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Críticas de Séries

Crítica | The Walking Dead – 8ª Temporada

Mais ousada e madura, The Walking Dead arrisca com estilo metafórico e encerra com caminhos livres.

Foto: Divulgação/AMC

A responsabilidade que a 8ª temporada de The Walking Dead carregou do início ao fim era única e pesada: estancar a fuga do público que rejeitou o estilo compassado escolhido para conduzir a trama na temporada anterior. A premissa, dessa vez, era a guerra total entre comunidades. Uma treta que rendia excelentes oportunidades narrativas, mas que, ao evitar uma construção óbvia do conflito, acabou dividindo opiniões.

Antes do confronto final, a série vinha de um impacto devastador que o enfrentamento de comunidades promoveu. Alexandria foi destruída, Hilltop cercada, o Reino massacrado e Rick (Andrew Lincoln) envolvido em conflitos paralelos que o tiravam o foco – que inclui a morte do filho Carl (Chandler Riggs) -, além de novos núcleos desenvolvidos de forma bastante deficiente – Oceanside e Lixão.

The Walking Dead continua com premissas bastante interessantes: sociedade se reerguendo, civilizando-se novamente, conflitos entre povos, ainda vida pós-apocalíptica, etc. A forma de conduzir o conflito central, porém, confunde tanto quanto instiga, muito disso por conta do excesso de flashforwards – cenas que interrompem uma sequência cronológica para mostrar eventos ocorridos posteriormente – e alucinações. Uma estratégia arriscada para quem está em plena problemática com o público. Pelo menos tem personalidade, né?

Ainda assim, houve evolução. Com sacrifícios (Carl que o diga), mas houve evolução. Depois de tantos conflitos, Rick encerra a temporada reforçando-se como figura de liderança e sugerindo mudanças de comportamento: menos punhos cerrados e mais política. Maggie (Lauren Cohan), por sua vez, vê-se consolidada como líder de uma comunidade para chamar de sua e, como se não bastasse, preparando uma conspiração para mudar os planos de Rick, que tanto teve misericórdia do homem que matou seu marido.

Se essa perspectiva será suficiente para impulsionar o interesse na série, ainda não sabemos. Mas a sequência de escolhas ruins da sétima temporada até aqui impactaram fortemente a audiência e, atualmente, não seria loucura cogitar que a emissora AMC começasse a considerar uma conclusão natural para a história de Rick Grimmes. Não é um desejo, claro, diante dos fatos…

A oitava temporada de The Walking Dead ousou bem e foi dominada por coadjuvantes. Dwight (Austin Amelio), Simon (Steven Ogg), Jadis (Pollyanna McIntosh), Eugene (Josh McDermitt) e até Padre Gabriel (Seth Gilliam) foram peças importantes para o desenrolar dos episódios.

Ciclo encerrado, é evidente o amadurecimento do programa ao olhar para trás. Uma temporada de decisões difíceis que abrem precedente para novas decisões malucas. Precedentes que, apesar de tudo, fizeram dessa uma temporada melhor que a passada, encerrando sem cliffhangers e com diversas possibilidades de caminhos criativos para as próximas tramas. Um futuro que os fãs sobreviventes clamam para que responda a pergunta que não quer calar: que diabos de helicóptero era aquele?

Críticas de Séries

Crítica | Love, Death + Robots

Além dos temas centrais, a diversidade, o senso de descoberta e a surpresa são as únicas características imutáveis do show.

Foto: Divulgação/Netflix

Para o diretor Tim Miller (Deadpool), a série Love, Death + Robots, que ele comandou ao lado do renomado cineasta David Fincher (Clube da Luta, Se7en, O Curioso Caso de Benjamin Button), é nada mais que “uma carta de amor aos nerds”. E ele não poderia estar mais correto.

Do passado ao futuro, entre a guerra e a extinção, os 18 contos animados apresentados na série exploram todos os temas de fascínio ao jovem geek fanático. Aliás, como uma produção antológica, que funciona de maneira semelhante a Black Mirror, cada história é marcada por sua particularidade, tendo consigo, tramas e universos muito mais do que distintos.

O que pode ser observado também nos traços das animações. Enquanto alguns episódios bebem de fontes japonesas ou poderiam facilmente ocupar a grade da TV aberta americana (se não fosse a sua classificação para maiores), outros parecem sair diretamente do mundo dos quadrinhos ou das telas do Playstation 4.

Como nota-se, as inspirações e técnicas vêm de toda a parte do globo. Fato atestado por sua produção mundial, que teve como berço os Estados Unidos, França, Hungria, Polônia, entre outros países.

Por tais razões, as tramas também variam e transitam entre o complexo e o simplório. Quando não surpreendem por suas reviravoltas impactantes e inesperadas, causam impacto com uma narrativa simples, mas intensa e eficiente.

