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Crítica

Crítica | Universo Anime (Netflix-Doc)

Um documentário com caráter promocional que traz alguns dos bastidores dos animês da Netflix.

Se você é otaku – ou já assistiu alguma coisa relacionada a animês – não pode deixar de ver o documentário média-metragem Universo Anime (Enter The Anime, 2019) que estreou na última segunda-feira (05) no catálogo da Netflix.

Aventurando-se de forma mais intensa nesse filão de mercado, a gigante do entretenimento faz uso de suas estratégias de marketing para promover o trabalho que vem desenvolvendo com animês desde 2015 com a sua sucursal, a Netflix Japan. Para isso, convidou a cineasta Alex Burunova a tentar dar o seu ponto de vista sobre o fenômeno animê a partir de um diálogo enquanto produtora audiovisual com criadores e produtores dessa indústria.

Com conversas feitas com personalidades muitas vezes conhecidas somente por sua existência por detrás de títulos de animê disponíveis no catálogo da Netlflix como: Castlevânia, Aggretsuko, Knights of the Zodiac e Neo Genesis Evangelion, o filme de 58 minutos atende bem ao seu propósito de produto audiovisual promocional metalinguístico. É sim desejo de todo fã conhecer um pouco sobre os bastidores dos staffs de seus shows favoritos. E a Netflix faz o uso de disso para trazer uma peça publicitária de caráter qualitativo. O que, por sua vez, não tira o mérito do filme.

As entrevistas intercaladas com a narrativa da busca de Burunova (narrada na voz da atriz Tania Nolan) sobre o que de fato é o animê, levam-nos a momentos divertidos com a dupla Yeti e Harecho, responsáveis pela panda-vermelha Retsuko e sua paixão pelo Death Metal. É nessa parte que se percebe que além de vender seu próprio trabalho, a Netflix busca apresentar ao seu público o comportamento da sociedade japonesa, que tanto chama a atenção por suas excentricidades e é motivo para a organização de uma tribo social: a dos otakus. Aqui é onde o filme mais peca, pois traz um viewpoint bem genérico e carregado de esteriótipos.

Contudo, outro ponto bem legal é o bate-papo com a cantora Yoko Takahashi, intérprete do tema A Cruel Angel’s Thesis (abertura de Neo Genesis Evangelion), considerado um hino dentro da cultura pop japonesa. Assim, o documentário se destaca por não só dialogar com produtores, diretores e grandes estúdios como a Toei Animation, para dar voz a outros atores da cena manganime.

Rápido, o documentário relembra a todos que a Netflix não está de brincadeira com o assunto animê e que tem projetos longevos pensados para seu catálogo. Talvez, seria legal termos outras produções do gênero sendo acrescentadas no catálogo futuramente discutindo mais aprofundando esse universo tão emblemático e afetivo em suas múltiplas particularidades. Mas dessa vez com um valor bem mais próximo da realidade existente sobre a indústria e a cultura fomentada por ela.

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Crítica

Crítica | No Game No Life: Zero

Animação já está disponível na Netflix.

Amor. Essa é a palavra que define o roteiro de No Game No Life: Zero, filme recém-chegado no catálogo da Netflix, mas que deu as caras em 2017 nos cinemas japoneses. A animação é uma prequela do animê homônimo de 2014, que por sua vez é adaptado da light novel escrita pelo nipo-brasileiro Yuu Kamiya.

Falar sobre esse filme desconsiderando a narrativa da série de TV é muito fácil e muito bom, pois o filme dirigido por Atsuko Ishuzuka e roteiro de Jukki Hanada apresenta uma consistência fluída e chega a ser muito cativante em diversos momentos pela forma como insere elementos tão reflexivos como a aceitação pessoal, o altruísmo, a mágoa e o amor.

Recontando de forma a evocar um quê de épico ao fatídico fim da Grande Guerra de 6 mil anos atrás no mundo de Disboard, o filme nos apresenta o imanity, Riku Dola, e a ex-machina, Schwi, que se reúnem primeiramente sem um propósito tão válido (se desconsiderarmos as escolhas de Schwi enquanto uma máquina) até chegar num clímax intenso.

O filme tem muitas referências que servem de gancho para os apreciadores da franquia entender os eventos do presente. Um desses links nos fazem até mesmo odiar uma personagem querida quando somos confrontados com seus atos naquela época.

