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Críticas de Séries

Crítica | ‘The Fall’ – Temporada 3

“The Fall”, uma produção da Netflix com a BBC Two é um “textão”, mas isto foi um elogio. The Fall é um texto bem embasado, com profundidade, com notas de rodapé e citações preciosas. Não estaria no Facebook, por exemplo. Em sua terceira, e derradeira temporada, já disponível no streaming e também com exibição finalizada na TV Inglesa, a série se consolidou como um dos melhores dramas policiais da “tv”.

Há quem não tenha gostado do ritmo mais lento do terceiro ano da série estrelada por Gillian Anderson (Stella Gibson) e Jamie Dornan (Paul Spector), talvez não estivessem prestando atenção desde o início. The Fall é sobre uma investigação criminal, mas também é sobre o mal, sobre destruição psicológica, sobre abuso de poder, sobre misoginia e obcessão. Tudo isso trespassado por closes demorados e duelos de sussurros, seguidos por rompantes de raiva ou tristeza.

A temporada começou nas horas que se seguiram ao desfecho desastroso da Operação Music Man, coordenada por Stella Gibson. Em sua obsessão em prender Paul Spector ela o expôs em uma série de pequenos erros de atenção por parte de sua equipe, e quase é arrastada para o fim de sua carreira, como ele para o fim da vida.

Spector passa então a lutar para viver, e Gibson não quer de maneira nenhuma que ele “traia o sistema”. Em suas palavras, ela quer que ele “viva para pagar por seus crimes”, já que a morte seria um fim “muito misericordioso” para o Estrangulador de Belfast. A Operação Music Man passa por investigação interna, junto com todo o departamento de polícia comandado pelo chefe de Stella, Burns.

A perseguição de cão e gato só voltou ao pico já na metade da temporada de seis episódios, e ainda assim foi a mais silenciosa de todas as três temporadas. Gibson aparentava cansaço em todas as cenas, como alguém que se vê falhando depois de um longo caminho em conseguir o que deseja. Spector mais acordado que nunca, mais melindroso e sociopata que nunca, passou por momentos que poderiam dar pena no espectador mais desavisado.

The Fall conta com diálogos quase acadêmicos sobre a visão da sociedade patriarcal sobre a mulher independente, como uma aula de sociologia e psicologia em forma de drama criminal. Não é apenas o assassinato em série, mas a morte de mulheres jovens, com uma carreira em ascensão. Mulheres ceifadas por um homem ardiloso e viu, que tentou o tempo todo se mostrar como uma vítima de uma infância de abusos e maus tratos, mas ele era mais que isso. Os abusos sofridos por Spector certamente moldaram a sua personalidade, mas ele teve chances de fazer diferente ainda muito cedo, e escolheu não fazer.

Por tudo isso, e sim pela voz rouca e sussurrante de Gillian Anderson, The Fall é um dos melhores “textões” que se pode ler atualmente sobre feminismo, mas também sobre assassinato em série e investigação criminal.

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