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Críticas de Séries

Crítica | The Walking Dead – 9ª temporada

Nova trama política e inteligente revive zumbis como ameaça e sacode The Walking Dead.

A nona temporada de The Walking Dead acabou e com ela uma constatação: apostar na morte de protagonistas não foi o que trouxe a queda de prestígio para a ficção pós-apocalíptica. A má construção do suspense, sim. Sintomas começaram a ser sentidos na sexta temporada, profundamente agravados na sétima, uma reação de melhora na oitava e, apesar de tudo, devidamente contornados na nona temporada.

Marcada pela mudança de showrunner, nova vinheta cheia de códigos e despedida do protagonista Rick Grimes (Andrew Lincoln), a temporada nove parecia uma bomba relógio. Antes de tudo acontecer, muitas notícias já apontavam a saída de personagens cruciais e abalavam a confiança dos walkers (fãs da série) numa reviravolta positiva. E não é que a direção de Angela Kang conseguiu driblar essas baixas e apresentar uma temporada tão boa quanto a quinta? Menino, pois foi.

Olhando para trás, o arco dos Salvadores (7ª e 8ª temporada) foi uma decepção. Um potência mal aproveitada. O arco dos Sussurradores (9ª temporada) tinha potência igual ou maior. E o medo do fã, que inicialmente era da série não funcionar, foi substituído pelo medo real da ameaça que os vilões liderados por Alpha apresentaram. Vilões que estrearam chocando a audiência e apontando um caminho muito mais violento para o futuro de The Walking Dead.

Um dos maiores méritos do conflito com os Sussurradores foi reviver a insegurança em relação aos zumbis. Com o passar do tempo, as guerras entre sobreviventes assumiram os picos emocionais da franquia e os zumbis figuravam apenas como alegorias, parte do cenário da série. Agora, toda desconfiança sobre os caminhantes é pouca.

Mesmo sem peças-chave como Andrew Lincoln e Chandler Riggs, que ainda fazem muita falta, o elenco deu um show. Samantha Morton, que interpreta a vilã Alpha, foi assustadora e impecável. Agora com mais espaço, Norman Reedus e Danai Gurira conseguiram evoluir, respectivamente, Daryl e Michonne. Como não era feito desde a inserção do grupo de Rosita, novos personagens carismáticos foram introduzidos: Magna (Nadia Hilker), Luke (Dan Fogler), Kelly (Angel Theory), Connie (Lauren Ridloff) e Yumiko *Eleanor Matsuura). Judith Grimes (Cailey Fleming) também foi uma grata surpresa.

O elenco inchado, aliás, ainda segue como característica consequente do volume das comunidades. Subtramas continuam sendo apresentadas e pouco desenvolvidas, o que dá a impressão de um problema de gestão dessas histórias em prol da narrativa central. A gravidez de Rosita, por exemplo, parece cumprir uma cota de easter eggs das HQ’s, apenas.

No entanto, se havia alguma dúvida se The Walking Dead ainda tinha fôlego, muitas delas foram eliminadas pelos últimos episódios. A ausência de Rick e Maggie jogam contra a trama – a audiência tem caído a cada semana -, que tentou compensar entregando um arco bem amarrado e levantando questões a serem respondidas por outros produtos da franquia. Para quem parecia estar com tudo dando errado, até que o futuro de The Walking Dead parece interessante…

Críticas de Séries

Crítica | Love, Death + Robots

Para as mentes mais abertas, a série é um convite para uma viagem transcendental entre a morte e o amor.

Foto: Divulgação/Netflix

Para o diretor Tim Miller (Deadpool), a série Love, Death + Robots, que ele comandou ao lado do renomado cineasta David Fincher (Clube da Luta, Se7en, O Curioso Caso de Benjamin Button), é nada mais que “uma carta de amor aos nerds”. E ele não poderia estar mais correto.

Do passado ao futuro, entre a guerra e a extinção, os 18 contos animados apresentados na série exploram todos os temas de fascínio ao jovem geek. Aliás, como uma produção antológica, que funciona de maneira semelhante a Black Mirror, cada história é marcada por sua particularidade, tendo consigo, tramas e universos muito mais do que distintos.

Uma ideologia também presente nos traços das animações. Pois, enquanto alguns episódios bebem de fontes japonesas ou poderiam facilmente ocupar a grade da TV aberta americana (se não fosse a sua classificação para maiores), outros parecem sair diretamente do mundo dos quadrinhos ou das telas do Playstation 4.

As inspirações e técnicas vêm de toda a parte do globo. Fato atestado por sua produção mundial, que teve como berço os Estados Unidos, França, Hungria, Polônia, entre outros países.

Talvez por tais razões, as tramas também variam e transitam entre o complexo e o simplório. Quando não surpreendem por suas reviravoltas impactantes e inesperadas, causam impacto com uma narrativa simples, mas intensa e eficiente.