Dito isso, prepare-se para encontrar, aqui, histórias psicodélicas, de drama, horror e sobrevivência, oras triunfadas sobre as verossimilhanças visuais, ora abstratas e cartunistas, seja em 2D ou em 3D. O steampunk e o gênero heist também fazem à festa em alguns episódios divertidos e muito bem executados. E o humor, ainda que breve e amargo, também garante um espaço tímido e satisfatório entre algumas animações.

Outro ponto importante é que apesar de curtos, com durações variando entre 6 e 17 minutos, os episódios nos fisgam quase que de imediato. São, em geral, intuitivos, e nos guiam com facilidade entre mundos fantásticos e repletos de detalhes a cada canto da tela. Enquanto os personagens, além de (quase sempre) fugirem dos estereótipos padrões da sociedade, são carismáticos e fáceis de serem interpretados, desde as suas motivações pessoais até os objetivos dentro de suas mini-histórias. Não a ponto de decidirmos decorar os seus nomes para todo o sempre, mas eles cumprem o seu papel e conseguem nos fazer sentir na pele as suas experiências nada usuais.

Por outro lado, o problema de uma série antológica, que abarca contos e estilos distintos em cada episódio, é que algumas coisas podem funcionar e outras não. Além disso, as três palavras-chaves da série (Amor, Morte e Robôs) sugerem e possibilitam uma infinidade de histórias. Por esta razão, os temas explorados nos episódios variam, indo de um ponto a outro em poucos instantes. Consequentemente, nem todas as histórias irão agradá-los. Não que isso seja necessariamente uma regra, isto dependerá do ponto de vista de cada espectador.

Aliás, Love, Death + Robots reúne propositalmente diferentes tribos em uma só produção. Aqui, gamers, otakus, nerds e cinéfilos terão a chance de aproveitar o deleite visual que os contos proporcionam em um curto período de tempo. Para as mentes mais abertas, a série é um convite para uma viagem transcendental entre o amor e a morte (e a robótica) em universos ricos e singulares.

Por outro lado, certos episódios (para alguns) podem facilmente serem resetados da mente logo após serem executados. E parte da culpa é da própria produção. Aliás, a sucessão e a transição entre jornadas intensas e poéticas para outras que são nada mais que narrativas visuais muito bem construídas, fazem as expectativas dos espectadores irem por água abaixo.

No final, a principal dica para navegar pela série é manter-se aberto às experiências e ter em mente que cada uma das animações o guiará por um mundo espetacular de maneira totalmente adversa as aventuras anteriores. Quase nada, digo com tranquilidade, se repete ou torna-se habitual aqui.

Assim, além dos temas centrais, a diversidade, o senso da descoberta e a surpresa são as únicas variáveis imutáveis do show e cabe somente a você decidir o quão positivo ou negativo isto é.

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Críticas de Séries

Crítica | Titans

Sem vergonha das referências, Titans caminha para ser um ícone entre as séries da DC na televisão.

Foto: Divulgação/DC Universe

Desde que saíram as primeiras imagens de bastidores, Titans gerou bastante curiosidade e desconfiança. O que muita gente não esperava é que a aposta do DC Universe seria bem aceita por também trazer o clássico toque sombrio só que num tom acima: heróis xingando e sangue jorrando na tela. Vem cá, vamos falar sobre novo passo do estúdio.

A série acompanha o início da carreira dos jovens heróis do Universo DC. Dick Grayson e Rachel Roth, uma jovem garota especial possuída por uma estranha escuridão, acabam no meio de uma conspiração que pode trazer o Inferno para a Terra. Eles se juntam à cabeça-quente Estelar e o amável Mutano. “Juntos, eles se tornam uma família e uma equipe de heróis”, apontava a sinopse da Netflix.

Entretanto, “família” ou “equipe” ainda não são termos que definem tão bem a relação dos protagonistas nesse primeiro ano. Arredios, Dick, Rachel, Kory e Gar mal conseguem desenvolver o senso de união ao longo dos episódios. Não por faltarem motivos, mas por ainda terem mais mistérios separados do que momentos compartilhados juntos. Passam-se os 11 episódios e a verdade é que eles mal se conhecem.

Para compensar essa falta do “time”, Titans entrega uma boa história, acompanhando como as subtramas dos heróis caminham ao obscuro arco central. Narrativamente é mais pesada que Arrow, lembra Gotham e se aproxima do que Demolidor faz na Netflix, ainda que com ação menos caprichada.

O arco principal, que envolve a origem de Rachel Roth, terminou antes da hora. Depois fiquei sabendo que transformaram o último episódio no primeiro da segunda temporada. E olha, fez falta. Não pela curiosidade, mas faltou a gente entender melhor sobre a ameaça desse cliffhanger.

