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Críticas

Crítica | Para Todos os Garotos que Já Amei

Filme entrou no catálogo da Netflix na última semana.

Foto: Divulgação/Netflix

As comédias românticas são literalmente um amor. Muitas, inesquecíveis. E os anos 90 e 2000 são a grande prova disso. O número de filmes lançados nesse gênero ano a ano se torna até mesmo incontável, e parece que a fonte de criatividade para novas tramas está perto de se esgotar. Mas ainda há esperanças. Para Todos os Garotos que Já Amei, novo longa original da Netflix liberado na sexta-feira (17), é a prova disso.

A adaptação do romance homônimo de Jenny Han, dirigido por Sofia Alvarez, traz a história de Lara Jean, interpretada pela vietnamita Lana Condor. Lara é uma adolescente que fantasia romances sem vive-los. A cada novo grande amor ela escreve uma carta, no mesmo nível dos romances que vive a ler. Ao todo, foram cinco cartas ao longo de sua vida, sendo Josh Sanderson (Israel Broussard) o seu grande dilema atual: ele era seu melhor amigo, é seu vizinho e namora com sua irmã mais velha.

As cartas somem, e todos os crushs que receberam vêm ao encontro de Lara Jean para se desculpar e entender o quê e quando os textos foram escritos. Para se livrar de Josh, Lara decide “namorar” Peter (Noah Centineo), que também recebeu a carta e recentemente terminou namoro com a antagonista do filme. O objetivo dos dois é fazer com que os problemas individuais de cada um se afastem com o novo relacionamento entre eles, fake, lógico.

A premissa do filme é mais uma boa jogada que as comedias românticas trazem. Mas a receita de fazer o telespectador rir e chorar pode, muitas vezes, se tornar repetitiva. Os primeiros 30 minutos de filme, onde o enredo principal (comentado acima) é exibido, prende qualquer telespectador por ser novidade. Mas o roteiro de Sofia Alvarez trouxe uma nova sensibilidade para o clichê “garotos adolescentes em complicações amorosas durante o perfeito High School”, quase blasé de tão usual.

Para Todos os Garotos que Já Amei é o famoso “tudo o que eu não esperava”. O filme chega como se não quisesse nada e de repente você se percebe apaixonado por cada um dos personagens. Você descobre cada um além das características que Lara Jean descreve, percebendo que eles são muito além. Não são rasos. Mas isso também não torna o filme pesado.

A representatividade também é um dos pontos mais bonitos da produção. Jenny Han escreveu em seu romance a protagonista que nós tanto queríamos ver em um longa. Vale ressaltar, também, que a forma como Lara Jean, que é fruto de um casamento inter-racial, e como sua família é apresentada e retratada durante todo o longa, incluindo a apresentação da mãe da protagonista, que morreu quando ela era pequena, é genuína, sem erros, e consolidou que é possível trazer para as telas assuntos delicados sem exacerbos ou sem criar novos debates puxados pelo lado negativo daquilo.

A diretora de fotografia do longa, Susan Johnson, também demostrou ser uma grande fã do Wes Anderson. A harmonização de cores, o posicionamento de elementos e o enquadramento de cada câmera, principalmente quando estamos falando de cenas na casa de Lara Jean, são muito delicados e bem pensados. Às vezes, metódicos, e aqui saudamos Anderson!

O fato é: como qualquer filme original já lançado pela Netflix, Para Todos os Garotos que Já Amei tem seus erros. Em sua maior parte técnicos. Mas isso não exclui o modo que as complicações das cartas e do namoro falso de Lara Jean, que parecem ser características de uma trama tão simples, se tornarem facilmente como a melhor comédia romântica já lançada pelo stream.

Para os fãs de comédia romântica, ai vai um ótimo filme adolescente que daqui a alguns anos ainda será lembrado.

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