/2019 - Atualizado às 13:52


Uma observação: Aqui não tem spoiler. Mas para os espectadores mais sensíveis, este texto pode entregar detalhes não exatamente cruciais da trama, mas que de repente, nunca se sabe, podem ser considerados spoilers. Então, venha com amor – e por sua conta & risco.

Depois de mais de 10 anos de superproduções e uma conjugação de esforços inédita na história do Cinema, a Marvel passa a régua e fecha o ciclo do MCU com um dos lançamentos mais aguardados de todos os tempos. A pilha de 21 (agora 22) longas revigorou o esquema de blockbusters hollywoodianos e elevou a categoria de ‘filme de heroi’ a um patamar único que une entretenimento de massa, relevância social e primor nas produções – e tome aí o resultado: sucessos estratosféricos de bilheteria.

E é assim que Vingadores: Ultimato (Avengers: Endgame, 2019) se equilibra no topo de uma responsabilidade de década que deve corresponder não apenas ao legado da Marvel, como também desviar do bombardeio de teorias desenhadas pelos fãs. Nesse sentido, é nítido o esforço dos roteiristas Christopher Markus e Stephen McFeely em estruturar uma narrativa ultra-rocambolesca que procura a todo custo escapar do óbvio e pipocar em elementos surpresa.

A sede por virar as expectativas do avesso explica, por exemplo, as alterações sofridas por Thor e Hulk que se transformaram em seus opostos – e até mesmo os desdobramentos envolvendo Thanos já no primeiro ato, apontam para o apelo ao mirabolante em Ultimato. O resultado é uma trama que, embora muito bem amarrada, soa um tanto quanto inchada, percorrendo um espiral aparentemente complexo e se revelando um frenético jogo de fuga das especulações. Mas que, é bom esclarecer, funciona brilhantemente.

Nesse sentido, no entanto, Guerra Infinita é um material bem melhor lapidado por conta das soluções inteligentes que transformaram diversas premissas, personagens e estéticas num filme ao mesmo tempo coeso e fluido, divertido e emocionante. Embora o Ultimato conte com um volume extra de responsabilidade (resolver as tretas todas e fechá-las com e honra & glória) é também dele a carga emocional das despedidas e das vitórias do fim de jornada. E aí, como superar o que parecia impecável? Entra a resposta esclarecedora do próprio Kevin Feige, chefão do estúdio: ‘a intenção não é superar, mas sempre entregar o melhor possível’. Bacana.

Ainda assim, é perfeito que a trama permita passeios nostálgicos e distribua fan service na dose certa, sem relar na autoindulgência. Ao revisitar pontos-chave daquele Universo, o filme reforça seu estofo dramático por relembrar o longo caminho percorrido pelos personagens até ali– e, consequentemente, pelos fãs ao redor do mundo. Dito isso, depois de desenrolar o emaranhado narrativo, é só alegria. E um pouco de tristeza também.

Por fim, a geografia da ação é sempre bem arranjada em set-pieces marcantes, como aquele que traz o time de heroínas irmanadas ou aquele em que o Capitão América pega você-sabe-o-quê de você-sabe-quem. E assim, fica claro que Ultimato é uma carta de amor a seus principais heróis, Stark e Rogers, e de agradecimento a quem se dedicou a tantas e tantas horas de entretenimento. Fica aqui o nosso muito obrigado.