Além dos próprios Titans, a série apresenta os ótimos Rapina e Columba que, infelizmente, foram apresentados antes da hora. No início da série, houve uma tentativa de dar relevância aos personagens, que somem entre as subtramas dos protagonistas e reaparecem num episódio inteiro dedicado a eles já no antepenúltimo episódio, cortando todo o clima de tensão, enfraquecendo clímax e o próprio potencial dos personagens.

Na tentativa de empolgar a audiência, o roteiro insere personagens pelo prazer dos easter eggs e sacrifica o poder de impacto que poderiam ter se tivessem reais motivos para estarem no caminho dos Titans.

De qualquer forma, sem histórias mirabolantes e com foco em apresentar os quatro heróis, a série sustenta a violência que promete sem que isso chame mais atenção que a própria trama. Servem como bons complementos para a produção que, nesse novo contexto que o DC Universe está se inserindo, representa uma evolução. Cumpriu a primeira missão deixando um terreno fértil para uma próxima temporada ainda melhor e com escolhas de roteiro mais inteligentes.

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Crítica | Ilha de Ferro

Com qualidade técnica apurada, seria tudo perfeito se ‘Ilha de Ferro’ não tivesse um roteiro tão fraco.

Foto: Divulgação/Globoplay

Pensar que uma emissora de TV pudesse apostar tão alto no futuro do streaming seria algo estranho de pensar até pouco tempo atrás. Mas o Globoplay, plataforma da TV Globo na internet, está apostando alto para ser ‘a casa do talento brasileiro’ e ter um valor de mercado semelhante ao da Netflix do Brasil. Nessa brincadeira, já surgiram produções como Carcereiros, Sob Pressão e Ilha de Ferro, que é sobre quem falaremos agora.

O drama conta a história de Dante (Cauã Reymond), que é o coordenador de produção da PLT-137, uma plataforma petrolífera recordista de acidentes. Ele sonha em se tornar gerente do local, mas fica revoltado quando percebe que precisa competir com a recém-chegada Júlia (Maria Casadevall) pelo cargo. No entanto, é no meio dessa disputa que acaba surgindo uma paixão entre os dois capaz de mudar o rumo de suas vidas.

Ainda que muita gente torça o nariz para qualquer produção brasileira que seja protagonizada por atores globais, aqui isso não precisa ser uma questão. O texto de Mauro Wilson e direção de Afonso Poyart desviam de diálogos artificiais e criam boas condições para atuações menos caricatas. Sem dúvidas, aqui, Sophie Charlote entrega a melhor atuação da carreira.

No entanto, é no roteiro que surgem os principais problemas de Ilha de Ferro por causa da falta de assunto. O grande arco narrativo da série se apoia num romance problemático e não tão carismático quanto pretendido, que gira em círculos infinitos e demora para ter qualquer avanço. Não existe um objetivo determinado, uma grande tarefa a ser cumprida ou sequer um vilão a ser combatido. Funciona como série procedural para encher linguiça enquanto o casal se desenvolve e só nos últimos episódios tira do limbo uma subtrama que se torna o pico de ação da história. Mas até chegar nesse ponto, o espectador é cozinhado demais.

A fragilidade do roteiro se escancara, ainda, quando apresenta quase toda cartela de personagens como pessoas infelizes e amarguradas sem conseguir distribuir esses dramas entre os longos 12 episódios, que mergulha no drama sem quase nenhum espaço para diálogos que rompam com essa tensão. Há casos, ainda, de personagens que interferem na trama, mas são mal trabalhados como Astério Medeiros (Milhem Cortaz) que some de repente e Sileno Matos (Júlio Rocha) que aparece do nada e numa frustrada intenção de alívio cômico.

De qualquer forma, talvez só um roteiro realmente sofisticado fosse capaz de se igualar ao melhor que Ilha de Ferro oferece. E não, não se trata do bom trabalho de Cauã Reymond ou no esforço de Maria Casadevall. Mas, sim, no primor técnico da direção artística e geral do cineasta Afonso Poyart, que traz uma estética que não deixa nada a desejar para qualquer produção estrangeira.

Há a sensação, ainda, de que a direção de arte é tenta ajudar a desenvolver a personalidade dos personagens em tela através de ilusões e desvaneios aparentemente abstratos.

A grosso modo, Ilha de Ferro começa bem, com estética que impressiona e personagens fortes. A história não se sustenta após o primeiro episódio, cumpre os quesitos técnicos, atinge seus melhores momentos nas sequências de ação, mas rompe, infelizmente, tem um roteiro pretensioso demais ao drama. De qualquer forma, é um bom passo para o fortalecimento do segmento de séries nacionais e merece uma chance de quem estiver disposto a dar.

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