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Crítica de Filme

Crítica | Pantera Negra

WakandaForever! Empolgante e altamente estiloso, filme de Ryan Coogler já é um marco na galeria da Marvel.

Foto: Divulgação/Marvel

É isso aí. A era dos Filmes de Herói chegou e sentou, não tem como mandar embora. Fatalmente, com um calendário de estreias cada vez mais frenético (antes do Pantera, vi três trailers de lançamentos futuros) é natural que haja uma certa saturação da premissa “nova ameaça ao planeta, dessa vez muito mais cabeluda que as anteriores, desafia nossos heróis que apanham bastante, porém salvam o dia”.

O lado bom é que quando surgem filmes como este Pantera Negra (Black Panther, 2017) a sensação de frescor agrada fácil. Dirigido por Ryan Coogler e escrito por ele e Joe Robert Cole, o filme se passa após os eventos de Capitão América: Guerra Civil (2016) onde o pai de T’Challa (ChadwickBoseman, o Pantera) é assassinado. Quando o personagem volta pra casa a fim de assumir o trono do pai, o roteiro nos apresenta à fascinante história de Wakanda, uma espécie de El Dourado oculta na África, onde tradição e alta tecnologia se entrelaçam harmonicamente.

E aí é preciso notar como o filme de Coogler é cheio de subtextos e infinitos atrativos para além da trama cardeal, que é a sempre empolgante disputa pelo trono de um Reino (O Rei Leão? Shakespeare? O Retorno do Rei? Tmj!). O próprio conceito de Wakanda, uma bolha de perfeição em meio à loucura do mundo, e todas as escolhas diplomáticas tomadas até então para manter o reino em pleno funcionamento já dão o que pensar. (E sim, esse é um ponto-chave). De outro lado, o Desenho de Produção se encarrega de reimaginar ruas tão tradicionais de países africanos adicionando o incrível arsenal de aparatos tecnológicos característicos do lugar. Vai vendo.

Não há bobo da corte nenhum na trama do reino de Wakanda. Mas o senso de humor é empregado aqui com a dosagem adequada para não desacelerar os momentos de tensão das batalhas pré-coroação, por exemplo. Nesse sentido, Shuri (Letitia Wright, maravilhosa) forma uma inusitada parceria com o agente Everett K. Ross de Martin FreemanNão me assuste assim, colonizador!”. E junto a ela, gênia geek, muitas outras bravas guerreiras engrossam o caldo de #GirlPower presente aqui.

Algumas sequências, no entanto, especialmente aquelas que exploram cenários naturais de Wakanda,evidenciam certa artificialidade do CGI. (Vai filmar na locação, Marvel!) E agora vamos respirar brevemente para falar sobre o desafiador do trono desempenhado com sangue nos olhos por Michael B. Jordan. Um pano de fundo sensacional que leva a gente de volta a Oakland de 1992 pra contar a história de uma criança que acreditava no “conto de fadas de Wakanda” e vira homem-crescido com sede de vingança e ódio na alma. O ponto é: o arco do personagem é tão interessante e rico que, embora crucial para estabelecer contrastes morais com o protagonista, quase se torna mais tridimensional que o de T’Challa. Mas, calma. Eu disse “quase”.

Para encerrar, outro ponto admirável aqui é a forma suave… plácida!, mas nunca omissa, com que o filme discute temas espinhosos. É claro que em terra de Disney|Marvel, ninguém quer saber de baixo astral. Mas é através da exaltação da cultura negra – seja pelo coração das tradições africanas, seja através do jogo de basquete no gueto, ou dos acordes de música – o filme faz resplandecer o belo de tudo isso. E o elenco de astros do mais óbvio talento termina de dar o recado. E aí, só pra fechar essa retranca: em tempos de whitewashing nas produções americanas e em tempos onde velhos terrores tem voltado à tona, um Blockbuster de Herói, entretenimento de qualidade, com essa proposta, crava um belo marco na galeria da Marvel.

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Coberturas

#VoltsNaMSDC – Confira aqui as críticas do Panorama Brasil – Filmes da Região Sudeste

Os filmes selecionados vêm dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais

Ao todo, a Mostra Sesc de Cinema 2019 conta com 42 filmes e aqui no Volts você confere nossos comentários sobre todos eles. Nesse post, as produções da Região Sudeste são as estrelas. Vai vendo.

Fabiana (São Paulo, São Paulo) 89min, longa-metragem, documentário, 2018

‘Fabiana’ é o longa dirigido e escrito pela goiana Brunna Laboissière cuja proposta interessa de cara: pegar carona no caminhão da mulher trans e também lésbica que dá título ao filme. Uma figura poderosa, despachada e cheia de bagagem que segue baforando seu cigarrinho pela janela enquanto compartilha vivências.