Mas falemos de amor. Mesmo que a história nitidamente careça de elementos mais significativos para seu desenvolvimento, a relação estabelecida entre o casal de protagonistas é profunda e nos permite refletir sobre o poder do perdão e a força do amor. Não importa quem você é, o que importa é que quero estar ao seu lado. Nas entrelinhas ou diretamente essa é a mensagem que é joga na tela. Animações que seguem essa premissa sempre são bem recebidas, pois trabalham o visual com uma proposta mais reservada ao sentimento do espectador.

No Game No Life: Zero é a adaptação direta do volume 06 da light novel de Yuu Kamiya e segue uma construção narrativa bem diferente do restante da obra ao trazer um contexto mais soturno ao universo narrativo. Vale a pena dedicar um tempo para apreciar o filme, mesmo se nunca leu ou assistiu nada de NGNL. Com dublagem em português na Netflix, a animação é aposta do serviço de streaming neste fim de ano.

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Crítica

Crítica | Black Fox

Co-produção da Crunchyroll, animê mistura sci-fi com ninjas.

Após o muito frisson promovido, finalmente pudemos ver o resultado de Black Fox, animê original produzido pelo estúdio 3Hz (em parceria com o estúdio Infinite) e a presença da Crunchyroll no comitê de produção.

Saindo em formato de longa-metragem, a animação surpreende em visual e em markerting – sendo licenciada no Brasil e outros países com cobertura da Crunchyroll um dia antes da estreia nos cinemas japoneses neste fim de semana – e se configura não mais como uma aposta, mas sim numa alternativa muito positiva ao serviço de streaming dedicado ao público otaku (mas não é o momento de comentar isso, talvez em um artigo).

Com a premissa de um sci-fi, Black Fox reúne elementos como IAs e disputas corporativas por tecnologias de potencial militar ao universo mais que amado dos shinobis ao introduzir a jovem Rikka Isurugi em uma vingança por sua família ao lado de “animais” robóticos superinteligentes e de personalidades destoantes. Junte a isso uma garota telapata e um cientista louco e… bom, poderíamos ter uma trama perfeita.

Não entenda errado! Não estou dizendo que Black Fox é um filme ruim. Pelo contrário, gostei bastante da experiência e me senti cativado pelas personagens apresentadas. Na verdade, acho que como um filme de origem, o longa-metragem cumpre bem o seu papel de nos inserir na história de Rikka e creio que tem tudo para se desenvolver em uma boa série de animê em um futuro não tão distante. Sério, estou muito a fim de ver Rikka, Mia e Melissa no combate ao vilão Brad Ingram.

Todavia, não esquecendo que Black Fox é um filme, temos muitas questões no roteiro que desanimam bastante. O segundo ato, em específico, é muito prejudicado com a maneira escolhida para dar sequência aos acontecimentos. A forma como Rikka e Mia desenvolvem sua conexão acaba ocorrendo de maneira um pouco rasa mesmo sendo perceptível que em suas essências ambas são distintas demais uma da outra em relação ao carinho e o afeto daqueles ao seu redor.

Considerando o tempo de duração do filme (90min) – que não foge do padrão da cena, mas poderia ser um pouquinho maior – temos uma minutagem aproximada à de 4 episódios sem abertura e encerramento. É observando isso que se percebe que o segundo ato (que equivaleria a dois episódios) poderia trabalhar de forma bem mais efetiva o contato entre as duas garotas e, assim, preparar melhor o público para o clímax.

Isso não tira méritos da direção de Kazuya Nomura e Keichi Shinohara, que contam com um trabalho relativamente bem feito pelo time do 3Hz , que tem entre seus principais trabalhos Sword Art Online Alternative: Gun Gale Online (2018). Outro ponto superpositivo são as presenças de Ayaka Nanase e Haruka Tomatsu nas vozes de Rikka e Mia. Talentosíssimas!

A experiência de poder ver o filme nos mesmo período de sua estreia em solo japonês é um outro atrativo e espero que isso se repita em muitos outros momentos. Volto a afirmar, Black Fox tem tudo para ser uma história memorável. Só depende das escolhas a serem feitas. Minha sugestão é que em vez de um segundo filme tenhamos uma série animada para TV/streaming com 12 episódios para dar sequência à trama.

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Crítica

Crítica | My Hero Academia: 2 Heróis

Filme está com passagem rápida pelos cinemas do Brasil e agrada o público com versão dublada.

Sempre quando tem um filme de animê na telas dos cinemas brasileiros, o público otaku se entrega ao frisson de querer assistir mesmo que essa exibição seja feita exatamente após um ano da estreia em solo japonês e muitos deles tenham visto de forma não-oficial através de fansubs.

