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Críticas

Crítica | Vidas à Deriva

Ou: Shailene Woodley faz uma trágica viagem de barco valer a pena

Se há um motivo pelo qual o diretor Baltasar Kormákur resolve contar a história de Vidas à Deriva (Adrift, 2018) no formato de narrativa fracionada é que nem o que ocorre antes ou depois do acidente em alto mar tem apelo o bastante pra se sustentar sozinho pelos breves 96 minutos de filme. O resultado é uma história bem intencionada, que tem seus momentos, mas com fôlego pra no máximo uma sessão de SuperCine no fim de noite da Globo. Vem comigo.

Baseado em fatos reais, o roteiro vai buscar a tragédia que envolve o casal Tami Oldham e Richard Sharp (Shailene Woodley e Sam Claflin, respectivamente). Este último, um velejador de 30 e tantos que conhece a jovem Tami de 20 e poucos. Os dois se apaixonam e depois de algum tempo juntos, são acometidos pelo desafio de velejar da costa do Haiti a San Diego. Mas encontram no percurso o furacão Raymond, o maior já registrado no Oceano Pacífico. Perrengue total.

Assim, a narrativa joga pra cima a cronologia e vai juntando as peças, montando um vai-e-vem de antes e depois que muitas vezes até resfria o impacto de uma boa cena para rememorar as circunstâncias em que Tami e Richard descobriram estar se amando. Um crescendo que vai culminar em como, afinal, se deu o acidente que deixou o casal por mais de um mês à deriva no oceano.

Essa saída é até interessante, já que adia respostas para o público e desvia do marasmo em alto mar, enquanto nos acalenta com momentos doces & melosos do casal. Mas a verdade é que, se tivesse sido montado com a linha do tempo começo-meio-fim, dormiríamos todos, com certeza.

O filme, entretanto, tem uma carta na manga que seria impossível discutir aqui sem sapecar um bruto de um spoiler. Portanto, deixo a você o desafio de concluir se a forma como este fato é exposto foi bem executada ou não. Sigamos.

A despeito de toda a dificuldade técnica e logística de se filmar na água, o diretor islandês Kormákur (cujos trabalhos anteriores indicam sua predileção por este cenário) entrega uma direção bem regular, onde se destacam cenas como aquela que traz Woodley chacoalhando dentro do barco enquanto este rodopeia ao sabor do furacão que lá fora cria ondas gigantescas. A atriz é provavelmente o ponto mais alto do filme e seria um prazer vê-la se entregar assim em mais papéis dramáticos, como em Os Descendentes (2011).

Seja como for, se você faz a linha “Ai de mim que sou romântica!” vai curtir os momentos de cumplicidade entre o casal, o cuidado que um tem com o outro – o que leva qualquer coração a divagar sobre o poder do amor que faz a gente sobreviver diante das mais severas adversidades. Sobe o solo de violino! Eu avisei, cara! SuperCine!

 

 

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