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Crítica de Filme

Crítica | Sonic – O Filme

Live-action entrega história simples, mas divertida na telona.

Todo aquela história de que o próprio Yuji Naka (ex-presidente da Sonic Team e um dos criadores do ouriço azul) ficou chocado com a aparência de Sonic nas primeiras imagens divulgadas pela Paramount Pictures pode até ser verdade, mas o resultado do longa-metragem nas telonas me fez pensar se no fim tudo não passou de estratégia de marketing.

Digo isso porque embora não seja mais do que o esperado para um filme adaptado de videogame, Sonic é um live-action divertido e que consegue contemplar a essência da personagem mais famosa da SEGA e um dos ícones dos jogos eletrônicos entre todas as épocas.

Temos nos 99 minutos de filme um roteiro bem humorado e contemplativo sobre a figura do ouriço, afinal de contas protagonismo é isso e precisa ser bem executado. Por mais surpreendente que pareça, a trama amarra muito bem diversos elementos da franquia sem abrir mão de certa originalidade em seus desdobramentos. É o caso da origem de Sonic e os poderes dos Anéis, que ganham uma conotação mais universal e que vão para além de evitar que o personagem chegue ao game over.

Por falar nisso, o filme tem muitos easter eggs bem criativos como a adaptação da famosa primeira fase Green Hills na cidade cenário da aventura. Entre os outros tantos, protagonizados nas falas e ações de Sonic, nada é tão divertido do que vê-lo chamar seu antagonista pelo nome original (Dr. Eggman) numa referência às armas usadas por ele, já que na versão em live-action a personagem vivida por Jim Carrey não é um homem em forma de ovo como nos jogos.

E já que Dr Eggman/Dr. Robotnik está em evidência, o que dizer de Jim Carrey? Novamente uma atuação memorável e que coloca a personagem na nossa memória afetiva como um dos bons trabalhos do ator. O duelo entre o ouriço azul e o gênio do mal é dinâmico durante todo o filme e satisfaz na medida do possível.

Reúne-se a isso a trilha sonora que reúne temas clássicos de Sonic the Hedgehog com hits famosos dos anos 1990 e scores bem elaboradas por Junkie XL, que contam a história do filme em momentos que misturam a linguagem do audiovisual e elementos do jogo eletrônico com um bom resultado.

Por fim, a deixa criada desde o começo do filme com personagens similares a Knuckles, a promessa de vingança de Robotnik e a aparição de Tails nos levam a crer que poderemos ver em breve um Sonic 2 com quem sabe um “Sonicverso”.

É por isso que termino esse texto levantando a mesma hipótese do início: E se o “Sonic deformado” não passou de estratégia de marketing para nos convencer a ir ver Sonic nos cinemas? Se for isso, os envolvidos estão muito enganados ao pensar que não iríamos ao cinema ver o ouriço mais famoso do mundo em ação. Antes isso que comprar a história de que os estúdios responsáveis pelo visual do Sonic se inspiraram no urso Ted para dar realismo ao herói velocista. Quanta bobagem! Não tinha como o Sonic do cinema ser diferente do que esse que aparece na telona.