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Crítica

Crítica | RuPaul’s Drag Race 12 – Episódio 1

Teremos uma das melhores temporadas de RuPauls Drag Race em 2020?

O ano mal começou e a comunidade LGBTQI+ vem recebendo tudo o que mais ama na cultura pop atual. A 12ª temporada de RuPaul’s Drag Race estreou na última sexta-feira (28) já dando indícios de que será uma das melhores edições do reality dos últimos anos. Pode ser uma afirmação um tanto exagerada, mas, ao assistir ao primeiro episódio, e conhecer parte do elenco, a vontade de descobrir o que irá acontecer a seguir só cresce a cada segundo de exibição do programa.

A dose de ansiedade em torno desta nova temporada vem surgindo desde o anúncio que a rapper Nick Minaj seria uma das juradas especiais durante a estreia. RuPaul vem usando desse artifício de convidar grandes nomes femininos da música há um tempo, graças ao sucesso da participação da cantora Lady Gaga no primeiro episódio da 9 ª temporada. Já tivemos cantoras como Christina Aguilera e Miley Cyrus dando o ar da graça logo na abertura das temporadas anteriores, o que foram escolhas assertivas para dar gás a um programa com mais de uma década na grade da televisão norte-americana.

Por outro lado, foi notório que a divulgação para este ano foi um tanto fraca. Muitos foram pegos de surpresa ao saberem que o reality voltaria na sexta-feira passada e pouco se comentou sobre o retorno do programa nas semanas que antecederam. Parte do público separou um tempinho do dia para assistir mais por um costume ritualístico da comunidade do que necessariamente pela expectativa orgânica gerada entre a audiência da série. Contudo, todos que assistiram a estreia devem concordar: ESSE EPISÓDIO ENTREGOU TUDO O QUE OS FÃS QUERIAM.

Desafios de moda, composição, dança e música foram entregues para as drags com o pretexto de mostrar sem muita delonga o talento de cada competidora. Além disso, RuPaul apostou mais uma vez numa estreia dupla, escolha que desagradou aos fãs durante a 6 ª temporada, e que causou um certo incômodo ao público quando foi divulgada pela Mama Ru durante entrevista no Late Night com Seth Meyers. Mas, nesta edição, as coisas foram diferentes.

O público pôde conhecer muito bem e, rapidamente, se afeiçoar às primeiras concorrentes apresentadas. Brita, Crystal Methyd, Gigi Goode, Heidi N Closet, Jackie Cox, Nicky Doll e Widow Von ‘ Du, ainda que sejam apenas metade do novo cast, mostraram que podem, sozinhas, compor um excelente elenco. As drags sintetizam as típicas nomenclaturas artísticas do meio, como, por exemplo, as fashions, as cômicas e as excêntricas, além de serem de regiões que já revelaram grandes nomes durante os 12 anos de reality. Há também as concorrentes imigrantes, caso da francesa Nicky Doll e da canadense, como ascendência persa, Jackie Cox.

Durante o episódio, o pequeno elenco protagonizou momentos que, em edições passadas, o público só veria bem mais adiante. Widow Von ‘ Du, escolhida pelas demais para ser uma das líderes para o desafio de coreografia, irritou-se pela desorganização das demais durante o ensaio, e não se poupou em demonstrar, já deixando sinais de um provável atrito com a drag nova-iorquina Brita. Houve também os momentos confessionais durante a montagem das artistas para o desafio principal. A persa Jackie Cox falou sobre as dificuldades de ser gay no Irã, lugar onde a homossexualidade é punida com pena de morte.

THE CATEGORY IS…

Sobre os desafios, o mini resgatou o já conhecido desfile de estações da 7ª temporada, onde as drags deveriam apresentar seus looks de primavera e outono. Com a esquecível participação de Raven (2 ª temporada e 1ª temporada do All Stars), os fãs conheceram quem são as competidoras que investem nas passarelas e as que tentam: é o caso do memorável e cômico desfile de primavera de Heidi N Closet. No desafio principal, todas foram bem elogiadas sobre suas rimas de rap e dança, um grande feito para elas já que Minaj era jurada. Entretanto, algumas receberam criticas mornas e negativas sobre seus looks. Com isso, o público já imaginava quem iria para o bottom two e protagonizar o primeiro lip sync for your life da temporada.

Quando chegada a hora de revelar a vencedora da noite e as duas que iriam lutar para continuar na competição, RuPaul resolveu chutar o balde e colocar pressão psicológica não só nas drags, mas em todo mundo que estava assistindo. A sanidade mental de Mama Ru, com certeza, foi questionada pelo público que acompanha o reality há anos.

Mesmo que RuPaul’s Drag Race não tenha trazido nenhuma novidade técnica ou narrativa para esta nova temporada, a série resolveu mudar um pouco o cronograma dos desafios, o que possibilitou uma estreia empolgante e uma entrega maior das concorrentes logo de início. As personalidades das drags, o que se tornou o principal elemento para dar o aval de queridinha do público, foram exploradas de maneira democrática, e elas não se inibiram em dizer quem são para além das maquiagens e figurinos exuberantes. Agora, resta torcer para que a temporada continue a entregar o que mostrou durante este episódio.