Crítica | Truque de Mestre (2013)





07/06/2016 - Atualizado às 21:31


07Impressionar é uma das máximas do ilusionismo. Apoiado na grandiosidade do cinema, então, ele pode parecer muito mais fascinante. Sabendo disso, Truque de Mestre (2013), refilmagem do clássico homônimo dos anos 60, tinha tudo para ser arrebatador, já que tinha a expertise do ilusionismo como aliada, mas pecou na construção do, não menos importante que a mágica, roteiro.

O filme tem como protagonista Daniel Atlas (Jesse Eisenberg), o carismático líder do grupo de ilusionistas chamado The Four Horsemen. O que poucos sabem é que, enquanto encanta o público com suas mágicas sob o palco, o grupo também rouba bancos em outro continente e ainda por cima distribui a quantia roubada nas contas dos próprios espectadores. Estes crimes fazem com que o agente do FBI Dylan Hobbs (Mark Ruffalo) esteja determinado a capturá-los de qualquer jeito, ainda mais após o grupo anunciar que em breve fará seu assalto mais audacioso. Para tanto ele conta com a ajuda de Alma Vargas (Melanie Laurent), uma detetive da Interpol, e também de Thaddeus Bradley (Morgan Freeman), um veterano desmistificador de mágicos que insiste que os assaltos são realizados a partir de disfarces e jogos envolvendo vídeos.

Algumas mágicas chegam a impressionar, causar momentos de tensão, mas outras erram a mão e fogem do limite do verossímil. Para reforçar a sensação de que um truque pode acontecer a qualquer momento, o diretor Louis Leterrier (Fúria de Titãs, O Incrível Hulk) filmou praticamente todas as cenas com câmeras em movimento, dando voltas nos personagens, aproximando-se, afastando-se, etc.

A história foi construída com um vício de querer surpreender a qualquer custo. O filme inteiro tem o tom de um show de mágica: suspense, tensão e um pouco de humor. No entanto, em Truque de Mestre está tudo muito solto, nada parece querer fazer sentido. Os protagonistas, definidos por suas habilidades com ilusionismo, passam de desconhecidos a perigosos assaltantes de bancos em poucas cenas. A preocupação em construir a relação entre os personagens é quase nula e isso torna o filme superficial, repleto de diálogos rasos.

O filme foi escrito à seis mãos por Ed Solomon (Homens de Preto), Boaz Yakin (Príncipe da Pérsia – As Areias do Tempo) e Edward Ricourt (estreante), e parece que ninguém quis poupar nos clichês de esteriótipos ao construir os personagens. Essa turma caprichou, mesmo, nas reviravoltas gratuitas que a história dá, como forma de desvTiar a atenção do público para detalhes que nada têm a ver com o grande final da história, que, sem ter nenhuma pista, tentou ser um encerramento surpreendente, mas que desapontou por parecer  sem sentido e preguiçoso.

Truque pelo truque, no final das contas, Truque de Mestre é um filme divertido e bem-feito, um bom passatempo que apoia suas mágicas em efeitos visuais e até consegue surpreender, mas não é capaz de desenvolver uma história lógica que construa algo além do, apenas, encantamento visual.