Dito isso, prepare-se para encontrar, aqui, histórias psicodélicas, de drama, horror e sobrevivência, oras triunfadas sobre as verossimilhanças visuais, ora abstratas e cartunistas, seja em 2D ou em 3D. O steampunk e o gênero heist também fazem à festa em alguns episódios divertidos e muito bem executados. E o humor, ainda que breve e amargo, também garante um espaço tímido e satisfatório entre algumas animações.

Outro ponto importante é que apesar de curtos, com durações variando entre 6 e 17 minutos, os episódios nos fisgam quase que de imediato. São, em geral, intuitivos, e nos guiam com facilidade entre mundos fantásticos e repletos de detalhes a cada canto da tela. Enquanto os personagens, além de (quase sempre) fugirem dos estereótipos padrões da sociedade, são carismáticos e fáceis de serem interpretados, desde as suas motivações pessoais até os objetivos dentro de suas mini-histórias. Não a ponto de decidirmos decorar os seus nomes para todo o sempre, mas eles cumprem o seu papel e conseguem nos fazer sentir na pele as suas experiências nada usuais.

Por outro lado, o problema de uma série antológica, que abarca contos e estilos distintos em cada episódio, é que algumas coisas podem funcionar e outras não. Além disso, as três palavras-chaves da série (Amor, Morte e Robôs) sugerem e possibilitam uma infinidade de histórias. Por esta razão, os temas explorados nos episódios variam, indo de um ponto a outro em poucos instantes. Consequentemente, nem todas as histórias irão agradá-los. Não que isso seja necessariamente uma regra, isto dependerá do ponto de vista de cada espectador.

Aliás, Love, Death + Robots reúne propositalmente diferentes tribos em uma só produção. Aqui, gamers, otakus, nerds e cinéfilos terão a chance de aproveitar o deleite visual que os contos proporcionam em um curto período de tempo. Para as mentes mais abertas, a série é um convite para uma viagem transcendental entre a morte e amor (e a robótica) em universos ricos e singulares.

Por outro lado, certos episódios (para alguns) podem facilmente serem resetados da mente logo após serem executados. E parte da culpa é da própria produção. Aliás, a sucessão e a transição entre jornadas intensas e poéticas para outras que são nada mais que narrativas visuais muito bem construídas, fazem as expectativas dos espectadores irem por água abaixo.

No final, a principal dica para navegar pela série é manter-se aberto às experiências e ter em mente que cada uma das animações o guiará por um mundo espetacular de maneira totalmente adversa as aventuras anteriores. Quase nada, digo com tranquilidade, se repete ou torna-se habitual aqui.

Assim, além dos temas centrais, a diversidade, o senso da descoberta e a surpresa são as únicas variáveis imutáveis do show e cabe somente a você decidir o quão positivo ou negativo isto é.

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Críticas de Séries

Crítica | Titans

Sem vergonha das referências, Titans caminha para ser um ícone entre as séries da DC na televisão.

Foto: Divulgação/DC Universe

Desde que saíram as primeiras imagens de bastidores, Titans gerou bastante curiosidade e desconfiança. O que muita gente não esperava é que a aposta do DC Universe seria bem aceita por também trazer o clássico toque sombrio só que num tom acima: heróis xingando e sangue jorrando na tela. Vem cá, vamos falar sobre novo passo do estúdio.

A série acompanha o início da carreira dos jovens heróis do Universo DC. Dick Grayson e Rachel Roth, uma jovem garota especial possuída por uma estranha escuridão, acabam no meio de uma conspiração que pode trazer o Inferno para a Terra. Eles se juntam à cabeça-quente Estelar e o amável Mutano. “Juntos, eles se tornam uma família e uma equipe de heróis”, apontava a sinopse da Netflix.

Entretanto, “família” ou “equipe” ainda não são termos que definem tão bem a relação dos protagonistas nesse primeiro ano. Arredios, Dick, Rachel, Kory e Gar mal conseguem desenvolver o senso de união ao longo dos episódios. Não por faltarem motivos, mas por ainda terem mais mistérios separados do que momentos compartilhados juntos. Passam-se os 11 episódios e a verdade é que eles mal se conhecem.

Para compensar essa falta do “time”, Titans entrega uma boa história, acompanhando como as subtramas dos heróis caminham ao obscuro arco central. Narrativamente é mais pesada que Arrow, lembra Gotham e se aproxima do que Demolidor faz na Netflix, ainda que com ação menos caprichada.

O arco principal, que envolve a origem de Rachel Roth, terminou antes da hora. Depois fiquei sabendo que transformaram o último episódio no primeiro da segunda temporada. E olha, fez falta. Não pela curiosidade, mas faltou a gente entender melhor sobre a ameaça desse cliffhanger.

