Crítica | Procurando Dory





07/07/2016 - Atualizado às 21:47


Dar uma continuação a um dos maiores sucessos da Pixar, Procurando Nemo, com certeza não foi uma tarefa fácil. Encaixar uma história que parecesse atraente para o público que tanto aprovou o primeiro filme, fez a companhia levar aos cinemas uma animação com um título que pouco tem a ver com a história da peixinha protagonista, mas carregada de pontos positivos por seu cuidado estético e pelo senso de humor afiado.

Procurando Dory conta a história de superação da peixinha Dory (Ellen DeGeneres), que foi coadjuvante no primeiro filme de Nemo e que sofre de problemas de perda de memória recente. No filme, um ano após ajudar Marlin (Albert Brooks) a reencontrar seu filho Nemo, Dory tem um insight e lembra de sua amada família. Com saudades, ela decide fazer de tudo para reencontrá-los e na desenfreada busca esbarra com amigos do passado e vai parar nas perigosas mãos de humanos.

Por não conseguir estabelecer relações afetivas com outros personagens de maneira prática, Dory rouba a cena do início ao fim, funcionando muito bem sozinha. Personagens de apoio, incluindo Nemo, dividem o tempo entre participações rápidas e convenientes, dando ganchos para a protagonista expor suas principais características e conflitos: o bom-humor, o esquecimento e toda carga negativa que este problema de memória traz à ela.

O trabalho de dublagem foi excelente, assim como a impecável construção estética da animação, que mistura traços de realismo com o visual caricato dos personagens. O humor é infantil, mas não é bobo. Cheio de significados, valores importantes, como os de aceitação, amizade, fidelidade e união, se escondem por baixo de um filme fofo, mas que, observando a fundo, trata de temas delicados trabalhados de maneira lúdica, sempre estimulando a superação das falhas e deficiências.

Como animação infantil, Procurando Dory é ótimo. Não tem uma história envolvente que crie uma experiência como fez Divertida Mente, por exemplo, mas passa boas mensagens, mesmo que de maneira mais velada, sem originalidade. Por ser carismático, o filme deve se tornar mais um sucesso de público da Pixar, mas não representa nada grandioso nesse oceano de animações que tanto já nos fizeram sair do cinema bem mais emocionados.