O universo da estrada é por si só uma fonte infinita de histórias, mas Fabiana é um ponto de resistência numa profissão dominada por homens – não meramente por ser mulher e caminhoneira, mas também por sua orientação sexual. Porém, infelizmente o potencial fica perdido na estrada. A condução do filme é surpreendentemente passiva, desperdiçando a oportunidade de explorar a evidente riqueza do material.

E dá pra entender a intenção de Laboissière de não interferir, por exemplo, numa passagem em que Fabiana atende uma ligação e aparentemente recebe uma notícia ruim, desliga a chamada e fica em silêncio por longos minutos, balbucia algo e segue em silêncio até que a diretora pergunta “O que houve?” e aí ela finalmente conta. Outras sequências se limitam a contemplação pura e simples. Ou seja, a fartura do material exige mais intervenções e ao público resta sair da sessão como quem esperava uma viagem memorável e pegou apenas uma caroninha curta.

Plano Controle (Belo Horizonte, Minas Gerais)16min, curta-metragem, ficção, 2018

Se a turma do Twitter produzisse um filme, seria esse Plano Controle. Um flerte divertido com a ficção científica ensaia um Brasil onde o teletransporte é uma realidade e pode ser acionado como quem ativa um pacote de dados de internet móvel.

Escrito e dirigido por Juliana Antunes, o curta brinca com viagens no tempo pra fugir da realidade dura de 2016 com o golpe que tirou Dilma da presidência. Pra ilustrar os deslocamentos no espaço-tempo, o filme investe numa bricolagem de cenas icônicas da cultura pop nacional que vão de Van Damme dançando com a Gretchen no palco do Gugu a clássicos musicais dos anos 90. Sendo assim, onde “Plano Controle” falta em fazer sentido, sobra no senso de humor. 16 minutos bem aproveitados.

Navios de Terra (Belo Horizonte, Minas Gerais) 70min, longa-metragem, ficção, 2018

Esse longa de ficção dirigido por Simone Cortezão é um investimento pesado na estética do marasmo. Conceitual e visualmente promissor, o filme pensa a exploração de minério como o “deslocamento de montanhas” do Brasil a China e vice-versa. Seu protagonista (Rômulo Braga) sai de Minas e vai de navio ao outro continente em busca desses encontros muito subjetivos que ninguém sabe direito explicar. Nesse meio tempo o que se vê é um filme lentíssimo e frequentemente até arrastado onde quase nada acontece.

Jéssika (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro) 19min, curta-metragem, ficção, 2018

Jéssika, filme de Galba Gogóia, propõe uma discussão pertinente sobre a importância do acolhimento familiar em diversos níveis ao trazer a travesti do título de volta a casa onde cresceu como menino, pra reencontrar a mãe.

Pouco criativo na direção, o filme gira em torno de um diálogo na mesa do café (em plano e contraplano) onde muitos “não-ditos” e mágoas ficam evidentes assim como o amor entre as duas personagens, que é o que acaba gritando mais alto no fim das contas, mas tanto na vida quanto no filme, não é só o que importa. Infelizmente para Jéssika, como para tantas outras, apenas ser chamada pelo nome, já é uma imensa prova de aceitação pra quem cresceu acostumada a viver na defensiva.

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Coberturas

#VoltsNaMSDC Confira aqui as críticas do Panorama Brasil – Filmes da Região Nordeste

Os filmes selecionados vêm dos estados da Bahia, Ceará, Sergipe, Paraíba e Pernambuco

Ao todo, a Mostra Sesc de Cinema 2019 conta com 42 filmes e aqui no Volts você confere nossos comentários sobre todos eles. Nesse post, as produções da Região Nordeste são as estrelas. Vai vendo.

Mateus (Recife, Pernambuco) 80min, longa-metragem, documentário, 2017

Essa doçura de documentário em formato road-movie é um breve passeio pela cultura popular pernambucana que só prova quão vastas e ricas são as tradições culturais do nosso país. Os palhaços Jurema e Bandeira vão rasgando a estrada a bordo de um fusquinha azul 78 em busca dos veteranos ‘brincadores’, palhaços que são chamados de ‘Mateus’ na região da Zona da Mata norte-pernambucana.

O doc. dispensa o didatismo que até poderia esclarecer os termos “Loa”, “Cavalo Marinho” entre tantos outros e prefere focar nos personagens como seu Zé de Bibi e o Mateus Martelo que, já idosos, seguem como guardiões de um saber popular tão belo e puro. “Pessoas assim enchem a minha alma de alegria”, diz Jurema em certo trecho – e assim também é o filme que emociona e diverte na mesma intensidade.

Ilha (Salvador, Bahia) 92min, longa-metragem, ficção, 2018

O que o Cinema quer da gente é coragem” … “Vocês vão ter que engolir a seco a minha subjetividade”… “O amor ensina e mata aqueles que não tem imaginação”. Assim é o longa-metragem de Ary Rosa e Glenda Nicácio, cheio dessas frases de efeito e citações, nunca dispensa a oportunidade de ser viajativo, às vezes é cafonaço, mas sempre muito consciente do próprio conceito de ser um filme provocativo e intrigante sobre a arte de fazer filmes.