Além dos próprios Titans, a série apresenta os ótimos Rapina e Columba que, infelizmente, foram apresentados antes da hora. No início da série, houve uma tentativa de dar relevância aos personagens, que somem entre as subtramas dos protagonistas e reaparecem num episódio inteiro dedicado a eles já no antepenúltimo episódio, cortando todo o clima de tensão, enfraquecendo clímax e o próprio potencial dos personagens.

Na tentativa de empolgar a audiência, o roteiro insere personagens pelo prazer dos easter eggs e sacrifica o poder de impacto que poderiam ter se tivessem reais motivos para estarem no caminho dos Titans.

De qualquer forma, sem histórias mirabolantes e com foco em apresentar os quatro heróis, a série sustenta a violência que promete sem que isso chame mais atenção que a própria trama. Servem como bons complementos para a produção que, nesse novo contexto que o DC Universe está se inserindo, representa uma evolução. Cumpriu a primeira missão deixando um terreno fértil para uma próxima temporada ainda melhor e com escolhas de roteiro mais inteligentes.

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Crítica | Ilha de Ferro

Com qualidade técnica apurada, seria tudo perfeito se ‘Ilha de Ferro’ não tivesse um roteiro tão fraco.

Foto: Divulgação/Globoplay

Pensar que uma emissora de TV pudesse apostar tão alto no futuro do streaming seria algo estranho de pensar até pouco tempo atrás. Mas o Globoplay, plataforma da TV Globo na internet, está apostando alto para ser ‘a casa do talento brasileiro’ e ter um valor de mercado semelhante ao da Netflix do Brasil. Nessa brincadeira, já surgiram produções como Carcereiros, Sob Pressão e Ilha de Ferro, que é sobre quem falaremos agora.

O drama conta a história de Dante (Cauã Reymond), que é o coordenador de produção da PLT-137, uma plataforma petrolífera recordista de acidentes. Ele sonha em se tornar gerente do local, mas fica revoltado quando percebe que precisa competir com a recém-chegada Júlia (Maria Casadevall) pelo cargo. No entanto, é no meio dessa disputa que acaba surgindo uma paixão entre os dois capaz de mudar o rumo de suas vidas.

Ainda que muita gente torça o nariz para qualquer produção brasileira que seja protagonizada por atores globais, aqui isso não precisa ser uma questão. O texto de Mauro Wilson e direção de Afonso Poyart desviam de diálogos artificiais e criam boas condições para atuações menos caricatas. Sem dúvidas, aqui, Sophie Charlote entrega a melhor atuação da carreira.

No entanto, é no roteiro que surgem os principais problemas de Ilha de Ferro por causa da falta de assunto. O grande arco narrativo da série se apoia num romance problemático e não tão carismático quanto pretendido, que gira em círculos infinitos e demora para ter qualquer avanço. Não existe um objetivo determinado, uma grande tarefa a ser cumprida ou sequer um vilão a ser combatido. Funciona como série procedural para encher linguiça enquanto o casal se desenvolve e só nos últimos episódios tira do limbo uma subtrama que se torna o pico de ação da história. Mas até chegar nesse ponto, o espectador é cozinhado demais.

A fragilidade do roteiro se escancara, ainda, quando apresenta quase toda cartela de personagens como pessoas infelizes e amarguradas sem conseguir distribuir esses dramas entre os longos 12 episódios, que mergulha no drama sem quase nenhum espaço para diálogos que rompam com essa tensão. Há casos, ainda, de personagens que interferem na trama, mas são mal trabalhados como Astério Medeiros (Milhem Cortaz) que some de repente e Sileno Matos (Júlio Rocha) que aparece do nada e numa frustrada intenção de alívio cômico.

De qualquer forma, talvez só um roteiro realmente sofisticado fosse capaz de se igualar ao melhor que Ilha de Ferro oferece. E não, não se trata do bom trabalho de Cauã Reymond ou no esforço de Maria Casadevall. Mas, sim, no primor técnico da direção artística e geral do cineasta Afonso Poyart, que traz uma estética que não deixa nada a desejar para qualquer produção estrangeira.

Há a sensação, ainda, de que a direção de arte é tenta ajudar a desenvolver a personalidade dos personagens em tela através de ilusões e desvaneios aparentemente abstratos.

A grosso modo, Ilha de Ferro começa bem, com estética que impressiona e personagens fortes. A história não se sustenta após o primeiro episódio, cumpre os quesitos técnicos, atinge seus melhores momentos nas sequências de ação, mas rompe, infelizmente, tem um roteiro pretensioso demais ao drama. De qualquer forma, é um bom passo para o fortalecimento do segmento de séries nacionais e merece uma chance de quem estiver disposto a dar.

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