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Críticas

Crítica | Slender Man – Pesadelo Sem Rosto

Sem assustar ninguém, monstro caneludo encontra no Cinema uma boa chance pra dar entrada na aposentadoria.

Foto: Divulgação

É compreensível que a lenda do Slender Man, cria da internet, tenha atraído a atenção da Sony/Screen Gems. A figura sem face, de altura descomunal e braços compridos surgiu fruto de um concurso de imagens tratadas com Photoshop, extrapolou os limites dos virais de interwebs e se misturou com a realidade em fanfics febris mundo a fora.

O monstro, eles devem ter concluído, tem um apelo junto ao público teen (e, vá lá, um elo com o mundo real e contemporâneo, embora a produção tenha demorado tempo demais pra sair) que seus pares cinematográficos Fredddy Krueger e Jason, por exemplo, talvez não tenham. Krueger e Jason são invencionices da indústria, já Slender Man nasceu em 2009 e foi parar nos noticiários, rendendo um crime bárbaro que por pouco não terminou em morte.

O problema é que o filme dirigido por Sylvain White nem de longe sustenta o chamariz. A principal falha pode ser o roteiro de David Birke que oferece uma trama ralíssima a ponto de, pelo menos depois da segunda metade, dar a sensação de que nada acontece, feijoada. Repare na cena em que Hallie (Julia Goldani Telles), desfigurada pela tortura psicológica de Sr. Slender, senta-se ao espelho para se maquiar, pois precisa ir bela para um encontro com o crush. A sequencia se estende, completamente desnecessária, só para na cena seguinte a moça surgir… sem maquiagem alguma.

Outra falta grave é que o texto não desenvolve as personagens que formam o quarteto de garotas que encabeçam o filme, de modo que não é possível diferenciar a personalidade delas e, consequentemente, criar elos que façam com que a gente se importe com o que acontece a elas. Assim, quando uma é “abduzida” pelo monstro caneludo, seu sumiço não imprime preocupação nenhuma. Confesso que a certa altura eu tinha até esquecido da pobre infeliz. Isso acaba com qualquer possibilidade de tensão ou medo e assim a única ferramenta que resta ao filme é apelar para os sustos gratuitos.

E, olha, há muitos deles. Mas nem mesmo eles alcançam um efeito ideal, já que boa parte desses jump-scares se dão no melhor estilo Serginho Malandro Salci-Fufu Te Peguei!!! Ou seja: não. Mas calma que tem mais.

Pra piorar, há muitas falhas na lógica interna do filme, daquelas que catapultam a gente pra fora da história. A maioria delas relacionadas às motivações dos personagens. Você fica “qual é a desse monstro afinal?” (não há respostas) “Por que uma garota, em pleno domínio de suas faculdades mentais, se prestaria a um papel desses?” Além de outros menos relevantes, mas não menos irritantes como uma casa que aparentemente não tem interruptores pra que se liguem as lâmpadas ou vídeos de celular que, do nada, surgem upados em computadores… e a lista vai embora.

Dito tudo isso, pra completar, o final ainda é meio inconsistente – embora não perca a chance de deixar um recadinho do bem para os jovens que se deixam encantar por monstros caneludos e baleias azuis e outras viagens perigosas dos tempos malucos de banda larga. De todo modo, se você estiver esperando por um belo cagaço de filmes de suspense, melhor ir buscar em outra freguesia: o Slender Man do Cinema fez a lenda das creepypastas perder sua força de mito.

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