A euforia existe quando temos a oportunidade de ver personagens que gostamos na telona e ainda poder acompanhá-los em áudio PT-BR. My Hero Academia: 2 Heróis é o primeiro longa-metragem da série originada no mangá de Kohei Horikoshi, publicada pela Shueisha na Weekly Shonnen Jump.

Girando em torno de eventos do passado de uma de suas personagens centrais, o Símbolo da Paz – All Might, a história do filme mantém a base dos elementos já comuns da franquia ao dar o protagonismo a Izuku Midoriya (Deku) e seus colegas da Academia de Heróis numa luta contra terroristas. De roteiro simples, o longa-metragem não tem muito a oferecer em contexto narrativo (mesmo Horikoshi já tendo confirmado sua canonicidade entre a 2ª e 3ª temporada do animê), mas entrega muito bem a essência de cada um dos “protótipos de heróis” (usando as palavras do próprio All Might na versão brasileira) quanto ao seu humor, poderes e sentimentos.

Simples, mas cativante. É assim que nos sentimos com o filme, que é intercalado entre cenas de ação e muito humor (Imagem: Bones/Sato Company)

Visualmente, o filme deixa desejar em muitos momentos. É como se o Estúdio Bones – responsável pela animação – não entendesse a diferença de animar para TV e animar para Cinema. Traços preguiçosos e pouco detalhamento (à exceção da batalha final) até aparentam um projeto sem vontade. Talvez, o estúdio queira se aproximar do formato da TV, mas aí poderiam ter caprichado ao menos um pouco mais e chegar ao nível de um Blu-Ray Disc.

Ir o cinema só para ver personagens com figurinos não habituais por si só não vale a experiência. É preciso qualidade técnica na animação e seus suportes como os detalhes no character design. Kenji Nagasaki, que dirige a série desde a primeira temporada e também o filme, deixou a desejar na finalização para a versão de cinema. Não que seja um trabalho ruim, longe disso, entretanto o respeito ao traço e ao estilo de animação acabam que limitam bastante a exploração das características visuais das personagens para este longa-metragem em muito momentos (principalmente em cenas de planos abertos e conjuntos).

O toque brasileiro acaba salvando a experiência fílmica. Está realmente de parabéns o trabalho de dublagem realizado pelo cast escalado pela UniDub em parceria com o distribuidor (Sato Company). As atuações de Guilherme Briggs (All Might) e Lipe Volpato (Izuku Midoriya) foram muito bem desenvolvidas. Talvez, Guilherme Briggs pudesse ter colocado uma tonalidade um pouco mais fechada ao herói e assim fugido um pouco do Superman (mas como o próprio All Might é quase que como um Superman no universo de MHA a gente deixa passar). Robson Kumode (Todoroki Shoto) e Fábio Lucindo (Katsuki Bakugou) também chamam a atenção justamente pelo fato de eles serem – ao menos para mim – as vozes perfeitas para cada um dos respectivos personagens.

Em muitos momentos o character design fica comprometido, contudo a sensação de estar “assistindo a um episódio” da série ameniza esse deslize (Imagem: Bones/Sato Company)

Entre o restante do elenco de vozes, somente Priscilla Concepción – desde sua escalação – não agrada o público em geral na sua interpretação de Ochaco Uraraka. Representante do moe dentro da trama, a garota soou bem mais forte e madura que a dublagem original. Contudo, quando se acompanha o filme por completo, acaba que isso realmente não se torna um fator negativo. O talento de Priscilla é tão bem usado nas suas interpretações, que a Uraraka dela fica bem marcada na trama (diferente, mas tão bem marcada quanto na versão em japonês). Outra que fugiu da crítica com uma boa interpretação é Jacqueline Sato, que torna a protagonista Melissa Shield numa personagem carismática e já querida pelos fãs. Aqui tem mérito da diretora de dublagem, Úrsula Bezerra, que soube bem como escalar e conduzir sua equipe.

A Sato Company conhece a paixão dos otakus brasileiros por dublagem e soube se aproveitar disso ao incluir no elenco personalidades do fandom como os youtubers Leonardo Kitsune, Vii Zedeck e Gabi Xavier, o que prontamente não só ajudou no marketing do filme quanto na aproximação do público com a trama.

De tiro curto no cinema, a exibição de My Hero Academia: 2 Heróis é uma ótima experiência para otakus e não-otakus, garantindo até mimos (cartões especiais do filme), e a repercussão no Twitter é uma boa prova disso. O longa-metragem pode não ser visualmente maravilhoso, mas ao menos aqui no Brasil ganhou boas características para torná-lo agradável ao público. Plus Ultra!

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