Em Ilha o uso da quebra da quarta parede ganha um contorno diferente já que quem olha para a lente não encara exatamente o público e sim Thacle, o personagem que opera a câmera. E enquanto o filme dentro do filme vai sendo feito, as barreiras entre realidade e ficção vão se estreitando e memória e Cinema se misturam pra terminar no abraço. O abraço que Emerson dá em seus pais da ficção é também um acerto de contas com os pais da vida real e por isso a cena cresce tanto. Já o abraço final pode até ter lá a sua dose de cafonice, mas é marcante como é também o filme inteiro. Os dois.

Orin: Música para os Orixás (Salvador, Bahia) 73min, longa-metragem, documentário, 2018

Esse documentário em longa-metragem dirigido por Henrique Duarte parte da interessante premissa de que os cânticos e ritmos do candomblé tiveram papel determinante na construção de diversos gêneros musicais brasileiros, do samba ao funk. Dessa forma, o texto vai evoluindo e faz perceber que a música está relacionada a uma ancestralidade que chega até mesmo a extrapolar o território da religião.

O filme também é hábil em explorar detalhes que vão desde a feitura dos atabaques até a curiosa hierarquia dos instrumentos. Nesse sentido, as diferentes danças de cada orixá rendem um dos momentos mais belos do longa. Por fim, a simbiose entre fé e som revela uma forma de arte que flui para além dos terreiros e vai parar, como o doc. explica, na pauta da Rumpilezz Orquestra em Salvador até virar referência central para um grupo de rap.

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Coberturas

#VoltsNaMSDC Confira aqui as críticas do Panorama Brasil – Filmes da Região Sul

Os seis filmes selecionados vêm dos estados do Rio Grande do Sul e Paraná.

Ao todo, a Mostra Sesc de Cinema 2019 conta com 42 filmes e aqui no Volts você confere nossos comentários sobre todos eles. Nesse post, as produções da Região Sul são as estrelas. Vai vendo.

Catadora de Gente (Rio Grande do Sul, Porto Alegre) 18min, curta-metragem, documentário, 2018

Dona Maria Tugira Cardoso. Uma senhorinha de feições muito amigáveis, olhar doce, sorriso sincero, a voz cheia de ternura. A aparência esconde o histórico embrutecedor nos lixões de POA, de onde retirou seu sustento por 30 anos. “Eu era bruta”, ela diz. E justifica a raiva como instrumento fundamental para o cenário hostil do lixo.

O curta dirigido e escrito por Mirela Kruel se escora inteiramente na fala hipnótica da protagonista, seduzindo o espectador no discurso pra finalizar com uma linha impactante que explica o título do filme. Catadora de Gente segue um raciocínio claro sobre o poder transformador da informação na vida dos indivíduos. Um trabalho correto, de narrativa estável com uma cereja do bolo esperando o final. Talvez por isso o filme perca força se visto mais de uma vez.

Quando as Coisas se Desmancham (Curitiba, Paraná) 21min, curta-metragem, documentário, 2018

Uma adolescente entre as terríveis tensões pré-ENEM e o cuidado com o pai que enfrenta o Alzheimer é o plot de Quando as Coisas se Desmancham. Baseado no conto “Cinza” de Yuri Borges, o filme de Aristeu Araújo está em algum lugar entre ser um drama adolescente de coming-of-age e um tratado sobre a degradação da memória.

Em 21 minutos, Ana vai visitar o pai em Natal, mas os espaçamentos geográficos são um tanto confusos assim como as configurações familiares não ficam bem claras – Araújo prefere jogar as coisas para o campo da sugestão. Assim, inconsistente no foco narrativo, o filme propõe uma sensibilidade que não se sustenta e emula o significado do próprio título: se desmancha… Resta saber se intencionalmente ou não.

Isso me Faz Pensar (Porto Alegre, Rio Grande do Sul) 25min, curta-metragem, documentário, 2018

Esse documentário dirigido por Hopi Chapman com roteiro de Karine Emerich visita a periferia de Porto Alegre onde jovens se mobilizam em torno do Hip Hop encontrando na arte uma via de escape de uma realidade onde muitas vezes o crime e a morte são os destinos finais.

Fatalmente, as escolhas feitas aqui são muito curiosas. Adota-se uma estética meio Matrix encontra Carmen Sandiego nas cartelas e letreiros que brotam na tela ao longo da projeção sem que exista ligação alguma com a proposta narrativa. O filme se sustenta no depoimento dos personagens, mas não há conflito algum… o que imprime muito mais uma reportagem televisiva dos anos 90, desde a proposta, passando pelo texto e terminando na estética.

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